sábado, 11 de janeiro de 2014

O DÉCIMO BILHÃO - Parte 05 de 10

O QUINTO BILHÃO

Cada nação do planeta, a sua maneira, procurou adaptar-se a esta nova realidade, desenvolvendo pesquisas e iniciando programas em busca de uma nova fonte de combustíveis renováveis, destacando-se sobremaneira, o Pró-Álcool ou Programa Nacional do Álcool um programa de substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool, financiado pelo governo do Brasil a partir de 1975. 

Em 14 de Novembro de 1975, por decreto foi criado o Pró Álcool, sendo o engenheiro Lamartine Navarro Júnior considerado "o pai do Pró Álcool", acompanhado pelos empresários Cícero Junqueira Franco e Maurílio Biaggi.

O programa de motores à álcool foi idealizado pelo físico José Walter Batista Vidal  e pelo engenheiro Urbano Ernesto Stumpf este último conhecido como o pai do  motor a álcool  entre outros.

Na época, o então governo militar, incentivou a grilagem de terras para o cultivo da cana e fez vista grossa em relação à violações de direitos trabalhistas. Quanto aos usineiros o governo forçou a produção de álcool, ao invés de açúcar, mediante o fornecimento de subsídios.

O programa substituiu por  álcool etílico a gasolina, o que gerou 10 milhões de automóveis a gasolina a menos rodando no Brasil, diminuindo a dependência do país ao petróleo importado.

A decisão de produzir etanol a partir da cana de açúcar por via fermentativa foi por causa da baixa nos preços do  açúcar  (a exemplo das outras commodities) na época, sendo também testados outras culturas, como a mandioca, por exemplo.

A crise do petróleo provocou um revés na política comercial vigente no mundo, pois os países exportadores de commodities (quase todos no 3º mundo) viram-se subitamente alijados de uma expressiva fonte de recursos, o que provocou um elevado endividamento das nações em desenvolvimento, obrigando-as a cortar programas sociais, postergar obras de infraestrutura e a admitir uma forte elevação nas taxas de juros por parte do sistema financeiro internacional, capitaneada pelos Estados Unidos.

O milagre desenvolvimentista alardeado por quase todas as ditaduras financiadas pelos americanos caia por terra, fazendo ressurgir com maior vigor o movimento de insurreição popular em quase todo o planeta contra a política hegemônica americana, ou da “Nova Roma” como era chamada à época.

Como reflexo, em todo o mundo e, particularmente na América Latina, houve um endurecimento por parte dos governantes frente aos reclamos da população, sendo este período marcado por uma violenta repressão governamental aos insurgentes, com a total violação dos direitos civis promovendo sequestros e assassinatos em larga escala contra as lideranças políticas de oposição, lideranças sindicais ou quaisquer outras que questionassem o modelo, sendo as maiores vitimas os jovens, universitários que sonhavam com os ideais de liberdade e de igualdade.

Em 1977, cientistas britânicos detectaram pela primeira vez a existência de um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida.

Na verdade, não um buraco, mas uma considerável redução na concentração de ozônio na atmosfera, cujo efeito mais visível era a passagem maior dos raios ultravioleta vindos do espaço, com a consequente nocividade sobre os tecidos vivos (maior incidência de câncer).

A grande causa desta queda nos níveis de ozônio foi atribuída ao CFC (Clorofluorcarbono), um gás industrial utilizado de forma pioneira pela General Motors nos Estados Unidos que, no decorrer do tempo, dispersou-se pelo mundo, inserido em bens de consumo como geladeiras, aparelhos de ar condicionado e em aerosóis dos mais variados tipos e com as mais variadas aplicações.

No ano de 1978, os Estados Unidos da América jogavam na atmosfera 470 mil toneladas de CFC, que somados ao restante do mundo, outras 350 mil toneladas, davam características de grave crise ambiental ao problema.
Com uma campanha mundial de esclarecimento e com um vigoroso boicote aos produtos que continham CFC, por todo o planeta, nos anos seguintes a substituição quase que total do clorofluorcarbono nos sprays e nos aparelhos eletrodomésticos foi alcançada.

Em 1978, na Nicarágua, América Central, o líder oposicionista Pedro Joaquim Chamorro, diretor do mais importante jornal do país, La Prensa, foi assassinado sendo o presidente Anastácio Somoza acusado de cumplicidade no crime, o que fez com que o grupo guerrilheiro sandinista (Frente Sandinista de Libertação Nacional) ganhasse apoio dos camponeses em sua luta contra a Guarda Nacional (treinada pelos americanos), tomando este confronto proporções de uma guerra civil.

Em 1979, Somoza renuncia ao poder e asila-se nos Estados Unidos, deixando atrás de si uma guerra que custou mais de 30 mil vidas e destroçou a economia do país, assumindo o poder em seu lugar, a Junta de Reconstrução Nacional que revogou a Constituição, dissolveu o Congresso, promulgando um Estatuto de Direitos e Garantias, nacionalizando grande parte da indústria e expropriando as terras de grandes latifúndios distribuindo-as entre os camponeses.

Os Estados Unidos, em oposição à política esquerdista dos sandinistas, começaram a apoiar um movimento guerrilheiro anti-sandinista, os “Contras” (cerca de dois mil membros antigos da Guarda Nacional, baseados em Honduras) que desencadearam ataques guerrilheiros à Nicarágua, culminando com um embargo total americano ao país.

No mesmo período de tempo, no Oriente Médio as relações estavam se deteriorando cada vez mais, onde a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) adotando uma posição de guerrilha, promovia constantes ataques a Israel, exigindo a criação e o reconhecimento do Estado Palestino, a partir de suas bases na Jordânia, no Líbano e na Síria.

A recusa dos países árabes em reconhecer e conviver pacificamente com Israel desde sua fundação em 1948, agravava ainda mais a relação americana no Oriente Médio (os Estados Unidos em apoio a Israel enviara uma força naval que bombardeou a população civil no ano de 1979, no lado Oeste de Beirute, no Líbano).

O Xá Reza Pahlevi no Irã, retornando ao poder depois de um contra golpe apoiado por britânicos e Americanos (1953) começou um novo período no Irã, caracterizado por um monarca que queria converter seu país em uma potência econômica e militar na região.

Embora com alguns avanços, seu governo se destacou por uma política de subordinação ao Ocidente e pelos métodos despóticos utilizados contra os dissidentes.

A esta situação se somou a inflação, a escassez de trabalho e os abusos dos direitos humanos. O sistema ocidental que queria impor o Xá Reza Pahlevi não funcionou, o mal-estar popular foi crescendo até chegar à revolução, impondo-se o líder religioso Ruhollah Khomeini, por suas características pessoais, como o líder indiscutível da revolução iraniana.

Em 16 de janeiro, o Xá Reza Pahlevi abandona o país  e em 10 de Fevereiro de 1979 volta Khomeini do seu exílio na França, dirigindo pessoalmente a revolução islâmica, deixando sem efeito o regime imperial e proclamando a República Islâmica do Irã.

Devido ao asilo que outorgou os Estados Unidos ao Xá, justificando-se por motivos de saúde, em Novembro Khomeini promoveu a expulsão da embaixada americana em Teerã  mantendo seu pessoal como reféns (um total de 53 pessoas), utilizando este sequestro como motivo para pressionar e conseguir  liberar recursos iranianos congelados, aproximadamente 23 bilhões de dólares, em contas nos Estados Unidos.

Com a denúncia pública da venda de armas americanas ao Irã, em troca dos reféns mantidos na embaixada e cujos recursos financiavam a guerrilha dos Contras na Nicarágua, se anularam os acordos de  venda de armas provocando por parte do Irã a interrupção do fornecimento de petróleo para os Estados Unidos e a promulgação de uma nova constituição Teocrática.

Desta maneira os EUA perderam o seu principal aliado no Golfo Pérsico, provocando a segunda crise mundial no fornecimento de petróleo.

Em 1979, a União Soviética invadia o Afeganistão, um pequeno país montanhoso (85% do seu território é composto por montanhas) de características agrícolas, principalmente da papoula usada na produção de ópio (entre 80 e 90% da heroína consumida na Europa provém do ópio produzido no Afeganistão) que, apesar da destruição maciça provocada na sustentação logística das forças de ocupação, causando as lutas entre as facções dos Mujahidin (guerreiro santo) mostrou-se incapaz de sufocar o movimento de resistência, permitindo que os fundamentalistas do Talibã se apropriassem da maior parte do país.

O movimento de resistência à ocupação soviética contou com apoio logístico, material e militar da CIA, que enviou ao Afeganistão vários de seus agentes, inclusive ajudando Osama Bin Laden, um jovem idealista de nacionalidade Saudita, cujo pai, extremamente rico, possuia importantes ligações com a indústria petrolífera americana.

Ainda como forma de minimizar a perda de influencia na região, os Estados Unidos da América, sob a liderança de Ronald Reagan, aproximaram-se do Iraque, onde Saddan Hussein, um simpatizante stalinista com forte apelo para o “Culto à Personalidade”, que chegou a receber um premio da UNESCO em 1973 por seu trabalho na promoção da saúde e da erradicação do analfabetismo com os recursos advindos da elevação do preço do petróleo após a crise de 1973, governava ditatorialmente.

Aproveitando-se das divergencias pessoais entre Saddan Hussein e Khomeini, sem envolver-se diretamente, contando com o apoio da União Soviética que também não desejava ver aprofundar-se o fundamentalismo islãmico, os Estados Unidos agindo em conjunto com a Inglaterra e França fomentaram uma atitude belicosa entre o Irã e o Iraque, culminando com a guerra entre as duas nações.

Em  1980, o presidente Saddam Husseim, do Iraque, revogou um acordo de 1975  que cedia ao Irã cerca de 518 quilômetros quadrados de uma área de fronteira ao norte do canal de Shatt-a-Arab em troca da garantia de que o Irã cessaria a assistência militar à minoria curda no Iraque que lutava por independência.

Exigindo a revisão do acordo para demarcação da fronteira ao longo do Shatt-a-Arab  (que controla o porto de Bassora), a reapropriação de três ilhas no estreito de Ormuz (tomado pelo Irã em 1971) e a cessão de autonomia às minorias dentro do Irã, o exército iraquiano, em  Setembro de 1980, invadiu a zona ocidental do Irã.

O Iraque também estava interessado na desestabilização do governo islâmico de Teerã e na anexação do Khuzistão, a província iraniana mais rica em petróleo.

Segundo os iraquianos, o Irã infiltrou agentes no Iraque para derrubar o regime de Saddam Hussein. Além disso, fez intensa campanha de propaganda e violou diversas vezes o espaço terrestre, marítimo e aéreo iraquiano.

Ambos os lados foram vítimas de ataques aéreos a cidades e a poços de petróleo.

O exército iraquiano engajou-se em uma escaramuça de fronteira numa região disputada, porém não muito importante, efetuando posteriormente um assalto armado dentro da região produtora de petróleo iraniana. A ofensiva iraquiana encontrou forte resistência e o Irã recapturou o território.

A resistência do Irã levou o Iraque a propor um cessar-fogo, recusado pelo Irã (os iranianos exigiram pesadas condições: dentre elas a queda de Hussein). Graças ao contrabando de armas (escândalo Irã-Contras), o Irã conseguiu recuperar boa parte dos territórios ocupados pelas forças iraquianas. Nesse mesmo ano, o Irã atacou o Kuwait e outros Estados do Golfo Pérsico. Nessa altura, a Organização das Nações Unidas  e alguns Estados Europeus enviaram vários navios de guerra para a zona.

Em 1985, aviões iraquianos destruíram uma usina nuclear parcialmente construída em Bushehr e depois bombardearam alvos civis, o que levou os iranianos a bombardear  Bassora e Bagdá. 

Entre 1985 e 1987 a Guerra terrestre passou para uma fase onde predominou o atrito, que favoreceu o desgaste iraquiano, enquanto o conflito transbordava para o Golfo Pérsico, envolvendo o ataque iraniano a navios petroleiros que saiam do Iraque e o uso de minas submarinas nas proximidades da fronteira marítima dos dois países.

O esforço de guerra do Iraque era financiado pela Arábia Saudita, pelos EUA, enquanto o Irã contava com a ajuda da Síria e da Líbia. A União Soviética que vendia armas inicialmente mais para o Iraque, passa a vender mais equipamento militar para o Irã, conforme cresceu o apoio americano ao Iraque. Durante todo o conflito o Brasil  foi um dos países ocidentais que vendeu armas para o Iraque em troca de petróleo durante todo o conflito.

Na América do Sul, no ano de 1982, o governo militar argentino, numa busca desesperada de manter-se no poder com apoio popular, invadia as Falklands (Malvinas) reivindicando a soberania territorial das ilhas para a Argentina.

A rapida resposta militar da Inglaterra na retomada das ilhas, com o envio de navios, submarinos e tropas de ocupação, que provocou a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas, acabou por acelerar o processo de queda do regime militar na Argentina.

O apoio logistico e material dos americanos às tropas inglesas contra as sul americanas acentuou definitivamente o distanciamento dos governos militares do sul do continente da política de Washington, caindo por terra a idéia de união continental sob tutela norte americana e praticamente sepultando o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca - TIAR (Tratado do Rio), um tratado de defesa mútua celebrado em 1947 na cidade do Rio de Janeiro entre diversos países americanos cujo princípio central era que “no caso de ocorrer um ataque contra um dos membros, isto seria considerado como um ataque contra todos”, com base na chamada "doutrina da defesa hemisférica"), ao menos no que cabia aos Estados Unidos.

De volta ao Oriente Medio, em 1983, Donald Rumsfeld, viaja como enviado especial dos EUA, no Governo Reagan, para reforçar o apoio americano ao governo iraquiano de Saddam Hussein, na guerra Guerra Irã-Iraque.

Posteriormente Donald Rumsfeld veio a ocupar o cargo de Secretario de Defesa dos EUA, durante o Governo Bush. 
Mas, em meados da década de 1980, a reputação internacional do Iraque ficou abalada quando foi acusado de ter utilizado armas químicas contra as tropas iranianas, embora tenha acusado o Irã de fazer o mesmo (1987-1988).

Novamente as Super Potencias adotavam a fórmula A luta contra B nas terras de C, já que um dos maiores prejudicados com esta guerra, a exemplo da primeira, foi o Japão que viu sua economia quase estagnar, distanciando-os do sonho de conquistar uma supremacia econômica na Ásia e o respeito americano / europeu.

Esta nova crise no Oriente Médio só fez agravar ainda mais as economias da América Latina, excetuando-se o Brasil que contava com o Pró-Álcool e com uma industria exportadora de armamentos em franca expansão, fazendo o sentimento  anti norte americano acentuar-se, principalmente na América Central e no Caribe.

Em 1979 na ilha de Granada, um golpe de estado de inspiração marxista levou ao poder Maurice Bishop, que estreitou os laços com Cuba e a União Soviética.

Em 1983, através de uma intervenção militar, os Estados Unidos apoiaram uma insurreição dirigida pelo general Hudson Austin que em outubro de 1983 executou Bishop e assumiu o poder.

Também em 1983, os Estados Unidos  da América tiveram importante papel na ação contra revolucionária em El Salvador, apoiando militarmente o governo de José Napoleón Duarte, contra a Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional, apoiada por Cuba, em um conflito que resultou em mais de 75 mil mortes naquele país, praticamente destruindo a economia local.

No Brasil, em dezembro de 1979, o governo militar modificou a legislação partidária e eleitoral e restabeleceu o pluripartidarismo. A Arena (Aliança Renovadora Nacional, de sustentação do regime) transformou-se no Partido Democrático Social PDS, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de oposição, acrescentou a palavra partido à sigla, tornando-se o PMDB . Outras agremiações foram criadas, como o Partido dos Trabalhadores  PT e o Partido Democrático Trabalhista PDT , de esquerda, o Partido Popular PP e o Partido Trabalhista Brasileiro PTB, de centro-direita. Alguns partidos, como o Partido Comunista do Brasil ainda permaneceram proibidos.

Com o agravamento da crise econômica, inflação e recessão, os partidos de oposição ao regime cresceram; da mesma forma fortaleceram-se os sindicatos e as entidades de classe.

Em 1984, o País mobilizou-se na campanha pelas "Diretas Já". A partir do governo Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, a crise econômica do país e as dificuldades do regime militar agravam-se. A alta do petróleo e das taxas de juros internacionais desequilibra o balanço brasileiro de pagamentos e eleva a inflação. Além disso, compromete o modelo de crescimento econômico, baseado em financiamentos externos. Apesar do encarecimento dos empréstimos e do crescimento acelerado da dívida externa, o governo não interrompe o ciclo de expansão econômica do começo dos anos 70 e mantém os programas oficiais e os incentivos aos projetos privados. Ainda assim, o desenvolvimento industrial é afetado e o desemprego aumenta.

Nesse quadro de dificuldades, o apoio da sociedade torna-se indispensável. Para consegui-lo, Geisel anuncia uma "distensão lenta, gradual e segura" do regime autoritário em direção à democracia. Entre 1980 e 1981, prisões de líderes sindicais da região do ABC paulista, entre eles Luís Inácio Lula da Silva presidente do recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT), atentados terroristas na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no centro de convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, revelam as grandes dificuldades da abertura. Ao mesmo tempo, começa a se formar um movimento suprapartidário em favor da aprovação da emenda constitucional, proposta pelo deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira, que restabelece a eleição direta para a Presidência da República. A campanha das “Diretas Já” espalha-se em grandes comícios, passeatas e manifestações por todo o país.

Em 25 de janeiro de 1984. O cenário é a Praça da Sé, centro da cidade de São Paulo. Marcado para o dia do aniversário da cidade de São Paulo, o primeiro grande comício da campanha por eleições diretas para presidente foi organizado por Franco Montoro, governador paulista.
Participaram também diversos partidos políticos de oposição, além de lideranças sindicais, civis e estudantis.

A expectativa era das mais tensas. O governo militar tentava minar o impacto do evento. O dia estava chuvoso. Aos poucos, a praça foi lotando e, no final, cerca de 300 mil pessoas gritavam por "Diretas já!" no centro da cidade, declarando apoio à emenda constitucional do deputado federal Dante de Oliveira que permitia a eleição direta para a Presidência da República. Mas a emenda foi derrotada na Câmara dos Deputados em votação realizada em 25 de abril: não alcançou número mínimo de votos para ser aprovada.

Em 15 de janeiro de 1985, o governador de Minas Gerais Tancredo Neves foi eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral, com José Sarney como vice-presidente, derrotando o candidato da situação, o deputado federal Paulo Maluf, por 480 a 180 votos e 26 abstenções.

Tancredo, porém, foi internado em Brasília, um dia antes da cerimônia de posse. Foi submetido a várias cirurgias mas seu estado de saúde só se agravou. Até que, para grande pesar e comoção dos brasileiros, Tancredo faleceu em 21 de abril de 1985 na Cidade de São Paulo.

Sarney assumiu a Presidência no dia 15 de março, dando fim a 21 anos de ditadura militar no Brasil.

Mas a redemocratização só foi completa com a promulgação de nova Constituição no dia 5 de outubro de 1988.

Na madrugada entre dois e três de dezembro de 1984, mais de 40 toneladas de gases letais vazaram da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide Corporation, em Bhopal, Índia, provocando o maior desastre químico da história.

Gases tóxicos como o isocianato de metila e o hidrocianeto escaparam de um tanque durante operações de rotina, onde os precários dispositivos de segurança que deveriam evitar desastres como esse apresentavam problemas ou estavam desligados.

Estima-se que três dias após o desastre 8 mil pessoas já tinham morrido devido à exposição direta aos gases.

A Union Carbide se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos.

Mesmo hoje os sobreviventes do desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram obter da Union Carbide e de seu novo dono, a Dow Química, informações sobre a composição dos gases que vazaram e seus efeitos na saúde.

Infelizmente, a noite do desastre foi apenas o início de uma longa tragédia, cujos efeitos se estendem até hoje.

A Union Carbide, dona da fábrica de agrotóxicos na época do vazamento dos gases, abandonou a área, deixando para trás uma grande quantidade de venenos perigosos.

A empresa tentou se livrar da responsabilidade pelas mortes provocadas pelo desastre, pagando ao governo da Índia uma indenização irrisória face à gravidade da contaminação.

Hoje, bem mais de 150.000 sobreviventes com doenças crônicas ainda necessitam de cuidados médicos, e uma segunda geração de crianças continua a sofrer os efeitos da herança tóxica deixada pela indústria.

Na noite do desastre, as seis medidas de segurança criadas para impedir vazamentos de gás fracassaram, seja por apresentarem falhas no funcionamento, por estarem desligadas ou por serem ineficientes. Além disso, a sirene de segurança, que deveria alertar a comunidade em casos de acidente, estava desligada.

Os gases provocaram queimaduras nos tecidos dos olhos e dos pulmões, atravessaram as correntes sangüíneas e danificaram praticamente todos os sistemas do corpo.

Muitas pessoas morreram dormindo; outras saíram cambaleando de suas casas, cegas e sufocadas, para morrer no meio da rua. Outras morreram muito depois de chegarem aos hospitais e prontos-socorros.

Os primeiros efeitos agudos dos gases tóxicos no organismo foram vômitos e sensações de queimadura nos olhos, nariz e garganta, e grande parte das mortes foi atribuída a insuficiência respiratória. Em alguns casos, o gás tóxico causou secreções internas tão graves que seus pulmões ficaram obstruídos; em outros, as vias aéreas se fecharam levando à sufocação.

Muitos dos que sobreviveram ao primeiro dia foram diagnosticados com problemas respiratórios.

Estudos posteriores com os sobreviventes também apontaram sintomas neurológicos, como dores de cabeça, distúrbios do equilíbrio, depressão, fadiga e irritabilidade, além de danos nos sistemas músculo-esquelético, reprodutivo e imunológico.

Em 2001, a Union Carbide foi adquirida pela multinacional Dow Química, sediada nos Estados Unidos. Com a compra da Union Carbide por um total de US$ 9,3 bilhões, a Dow se tornou a maior indústria química do mundo.

A Dow comprou não apenas os bens da empresa, mas também a responsabilidade pelo desastre de Bhopal e mesmo assim, a empresa se recusa a aceitar a responsabilidade moral pelo passivo ambiental adquirido.

Ao mesmo tempo em que a responsabilidade legal da Dow está sendo julgada pela justiça norte-americana, os moradores de Bhopal continuam a sofrer os impactos do desastre.

No ano de 1987, um humilde “catador de resíduos” em Goiânia, no Brasil, rompeu a embalagem de uma unidade radioativa, contendo Césio 137, que havia sido descartada de forma irresponsável, expondo ao risco uma população de 112.800 pessoas e contaminando de fato 129, das quais 49 necessitaram internação, 21 com tratamento intensivo e ao final causando 4 mortes, transformando-se este fato no primeiro acidente com vitimas fatais por contaminação radiotiva no país.

Neste ano de 1987, o planeta alcançava a cifra de 5 bilhões de habitantes e pela primeira vez o tema da superpolução e o consequente desequilibrio alimentar, principalmente na África, começava a ganhar espaço na midia mundial.


Professor Orosco


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