quarta-feira, 16 de março de 2016

FOCO


Sobre Foco, o personagem registrado com o número (DK5) na obra de Diels Krans, praticamente nada se tem registrado, além de uma simples menção em um fragmento relativo a Tales, de Mileto, a quem, equivocadamente teria sido atribuída a obra Astronomia Náutica, que seria, em verdade, obra de Foco.

Segundo alguns, Tales não deixou nada escrito e, de fato, a Astronomia Náutica, que lhe foi atribuída, se diz que seria de Foco de Samos. (DK11B1)

No entanto, apenas a título de curiosidade, no estudo da mitologia grega, encontramos algumas passagens deste suposto personagem que, transcrevemos abaixo:

“Segundo a mitologia, Antíopa, uma jovem donzela Tebana, solitária e inocente, tendo adormecido entre flores silvestres, foi atacada e violada por Júpiter, que se disfarçara de fauno, não lhe restando outra coisa senão o susto e a tristeza. Temendo ser punida por seu pai Nicteu, que não entenderia seu infortúnio, deixou Tebas onde vivera feliz desde a infância, terminando por encontrar Epopeu, o soberano do reino de Sícion que, encantado por sua beleza, esposou-a. Desesperado com a partida da filha Nicteu, antes de suicidar-se, arrancou de seu irmão Lico, a promessa de trazê-la cativa para receber sua punição. Lico, valendo-se da surpresa, atacou Epopeu conseguindo uma rápida vitória, trazendo a viúva Antíopa prisioneira de volta a Tebas. No caminho de volta, com fortes dores, ela deu a luz aos filhos de Júpiter, Anfião e Zeto, que precisou abandonar por ordem do tio. Passou, então, anos de cativeiro, vivendo apenas de suas recordações. Avisados por um pastor de seu infortúnio, seus filhos Anfião e Zeto partiram para Tebas a fim de resgatá-la, tendo sido Lico, o primeiro a sucumbir sob suas espadas. Como em sua vingança Anfião e Zeto também puniram Dirce, a esposa de Lico, o Deus Baco, de quem ela era devota resolver intervir, castigando Antíopa, que saiu a errar pelas terras gregas, sem destino e sem lembranças., até encontrar o bondoso Foco, que a curou de sua loucura e a esposou, propiciando-lhe, afinal, a sonhada felicidade.
Em outra passagem, possivelmente outro Foco, como filho de amores recentes do Rei Éaco com a nereida Psâmete, que teria deixado Egina, o país de seu pai, alcançando a Grécia central, onde conquistou uma região que chamou de Fócida, casando-se com Astéria, filha de Déion e Diomeda, tendo Crisos e Panopeu por filhos, ao retornar a Egina diante de desentendimentos com seus irmãos Telamão e Peleu, filhos do primeiro casamento, que sentiam ciúmes dele, acabou assassinado por eles, em uma competição esportiva. Descoberto o crime, as implacáveis Irínas sentaram-se nos muros das casas dos assassinos que, desmascarados, foram expulsos do reino por seu pai, o piedoso Éaco.
Consta ainda que Peleu, após causar a morte de Foco e ser expulso de Tebas, indo refugiar-se na corte do rei Acasto, despertou a paixão da esposa do rei, que se vendo repudiada por ele, decidiu caluniá-lo. Assim, Peleu, condenado à morte, foi atirado ao monte Pélion, lugar onde viviam os terríveis Centauros, para que fosse devorado por eles. Quirão, o sábio centauro que vivia pelas redondezas, encontrando-o desamparado, auxiliou-o mostrando-lhe o esconderijo de uma faca mágica com a qual ele poderia defender-se. Com ela, Peleu pode enfrentar e vencer os outros Centauros do monte Pélion”.
Postar um comentário