terça-feira, 5 de abril de 2016

CALIFONTE

Califonte de Crotona (em grego Kαλλιφῶν) era um médico grego que viveu no século VI a.C. Nascido na cidade de Crotona, conforme relatado pela Suda[1] ele era um sacerdote de Asclépio[2] em Cnidus.
Fócio de Constantinopla, citando Teopompo de Quios, diz que os habitantes da cidade de Syrna em Caria (atual Bayır), descendentes de Podalirius, teriam dado origem à casa dos Asclepiades em Cos e Cnido.
Como diz Pausânias, de fato, em Syrna desembarcou Podalirius, filho de Asclépio, com seu irmão Machaon, médico dos gregos na Guerra de Tróia. Syrna então se tornaria o berço dos asclepiades na Ásia e Podalirius teria três ramos derivados: o ramo da ilha de Rhodes (posteriormente extinta), da ilha de Cós e da cidade Cnidos, todos centros médicos altamente respeitáveis. Esta forte ligação entre Cnidus e Asclepius, que também foi confirmada por outros escritores, incluindo Aristides, provavelmente foi preservada e transmitida pelo próprio Califonte.
Ele se estabeleceu definitivamente, por volta de 530 a.C, no florescer da rica Crotona, na Magna Grécia, onde abriu um consultório médico, dando ali um impulso para o desenvolvimento da medicina como uma ciência e provocando o nascimento da escola de medicina crotonense.
Seu filho Democedes aprendeu com ele os rudimentos da arte médica, baseada nos cânones da medicina hipocrática e da cultura do corpo através da prática do atletismo.
O historiador Heródoto o descreve como sendo um homem rude e irascível (Heródoto, Histórias, Livro III, c. 131), atribuindo a esta sua severidade a decisão de seu filho Democedes em deixar sua cidade natal e partir para a Grécia.
Hermipo de Esmirna fala dele como sendo um fiel seguidor da doutrina de Pitágoras, tendo sido o responsável por apresentar ao seu filho Democedes o estudo dos preceitos de Pitágoras que, aparentemente, conheceu em Samos por volta do ano 529 a.C. e de quem se tornou-se um discípulo.

Hermipo, diligente questionador da tradição, no primeiro de seus livros Sobre Pitágoras registra que Pitágoras disse que “a alma de um dos seus discípulos que morreu, um nativo de Crotona, Califonte, ficou com ele dia e noite; pedindo-lhe para não ir para um lugar onde ele retornasse um burro, para evitar a água infectada e que se abstivesse de qualquer palavra blasfema. (DK 19,2)




[1] No século X, em Constantinopla, foi descoberta uma obra coletiva de grande interesse sobre a Antiguidade grega. Tratava-se de uma compilação de obras e personagens classificadas de forma inovadora por ordem alfabética que se apresenta, portanto, como a primeira enciclopédia: a Suda (em grego: ἡ Σοῦδα ) que, apesar de imprecisões e erros, contém informações inestimáveis, uma vez que os seus autores tiveram acesso a numerosas fontes agora perdidas.  
[2] Asclépio,  em grego Ἀσκληπιός, ou Esculápio em latim, era o deus da Medicina e da cura 
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