sexta-feira, 18 de março de 2016

FERECIDES



        Ferecides, em grego Φερεκύδης, nasceu na ilha de Siro (DK7A3), por volta da 45ª Olimpíada. (cerca de 600 a.C.). Esta data, proposta por Apolodoro, situa-o uma geração após Tales e como contemporâneo de Anaximandro. Filho de Badio, segundo afirmações de Alexandro nas Sucessões, ele foi discípulo de Pitaco (DK7A1) além de tio e professor de Pitágoras (DK7A2) tendo sido um dos primeiros pensadores gregos a escrever em forma de prosa, estando incluido no rol dos sete sábios da Grécia.
Este Ferecides do qual vamos nos ocupar, foi mitógrafo e teogonista, e não deve ser confundido com o genealogista ateniense do mesmo nome, que viveu no século quinto, nem com Ferecides de Leros, posterior a ele e menos importante, conforme aparece na Suda (DK7A2) e em Diógenes Laércio I, 42 (DK9A1) segundo Hermipo. Este cuidado está de acordo com a tradição pitagórica posterior, na qual, segundo Aristoxenes, em seu livro Pitágoras e Sua Familia, relata-se que ele teria sido enterrado por seu discípulo (Pitágoras), após cair gravemente enfermo (febril e coberto por piolhos), ao final da guerra entre Efesinos e magnesios (D.L. I, 118) (DK7A1 e 4).
Conforme Aristoteles, Ferecides não teria sido inteiramente mitológico na maneira de encarar os problemas, sendo um dos precursores do proceso de transição do pensamernto mítico para o pensamento pré-socrático.

… porquanto os teólogos  , aqueles que não dizem tudo de uma forma mitológica, tais como Ferecides e alguns outros, e também os Magos, fazem do primeiro genitor a melhor de todas as coisas. (ARISTÓTELES, Metafísica, N 4, 1091 b 8)

                Segundo Diógenes Laércio, à época de sua morte (ocorrida por volta do ano 550 a.C.) ele teria escrito uma carta a Tales, de Mileto, a quem entregava sua obra e legado.
            Ferecides escreveu as “Cinco Cavernas”, uma das primeiras obras em prosa da literatura grega, associada à criação da doutrina da metempsicose, formando uma importante ponte para a travessia do pensamento mítico ao pré-socrático, onde negava uma criação “ex nihilo”[1] e afirmava a autocriação do cosmos e a natureza eterna dos primeiros principios, embora valendo-se de representações míticas, onde apresenta uma história do mundo que parte da racionalização do panteão grego.
            Conforme Damásio, em de principiis, em sua teogonía, Ferecides coloca que Zás (Zeus), Cronos (O Tempo) e Ctonia (a Terra),sempre existiram, configurando-se nos três primeiros principios… e que Cronos fez do seu próprio sêmem o fogo, o vento e a agua… a partir dos quais, após terem sido dispostos em cinco recessos, se formaram inúmeros descendentes e deuses, (DK7A8), sendo este assunto, retomado mais tarde por Epicarmo, conforme DK 23 B 1.




[1] Ex nihilo é uma expressão latina que significa nada.
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