segunda-feira, 14 de março de 2016

EPIMÊNIDES


Epimênides foi um poeta, filósofo, místico e profeta grego, que viveu em meados dos anos 600 a.C. de acordo com o apóstolo Paulo, conforme sua citação na epístola a Tito (Tito 1:12), que cita sua obra "Cretica". Teria nascido em Cnossos, na ilha de Creta (segundo Estrabão, ele era natural de Festo, Creta).
Dito como "homem estranho" pelo seu povo, Epimênides era um dos poucos da sua época e região que acreditavam em apenas um Deus. Conta-se que Epimênides foi convocado de Cnossos, para Atenas, no tempo de Sólon, onde os achados históricos, conforme descrito por Diógenes Laércio, lhe atribuem ter limpado a cidade de uma praga que a assolava. Segundo a citação, à época, nenhum dos deuses de Atenas tinha sido capaz de livrá-los dessa praga e o oráculo de Delfos indicava a existência de um Deus que não estava sendo agradado pelos atenienses. Epimênides sabia como agradar a esse Deus "ofendido e desconhecido". Quando chegou a Atenas, soltou um rebanho de ovelhas no Areópago, orientando a população a erguer um altar "ao Deus desconhecido" (assim como descrito em Atos 17:23) no local onde elas parassem para repousar. Vários altares foram construídos e a praga cessou. Plutarco testemunha que Epimênides santificou a cidade, tornando-a dócil à justiça e mais propensa à concórdia (DK 3 B 10). Conta-se, também, que ele já visitara a cidade dez anos antes das guerras com os persas, sendo que as duas visitas, historicamente, estão separadas por mais de cem anos, o que não causava espanto, já que ele, segundo Xenófanes, teria vivido 154 anos (DK 3 A 1; cfe. DK 21 B 20). Diógenes Laércio em I, 109, (cfe. Frg. Hist. 115 F 67 II 548) registra ainda que, de acordo com Theopompo, e muitos outros, Epimênides tinha um pai Festo; segundo outros, Dosiade; ainda de acordo com outros, Agesarco e que ele uma vez fora enviado por seu pai para a zona rural em busca de uma ovelha quando, depois de ter se desviado do caminho em direção ao sul, caiu em sono profundo dormindo em uma caverna por cinquenta e sete anos. Ao despertar após estes anos, continuou por um longo período procurando as ovelhas, convencido de que ele tinha dormido por um tempo curto. (DK3A1).
Segundo Platão, Leis I, 642 d, alguns antigos contam que Epimênides tinha recebido das ninfas um alimento especial, também mencionado por Plutarco, cujo consumo em pequenas quantidades tinha o poder de matar a fome. Hesíodo tinha-lhe oferecido sementes e lhe ensinado o quão grande era o prazer existente na malfa e no asfódelo (DK3A5).

São comestíveis ... também a raiz de asfódelo e de cebola, mas não de qualquer qualidade, mas sim aquela chamada por Epimênides, que leva o seu nome a partir do uso que ele fez. (DK 3 A 6)

            Dentre muitos dos feitos atribuídos a Epimênides, dado o seu interesse pelos assuntos da agricultura, estão a invenção do gancho e do arado. (DK 3 A 8)
            Em sua cosmologia, Epimênides refletiu sobre a origem do todo, assinalando como dois princípios da realidade, o Ar e a Noite (DK 3 B 5), o que o aproxima de Parmênides segundo o qual Luz e Noite entram na composição e determinam as formas de tudo o que é visível (DK 28 B 8, B9).
            Epimênides se auto apresentava como uma figura sábia e excepcional, descida dos céus sobre a terra para fazer o bem dos homens, pois escreveu: “Até eu descendo, de fato, de Selene (a Lua) dos belos cabelos, que, com um choque terrível, fez cair um leão ... (DK3B2)
            Outro aspecto interessante da sapiência de Epimênides nos é dado por Aristóteles, numa curiosa passagem da Retórica, Livro III, 1418 a 21 (DK 3 B 4):

A oratória política constitui uma atividade mais difícil do que a oratória forense, o que é natural visto a primeira ocupar-se do futuro enquanto a segunda trata do passado, o qual, como declarou Epimênides de Creta, mesmo os profetas já conhecem. Os oráculos de Epimênides eram extraídos não do futuro, mas de fatos pretéritos, a propósito obscuros.

            A importância deste testemunho está associada ao fato de entender-se este tipo de ciência como uma ciência relativa às antigas culpas, que permaneceram desconhecidas, reveladas por elas e purificadas ou, como parece mais plausível, como o primeiro aparecimento de uma racionalidade que se exprime, ainda que de forma ligada à poesia, ao vaticínio e à profecia, mas que já identifica na investigação do passado, o método para retirar ensinamentos sobre o futuro. (CASERTANO, 2011, PG 35).
            Percebe-se em Epimênides uma luta contra o mito tradicional, conforme se pode observar na citação de Plutarco, no fragmento 11.

há um mito segundo o qual águias e cisnes, levados das extremidades da terra ao centro dela, para ali desciam, para Delfos, até o chamado “umbigo da terra”. Em seguida, Epimênides de Festos, ao investigar e refutar o mito junto ao oráculo do deus, e recebendo uma resposta obscura e ambígua, assim escreveu: “Nem na terra nem no mar há no meio um umbigo; e mesmo que haja é evidente aos deuses, mas está escondido aos mortais”. (DK 3 B 11).
                       
Segundo Pausânias, quando Epimênides morreu, sua pele ficou ao descoberto, e se deram conta que estava tatuada com umas figuras estranhas parecidas a escrituras. Isto criou discórdia sobre seu estatus de profeta, porque os gregos reservavam as tatuagens unicamente para os escravos. Hoje em dia alguns eruditos modernos têm visto isto como evidência de que Epimênides era herdeiro das religiões xamânicas da Ásia central, devido ao fato de que nelas, o ritual da tatuagem se associa com freqüência à iniciaciação do xamã destas religiões.



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