quarta-feira, 23 de março de 2016

QUILON

Segundo Diógenes Laércio, em sua obra Vida dos Filósofos mais Ilustres, Quilon, era um lacedemônio (espartano) que viveu no início do século VI a.C. já velho na 52ª Olimpíada (572 a.C.), filho de Damageto. Considerado um dos Sete Sábios da Grécia Antiga, diz-se que ele ajudou a sobrepujar a tirania na cidade de Sicião, tornando-a uma aliada de Esparta. Também é creditado a ele a mudança da política espartana que culminou no desenvolvimento da Liga Peloponésia[1], que posteriormente fez frente à Liga Helênica, comandada por Atenas.
Diógenes Laércio descreve-o como um escritor que, embora sendo de poucas palavras, escreveu poemas elegíacos, atribuindo-lhe muitos ditados, como por exemplo:
- Conhece-te a ti mesmo,( Γνθι σεαυτόν)  conforme DK 10 A 3.III,1 [2]
- Não fales mal dos vizinhos, pois quem fizer isso ouvirá a propósito de si mesmo coisas que lamentará.
- Visita mais depressa os amigos na adversidade que na prosperidade.
- Não falar mal dos mortos.
- Honrar idade velha.
- Preferir punição a ganho desgraçado; pois a primeira é dolorosa somente uma vez, porém o outro para o resto da vida.
- Não rir de uma pessoa em infortúnio.
- Se um é forte seja também piedoso, de forma que seus vizinhos possam respeitá-lo em vez de temê-lo.
- Aprender como regular bem a casa própria de um.
- Não permitir que a língua de um se sobreponha ao senso de outro.
- Restringir ira.
- Não desgostar de divinação.
- Não desejar o que é impossível.
- Não fazer muito tumulto no caminho de um.
- Obedecer às leis.
- Cultiva a tranqüilidade.

Ainda segundo Diógenes Laércio, na estátua erigida em sua homenagem após sua morte havia a seguinte inscrição:

   "Esparta coroada de lanças gerou este Quilon, o primeiro dos Sete Sábios em sapiência".

Questionado por Esopo sobre o que fazia Júpiter, respondeu: Humilha os excelsos e eleva os humildes. Sobre no que se diferenciavam o sábio e o ignorante, colocou: Na boa esperança. Sobre qual coisa era a mais difícil: Guardar segredo, disse ele.






[1] A Liga Peloponésia era constituída basicamente por Esparta, Corinto, Élis e Tegea, além de cidades menores, sendo controlada por Esparta (Conselho dos Espartanos) e pelo Congresso dos Aliados, onde cada um votava de forma independente, de acordo com seu tamanho e força política.
[2] Equivocadamente este aforismo é creditado a Tales de Mileto, mas, conforme DK10A3.4,9, ele teria dito: É difícil reconhecer a si mesmo (χαλεπον το έαντον γνώναι).
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