terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O DÉCIMO BILHÃO - Parte 08 de 10

O OITAVO BILHÃO

Finalmente foi concluído o Projeto Genoma, do sequenciamento genético humano.

As pesquisas com células tronco ganharam enorme impulso dado seu potencial econômico.

Foram descobertos os planetas-anão Éris e Sedna que, com a nova classificação dada a Plutão e ao asteroide Ceres, passaram a formar um segundo grupo no Sistema Solar, que voltou a ter apenas 8 planetas.

Descobriu-se o planeta Gliese 581, o primeiro planeta possivelmente habitável fora do Sistema Solar.

A comunicação humana através das redes sociais atinge praticamente todo o planeta, auxiliada por uma tecnologia de “Banda Larga” capaz de transmitir dados, sons e imagens a velocidades inimagináveis, etc.

Por sua vez, como que para justificar o paradoxo de nossa existência, iniciamos este novo milênio repetindo as mesmas tolices que caracterizaram a presença humana no planeta Terra, onde a intolerância religiosa, o preconceito e a xenofobia estão tão presentes  hoje quanto estavam no período inicial da revolução industrial.

Caiu o muro de Berlim, mas em seu lugar ergueram-se outros:
Um deles, entre os Estados Unidos da América e seu parceiro do NAFTA (o primo pobre) o México está em plena construção; outro no Oriente Médio onde Israel, apesar dos protestos, ergue um muro para isolar os palestinos na Cisjordânia, já planejando construir outro na fronteira com o Egito; entre a fronteira da Turquia com  a Grécia, na região conhecida por Trácia, outro muro está sendo construído.

Na Arábia Saudita com seus inúmeros paredões na fronteira com o Iêmem; na Índia nas fronteiras com o Paquistão, com Bangladesh e com Miamar (antiga Birmânia) ou na China onde se ergueu uma nova muralha na fronteira com a Coréia do Norte que por sua vez ergueu outro na fronteira com a Coréia do Sul demonstrando que a humanidade nada aprendeu com os paredões do Gueto de Varsóvia ou com o simbolo maior da Guerra Fria, o Muro de Berlim que separava e dividia  em duas a Alemanha.

De outro lado, dada a ocupação irracional do planeta, sem as devidas salvaguardas, e pelo consumo desnecessário de seus recursos naturais, acabamos por potencializar as fatalidades quando ocorrem fenômenos atmosféricos, climáticos ou tectônicos, tornando a frágil manutenção dos eco-sistemas ainda mais frágil para a preservação da vida.

As camadas mais simples da sociedade, em qualquer parte do mundo, continuam a ser manipuladas pela mídia e pelos interesses da burguesia, sofrendo o processo hegemônico cultural que lhes é imposto pelas classes dominantes.

Apesar de conectados via Internet, as pessoas estão cada vez mais isoladas e solitárias, afastando de si o principio natural de defesa,  a formação de bandos como forma de reivindicar seus direitos, de promover seu sustento ou exigir mudanças.

Continuam a sensibilizar-se pelo naufrágio do Titanic, que em 1912 provocou a morte de 1.523 pessoas, retratado em uma bela história de amor no cinema, mas ignoram a tragédia provocada pelo tsunami na Indonésia que em 2008 provocou a morte de quase 300 mil pessoas.

Acompanham durante vários dias seguidos, emocionados, na frente dos televisores, ouvindo rádio, lendo nas manchetes dos principais periódicos, nas revistas e na própria Internet, notícias sobre o resgate de 33 mineiros presos em uma mina de cobre no Chile em 2010, esquecendo-se quase totalmente do terremoto no Haiti, também em 2010, que vitimou quase 220 mil pessoas e deixou milhões de desabrigados.

Colaboram financeiramente em campanhas televisivas ou radiofônicas em prol de causas nobres, locais, quase sempre sem a transparência ou a comprovação do real emprego dos recursos, mas ignoram o extermínio na África, pela AIDS, pela guerra, pela fome e principalmente pela indiferença.

Recusam-se a cobrar dos seus representantes a recuperação, por exemplo, do acervo científico da República da Georgia (ex - União Soviética) sobre as alternativas viáveis e economicamente melhores para o controle de infecções, em substituição aos antibióticos, manipulados conforme o interesse da indústria farmacêutica internacional, um dos exemplos mais presentes da burguesia e do capitalismo selvagem.

A própria administração dos pequenos ajuntamentos, bandos, associações de classe ou sindicatos de trabalhadores, seguindo uma política imposta pelos blocos econômicos dominantes, hegemônicos, imputa à sociedade um modelo segregacionista, fomentando ao invés de classes sociais, castas, como forma de manutenção das conquistas e dos privilégios alcançados.

Assim, apenas para exemplificar, uma casta composta por médicos, estudantes de livros e compêndios de anatomia, específicos, auto denomina-se a única representante legal para tratar doenças, requerendo punição severa contra todos os que questionarem seus métodos, inclusive guardando para si, dentro do mais arcaico espirito corporativista, o direito de avaliar procedimentos e decisões que podem afetar a vida e a saúde de outros, como o da aposentadoria por doença, etc.

Neste conceito, até as velhas senhoras dos longínquos campos férteis da literatura, nossas avós, poderiam ser acusadas e queimadas na fogueira da modernidade, pela prática irregular da medicina ao sugerirem o uso de determinado chá para cólicas das crianças ou pela “benzedeira do quebrante”.

Da mesma forma, um engenheiro, até mesmo o recém formado, tendo o amparo legal para ser o único “ser” capacitado a assinar uma planta de uma pequena edificação popular, vale-se disto para garantir trabalho e renda, quando poderia, por exemplo, apresentar-se à sociedade como um consultor, especialista em edificações, detentor de conhecimentos sobre materiais, sistemas elétricos e hidráulicos, sistemas de ventilação, de proteção térmica e acústica, além de outros, capaz de otimizar qualquer obra, reduzindo custos, garantindo prazos e assegurando uma boa qualidade construtiva, colocando-se como fiel  defensor dos interesses do  cliente.

Um advogado, decorando um livro de leis, auto intitula-se “doutor” e único “ser” capacitado para promover e redigir uma ação de caráter civil, perante um determinado foro, agindo como intérprete da população leiga perante um juiz, que da mesma forma se auto atribui o direito de julgar, mandar prender ou mandar soltar, sem que para isto tenha recebido uma autorização da sociedade civil (o processo de acensão profissional dentro do poder judiciário é restrito aos procedimentos internos do próprio poder judiciário, sem nenhum controle da sociedade civil que o sustenta), igualando-se ao clero romano e às igrejas na sua forma estrutural.

Exemplos de igual espirito corporativista podem ser encontrados junto dos professores, jornalistas, policiais, contadores, corretores de seguro, artesãos (artistas) ou funcionários públicos, além de outros que, defendendo aguerridamente uma causa própria, esquecem-se que estão todos presos à mesma corrente, imposta pelo bloco hegemônico que os controla, educa e oprime.


E dizer, no início deste novo milênio, as coisas estão como sempre estiveram, com o agravante de que, nos últimos 200 anos, multiplicamos nossa presença no planeta por 7 (sete), com a previsão de somar mais um bilhão de pessoas aos já existentes, nos próximos 15 anos e atingindo o número de 10 bilhões de habitantes nos próximos 50 ou 60 anos, que precisarão ser alimentados, “beber água potável”, vestir-se, educar-se, ter acesso à saúde e a bens de consumo, tornando o desafio de encontrar caminhos e alternativas uma tarefa hercúlea para todos os que pensam no futuro de filhos e netos.

Professor Orosco
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