quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO - PARTE 06

GRAXAS

Uma sensível proporção – cerca de 10% - do total de lubrificantes consumidos são constituídos por graxas que, antigamente eram usadas apenas para lubrificação sem importância. Com o incremento e o aperfeiçoamento dos mancais de rolamentos, a demanda por melhores graxas tornou-se cada vez maior e novos testes foram criados para o estudo do seu desempenho em serviço.
Quando à sua definição, a mais aceita para graxas lubrificantes é aquela que as considera como produtos sólidos e/ou semi-sólidos, provenientes da dispersão de um agente espessante e um liquido lubrificante.
Observadas através de um microscópio eletrônico, verifica-se que o óleo que compõe a graxa é retido por uma trama frouxa tridimensional de fibras de sabão, que se assemelham aos pelos de uma escova.
Estas fibras são formadas por cristais de sabão que por sua vez são constituídas por moléculas. A trama de sabão se mantém coesa pela ação de fracas forças de atração entre fibras o que proporciona à graxa a sua consistência ou “corpo” quando em repouso. As graxas apresentam melhores propriedades de retenção por possuírem alta afinidade com superfícies metálicas.
Prefere-se a graxa quando é impraticável um suprimento contínuo de óleo, pois elas, por sua coesão, podem ser armazenadas nos pontos de aplicação, evitando-se assim, durante períodos de tempo relativamente longos, a necessidade de acrescentar novas quantidades de lubrificantes.
Quando em presença de atmosferas poluídas ou úmidas, as graxas apresentam vantagens em relação aos óleos, pois agem como elementos de vedação.
As graxas não dissipam o calor tão bem quanto o óleo, razão pela qual um mancal lubrificado a graxa tem temperatura usualmente superior à de um mancal lubrificado a óleo. O óleo atua melhor em altas velocidades e as graxas não são tão resistentes à oxidação quanto os óleos de alta qualidade.
A fabricação das graxas pode ser efetuada por um dos seguintes processos:

A            O sabão, já pronto, é dispersado a quente no óleo apropriado. Este processo é usualmente empregado na fabricação de graxas à base de sabão de alumínio ou de lítio.
B            O sabão é preparado a quente ou a frio na presença do óleo lubrificante. Neste processo juntamos o álcali adequado para a neutralização do ácido graxo ou saponificação das gorduras, previamente fundidas e misturadas com parte do óleo lubrificante. Posteriormente adicionamos o restante do óleo para obter a consistência desejada.

Nos dois processos, efetuada a dispersão, a graxa pode ou não ser trabalhada mecanicamente ou submetida a outros tratamentos que lhe darão determinadas propriedades.
Os componentes essenciais de uma graxa são o lubrificante líquido e o espessante. O lubrificante liquido pode ser tanto um óleo mineral como um óleo sintético para a fabricação da graxa, em função da aplicação que se determinar a ela.
É o agente espessante por sua natureza e concentração, que vai conferir às graxas determinadas características como consistência, ponto de gota, estrutura, comportamento em relação à água e às temperaturas.
O agente espessante mais usado é o sabão, que pode ser do tipo metálico ( cálcio, sódio, alumínio e lítio ) ou do tipo não sabão ( determinadas argilas ), sendo a maior vantagem destas graxas o fato de não apresentarem gota.

TRANPORTE

Transporte é o conjunto de meios que permite o deslocamento físico de pessoas e bens de um local de origem para outro de destino. No transporte de cargas, o deslocamento de pesos é limitado pelo volume disponível, ou seja: em um caixa de um metro cúbico que sustente em teoria qualquer peso, é possível transportar uma tonelada de água, pois tal peso corresponde a um metro cúbico. Entretanto, não se pode transportar, naquela caixa, uma tonelada de algodão, já que o peso dessa mercadoria necessitaria de muitas caixas de um metro cúbico cada para ser transportada. A importância do transporte, todavia, transcende sua capacidade de movimentar pesos e volumes. Hoje, o transporte é um fator preponderante para a integração entre as nações do mundo globalizado. A evolução do transporte se deu em duas frentes: a evolução da capacidade transportada e a evolução da tração utilizada. Essas duas frentes, entretanto, desenvolveram-se de forma integrada, acompanhado o desenvolvimento tecnológico. Em resumo, a evolução do transporte pode ser vista sob dois prismas: tração: Pela tração a evolução se deu desde a humana, passando pela tração animal, pela eólica, pela mecânica a vapor, pela mecânica a óleo e pela eletromecânica, chegando, hoje, a contar com a eletrônica e com a energia nuclear (esta atualmente restrita a embarcações militares); transportada: Pela capacidade transportada o aperfeiçoamento dos modais terrestres, o surgimento dos modais ferroviário e rodoviário e a evolução dos modais aquaviários permitiram o crescimento da carga transportada por um único veículo, diminuindo, assim, os custos de transporte. Por outro lado, o último passo evolutivo o modal aéreo relegou a capacidade e o custo de transporte em favor da velocidade.
O petróleo resultante da prospecção seja em terra, seja no mar, precisa ser transportado para as refinarias onde é processado e transformado em produtos de maior utilidade e valor agregado, como gasolina, nafta, querosene, diesel etc. As operações de transferência e estocagem iniciam-se após a prospecção, quando se necessita transportar o petróleo, seja por oleodutos ou por navios. Também acontecem entre navios e terminais, terminais e refinarias, terminais e terminais, ou seja, sempre que se deseje movimentar volumes de petróleo ou derivados. 
Desta forma, consideraremos o transporte de petróleo e seus derivados, assim como o gás, como sendo o deslocamento do produto do ponto de extração ao ponto de refino e processamento, aos pontos de distribuição e oferta.
De maneira geral, o transporte do petróleo e seus derivados dá-se por meio de sistemas modais especialmente projetados para este fim, podendo ser:



O transporte marítimo de petróleo e derivados pode ser efetuado através da navegação, utilizando-se para tal, navios tanque conhecidos como petroleiros, ou através de dutos submarinos instalados no leito marinho.
Em ambos os casos a ligação destes modais com a terra se dá através dos portos e terminais marítimos localizados em áreas costeiras, estando nestes últimos concentrada a maior movimentação de petróleo e derivados.
Apenas para facilitar o entendimento, vamos considerar como transporte marítimo apenas aquele realizado por navios, podendo ser oceânicos ou de cabotagem. 
Com o desenvolvimento acelerado das atividades industriais e pelo crescimento do número de veículos de transporte, de utilitários e de passeio em todo o planeta, o deslocamento de grandes quantidades de combustível precisou adaptar-se a essa nova demanda, provocando o surgimento de navios de porte cada vez maiores, principalmente após a segunda guerra mundial, na metade do século passado, passando de 20.000 toneladas para até 250.000 toneladas, os chamados super petroleiros.




Transporte Fluvial


Dadas as características do Brasil  ( de dimensões continentais ) e de sua grande riqueza hídrica, com número significativo de rios navegáveis, o transporte fluvial em muitas regiões acaba sendo quase que a única maneira de alcançar determinadas regiões.
Afim de promover o desenvolvimento e a ocupação ordenada destas grandes áreas territoriais, oferecendo energia elétrica de forma suficiente para fomentar parques industriais e abastecer as demandas locais, o governo instalou um número significativo de geradores e usinas termo-elétricas, principalmente na região norte do país, que necessitam ser constantemente abastecidas, o que acaba sendo feito por embarcações de menor porte, especialmente construídas para este fim.

A atividade de transporte de petróleo e derivados tem grande potencial poluidor, principalmente devido ao grande volume transportado, podendo causar impactos ambientais de porte variáveis, desde as maiores proporcionadas por acidentes com petroleiros até as relativamente pequenas, mas frequentes, descargas operacionais, principalmente se considerar-mos estes acidentes em áreas de descarga localizadas ao longo de rios, como o Amazonas, por exemplo.
Na tentativa de minimizar os riscos da atividade e evitar que os impactos potenciais se transformem em impactos reais, uma série de mudanças vem sendo implementadas ao longo do tempo, refletindo na estrutura dos petroleiros, como a obrigatoriedade do casco duplo e do lastro segregado.

Transporte Dutoviário

O transporte dutoviário é o modo de transporte que utiliza um sistema de dutos (tubos ou cilindros previamente preparados para determinado tipo de transporte), formando uma linha chamada de dutovia ou via composta por dutos onde se movimentam produtos de um ponto a outro.
O transporte de cargas neste modal, ocorre no interior de uma linha de tubos ou dutos e o movimento dos produtos se dá por pressão ou arraste destes por meio de um elemento transportador. Os elementos que constituem uma dutovia são: os terminais, com os equipamentos de propulsão do produto; os tubos e as juntas de união destes.
Uma das diferenças deste modal com os demais, é que o veículo que efetua o transporte é fixo enquanto que o produto a ser transportado é o que se desloca, não necessitando assim, na maior parte dos casos, de embalagens para o transporte.
Esta modalidade de transporte vem se revelando como uma das formas mais econômicas de transporte para grandes volumes principalmente de petróleo, gás natural e derivados, especialmente quando comparados com os modais rodoviário e ferroviário.
Os dutos são considerados um dos meios de transporte de petróleo e derivados mais seguros do mundo, levando o petróleo aos navios petroleiros, terminais e refinarias. Podem ser classificados como dutos de transferência ou transporte de acordo com a função desempenhada nas operações. Sendo assim, dutos de transporte têm vários clientes como destino e dutos de transferência interessam somente a uma mesma entidade ou, eventualmente, a duas entidades distintas, como por exemplo, o fornecimento de derivados entre duas ou mais empresas dentro de um complexo de refino.  

Tipos de Dutovias

Assim como outros modos, o transporte dutoviário possui suas características particulares, podendo  ser classificado em submarino e terrestre.
No modo submarino, a maior parte da tubulação está submersa, e geralmente é utilizado para o transporte da produção de petróleo das plataformas marítimas para as refinarias ou tanques de armazenagem situados em terra.
Também são utilizadas para atravessar baías ou canais de acesso a portos.
Os terrestres operam em terra e se subdividem em subterrâneos, aparentes e aéreos. Os Subterrâneos são os dutos enterrados de forma a serem mais protegidos contra intempéries e acidentes provocados por outros veículos e máquinas agrícolas, e também contra a curiosidade e vandalismo. Os dutos enterrados estão mais seguros em caso de rupturas ou vazamentos do material transportado devido a grande camada de terra que os envolve.
Os dutos Aparentes são visíveis no solo, o que normalmente acontece nas chegadas e saídas das estações de bombeio, nas estações de carregamento e descarregamento e nas estações de lançamento/recebimento de “PIGs” (aparelhos/sensores utilizados na limpeza e detecção de imperfeições ou amassamentos na tubulação). Dependendo do terreno, se muito acidentado ou rochoso, a instalação de dutos subterrâneos torna-se difícil e até mesmo inviável economicamente. Sendo assim, a linha é fixada em estruturas que servirão de sustentação e amarração para a tubulação.
Os Aéreos são aqueles dutos visíveis no solo necessários para vencer grandes vales, cursos d’água, pântanos ou terrenos muito acidentados.
Segundo o produto transportado, as dutovias podem ser classificadas em: 
Oleodutos, onde os produtos transportados são petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, álcool, GLP, querosene, nafta, e outros.
Gasodutos, onde o produto transportado é o gás natural. O Gasoduto Brasil-Bolívia, com 3.150 Km de extensão, é um dos maiores do mundo.

Características do Transporte Dutoviário 

Considera-se o transporte dutoviário, uma linha de transmissão dos combustíveis, pois sua estrutura fixa e não flexível possibilita uma ligação dos produtos, dando um sentido ao elo da produção. Os dutos se apresentam como uma forma contínua de circulação de energia. Algumas características são atribuídas ao transporte dutoviário como, agilidade, segurança, baixa flexibilidade e capacidade de fluxo.
Outra característica é a economia de transmissão em larga escala. Quanto maior o mercado e maior o diâmetro do oleoduto, menor serão os custos no transporte. A última característica é a natureza da mercadoria. Os custos de transmissão dependerão da viscosidade do produto. Quanto mais viscoso for o produto, tanto maior será o custo por tonelada - quilômetro para movimentá-lo.

Transporte dutoviário e meio ambiente

Durante o passar dos anos houve significativas transformações na indústria mundial. A população cresceu elevando assim o consumo e projetos para suprimento das necessidades dos países tiveram que ser desenvolvidos e implantados. Ocorreu uma degradação do meio ambiente de forma descontrolada e os governos precisaram efetivar reestruturações nas legislações, visando o controle das questões ambientais.
Neste contexto, os projetos dutoviários, necessários e ao mesmo tempo degradadores de alguma forma do meio ambiente, passaram também a ser controlados de forma a trazer o progresso com mínimo possível de impacto ao meio ambiente.

Transporte Ferroviário

Dentre as características do modal ferroviário destaca-se a capacidade para o transporte de grandes volumes, com elevada eficiência energética, principalmente a médias e grandes distâncias. Além disso, quando comparado ao transporte rodoviário, apresenta maior segurança registrando menor índice de acidentes, de furtos e roubos . 
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres a malha ferroviária brasileira é a maior da América Latina em termos de carga transportada chegando, em 2001, a 162,2 bilhões de TKU (Tonelada Quilômetro Útil )

Transporte Rodoviário

Neste modal, a carga é transportada por rodovias, nacionais ou internacionais, em caminhões, carretas, treminhões etc. É o modal cujos veículos oferecem o menor espaço de carga individual, entretanto, sua agilidade, flexibilidade, simplicidade e velocidade, aliadas ao grande número de veículos existentes, lhe dão grande importância na logística de transporte. Além disso, é o único modal que permite o transporte porta a porta sem a necessidade de complementação por outros modais. O modal rodoviário é, portanto, de extrema importância à multimodalidade e à intermodalidade e fundamental ao processo logístico, por ser o único capaz de unir todos os outros modais. Desvantagens Aumento do preço com a distância Espaço limitado Sujeito às condições climatéricas Sujeito ao trânsito Sujeito à regulamentação (circulação, horários). 

Transporte Aéreo

A carga é transportada em aeronaves, através do espaço aéreo. O alto custo é compensado pela velocidade inigualável. É um modal que deve ser utilizado quando o tempo é fator preponderante à logística de transporte, ou quando a carga a ser transportada é de pequeno peso e volume e apresente alto valor agregado. A capacidade individual de carga de algumas aeronaves cargueiras é ínfima se comparada aos grandes navios cargueiros, mas bastante superior à dos caminhões. O transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a redução da distância-tempo, ao percorrer rapidamente distâncias longas. Rápido, cômodo e seguro, o avião suplantou outros meios de transporte de passageiros a médias a longas distâncias.

Terminais

Os terminais são os principais pontos de ligação do navio com a terra, viabilizando a movimentação de petróleo e seus derivados.
Na programação de operações de movimentação de petróleo em complexos portuário (terminais) contendo navios, píeres, tanques e oleodutos, a   otimização das operações é frequentemente utilizada. 
A logística para a alocação dos navios aos píeres; o início das operações de descarregamento dos navios para os tanques e o início das operações de descarregamento dos tanques para envio pelos oleodutos está diretamente ligada ao estoque de petróleo no terminal.
Apesar de existirem muitos tipos de óleos crus, alguns tipos não podem ser misturados com outros. Por isso, os óleos crus são divididos em classes que podem ser armazenadas em diferentes tanques.
Além disso, uma simplificação é feita em relação à velocidade de escoamento do petróleo já que todos os tipos de petróleo devem ser escoados com os mesmos limites de vazão e que diferentes tipos de petróleo apresentam vazões diferentes quando bombeados. 
Outra restrição operacional importante na administração dos terminais é que um tanque não pode ser carregado e descarregado ao mesmo tempo. 
Além disso, depois de carregado, deve-se aguardar um período mínimo de 24 horas para decantação, que é o período em que o óleo cru deve repousar para se separar da salmoura. 



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