sábado, 26 de março de 2016

PERIANDRO


            Aforismo: Tenha prudência em tudo.
           
Segundo Diógenes Laércio, em sua obra A Vida dos Filósofos Mais Ilustres, Periandro, em grego Περίανδρος, foi o segundo tirano de Corinto no século VII a.C., considerado um dos sete sábios da Grécia, filho e sucessor de Cipselo, que sucedeu no ano de 627 a.C. Casado com Lísida, a quem chamava Melissa, filha de Procleo, rei de Epidauro e de Eristena, filha de Aristócrates e irmã de Aristodemo, os quais dominavam toda a Arcádia, teve com ela dois filhos Cipselo e Licofron.
            Periandro desenvolveu o porto de Corinto e construiu uma rampa através do istmo do mesmo nome, para que os navios pudessem ser arrastados através dos diolkos[1], evitando, assim, a rota marítima ao redor do Peloponeso. Com os ganhos destes diolkos conseguiu suprimir os impostos na cidade de Corinto, o que não impediu que fosse classificado como um tirano que, entre outras práticas, costumava enviar jovens a Córsira, uma ilha grega do mar Jônico, para depois serem castrados em Lidia[2].
            Segundo Heródoto, Periandro aprendeu esta selvageria com o tirano Trasíbulo de Mileto, a quem havia perguntado qual melhor forma de proceder, ouvindo que a melhor forma de governar seria derrubando só as cabeças das espigas de trigo, o que ele interpretou como uma instrução para eliminar os aristocratas que poderiam tomar-lhe o poder. Valendo-se do apoio da população pobre para isso, promoveu uma sangrenta repressão contra todos aqueles que julgava inimigos. Diógenes Laércio registra esta passagem escrevendo a resposta de Trasíbulo da seguinte forma:

Nada respondi ao teu enviado, senão que levando-o a um campo de trigo, ele pode ver como eu cortava a cabeça das espigas mais altas, batendo-lhes com uma vara. Se lhe perguntares, ele te contará o que viu. Age você assim, já que desejas manter o mando; desfaça-se dos cidadãos poderosos, te pareçam inimigos ou não, pois ao tirano, até os amigos são suspeitos.

            Periandro, em outra passagem descrita por Diógenes Laércio, desterrou seu filho Licofron, que descobrira haver sido ele o assassino de sua mãe, emitindo, ao mesmo tempo, uma ordem para que ninguém lhe desse abrigo. Mais tarde, após uma infrutífera tentativa de reconciliação, aceitou os termos de seu filho que exigia sua saída de Corinto. Decidindo fixar residência em Córsira, despertou o medo dos corsirenses que, temendo sua presença, como forma de evita-la, assassinaram Licofron.
            Diógenes Laércio registra também que Periandro, sentindo-se desgostoso pela morte do filho e vendo aproximar-se o final da vida, temendo ter seu corpo mutilado após sua morte, escolheu alguns jovens a quem ordenou que viessem à noite, o matassem e enterrassem o seu corpo. Paralelamente ordenou a outros que, sem que os primeiros soubessem de nada, matassem seus assassinos e, finalmente, a outros mais, que matassem os assassinos de seus assassinos. Esperava com isso que seu corpo não fosse descoberto e, ainda conforme o texto, embora seu plano fosse brilhante, logrou ao invés de um suicídio, promover um massacre generalizado.
            Segundo os registros, Periandro foi o primeiro a valer-se dos serviços de guarda-costas, estando sempre acompanhado de homens armados e, como seu outro filho, Cipselo, fosse considerado mentalmente incapaz, após sua morte não deixou herdeiro, sendo sucedido por Psametico, filho de Górdias, que não tinha nenhuma relação com ele.
            Periandro, como um dos sete sábios da Grécia, escreveu documentos de até dois mil versos, destacando-se neles os aforismos:

Cuidar de tudo
A tranquilidade é uma coisa bonita
Imprudência é uma coisa perigosa
O ganho é algo vergonhoso
A democracia é melhor do que a tirania
O prazer é mortal, a virtude é imortal
Quando você tiver sorte, seja moderado;  má sorte, tenha cuidado
É melhor morrer em frugalidade, ao invés de ficar vivo na necessidade
Não basta punir aqueles que tenham cometido um pecado, mas também aqueles desejam cometer um.
                                                                                                          DK 10 A 3, VII




[1] Diolkos, em grego Δὶολκος, eram estradas pavimentadas com de pedras através do qual as embarcações podiam cruzar o istmo de Corinto, valendo-se de uma espécie de carroça rudimentar. Este artifício permitia aos navios navegar desde o mar Jônico ao mar Egeu, evitando passar ao largo da península do Peloponeso, cujo litoral rochoso era muito perigoso para a navegação.
[2] O reino da Lidia era uma região histórica situada a oeste da península de Anatólia, onde hoje estão as províncias turcas de Esmirna e Manisa. 
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