quarta-feira, 6 de abril de 2016

DEMOCEDES

Democedes de Crotona, em grego Δημοκήδης, foi um antigo médico crotonense da escola de Pitágoras que viveu no século VI a.C., filho de Califonte, um sacerdote de Asclépio em Cnidus, que fez com que ele frequentasse a escola médica de Pitágoras, a qual deixou a mais tarde por desentendimentos com seu pai.
Foi para Egina, onde recebeu a soma de um talento[1] por ano para os seus serviços médicos; no ano seguinte ele foi para Atenas, onde em recebeu uma centena de minas; no ano seguinte, mudou-se para Samos na corte do tirano PoIicrates, que aumentou sua remuneração para dois talentos, e participou com ele em uma expedição fracassada contra o sátrapa persa Orestes, onde PoIicrates foi capturado e crucificado, enquanto Democedes foi preso e conduzido a Sardes.
O médico crotonenses foi chamado para exercer a sua profissão, mesmo à poderosa corte do rei persa Dario I, onde tratou com sucesso uma entorse que o soberano tinha obtido no tornozelo caindo de seu cavalo; quando Dario manifestou o desejo de matar os médicos que não tinham sido capazes de curar seu mal, foi Democedes que intercedeu por suas vidas. Por sua atuação, obteve uma grande casa em Susa, um lugar permanente na mesa do rei e um monte de ouro, embora acalentando o desejo de voltar para sua terra natal e recuperar sua liberdade.
Democedes curou também a rainha Atossa, esposa de Dario e filha de Ciro II, depois que os médicos persas e egípcios tinham falhado. A rainha, por gratidão o ajudou a voltar para casa. Finalmente livre, voltou para Crotona onde se casou com a filha de Milo, o famoso vencedor dos Jogos Olímpicos e, com este casamento estratégico, graças ao nome de Milo que gozava de grande prestígio junto a Dário, ele entrou, de fato, para a casta aristocrática dos pitagóricos onde colocou sua arte médica a serviço dos seus concidadãos.

Segundo Heródoto, III, (125). PoIicrates, independentemente de qualquer aviso, partiu caminhando contra Orestes[2], levando consigo um grande número de seguidores, incluindo Democedes filho de Califonte, um médico de Crotona, que praticava a arte melhor do que ninguém da sua idade... (129) No oitavo dia desde que Dario estava acamado [havia torcido o pé em consequência de uma queda], em Sardes,  tinham ouvido  falar da arte de Democedes, o crotonense, e isso chegou  aos ouvidos do rei; e ele ordenou que ele fosse trazido rapidamente. Eles o encontraram entre os escravos de Orestes, e com correntes atadas aos pés o levaram à presença do rei ...  (130) recebeu a ordem para iniciar o tratamento, e ele servindo-se de medicamentos gregos, inicialmente aplicou remédios energéticos, em seguida, calmantes, conseguindo tratar o rei enquanto este dormia, e logo o curou, quando ele já não esperava recuperar a agilidade do pé. Então Dario fez uma doação de dois pares de correntes de ouro; depois do que Democedes perguntou-lhe se o recompensaria com uma ferida duas vezes porque o tinha curado. [A esposa de Dario o recompensou generosamente com duas coisas] com o servo que o seguia, de nome Sciton, e com as moedas de ouro recolhidas em copos, formando uma grande quantia. (131) Democedes tinha vindo através de Crotona onde tivera conhecimento de PoIicrates da seguinte maneira: Ele viveu com seu pai em Crotona, homem áspero e severo; não podendo mais aturá-lo, ele o deixou e foi para Egina, estabelecendo-se ali. No primeiro ano, ele superou em fama todos os outros médicos, mesmo desprovido de qualquer ferramenta necessária à arte médica. No segundo ano os habitantes de Egina contrataram-no como médico público com um soldo de um talento e no terceiro ano em que o chamaram de Ateniense com o salário de cem minas, no quarto PoIicrates com dois talentos. Então veio para Samos, e seu trabalho cresceu em fama junto aos médicos de Crotona, na verdade, eles eram chamados os primeiros da Grécia também chamados queridos de Cirene.  (DK 19, 1)

De acordo com Suidas, Democedes, filho de Califonte que era sacerdote de Asclépio em Cnidus, era um médico de Crotona que exerceu a arte da medicina em Egina, e se casou por lá; ele era médico de PoIicrates, tirano de Samos, com o salário de dois talentos de ouro. Convocado por Dario, rei da Pérsia, o assistiu por algum tempo. Ele escreveu um livro médico - Hermipo, diligente questionador da tradição, no primeiro de seus livros Sobre Pitágoras registra que Pitágoras disse que “a alma de um dos seus discípulos que morreu, um nativo de Crotona, Califonte, ficou com ele dia e noite; pedindo-lhe para não ir para um lugar onde ele retornasse um burro, para evitar a água infectada e que se abstivesse de qualquer palavra blasfema. A estas notícias Hermipo acrescenta: "Estas coisas ele fez e disse, imitando e atribuindo a si a doutrina dos judeus e dos trácios". E é verdade que ele aceitou em sua filosofia muitas das doutrinas dos judeus. (DK 19, 2)

Também os Crotonenses, como diz Timeu, tendo destruído Sybaris renderam-se ao de luxo, onde seu magistrado caminhava ao redor da cidade vestido de púrpura, com uma coroa de ouro e sapatos brancos. Alguns dizem que isso não acontecia por luxo, mas por uma finalidade que remetia a Democedes médico. Ele era um nativo de Crotona, que viveu na corte de PoIicrates; feito em seguida, prisioneiro pelos persas após a morte de PoIicrates. Levado perante o rei Democedes, curou-o e, Atossa, esposa do rei e filha de Ciro, perguntou como poderia recompensá-lo. Ser enviado de volta para a Grécia, ..., ele foi para Crotona, e decidiu ficar lá; Depois um persa tentou prendê-lo, afirmando que ele era um escravo do rei, liberto pelos crotonenses, com roupas persa, vestiu-o o ministro de prítane. Desde então, ele faz um giro ao redor do altar com vestes persas juntamente com prítane, não para se mostrar ou por arrogância, mas em afronta aos persas, que têm tal hábito.
  (DK 19, 2 a)



[1] Talento ( do grego: τάλαντον)  era uma  unidade de massa criada Suméria, usada em toda a Antiguidade com poucas variações de peso (26 kg na Grécia, 32,3 Kg em Roma e 27 Kg no Egito). sendo dividido em 60 minas, onde cada mina subdividia-se em 60 siclos ou 100 dracmas.
[2] PoIicrates, o tirano de Samos,  foi procurar Orestes, de Sardes,  atrás de dinheiro, mas foi morto por ele.
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