sábado, 19 de março de 2016

TEAGENES

Conforme o neoplatônico Porfírio[1], no século III de nossa era, Teagenes de Régio teria sido um poeta que viveu no século VI a.C. e que teria defendido a obra de Homero contra-ataques de impiedade, ao colocar-se contra a crítica racionalizante de Xenófanes de Eléia, que tinha a épica como seu alvo, acusando-a de inverossímil e imoral.
Teagenes teria construído a primeira teoria que concebia o mito como uma alegoria, ou seja, como um relato que diz uma coisa diferente daquilo que, à primeira vista, parece querer dizer.
A alegoria entende que o mito tem uma linguagem crítica que precisa ser interpretara e decifrada, requerendo um estudo hermenêutico[2] apropriado, já que possui um código próprio e referencias reais, que os estudiosos precisam encontrar.
Em sua teoria alegórica, Teagenes tendo interesses especulativos centrados fundamentalmente na divindade e sua natureza, na origem das coisas, nos fenômenos naturais, na limitação do conhecimento humano e na verdadeira autoridade, realizou uma feroz crítica contra a imoralidade e a natureza antropomórfica da religião tradicional, defendendo de forma consciente Homero e Hesíodo, que em sua época, eram o eixo da educação e da cultura, considerados como as autoridades sobre as quais se baseavam as crenças do mundo grego, alegando que eles se expressavam de um modo críptico[3], um modo poético que, com este tipo de linguagem revelava as verdades mais profundas que se achavam ocultas atrás de um véu de metáforas e imagens plásticas..
De suas obras, nenhuma chegou ao nosso tempo, mas fragmentos obtidos nos levam a crer que ele teria proposto uma exegese[4] alegórica, poemas físicos e morais de Homero.
o que diz respeito à poesia de Homero, ... e o tempo durante a qual floriu, a pesquisa mais antiga que teve lugar foram de Teagenes, que viveu no tempo de Cambises II (Rei da Pérsia entre 529-522 a.C) e... (DK8A1).

A teologia, que é o discurso dos deuses, relacionado a um conjunto que não é de forma construtiva e, ao mesmo tempo, também é inconveniente; de fato, argumenta que há mitos decentes sobre os deuses. Bem, contra uma acusação como essa, algumas pessoas tentam se livrar da interpretação literal, ...Portanto, este tipo de defesa do poeta - que é obtido através do velho Teagenes de Régio, que primeiro escreveu sobre Homero - é que, como parte de Interpretação literal, e em seguida, partem. (DK 8 A 2)



[1] Segundo Pierre Hadot (1922/2010), um historiador francês, profundo conhecedor do neoplatonismo e de Porfírio.
[2] A hermenêutica é a arte de explicar, traduzir e interpretar textos para determinar o significado exato das palavras mediante as quais se expressou um pensamento.
[3] Oculto
[4] Comentários que são feitos acerca de textos de difícil compreensão.
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