sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O DÉCIMO BILHÃO - Parte 04 de 10

O QUARTO BILHÃO

Embora tendo assumido uma posição de confronto com a União Soviética na crise dos mísseis de Cuba, Kennedy assumiu uma meta de trabalhar pela construção de “um mundo de lei e livre escolha, banindo a guerra e a coerção”, valendo-se da experiência adquirida com a crise, para propor pela primeira vez um tratado de proibição de testes nucleares (1963) e iniciar uma discussão para a redução do arsenal atômico.

Tais atitudes causaram uma revolta entre os defensores de uma política expansionista pautada no poder das armas, uma das prováveis causas atribuídas ao seu assassínio em 1963.

Com a morte do presidente Kennedy, a política externa americana que vinha adotando uma política de negociação proposta em sua gestão, mudou novamente de rumo, já que seu vice, Lyndon Johnson, ao assumir o governo, ao mesmo tempo em que deu continuidade à proposta de conquistas dos direitos civis por parte da população negra, aceitou passivamente a pressão das indústrias de armas envolvendo diretamente os Estados Unidos na guerra do Vietnã, enviando já em 1964 os primeiros 16 mil soldados para o front.

Nesta guerra os soldados norte-americanos sofreram num território marcado por florestas tropicais fechadas e grande quantidade de chuvas toda sorte de revés, frente a um exército vietcongue que, conhecedores do terreno, usavam técnicas de guerrilha para conseguir seus intentos.

A corrida armamentista voltava a ser o foco do governo americano, ampliada substancialmente pela corrida espacial iniciada em 1957 com o lançamento do Sputnik pelos russos, tornando-se a guerra do Vietnã um excelente laboratório para testes de armamentos e justificativa dos vultosos gastos militares.

Em 1964, ainda como consequencia da (ou ao menos influenciada pela) morte de Kennedy novas áreas de conflito e de intervenção americana ocorreram no cenário mundial, particularmente na América do Sul e em especial no Brasil, onde apoiaram um golpe militar que destituiu um presidente civil que havia assumido o governo após um plebiscito realizado depois da renúncia de seu antecessor, Janio Quadros em 1961.

Este apoio americano aos militares golpistas brasileiros, que ficou conhecido como “Operação Brother Sam”, consistiu desde o financiamento de campanha dos opositores do Presidente deposto João Goulart, quando em 1962, este fez aprovar no Congresso Brasileiro uma lei que controlava a remessa de lucros, causando a diminuição das enormes quantias de dinheiro que eram remetidas anualmente aos EUA, ao apoio de toda a Frota do Caribe, liderada por um porta aviões USS Forrestal e outro de menor porte, além de todas as belonaves de apoio requeridas a uma invasão rápida do Brasil pelas forças armadas americanas (100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões caça, um navio de transporte de helicópteros com carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, seis destróieres, um encouraçado, além de um navio de tropas e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico) que ficou ancorada entre 50 e 12 milhas náuticas ao sul do Espírito Santo.

Ainda sobre a ação americana no golpe militar de 1964 no Brasil, torna-se necessário registrar uma ordem de Kennedy ao seu embaixador Lincoln Gordon, membro do Partido Democrata e ligado à CIA para agir com cautela, evitando provocar uma revolução no Brasil, o que claramente após sua morte foi desconsiderado.

A ação conjunta de Lincoln Gordon e do Coronel Vernon Walters (amigo do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco desde a campanha da Itália) permitiu que o agente da CIA Dan Mitrione, financiado por Magalhães Pinto (dono do Banco Nacional e governador de Minas Gerais), treinasse 10.000 homens da Policia Militar de Minas Gerais para auxiliar no golpe.

O Jornal New York Times do dia 03 de Março de 1964 publicava uma notícia informando que: Os Estados Unidos da América não mais punirão as juntas militares por derrubarem governos democráticos na América Latina, o que de fato aconteceu no Brasil no dia 31 de Março.

Também merece registro o papel da Igreja Católica no processo, onde o padre Patrick Peyton, conhecido por sua campanha anticomunista, rezou uma missa para 500 mil pessoas que haviam feito uma passeata que ficou conhecida como “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade” na cidade de São Paulo, amplamente divulgada e apoiada por parte da imprensa apoiadora do golpe (jornais O Globo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Correio da Manhã e Diário de Notícias).
Em 1968, o exército norte vietnamita invadiu o Vietnã do Sul, tomando a embaixada dos Estados Unidos em Saigon, o que provocou uma forte reação americana que, com a chegada do Partido Republicano ao poder, Richard Nixon enviou 500 mil homens para frente de batalha, provocando o momento mais sangrento da guerra.

Neste período, o comando das forças armadas americanas diante das agruras sofridas pelos soldados, vítimas da selvageria da guerra e da selva tropical, adotou um processo de liberação do uso de entorpecentes pelas tropas, provocando nos combatentes um processo de alienação moral que lhes permitia cumprir as mais reprováveis ordens que chegavam ao extermínio (genocídio) de aldeias rebeldes, a exemplo das atividades nas margens do Rio Mekong (cercanias de Phnom Penh, capital do Camboja, que chegou a ser conhecida como a Pérola da Ásia).

No território americano, sob o pretexto da liberdade de expressão, mas com o mesmo objetivo de provocar a alienação das massas, de maneira orquestrada pela CIA, o uso de entorpecentes entre os jovens foi incentivado (a repressão e o controle ficou restrito à retórica), destacando-se neste período o uso do LSD (Lysergic acid diethylamide) que ficou mundialmente famoso a partir de seu uso no festival de Woodstock (1969).

No começo da década de 70, os protestos contra a guerra aconteciam em grande quantidade nos Estados Unidos onde jovens que não desejavam ir à guerra, grupos pacifistas e a população em geral que via milhares de americanos mortos no conflito, pediam a saída imediata dos EUA do conflito.
Sem o apoio popular e com derrotas seguidas, o governo norte americano aceita o Acordo de Paris, que previa o cessar fogo em 1973 e a retirada total das tropas em 1975, acatando a declaração de vitória do Vietnã do Norte que já no ano seguinte (1976) promoveu a reunificação do Vietnã do Sul, sob o regime comunista, aliado da União Soviética

Este conflito deixou mais de 1 milhão de mortos e o dobro de mutilados e feridos. Os Estados Unidos perderam pouco mais de 50 mil soldados no confronto e contabilizaram  a perda de mais de cinco mil helicópteros e de outro número expressivo de equipamentos de ponta, o que de certa forma (macabra) acabou sendo uma vitória da burguesia interessada na indústria de armamentos.

O governo do presidente republicano Richard Nixon, desmoralizado internamente com as denúncias do escândalo de Watergate (1972), desgastado pela guerra do Vietnã, pelo aumento das tensões na região do Golfo Pérsico com a recusa dos árabes em aceitar um convívio pacífico com o Estado de Israel e sua política expansionista rumo às Colinas de Golã (um dos poucos lugares com abundância de água potável na região), com a ameaça do Japão que emergia da guerra fortalecido e com uma economia pautada na exportação de bens com alto valor tecnológico agregado, iniciou uma nova mudança (estratégica) na sua política externa, aceitando o surgimento da OPEP (Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo) mudando o foco das atenções.

Nixon, para provocar uma queda do valor do Ouro nos mercados internacionais, abandonou o padrão Ouro, finalizando assim o sistema Bretton Woods que vigorava desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

As principais disposições do sistema Bretton Woods foram, primeiramente, a obrigação de cada país adotar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar — mais ou menos um por cento — cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro  numa base fixa de 35 dólares por onça-Troy.

Richard Nixon suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro, o que trouxe uma crescente incerteza econômica e política em todo o mundo, fazendo o preço do petóleo, a exemplo de outras commodities, cair significativamente, comprometendo a economia dos países exportadores.

No ano de 1973, a criação da OPEP foi uma forma de reivindicar direitos perante uma política de achatamento de preços praticada pelo cartel das grandes empresas petroleiras ocidentais – as chamadas "sete irmãs" (Standard Oil, Royal Dutch, Shell, Mobil, Gulf, BP e Standard Oil da Califórnia), onde os membros da OPEP decidiram não exportar mais petróleo aos países que tinham apoiado a Israel contra a Síria e Egito (guerra do Yom Kippur), presumivelmente Estados Unidos e seus aliados da Europa Ocidental.

O aumento dos preços unido à grande dependência que o mundo industrializado tinha do petróleo árabe provocou um forte efeito inflacionista e uma redução da atividade econômica dos países afetados, particularmente no Japão que era muito dependente deste recurso energético.

A crise agravou-se ainda mais por causa do controle de preços nos Estados Unidos, que limitou o preço do petróleo antigo (já descoberto), enquanto permitia que o petróleo recém descoberto pudesse ser vendido a um preço mais elevado, o que supôs uma retirada do petróleo antigo do mercado e uma escassez artificial, beneficiando as atividades das empresas de prospecção petrolífera (curiosamente entre as maiores financiadoras do Partido Republicano).

Com o agravamento da crise política provocada pelo escândalo de Watergate, Nixon renunciou, assumindo a presidência o vice Gerald Ford, que entre seus primeiros atos, assinou uma anistia retirando de Nixon as “responsabilidades legais perante qualquer infração que houvesse cometido”.

A súbita escassez de petróleo no mundo, chamou pela primeira vez (de forma global) a atenção sobre os recursos naturais do planeta, agora com 4 bilhões de pessoas, anteriormente tidos como inesgotáveis e que agora se percebiam finitos.

Surgia o Partido Verde como uma instituição política na Tasmânia (Austrália), onde um grupo de ecologistas denominado United Tasmanian Group se reuniu pela primeira vez em 1972, para tentar impedir o transbordamento do Lake Pedder, mais tarde o grupo adotando o nome de Green Party.

Com a crise do petróleo e com a constatação dos limites planetários impostos à ocupação humana, a idéia de criar um partido político com ação global em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável ganhou força, partindo da Austrália para a Nova Zelândia, depois para Europa e a seguir para o restante do mundo.


O planeta alcançava o número de 4 bilhões de habitantes


Professor Orosco.


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