quarta-feira, 30 de março de 2016

ANACÁRSIS


            Segundo Diógenes Laércio, em sua obra Vida dos Filósofos Mais Ilustres, Anacársis, em grego, Ἀνάχαρσις, foi um filósofo cita do século VI a.C., que viajou de sua terra natal na costa norte do mar Negro até Atenas, por volta do ano 589 a.C., à época da XLVII Olimpíada, quando Sólon estava ocupado com suas medidas legislativas. Filho de Gnurus, um chefe cita e de mãe grega, tido originalmente pelos gregos como um bárbaro (aquele que não falava grego), causou grande impressão por sua sinceridade, colocando-se como um precursor dos cínicos, embora nenhum de seus trabalhos tenha sobrevivido. Ele teria escrito sobre as leis dos citas e algo referente à frugalidade da vida dos gregos, além de cerca de 800 versos sobre a guerra.

Plutarco observa de que ele "expressava sua admiração pelo fato de que na Grécia os homens sábios falavam e os tolos decidiam".
                                                                     Plutarco, Vidas, Sólon 5

            Segundo a história contada por Hermipo, ao visitar Sólon, informou-o de que estava presente Anacársis que desejava conhece-lo e gozar de sua hospedagem. Sólon teria dito que a hospedagem só se dava àquele que estivesse em sua pátria. Anacársis entrou então, dizendo que ele estava em sua pátria e que, portanto, a hospedagem poderia ser dada a outro, o que causou, diante de sua prontidão, a admiração de Sólon que o recebeu e tornou-se seu amigo. Em outra versão, Anacársis teria chegado à casa de Sólon e dito: "Eu viajei até aqui de longe para fazer de você o meu amigo", ao que Sólon respondeu: "É melhor fazer amigos em casa", ao que o cita respondeu: "Então é necessário que você esteja em casa para fazer de mim seu comigo". Sólon sorriu e aceitou-o como seu amigo.
            Anacársis foi o primeiro estrangeiro a receber os mesmos privilégios da cidadania que os atenienses, que o consideravam um sábio e filósofo, de conversa divertida e franca, cujo discurso áspero e livre tornou-se proverbial entre eles como “discurso cita”.

          Ele dizia que a videira tem três cachos de uvas: o primeiro, do vinho, leva ao prazer; o segundo, à embriaguez e o terceiro, ao desgosto. Se admirava muito que entre os gregos de desafiassem os artistas e julgassem suas obras aqueles que não eram artífices.... Também dizia que ficava maravilhado ao ver como os gregos estipulavam leis contra aqueles que injuriavam a outros, honravam aos atletas que se feriam mutuamente... Perguntava: Como é que aqueles que proíbem mentir, mentem abertamente nas tabernas?

            De acordo com Diógenes Laércio, quando Anacársis retornou para os citas, acusado de tentar mudar as leis de sua pátria para introduzir leis gregas, foi morto por seu próprio irmão, que o acusava, também da tentativa ímpia de oferecer sacrifícios à Deusa Mãe Cibele, cujo culto era indesejável entre os citas.
Como nenhuma das obras atribuídas a ele sobreviveu, tudo o que resta de seu pensamento é o que mais tarde a tradição lhe atribuiu, onde, exortando a moderação, tornou-se famoso pela simplicidade de seu modo de viver e pelas observações agudas sobre as instituições e os costumes dos gregos
 Desse modo, ele se tornou uma espécie de emblema para os atenienses, que inscreveram em suas estátuas: Contenham suas línguas, seus apetites, suas paixões.

Conforme Diógenes Laércio, quando Anacársis foi contestado por um ateniense que o acusava de ser cita, ele respondeu: A mim causa desonra a minha pátria, mas você é a desonra da tua. Quando lhe perguntaram sobre que coisa era boa e má nos homens, respondeu: A língua.





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