domingo, 12 de janeiro de 2014

O DÉCIMO BILHÃO - Parte 06 de 10

O SEXTO BILHÃO

Conforme prenunciado por Gramsci, que tinha dúvidas sobre a capacidade de uma classe dominada, subalterna, tornar-se classe dirigente e exercer o poder político convertendo-se em uma classe hegemônica, a União Soviética começava a dar sérios sinais de desagregação econômica acompanhada das respectivas consequências sociais.

As classes subalternas (sub-proletariado, proletariado urbano, rural e também a pequena burguesia) não estão unidas e sua união ocorre somente quando se converte em Estado, quando chega a dirigir o Estado, de outra forma desempenham uma função descontinuada e desagregada na história da sociedade civil e dos estados singulares. Sua tendencia à unificação “se despedaça continuamente por iniciativa dos grupos dominantes” dos quais “sofrem sempre a iniciativa, ainda quando se rebelam e se insurgem”.

Gramsci retratava em suas dúvidas a sequencia de fatos ocorridos após a Revolução Francesa, com a Reação Termidoriana, onde um grupo das classes subalternas chegando ao poder e estando em condições de exercê-lo, o fará segundo suas experiencias passadas (influencia hegemônica de seus algozes), valendo-se quase sempre de mecanismos repressores iguais ou até mais duros do que aqueles a que tinham sido submetidos.

Após a Segunda Guerra Mundial, o crescimento econômico soviético foi rápido, mas na véspera da Perestróika (a palavra Perestroika, que literalmente significa reconstrução, recebeu a conotação de reestruturação  ou abertura econômica), no início de 1980, apresentava fortes indícios de que alguns aspectos da economia não funcionavam bem:  o fornecimento de energia de base estava com dificuldades; a produção siderurgia e de petróleo estagnaram no período 1980 a 1984; as instalações de geração e de linhas de transmissão de energia tornaram-se  ultrapassadas e com sérios problemas de manutenção, provocando frequentes avarias e a interrupção de fornecimento (em 1986 ocorreu a explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl); o setor agrícola de produção de grãos, adaptado às condições climáticas, não registrava qualquer aumento de produção em relação à década anterior, apesar dos grandes investimentos, estando dois terços dos equipamentos de processamento agrícola muito velhos e em boa parte inúteis; entre 20% e 50% das culturas de cereais, batata, beterraba e frutas estragava antes de chegar aos pontos de distribuição e mesmo a parte da produção que chegava, sofrendo de problemas logísticos do abastecimento, atrasava, causando escassez temporária, gerando filas e racionamentos ocasionais, tornando o crescimento econômico per capita igual a zero ou negativo

Além de tudo, o Bloco do Leste ficou muito aquém do Ocidente em relação à implementação de inovações de alta tecnologia na produção de não militares, particularmente em telecomunicações e processadores de informação (computadores) que, aliado ao processo repressor e fiscalizador do Estado (censura) que considerava crime a posse de uma simples máquina de cópia, tornou a sociedade soviética atrasada e distante do restante do mundo, causando uma insatisfação geral quanto aos rumos propostos pelo Partido Comunista.

Da mesma forma que os americanos “flexibilizaram” o uso de entorpecentes pela juventude que desejavam alienar, os soviéticos permitiam o uso exagerado do álcool pela população, criando enormes problemas de dependência química entre os jovens e comprometendo o futuro da nação.

A enorme máquina burocrática, aliada à nomenklatura (casta dirigente) mostrava-se incapaz de dar resposta aos reclamos das regiões periféricas a Moscou, fazendo renascer os movimentos (anseios) separatistas por toda a região dos Balcãs.

Diante destes problemas estruturais, Mikhail Gorbachev, em 1985, deu início à Glasnost (liberdade de expressão), uma ação política com a meta de tornar o governo mais transparente e aberto para discutir os problemas sociais.

Com o fracasso em conseguir dar uma resposta econômica (em boa parte pela má vontade demonstrada pelos altos oficiais do Partido Comunista, de linha conservadora e mais dura e também pela impaciência da facção mais liberal) aos pedidos da população que desejava produtos e serviços compatíveis aos oferecidos pelo ocidente, a ideologia leninista (que Gorbachev tentava manter) veio abaixo, contando para isto com o apoio de Boris Yeltsin, membro de uma facção mais liberal apoiada pelos estados Unidos.

Isto provocou o fim da União Soviética e o restabelecimento do conjunto de nações independentes do período imediatamente anterior, fazendo ressurgir todos os antagonismos étnicos e religiosos que estavam adormecidos desde a revolução bolchevique.

Na noite de 9 de Novembro de 1989, o Muro de Berlim, simbolo da “Guerra Fria”, começou a ser derrubado, depois de 28 anos de existência, dando origem ao processo de reunificação da Alemanha.

O surgimento de um número expressivo de novas nações no cenário mundial, com autonomia para negociar, desejosos de adquirir produtos, serviços e todo o tipo de supérfluos que o Ocidente pudesse fornecer, oferecendo em contrapartida uma mão de obra barata, dócil e com elevado conhecimento acadêmico, criou uma gigantesca oportunidade de negócios para a burguesia ocidental que já sofria dos males do excesso de produção, mudando as relações e prerrogativas comerciais existentes.

Esta nova prioridade comercial, sem a influência da “Guerra Fria”, tornou inócua a manutenção das parcerias e do custeio de boa parte as ditaduras do Terceiro Mundo que, subitamente viram-se abandonadas pela oligarquia capitalista.

Diante do desamparo econômico, militar e ideológico, boa parte destas nações voltaram-se para o fundamentalismo religioso como forma de sobrevivência de seus governos que, sentindo-se traídos pelos interesses comerciais do Ocidente, elegeram a Jihad (guerra santa) como simbolo de continuidade.

Como consequência, o número de grupos guerrilheiros de caráter fundamentalista multiplicou-se, abrangendo todo o planeta, principalmente na Asia, no Oriente, na África e na Indonésia.

Na América Latina, os países que eram dependentes, economicamente falando, vendo-se “abandonados” voltaram-se para ampliar e consolidar a produção e comercialização de drogas, como forma de manter suas economias ativas, contando para isto, inclusive com a complacência norte americana.

Os países que adotaram uma forma de ruptura com o sistema dominante, foram militarmente neutralizados, a exemplo do Panamá, invadido em 1989 pelos Estados Unidos, que viu seu governo ser destituído e substituído por outro.

Em outro exemplo de medidas extremadas provocadas pelo abandono da política de apoio às ditaduras por parte do ocidente, o Iraque invadia o Kuwait no dia 02 de agosto de 1990, dando início à primeira Guerra do Golfo.

Saddam Hussein, à época, justificou a invasão afirmando que o Kuwait praticava uma política de exploração abusada de petróleo, para fazer o preço cair no mercado e prejudicar a economia iraquiana.

Ele exigia que o Kuwait perdoasse uma dívida contraída pelo Iraque durante a guerra com o Irã e cobrando também uma indenização, alegando a extração indevida de petróleo de campos iraquianos na região fronteiriça de Rumaila.

Nesta justificativa estavam também em jogo antigas questões de limites, como o controle dos portos de Bubiyan e Uarba, que dariam ao Iraque novo acesso ao Golfo Pérsico.

A invasão aconteceu apesar das tentativas de mediação da Arábia Saudita, do Egito e da Liga Árabe, provocando uma imediata reação internacional, afinal o Kuwait como grande produtor de petróleo era um país estratégico para as economias industrializadas na região.

Em 6 de agosto, a ONU impõe um boicote econômico ao Iraque.

No dia 28, Hussein proclama a anexação do Kuwait como sua 19ª província, fazendo aumentar a pressão norte-americana para a ONU autorizar o uso de força.

Hussein tenta em vão unir os árabes em torno de sua causa ao vincular a retirada de tropas do Kuwait à criação de um Estado palestino, onde tentando provocar a Jihad, atacou Israel, disparando inúmeros mísseis Scud, de fabricação soviética contra o território israelita, colocando a população civil em pânico, dado o risco de um ataque com armas químicas, como fizera contra a população curda.

A Arábia Saudita torna-se base temporária para as forças dos EUA, do Reino Unido, da França, do Egito, da Síria e de países que formam a coligação anti-Hussein.

Fracassam as tentativas de solução diplomática, e, em 29 de novembro, a ONU autoriza o ataque contra o Iraque, caso seu Exército não se retire do Kuwait até 15 de Janeiro de 1991.

Em 16 de janeiro, as forças coligadas de 28 países liderados pelos EUA dão início ao bombardeamento aéreo de Bagdá, que se rende em 27 de Fevereiro.

A Guerra do Golfo introduziu recursos tecnológicos sofisticados, tanto no campo bélico como em seu acompanhamento pelo resto do planeta. A TV transmitiu o ataque a Bagdá ao vivo, e informações instantâneas sobre o desenrolar da guerra espalharam-se por todo o mundo. A propaganda norte-americana anunciava o emprego de ataques cirúrgicos, que conseguiriam acertar o alvo militar sem causar danos a civis próximos. Tanques e outros veículos blindados tinham visores que enxergavam no escuro graças a detectores de radiação infravermelha ou a sensores capazes de ampliar a luz das estrelas. Mas o maior destaque era o avião norte-americano F-117, o caça invisível projetado para minimizar sua detecção pelo radar inimigo.

O efeito pirotécnico e midiático de um vídeo game que foi dado aos noticiários e às transmissões da guerra só serviram para acobertar seus horrores, escondendo um número estimado de mortos de cerca de 100 mil soldados e 7 mil civis iraquianos, 30 mil kuaitianos e 510 homens da coligação.

Após a rendição, o Iraque enfrentou problemas internos, como a rebelião dos curdos ao norte, dos xiitas ao sul e de facções rivais do partido oficial na capital.

Durante a guerra, pela primeira vez o mundo presenciava uma nação deliberada e propositadamente promover um gigantesco dano ambiental à natureza despejando milhões de litros de petróleo ao mar e incendiando os poços do Kuwait durante a retirada das tropas, usando isto como arma na tentativa de retardar o avanço das tropas da coligação.

Sob o impacto emocional provocado pelo enorme dano ambiental causado na região do Golfo Pérsico, as atividades humanas e sua forma de ocupação do planeta Terra começavam a ganhar a pauta internacional, realizando-se na cidade do Rio de Janeiro a ECO 92.

A ECO-92, Rio-92, Cúpula ou Cimeira da Terra são nomes pelos quais ficou conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no Brasil entre 3 e 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro. 

O seu objetivo principal era buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra. 

A Conferência do Rio consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu para a mais ampla conscientização de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos países desenvolvidos.

Reconheceu-se, ao mesmo tempo, a necessidade de os países em desenvolvimento receberem apoio financeiro e tecnológico para avançarem na direção do desenvolvimento sustentável.

Naquele momento, a posição dos países em desenvolvimento tornou-se mais bem estruturada e o ambiente político internacional favoreceu a aceitação pelos países desenvolvidos de princípios como o das responsabilidades comuns, mas de forma e grau diferenciadas.

A mudança de percepção com relação à complexidade do tema deu-se de forma muito clara nas negociações diplomáticas, apesar de seu impacto ter sido menor do ponto de vista da opinião pública.

A Convenção da Biodiversidade foi o acordo aprovado durante a RIO-92, por 156 países e uma organização de integração econômica regional.

Os objetivos da convenção eram a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a divisão equitativa e justa dos benefícios gerados com a utilização de recursos genéticos.

Neste documento destaca-se o "Protocolo de Bio-segurança", que permitiriam que países deixassem de importar produtos que contivessem organismos geneticamente modificados.

Dos 175 países signatários da Agenda 21, 168 confirmaram sua posição de respeitar a Convenção sobre Biodiversidade.

O principal documento produzido na RIO-92, o Agenda 21 é um programa de ação que viabiliza o novo padrão de desenvolvimento ambientalmente racional, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.

Este documento, estruturado em quatro seções subdivididas num total de 40 capítulos temáticos, trata dos temas:

Dimensões Econômicas e Sociais que enfoca as políticas internacionais que podem ajudar o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, as estratégias de combate à pobreza e à miséria, as mudanças necessárias a serem introduzidas nos padrões de consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica, as propostas para a promoção da saúde pública e a melhoria da qualidade dos assentamentos humanos;

Conservação e questão dos recursos para o desenvolvimento que apresenta os diferentes enfoques para a proteção da atmosfera e para a viabilização da transição energética, a importância do manejo integrado do solo, da proteção dos recursos do mar e da gestão eco-compatível dos recursos de água doce; a relevância do combate ao desmatamento, à desertificação e à proteção aos frágeis ecossistemas de montanhas; as interfaces entre diversidade biológica e medidas requeridas para a proteção e promoção de alguns dos segmentos sociais mais relevantes - analisa as ações que objetivam a melhoria dos níveis de educação da mulher, bem como a participação da mesma, em condições de igualdade, em todas as atividades relativas ao desenvolvimento e à gestão ambiental, acrescentando-se discussões de medidas para proteção e promoção à juventude e aos povos indígenas, às ONG's, aos trabalhadores e sindicatos, à comunidade científica e tecnológica, aos agricultores e ao comércio e a indústria;

Revisão dos instrumentos necessários para a execução das ações propostas que discute os mecanismos financeiros e os instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais; a produção e oferta de tecnologias ecos-consistentes e de atividade científica, enquanto suportes essenciais à gestão da sustentabilidade; a educação e o treinamento como instrumentos da construção de uma consciência ambiental e da capacitação de quadros para o desenvolvimento sustentável; o fortalecimento das instituições e a melhoria das capacidades nacionais de coleta, processamento e análise dos dados relevantes para a gestão da sustentabilidade.

A aceitação do formato e conteúdo da Agenda que foi aprovada por todos os países presentes à CNUMAD, propiciou a criação da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS), vinculada ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), cujo objetivo seria acompanhar e cooperar com os países na elaboração e implementação das agendas nacionais, tendo dentre todos os países de maior expressão política e econômica, somente a China  terminado o processo de elaboração e iniciado a etapa de implementação.

A Rio Eco 92, rompendo todos os paradigmas do século XX, trouxe para um mesmo plano todas as nações, onde a discussão de um tema de interesse global que não o capital financeiro, o poder militar, a ideologia política ou religiosa era o centro das atenções.

A humanidade tomava conhecimento de que os recursos do planeta não só eram finitos como  em alguns casos já estavam praticamente exauridos.

A sobrevivência, não de uma única nação mas,  de todo o planeta estava sendo abertamente negociada.

Novamente, como de forma previsível, o elo aglutinador da sociedade idealizado por Gramsci na década de 30, capaz de provocar as transformações e garantir a continuidade da espécie rumo ao futuro estava de desenhando.

Paralelamente, o mundo tomava conhecimento de uma nova ferramenta capaz de derrubar as mais resistentes muralhas, mais poderosa que as trombetas de Jericó, que veio em auxilio do tema ambientalista e da liberdade, a Internet.

A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP (um conjunto de protocolos de comunicação entre computadores em rede, também chamado de pilha de protocolos) que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web, e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos. 

O lançamento soviético do Sputnik causou como consequência a criação americana da Defense Advanced Research Projects Agency  (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada), conhecida como ARPA, em fevereiro de 1957, com o objetivo de obter novamente a liderança tecnológica perdida para os soviéticos durante a guerra fria. 
A ARPA criou o Information Processing Techiniques Office (Escritório de Tecnologia de Processamento de Informações - IPTO) para promover a pesquisa do programa Semi Automatic Ground Environment , que tinha ligado vários sistemas de radares espalhados por todo o território americano pela primeira vez, tendo sido Joseph Carl Robnett Licklider  escolhido para liderar o IPTO.

No IPTO, Licklider se associou a Lawrence Roberts para começar um projeto com o objetivo de fazer uma rede de computadores, e a tecnologia usada por Roberts se baseou no trabalho de Paul Baran que havia escrito um estudo extenso para a Força Aérea dos Estados Unidos  recomendando a comutação de pacotes ao invés da comutação de circuitos para tornar as redes mais robustas e estáveis.

Após muito trabalho, os dois primeiros elos daquele que viria a ser o ARPANET foram interconectados entre a Universidade da Califórnia em Los Angeles e o SRI (Stanford Research Institute), em Menlo Park, Califórnia, em 29 de outubro de 1969.

O ARPANET foi uma das primeiras redes da história da Internet atual.

Após a demonstração de que a ARPANET trabalhava com comutações de pacotes, o General Post Office  a Telenet, a DATAPAC e a TRANSPAC, trabalharam em colaboração para a criação da primeira rede de computador em serviço.

No Reino Unido, a rede foi referida como o Serviço Internacional de Comutação de Pacotes (IPSS).
Este sistema garantia a integridade da informação caso uma das conexões da rede sofresse um ataque inimigo, pois o tráfego nela poderia ser automaticamente encaminhado para outras conexões.

O curioso é que raramente a rede sofreu algum ataque inimigo.

Em 1991, durante a Guerra do Golfo, certificou-se que esse sistema realmente funcionava, devido à dificuldade dos Estados Unidos de derrubar a rede de comando do Iraque, que usava o mesmo sistema.

O X.25 era independente dos protocolos TCP/IP, que surgiram do trabalho experimental em cooperação entre a DARPA, o ARPANET, o Packet Radio e o Packet Satellite Net Vinton Cerf e Robert Kahn desenvolveram a primeira descrição de protocolos TCP em 1973 e publicaram um artigo sobre o assunto em maio de 1974.

O uso do termo "Internet" para descrever uma única rede TCP/IP global se originou em dezembro de 1974, com a publicação do RFC 685, a primeira especificação completa do TCP, que foi escrita por Vinton Cerf, Yogen Dalal e Carl Sunshine, na Universidade de Stanford. 

Durante os nove anos seguintes, o trabalho prosseguiu refinando os protocolos e os implementando numa grande variedade de sistemas operacionais. 

A primeira rede de grande extensão baseada em TCP/IP entrou em operação no dia 1º de janeiro de 1983, quando todos os computadores que usavam o ARPANET trocaram os antigos protocolos NCP. Em 1985, a Fundação Nacional da Ciência  (NSF) dos Estados Unidos patrocinou a construção do National Science Foundation Network , um conjunto de redes universitárias interconectadas em 56 kilobits por segundo (kbps), usando computadores denominados pelo seu inventor, David L. Mils , como "fuzzballs". 

No ano seguinte, a NSF patrocinou a conversão dessa rede para uma maior velocidade, 1,5 meganis por segundo. A decisão importantíssima de usar TCP/IP DARPA foi feita por Dennis Jennings, que estava no momento com a responsabilidade de conduzir o programa "Supercomputador" na NSF.

A abertura da rede para interesses comerciais começou em 1988. O Conselho Federal de Redes dos Estados Unidos aprovou a interconexão do NSFNER para o sistema comercial MCI Mail naquele ano, e a ligação foi feita em meados de 1989.

Outros serviços comerciais de correio eletrônico foram logo conectados, incluindo a OnTyme, a Telemail e a Compuserver. Naquele mesmo ano, três provedores comerciais de serviços de Internet (ISP) foram criados: a UUNET, a PSINet e a CERFNET. Várias outras redes comerciais e educacionais foram interconectadas, tais como a Telenet, a Tymnet e a JANET, contribuindo para o crescimento da Internet. A Telenet (renomeada mais tarde para Sprintnet) foi uma grande rede privada de computadores com livre acesso dial-up (conexão por linha comutada) de cidades dos Estados Unidos que estava em operação desde a década de 1970. Esta rede foi finalmente interconectada com outras redes durante a década de 1980 assim que o protocolo TCP/IP se tornou cada vez mais popular. A habilidade dos protocolos TCP/IP de trabalhar virtualmente em quaisquer redes de comunicação pré-existentes permitiu a grande facilidade do seu crescimento, embora o rápido crescimento da Internet se deva primariamente à disponibilidade de rotas comerciais de empresas, tais como a Cisco Systems, a Proteon e a Juniper, e à disponibilidade de equipamentos comerciais Ethernet  para redes de área local, além da grande implementação dos protocolos TCP/IP no sistema operacional UNIX. 

A Organização Européia para a Investigação Nuclear  (CERN) foi a responsável pela invenção da World Wide Web, ou simplesmente a Web, como hoje a conhecemos.

Corria o ano de  1990, e o que, numa primeira fase, permitia apenas aos cientistas trocar dados, acabou por se tornar a complexa e essencial Web.

O responsável-mor pela invenção chama-se Tim Berners-Lee, que construiu o seu primeiro computador na Universidade de Oxford, onde se formou em 1976. Quatro anos depois, tornava-se consultor de engenharia de software no CERN e escrevia o seu primeiro programa para armazenamento de informação,  chamado Enquire e, embora nunca tenha sido publicada, foi a base para o desenvolvimento da Web.

Em 1989, propôs um projeto de hipertexto que permitia às pessoas trabalharem em conjunto, combinando o seu conhecimento numa rede de documentos, sendo esse projeto que ficou conhecido como a World Wide Web. 

A Web funcionou primeiro dentro do CERN, e no verão de 1991 foi disponibilizada mundialmente.

Embora as aplicações básicas e as orientações que faziam a Internet existir já estivessem disponíveis por quase duas décadas, a rede não ganhou interesse público até a década de 1990.

A Internet associada à multiplicação do número de pessoas com acesso a esta tecnologia iniciou um processo de transformação cultural no final do século XX, derrubando paradigmas e possibilitando um contato direto, sem censura, entre os mais variados tipos humanos, com as mais variadas correntes de pensamento e principalmente livre de fronteiras e restrições de língua.

Nações tradicionalmente distantes, onde o preconceito imperava, viram-se aproximadas umas das outras, com seus habitantes interagindo diretamente.

As pessoas começavam a encontrar pontos em comum sobre os quais podia-se construir uma nova relação, de tolerância e de busca do conhecimento.

Esta ideia de globalização cultural, sem censura, se de um lado era boa, de outro lado começava a ser motivo de preocupação dos governos e da oligarquia dominante (principalmente nos países onde os governos  pregavam o nacionalismo e a xenofobia como forma de manter-se no controle das massas), iniciando-se em caráter mundial um esforço para controlar a Internet.

A mídia escrita, radiofônica e televisiva, igualmente perdiam espaço ou capacidade de influir e manipular as informações, perdendo muito daquilo que chegou a ser chamado de 4º poder (executivo, legislativo, judiciário e mídia) com a consequente redução de seus ganhos.

Abandonar esta ferramenta não seria uma opção viável, dada a sua aplicação comercial, militar e também pela sua capilaridade, sendo a alternativa encontrada, após uma série de estudos, a de promover a criação do maior número possível de sites de interesse geral, sem conteúdo reflexivo ou crítico, fomentando a alienação entre os internautas.

A ideia de que “uma imagem vale mais que mil palavras” ou a de que “uma mentira repetida muitas vezes torna-se a maior das verdades” passou a ser exageradamente utilizada, adotando-se regionalmente uma série de estratagemas para alcançar este objetivo.

Basicamente repetia-se os conceitos desenvolvidos por Assis Chateaubriand (1892/1968), um dos homens públicos mais influentes no Brasil entre as décadas de 40 e 60, dono do maior conglomerado de mídia da América Latina, composto de inúmeros jornais, revistas e emissoras de rádio e que foi o responsável pela chegada da televisão ao país onde em 1950 inaugurou a TV Tupi.

Chateaubriand, amigo do poder, defensor das artes e adorador de “mulher pelada” (conforme palavras de seu pupilo Pietro Maria Bardi, o organizador do acervo do MASP – Museu de Arte de São Paulo) era uma figura polêmica, acusada constantemente de falta de ética por “supostamente” chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por insultar e denegrir a imagem de empresários com mentiras, tendo seu império sido construído com base em interesses políticos caracterizados por uma postura pró capital estrangeiro e pró imperialista (primeiro o britânico e depois o americano).

Após sua morte, seu império esfacelou-se sendo substituído por outro, o de Roberto Marinho que adotou os mesmos artifícios para reinar.

Desta forma, em determinados países, sites de caráter pornográfico ganharam enorme incentivo publicitário; em outros, sites de caráter religioso;  em outros sites de caráter geral, com oferta de músicas, filmes e jogos gratuitos; e assim por diante.

Estudos de comportamento mostraram que as pessoas de modo geral navegam entre 80% e 85% do tempo nos mesmos sites, dificilmente ultrapassando um universo de 50 endereços em seu uso cotidiano, o que de certa forma podia ser explorado para promover e consolidar esta alienação, principalmente de caráter político e cívico.

Repetia-se o controle hegemônico cultural das classes dominantes sobre as classes dominadas, descrito por Gramsci, não pela censura ou ocultação das informações mas sim pelo contrário, pelo excesso de notícias, deliberadamente apresentadas sem cronologia ou sequencia lógica, eliminando o senso crítico e promovendo a alienação e o desinteresse.

Os sites de relacionamento pessoal, uma grande febre mundial, passaram a ser limitados pelo número de caracteres que uma mensagem poderia conter, evitando o aprofundamento dos temas em discussão e tornando a comunicação superficial.

Estes sites também ganharam importância ao promover o isolamento dos indivíduos do mundo real, mantendo-os conectados apenas ao grande número de amigos no mundo virtual, minimizando a possibilidade de organização real de novos bandos com capacidade para promover mudanças.

Com o colapso da União Soviética, o Primeiro Mundo experimentou um crescimento econômico estável durante toda a década de 90, associado ao crescimento da democracia (principalmente no leste europeu) e acompanhado de vigoroso avanço tecnológico.

Em 1990 ocorreu o fim do apartheid na África do Sul e a eleição de Nelson Mandela como presidente sul-africano.

Em 1990, sob coordenação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América, foi fundado o “Projeto Genoma Humano”, um consórcio internacional envolvendo 17 países (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China. Coréia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, França, Países Baixos, Israel, Itália, Japão, México, Reino Unido, Russia e Suécia) e contando com a colaboração de outros que participaram de estudos de técnicas de biologia molecular.

No mesmo ano, foi lançado ao espaço o telescópio Hubble, permitindo o estudo do universo em um comprimento diferente de onda como a luz visível, raios gama, raios X e o infravermelho.

Em 1996, foi gerada a “Ovelha Dolly”, o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta, na Escócia, provocando uma enorme discussão nos meios científicos e religiosos sobre bio-ética.

Mas, apesar da prosperidade e democracia, houve também um “lado negro” nesta década, com o aumento significativo dos casos de AIDS no mundo; com a fuga dos capitais dos países da ex União Soviética que viram seu PIB (Produto Interno Bruto) decrescer; com várias guerras localizadas nos Bálcãs (guerra da Bósnia); com o genocídio em Ruanda que matou mais de 1 milhão de pessoas e o forte crescimento do terrorismo.

No Brasil, surgia a Força Sindical (1991), uma central sindical que tinha o objetivo de fazer frente à CUT (Central Únida dos Trabalhadores fundada em 1983 e ligada ao PT), adotando uma filosofia pautada no “sindicalismo de resultados”, com maior capacidade de negociação, mais responsável e pluripartidária.

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) abandonava a sigla (1992) adotando uma nova PPS (Partido Popular Socialista) que admitia a derrocada do “socialismo real” no leste europeu e tornando-se o primeiro Partido Comunista no continente a mudar radicalmente sua política, sua estrutura orgânica e sua simbologia, abandonando o caminho defendido por Marx e por Trotsky e adotando a “Guerra das Trincheiras” pregado por Gramsci para promover as reformas sociais que defendia.

Segundo Gramsci, a fratura entre os intelectuais e os simples pode ser sanada por uma política de inclusão, que “não tenda a manter os simples em sua filosofia primitiva do sentido comum, mas, ao invés disso, que os leve a uma concepção superior de vida”.

A ação política empreendida pela “filosofia da práxis” (como Gramsci chamava o marxismo) opondo-se às culturas dominantes da Igreja e do idealismo pode elevar os subalternos a uma “consciência superior de vida”, indicando que a hegemonia do proletariado passa obrigatoriamente por uma reforma cultural e moral da sociedade, onde a consciência política, isto é, o ser parte de uma determinante força hegemônica, constitui a primeira fase para uma ulterior e progressiva auto consciência onde teoria e pratica finalmente se unem.

Assim, para que um partido político exista e se faça necessário, devem confluir nele três elementos fundamentais: Um elemento difuso, de homens comuns, médios, cuja participação seja a contribuição pela disciplina e pela fidelidade;  Um elemento de união principal, dotado de força altamente coesiva, centralizadora e disciplinadora e também, por isto mesmo, inventiva;  Um elemento médio, que articule o primeiro elemento com o segundo, que os coloque em contato, não apenas físico, mas moral e intelectualmente.

Da mesma forma que o Estado deve almejar unir na sociedade política os intelectuais tradicionais (literatos) com os orgânicos (aqueles de formação técnica), também na sociedade civil o partido político forma “os próprios componentes, elementos de um grupo social que nasce e se desenvolve como econômico, até convertê-los em intelectuais, políticos qualificados, dirigentes, organizadores de todas as atividades e funções inerentes ao desenvolvimento de uma sociedade”.

Segundo o manual do bolchevique russo Nikolai Bukharin, editado em 1921, A teoria do Materialismo Histórico, a compreensão da realidade como desenvolvimento da história humana somente é possível utilizando a dialética marxista, porque ela capta tanto o sentido das vivências humanas como o do seu caráter efêmero, sua historicidade, determinada de práxis, da ação política que transforma as sociedades.

Conforme Bukharin, Marx notara que nenhuma sociedade enfrenta questões sem que já possua, ou esteja em vias de obter, as condições para solucioná-la.

Para Gramsci, no entanto, a dialética é um instrumento de investigação histórica, que supera a visão naturalista e mecanicista da realidade, é a união da teoria com a práxis, de conhecimento e ação, onde a filosofia da práxis, ou seja, o marxismo, não se pensa como subordinada a outra filosofia, não se pode conceber como nova dialética e na qual precisamente tal superação se efetua e se exprime.

A teoria da hegemonia de Gramsci está ligada à sua concepção do estado capitalista, que, segundo afirma, exerce o poder tanto mediante a força quanto pelo consentimento. O Estado não deve ser entendido no sentido estreito de governo, mas dividido entre sociedade política e do controle legal, constitucional, e a sociedade civil, que se vê comumente como esfera privada ou não estatal, e que inclui a economia. A primeira é o âmbito da força e a segunda a do consentimento.

Não obstante, Gramsci esclarece que a divisão é meramente conceitual e que ambas podem mesclar-se na prática, já que, sob o capitalismo moderno, a burguesia pode manter seu controle econômico permitindo que a esfera política satisfaça certas demandas dos sindicatos e dos partidos políticos de massas da sociedade civil.

Assim, a burguesia leva a cabo uma revolução passiva, ao ir muito aquém dos seus interesses econômicos e permitir que algumas formas de sua hegemonia se vejam alteradas.

Das contribuições de Gramsci, a que teve maior impacto nos meios políticos diz respeito ao modo de organizar as lutas da esquerda, opondo-se ao “centralismo democrático” (leninista), que pregava “após um debate livre, colocar em votação as diversas posições em disputa e uma vez consolidada a maioria, a minoria deveria subordinar-se”.

Lenin afirmava que na luta pré-revolucionária, a centralização corresponde à organização de um partido de quadros treinados para atuar de forma profissional e clandestina, cujo vínculo orgânico com o movimento de massas permita-lhe construir uma relação de confiança que leve ao reconhecimento do partido como a “vanguarda”, destacamento avançado, do próprio movimento operário.

Sua intenção era superar o “caráter artesanal” do movimento socialista, marcado pelo empirismo e pela dispersão, pelo diagnóstico científico, por uma prática regular sistemática e profissional, onde o domínio do Estado pelos proletários responde também à necessidade de monopólio da violência para sufocar a contra-revolução que imediatamente se articularia nos interstícios revolucionários.

Para Gramsci, o caminho da transformação social passaria pelo potenciamento do termo médio, a sociedade civil, enfraquecendo o Estado e a sociedade econômica.

A consequência deste diagnóstico é uma estratégia diferenciada para a revolução (onde a sociedade civil, composta por trincheiras das quais o Estado seria apenas a primeira e a mais visível) seria alcançada não pela tomada violenta do poder, mas pela construção de uma hegemonia baseada no consenso como via de mudança social, e dizer, atacar cada uma das trincheiras que sustentam o Estado e a burguesia.

A partir desta visão original, Gramsci desenvolveu seu conceito estratégico de transição para o socialismo, afim de criar as condições históricas para o Advento da Sociedade Comunista, dividida em três etapas:

Numa primeira fase, econômico-corporativa, organizar o partido das classes subalternas, lutar pelo estado democrático e pela ampliação das franquias democráticas, abrindo espaço e condições para o desenvolvimento de uma ação política revolucionária.

Numa segunda fase, lutar pela hegemonia das classes subalternas sobre a sociedade civil, tornando-a dirigente e criando condições para a tomada do poder.

Numa terceira fase, estatal, tomar o poder, impor a nova ordem e estabelecer o socialismo, etapa provisória e anterior da passagem para o comunismo.

Com a crise da União Soviética, a queda do muro de Berlim e com o processo de redemocratização, com o fortalecimento dos sindicatos a partir dos anos 90 na maioria dos países, pode-se declarar praticamente terminada, mundialmente, a primeira fase, econômico-corporativa, iniciando-se a luta pela hegemonia.

Nesta fase, acompanhando os acontecimentos globais, destacam-se particularmente três empreendimentos: A Superação do Senso Comum; a Neutralização dos Aparelhos de Hegemonia da Burguesia e a Ampliação do Estado.

A Superação do Senso Comum significa a substituição e a modificação de valores, tradições, costumes, modo de pensar, conformidade religiosa e social ou outros elementos que dão à sociedade coesão interna, consenso e resistência a mudanças ideológicas.

Como exemplos desta Superação do Senso Comum, podemos citar a mudança do conceito de livre opinião para o conceito do “politicamente correto”, onde a legítima e franca opinião vai sendo substituída (socializada) pela opinião coletiva, homogênea, obtida pelo patrulhamento ideológico.

Em outro exemplo, o conceito de legalidade está sendo substituído pelo conceito de legitimidade, aceitando-se a invasão de terras, ocupação de prédios públicos e o bloqueio de vias de circulação como legítimos (éticos) porque correspondem a reivindicações justas.

O conceito de cidadão substituído pelo conceito de cidadania onde o gozo dos direitos civis e políticos passa a ser uma relação de demanda de minorias ou de grupos organizados.
Além destes, muitos outros exemplos podem ser citados na Superação do Senso Comum, alguns já totalmente incorporados e aceitos pela sociedade civil, como a união conjugal episódica ou temporária, até entre pessoas do mesmo sexo; do ecletismo religioso; da informalidade em substituição à convenção e à norma social que pressupõe vinculação institucional, etc.

A Neutralização dos Aparelhos de Hegemonia da Burguesia ou das Trincheiras da Burguesia, visando eliminá-las e retirando-lhes o poder de sustentação do Estado e das oligarquias, podem ser exemplificados a partir do estudos destas linhas de defesa, por meio do seu enfraquecimento, desmoralização, desarticulação, esvaziamento, isolamento, perda de funções orgânicas, constrangimento e inibição.

Assim, o Poder Judiciário pode ser atingido quando associado a um instrumento de opressão a serviço da burguesia; à parcialidade; a ineficiência e à improbidade, favorecendo os ricos e privilegiando burgueses, não punindo com severidade os crimes de “colarinho branco”, com excessiva lentidão funcional e com elevados índices de corrupção entre a magistratura que se auto concede privilégios e mordomias.

Da mesma forma, o Congresso Nacional pode ser associado à ineficiência, à improbidade e ao parasitismo, valendo-se de privilégios, envolvido em escândalos, agindo como promotor de barganhas e com total falta de espírito público por parte de seus integrantes.

O Poder Executivo, associado à ineficiência, ao autoritarismo e à improbidade, valendo-se da corrupção, envolvido em escândalos, abusando da autoridade e prevaricando.

Os Partidos Políticos, associados à falta de representatividade, de agirem como legendas de aluguel a serviços de ambições pessoais e com características demagógicas e fascistas, valendo-se para isto do fisiologismo, da falta de programas, da corrupção, do desvio de verbas públicas para campanhas e do envolvimento em escândalos.

As Forças Armadas, associadas à ineficiência, ao autoritarismo e à ditadura, ao excessivo custo de sua manutenção, valendo-se para isto dos escândalos, da tortura e da total falta de transparência.

Das Forças Policiais, associadas à truculência, à improbidade e à ineficiência, valendo-se para isto dos escândalos, da corrupção, do envolvimento com o crime (principalmente o trafico de armas e drogas) e ao despreparo dos seus quadros.

Da Igreja, particularmente da Católica, associada ao anacronismo de moral cristã, da opressão moral e intelectual e de sua constante aliança com o poder, seja qual for o poder, valendo-se para isto dos escândalos sexuais, do celibato clerical, da inflexibilidade doutrinária (homossexualismo, aborto e controle da natalidade), da Inquisição, de seu papel político-histórico e das devoções populares e culto de leigos (fora da igreja).

E por último, do Capitalismo, associado à divisão de classes e da exploração do proletariado, do Imperialismo e da má divisão (distribuição) da renda, valendo-se para isto das greves e protestos, do domínio econômico, da ambição e do abuso do poder, da injustiça social, da globalização e  do desemprego.

A Neutralização dos Aparelhos de Hegemonia da Burguesia ou das Trincheiras da Burguesia, para tornar-se eficaz, necessita estar em permanente exposição na mídia, onde, contando com a infiltração de quadros partidários, ainda que clandestinos e disfarçados, potencializa fatos e acontecimentos que, dado seu impacto social e econômico não podem deixar de serem registrados e noticiados

A Ampliação do Estado, isto é, a absorção deste pela sociedade civil, segundo a estratégia de Gramsci, deve ser iniciada ainda na fase da luta pela hegemonia, antes mesmo da tomada do poder.

Objetivamente, este empreendimento será conduzido pela sociedade civil organizada, mais precisamente pelos aparelhos privados de hegemonia das classes subalternas e dos seus aliados, ONG´S (Organizações Não Governamentais), Associações de Classe e outras organizações voluntárias, cuja sustentação financeira nunca tem sua origem muito bem conhecida (em muitos casos valendo-se de desvios de recursos públicos associados à corrupção do aparelho estatal ou da evasão fiscal de grandes corporações).

Estas opções de caráter estratégico ideológico defendidas pelo Partido Popular Socialista (PPS) na sua fundação, acabaram por perder-se com o passar dos anos, principalmente por causa do processo de abertura interna e pelo processo de distensão defendido por seu presidente, o Deputado pernambucano Roberto Freire em substituição ao último secretário do Partido Comunista Salomão Malina, que permitiu a filiação de um número significativo de pessoas e parlamentares sem nenhuma tradição de esquerda ou compromisso ideológico com as propostas e igualmente promovendo um expurgo dos defensores do ideal comunista.

O PPS, ideologicamente acabou se aproximando da proposta Social Democrata defendida pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e seu ideário acabou sendo assumido por uma corrente mais moderada do Partido dos Trabalhadores.

No início dos anos 90, os Estados Unidos da América, governado pelo Partido Democrata e sob a presidência de Bill Clinton que, repetindo a estratégia de Kennedy, teve uma visão globalizada, fomentando o desenvolvimento de parcerias mais sólidas e fortes com grupos que, como forma de sobrevivência econômica e cultural, formaram novos bandos (ajuntamentos ou blocos), dando características mais consistentes às suas politicas comerciais.

Surgia o Mercosul (Tratado de Assunção) no ano de 1991, estabelecendo um mercado comum entre Argentina. Brasil, Paraguaia e Uruguai (posteriormente com a adesão da Bolívia, 1996, do Chile, 1996, da Colômbia, 2004, do Equador, 2004, e do Peru, 2003).

Em 1992, a CEE (Comunidade Econômica Européia) formou a União Européia, uma união supranacional e política de 27 nações (estados membros) que passa a desenvolver políticas comuns (agrícola, pesca, etc.), inclusive adotando uma moeda única, o Euro (que demoraria os dez anos seguintes para ser totalmente implementado, estabelecendo-se a Zona do Euro), com um único modelo de passaporte e adotando a livre permissão de trabalho entre as pessoas dos países membros.

Em 1992, entrou em vigor o NAFTA (North American Free Trade Agreement) ou tratado de livre comércio envolvendo o Canadá, o México e os Estados Unidos, com custo reduzido para troca de mercadorias entre seus membros e com previsão da eliminação total das barreiras comerciais em um prazo de 15 anos.

No ano de 1997, em Quioto no Japão, como consequência de uma série de eventos anteriores, iniciados com a Conferencia de Mudanças Climáticas no Canadá, 1988, seguida da Reunião da Suécia , 1990 e da ECO-92 no Rio de Janeiro em 1992, as Nações Unidas promoveram uma reunião para estabelecer normas mais claras sobre a redução de gases do efeito estufa, com compromissos mais rígidos para a redução destas emissões através de ações básicas como a reforma nos setores de energia e transportes (combustíveis com fontes renováveis) e a limitação das emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos além da preservação de florestas e outros sumidouros de carbono.

Os Estados Unidos negaram-se a ratificar o Protocolo de Quioto,  alegando que os compromissos acarretados por tal protocolo interfeririam negativamente na economia norte americana.

Ainda como consequência indireta desta política norte americana, no ano de 1997 estourou a crise financeira asiática, surpreendente, não apenas pelo seu alcance global de seus desdobramentos, como pelo fato de ocorrer em uma região que se tornara, pouco antes, um referencial em termos de crescimento econômico rápido e sustentado.

A crise começou na Tailândia com o colapso financeiro do Thai baht (moeda local) pela decisão do governo tailandês em tornar o cambio flutuante, desatrelando o baht do dólar, após exaustivos esforços para evitar a massiva fuga de capitais e espalhando a crise para o sudeste asiático e para o Japão, afundando cotações monetárias, desvalorizando mercados de ações, convertendo-se na “primeira grande crise dos mercados globalizados”.

Das características comuns às experiências nacionais da crise financeira das economias emergentes asiáticas (Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul) foram a acentuada desvalorização de suas moedas, em relação ao dólar, e a queda substancial nos preços de ativos em seus mercados, refletindo-se em enormes saídas de capital com a correspondente redução das reservas externas daqueles países.

Os fluxos de capital para a Ásia mudaram de um ingresso de US$ 93 bilhões em 1996 para uma saída de US$ 12 bilhões em 1997, e dizer, uma queda de US$ 105 bilhões de um ano para o outro, algo como 11% do PIB daquela região.

Na base da erosão das reservas, esteve presente uma crescente desconfiança por parte dos investidores privados quanto à capacidade do correspondente banco central de sustentar a estabilidade cambial.

No fundo o temor era a repetição da crise de 1929 nos Estados Unidos, o que de certa forma acabou acontecendo.

A expressão de tal desconfiança manifestou-se na corrida por vender ativos domésticos, provocando rodadas de queda em suas cotações, bem como a retração do crédito por emprestadores externos.

Ao final da exaustão de suas reservas externas os bancos centrais foram, sucessivamente, obrigados a parar a venda de divisas e a sustentação cambial, provocando como no caso do México em 1994, provocada pela falta de reservas internacionais (em boa parte por seu ingresso no NAFTA, onde era considerado e tratado como o “primo pobre”), o desaparecimento das reservas externas em pouco tempo.

A Indonésia foi a nação asiática mais duramente afetada, com um declínio acima de 15% do PIB no período.

No dia 23 de outubro de 1997, a Bolsa de Valores de Hong Kong, a segunda maior em movimentação de papéis no mundo, caiu 10,4% e derrubou todos os mercados.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou queda de 8,15%, a segunda maior do planeta naquele dia.

No ano de 1998, tinha início a montagem em órbita da Estação Espacial Internacional, numa operação conjunta dos Estados Unidos, da Russia, do Canadá, do Japão, da Bélgica, da Dinamarca, da França, da Alemanha, da Itália, da Holanda, da Noruega, da Espanha, da Suécia, da Suíça e do Reino Unido, além do Brasil.


No ano de 1999, atingíamos o número de 6 bilhões de pessoas no planeta e começávamos a temer o “Bug do Milênio” na virada do ano 2000, o que acabou não acontecendo.


Professor Orosco.


Postar um comentário