domingo, 13 de março de 2016

MUSEU


Conforme a mitologia grega, Museu de Elêusis, (em grego Μυσαῖος) é um personagem lendário, associado a Orfeu, de quem foi discípulo.  Não se sabe ao certo onde teria nascido, se em Atenas, na Trácia ou em Elêusis, a mais provável, tendo sido criado pelas ninfas[1]. Era filho de Antifemo, filho de Eufemo, filho de Ecfanto, filho de Cercione, que teria sido derrotado por Teseu em uma guerra, e de sua mulher Selene (Lua). Compositor de versos era mais velho que Orfeu, tendo florescido, de fato, à época de Cecrope II [2], quando escreveu “Recomendações Para Eumolpo”, seu filho, em 4000 versos, e muitas outras obras. (DK 2 A 1)
O nome de Museu, autor epônimo[3] da literatura oracular, teve a tendência de se ligar a toda e qualquer espécie de versos relativos ao Além, incluindo, evidentemente, um poema teogônico como o atribuído a Epimênides.
É considerado um dos fundadores da escola órfica e seus cantos eram tidos como verdades fundamentais da moral e da sociedade. A ele são atribuídos alguns rituais de purificação.
Museu morreu de velhice, e foi enterrado em Atenas, no local chamado de Museu, um morro oposto à Acrópole, dentro da cidade, onde hoje se encontra um monumento.


Museu e seu filho Eumolpo, da parte dos deuses concedem aos justos recompensas maiores ainda. Conduzindo-os ao Hades introduzem-nos no banquete dos santos, onde, coroados de flores, passam o tempo a inebriar-se como se o mais belo prêmio da virtude fosse a eterna embriaguez. Outros prolongam as recompensas conferidas pelos deuses; dizem, com efeito, que o homem piedoso e fiel a seus juramentos revive nos filhos de seus filhos e na posteridade. É assim, e em termos parecidos, que tecem o elogio da justiça. Quanto aos ímpios e aos injustos, mergulham-nos na lama do Hades e os condenam a carregar água num crivo; durante a vida, devotam-nos à infâmia, e todos os castigos enumerados por Glauco a propósito dos justos que parecem injustos, eles aplicam aos maus; não conhecem outros. Tal é a maneira de louvarem a justiça e censurarem a injustiça.
                                                (PLATÃO, A República, 363 c. [DK 2 A 5 a])

  
Num dos fragmentos atribuídos a ele pode-se ler:

E se Museu escreveu: sempre, a arte é muito melhor força. Homero o diz: Nem, realmente, alguma coisa ...; [Ilíada, VI, 147,ss] e, novamente, se o Museu compôs estes versos. (DK 2 B 4)

Em outro, segundo Erastóstenes, pode-se ler:

Aqui temos representado a Cabra e as crianças. Museu, de fato diz que Zeus, quando nasceu, foi confiado por Reia[4] a Têmis[5] que, por sua vez, deu a criança a Amalteia[6], que tinha uma cabra que deu leite a Zeus. Esta cabra era filha do Sol. Era tão horrendo que o deus do tempo Cronos, ficando perplexo com a aparência da criança, pediu a Terra (Gaia) para escondê-lo... Quando, o menino chegou a sua juventude, quando estava lutando contra os Titãs, apesar de não ter braços, foi profetizado para usar uma pele de cabra como arma, enquanto invulnerável e terrível, com sua habilidade escondeu os ossos da cabra na pele e a fez animada e imortal; e eles dizem que ela se tornou uma constelação celestial[7], e Zeus foi chamado Egìpane[8] (aquele que protege a pele de cabra). Museu testemunha que Jupiter[9], na luta contra os Titãs, usou como arma uma pele de cabra, razão pela qual o poeta Egipane é chamado de aquele que traz a cabra como escudo.
                                           (Conforme Epimênides, DK 3 B 24  ) (DK 2 B 8)


            Na análise da documentação órfica que sobreviveu ao tempo e alcançou nossos dias, de maneira geral, pode-se atribuir a Orfeu o título de patrono dos aspectos rituais da vida e da morte, ficando o nome de Museu associado à literatura teogônica deste período.



[1] Ninfas (em grego: νύμφες),  são espíritos naturais femininos;  membros de uma grande categoria de deuses , às vezes ligados a um local ou objeto particular.
[2] Rei Mitológico de Atenas
[3] Que dá ou empresta o seu nome a alguma coisa
[4] Reia, em grego Ῥέα, na mitologia grega era uma titânide, filha de Urano e Gaia, que se casou com seu irmão Cronos gerando Deméter, Hades, Poseidon, Hera, Héstia e Zeus.
[5] Têmis, em grego Θέμις, na mitologia grega era uma titânide, filha de Urano e Gaia, irmã de Reia, a deusa guardiã dos juramentos dos homens e da lei.
[6] Amalteia, em grego Ἀμάλθεια, na mitologia grega foi a ninfa que possuía a cabra Aix que cedeu leite a Zeus recém-nascido
[7] Capricórnio
[8] Outro nome do deus Pan
[9] Nome latino de Zeus.
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