domingo, 3 de abril de 2016

BRONTINO

Brontino, em grego,  Βροντῖνος, de Metaponto foi um filósofo pitagórico que viveu no fim do século VI a.C. De acordo com a doxografia que temos a seu respeito, onde alguns afirmam ser ele oriundo de Metaponto outros de Crotona, sendo a primeira a mais provável, pouco podemos saber sua vida e quase nada sobre sua obra e doutrina, além  das referências recolhidas por Diels/Krans, que transcrevemos abaixo:

Segundo Jâmblico, em sua obra Vida Pitagórica, V, P. 217 p.189, 5:  São Metapontinos  Brontino, etc. – pg. 194, 2 – Teano, mulher do Metapontino Brontino. 132 p. 96: Para Deinono, a mulher de Brontino, um dos pitagóricos, a que era sábia e de magnífico espirito, da qual também é necessário celebrar a bela e conhecida palavra, sobre a qual se refere aquele ditado belo e famoso: que a mulher deve sacrificar algo a deus, logo depois de estar na cama com o marido; expulsa da casa de seu marido, o que alguns atribuem a Teano; aproximando-se dela as mulheres crotonenses com o fim de pedir-lhe um conselho sobre como persuadir Pitágoras para que falasse com seus maridos sobre a continência que deveriam cumprir, etc. Segundo Diógenes Laércio, Vida dos Filósofos Mais Ilustres, VIII, 42 – Tinha Pitágoras por mulher a Teano, filha de Brontino Crotonense. Mas alguns a fazem mulher de Brontino, discípula de Pitágoras. Tinha também uma filha chamada Damo, como diz Lisis na carta a Hipaso. (DK 17 A 1)

Conforme Diógenes Laércio, id. VIII, 83 – (Alcmeão começa seus escritos (DK 24 B 1): Alcmeão de Crotona, filho de Pirito, disse estas coisas a Brontino e a Leão e a Batilau: acerca das coisas invisíveis, etc. (DK17A2)

Ibidem, 55: ...a carta de Telauges que circula, que foi discípulo (Empédocles) Hipaso e Brontino, não é fidedigna (DK 17 A 3)

Suidas 3 , Manto e Rede: E isto foi escrito por Zopiro de Heracleote; e os da escola de Brontino ... dizem que o Tratado sobre Física é de Brontino. Segundo Clemente de Alexandria, Stromatei, I, 131 ... Manto e o Tratado sobre a física (escritos de Orfeo) são de Brontino. (DK 17 A 4)

Conforme Jâmblico, d. comm. Math. Sc. 8 p.34, 20 – Festa. Por isso também Brontino no Tratado sobre a Inteligência e o Pensamento, distinguindo estas coisas das outras, dizia isto... (DK 17 A 5)


            Assim, sem exageros, veremos, na sequência, aquilo que nos pode servir como ponto de partida, como o elo perdido, para elucidar alguns pontos sensíveis, referentes à vida de Pitágoras de Samos, quando este viveu na Magna Grécia, pelos quais nos damos conta da relativa importância de Brontino e sua relação com outras três figuras importantes do pensamento pré-socrático: Hipaso de Metaponto, Alcmeão de Crotona e Empédocles de Agriento.
Podemos dizer, sem sobras de dúvidas que Brontino de Metaponto foi uma das excelsas figuras do pitagorismo primitivo, a exemplo do que dissemos sobre Hipaso de Metaponto e, como podemos analisar no fragmento 3  (DK 17 A 3) , que trata sobre Telauges, filho de Pitágoras, assinalando a alusão que faz a Brontino e a Hipaso de Metaponto, convém guardar-se, como evidência, a possível relação entre os três.
Sabemos que nasceu em Metaponto ou em Crotona, mais presumivelmente em Metaponto, que foi pitagórico, que teve alguns discípulos, que teve por esposa ou filha Teano, a qual dizem ter sido também mulher de Pitágoras.
Também sabemos que Brontino dedicou a Alcmeão de Crotona uma obra ou lhe enviou uma carta importante, conforme o fragmento 2 (DK 17 A 2)
Quanto aos seus escritos dos quais nos fala Epígenes, que foi contemporâneo de Alexandre Magno, atribuindo-lhe poemas órficos sobre o título de O Manto e um Tratado sobre Física, (DK 17 A 4) só podemos dizer que, sobre eles, em verdade, só nos chegaram os títulos.
Finalmente, segundo o fragmento 5 (DK 17 A 5), que trata de um Tratado sobre a Inteligência e o Pensamento, atribuído a Brontino, parece-nos que existe, não só o título, mas, também, alguns fragmentos de Diels/Kranz não conseguiram compilar.
            Deste último podemos explorar, sem dúvidas, o significado de “nous” (intelecto) e a possível influencia que este vocábulo teve em Brontino, assim como a possível influencia que pode ter isso na concepção posterior e bastante madura de “nous” elaborada por Anaxágoras de Clazômenas, diante do que se levanta a hipótese de que Brontino, e outros pitagóricos, além Xenófanes de Colofon, foram de alguma maneira precursores da doutrina mais característica de Anaxágoras.  Some-se a isto o fato de que Xenófanes tendo visitado Eleia e conhecido Hipaso, fazendo em sua doxografia alusões sobre os pitagóricos, existe a possibilidade real de que Brontino também tenha tido conhecimento de sua dianóia (pensamento)[1]. E dizer, Brontino de Metaponto, e outros pensadores pitagóricos e não pitagóricos, podem ter influído em Anaxágoras quanto a sua doutrina do “nous”.
Sobre os demais livros atribuídos a ele, dos quais nada restou, suspeita-se que tinham um caráter órfico sendo que o Tratado sobre Física, também nos sugere que Brontino tenha se preocupado com os problemas da natureza, situando-se, assim, dentro da tradição jônica e milesia com respeito ao estudo das coisas da physis que, passando pela mão dos pitagóricos, recebeu novo impulso.






[1] Segundo Jâmblico, Vida de Pitágoras, 175, Pitágoras dizia que sempre era preciso por Deus diante do pensamento (dianóia), e que era preciso evitar ser cegado pelo próprio pensamento, do que seu discípulo Brontino discordava, opondo este conceito, “dianóia”,  ao “nous” como destaca no próprio título de sua obra, Inteligência e Pensamento.
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