sexta-feira, 29 de março de 2013

A TEOGONIA DOS SÉCULOS XX E XXI



            Após as revoluções protestantes do século XVI, a figura endeusada do “Papa” foi duramente questionada, abrindo-se uma vacância no panteão vigente à época.
            Após as revoluções americana e francesa do século XVIII, a figura divina do imperador, assim como outrora, a figura dos Faraós, foi reduzida à mortalidade e à falibilidade.
            A população mundial, que aprendia a ler, vítima do iluminismo que lhe abria os olhos, mesmo diante da dor provocada pelo conhecimento, refém de seus alicerces morais, patriarcal em sua essência, via ruir também estas colunas em consequencia dos teares e da máquina a vapor.
            Como uma criança recém desmamada que se separa da mãe, sentindo-se perdida na imensidão da calçada inexplorada, a massa humana, agora emancipada, movia-se em busca de uma mão, adulta, que a pudesse amparar.
            Como a caminho a ser percorrido era incerto, desconhecido, ameaçador, o ponto de referencia passou a ser, não aonde se podia chegar, mas o portão da casa para onde não se queria voltar.
            Dadas às características geográficas, à condição heterogênea das várias tribos humanas, tanto econômica quanto cultural, as escolhas sobre o caminho a ser seguido foram igualmente diferentes.
            Monarquias absolutistas, como no Japão; constitucionalistas, como na Inglaterra e na Alemanha; clericais, como no Islã; repúblicas como na França e nos Estados Unidos, foram alguns dos modelos adotados.
            Nas sucessivas revoluções e contra revoluções, o mais importante para a manutenção do poder, oligárquico em sua essência, pelos governantes do momento, foi associar o retorno à figura de um inimigo do povo.
            Demonizar pessoas, grupos de pessoas, sistemas políticos, formas de pensamento, crenças religiosas, etc., foi a estratégia comum que se pode observar ter sido construída ao longo do século XIX.
            Eleger o Capital como inimigo do proletário, a religião como ópio do povo, a metafísica como antinomia do positivismo comteano, o cristão como inimigo do Islã, assim como o islamismo classificado como inimigo do povo judaico, foram formas de consolidar fronteiras do pensamento, travestidas em nações separadas por rios e mares.
            Influenciadas por necessidades práticas para seu desenvolvimento, tal qual a criança perdida na calçada da rua onde ficava sua casa, as populações passaram a dar ouvidos a todo e a qualquer novo sofista que, apontando um novo caminho, dispunha-se a conduzir a sua nova manada.
            Durante todo o século XX, vimos surgir e desaparecer muitos destes deuses.
            Bismarck, Lênin, Stalin, Trotsky, Ted e Franklin Roosevelt, Truman, Churchil, De Gaule, Hiroito, até Getúlio na primeira metade do século, marcado a fogo por figuras como “il Duce”, Hitler e seus opostos Gandhi ou Elisabeth.
            No despertar da era atômica, novas correntes filosóficas, novos questionadores, novos deuses.
            Com a globalização, o deus “Dólar” e seus seguidores, Kennedy, Nixon, Bush e Oba-Oba.
            Antepondo-se a eles, Mao Mao, Khomeini, Sadan, Bin Laden.
            Na mesma linha populista, Perón, Noriega, Castro, Tchê ( não o nosso gaúcho), o recém falecido Chaves e o imortal Lulla.
            Na era pós Steve Jobs, onde ainda resiste heroicamente o bom senso de um Mandela, vemos ressurgir Francisco, com o mesmo discurso da igreja de alguns séculos atrás.
            Sem mudanças estruturais, que coloquem o homem como sujeito e como objeto a ser trabalhado pela luz do saber, corremos o risco de ver um Kim Jung, da inexpressiva metade norte da Coréia, levar o mundo, ofuscado pelo brilho do seu cetro divino, tal qual a luz refletida pelos escudos polidos que defenderam o povo hebreu, ao penhasco e à destruição.
            Precisamos construir um novo panteão, à luz da verdade e da justiça, as gerações futuras merecem isso.
           
Professor Orosco
           


domingo, 17 de março de 2013

DE VOLTA À CAVERNA DE PLATÃO



         “A linearidade da existência humana se coloca como uma barreira, até hoje intransponível, que limita sua ação ao mesmo tempo em que induz à ruptura da inércia pelo homem, provocando o seu movimento em direção ao logos”.

         Hoje, logo pela manhã, conversando com meu querido amigo Sérgio, divaguei sobre questões comportamentais da nossa sociedade.
         Coloquei-lhe de forma direta, meus temores e medo acerca das graves consequências sociais que a alienação crítica dos nossos jovens pode provocar em um futuro não tão distante.
         A chamada “geração Y”, que consegue realizar de forma simultânea uma grande variedade de atividades, em grau e proporção tal que fariam o mais dedicado engenheiro de estudos de tempos e movimentos sentir-se ultrapassado, na verdade, só faz automatizar seu processo decisório, retirando dele, todo o teor reflexivo e critico.
         De acordo com estudos do mestre Piaget, o indivíduo só pode receber um determinado conhecimento se estiver preparado para recebê-lo, se puder agir sobre o objeto do conhecimento para inseri-lo num sistema de relações.
         Isto significa, de maneira simplista, que não se deve ou se pode, “colocar o carro na frente dos bois”; que é necessário aprender primeiro os fundamentos para depois poder expressar uma opinião sobre determinado assunto ou ciência.
         O homem, como animal racional, precisa valer-se da razão para superar as adversidades e manter sua supremacia no planeta.
         Descartes, em seu Discurso sobre o Método, descrevia as regras fundamentais para utilizar corretamente a razão, ou seja, a Evidência, a Análise, a Síntese e o Desmembramento, confirmando a necessidade de cumprir etapas para, a partir da identificação do problema ou objeto de estudo, chegar às hipóteses, aos resultados e teorias.
         A gigantesca oferta de informações oferecida pela ciência através dos veículos de informação, principalmente televisiva, dada a sua característica imediatista, retira quase que totalmente a possibilidade, o tempo necessário, para a reflexão sobre os assuntos abordados e a assimilação dos conceitos envolvidos.
         É como trocar a leitura de um bom livro, que nos transporta para seu “Mundo Mágico” e nos permite vivenciar experiências de cada personagem, tão bem retratada no cinema pelo personagem Atreyu, no filme de Wolfgang Petersen, A História Sem Fim, cujo ator principal, da segunda parte da trilogia, tragicamente suicidou-se aos 27 anos de idade, vitima da sua incapacidade para lidar com a “falta de holofotes”.
         Apenas outra árvore formosa que cai com o vento por ter raízes pequenas e frágeis.
         Estoicos como Sêneca e Epicteto acreditavam que o homem sábio era imune aos infortúnios porque praticava a virtude e que ela era suficiente para a felicidade.
         Os epicuristas defendiam um sistema filosófico que pregava a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e libertação do medo.
         Em suma, a moderação, a prática da virtude, a tolerância e, sobretudo a paciência, que estão sendo retiradas da vida cotidiana de nossos cidadãos por uma cultura hegemônica consumista imposta pelo mercado, leva a nossa civilização a largos passos para a idade das cavernas.
         Como a mensagem inicial transmitida pelo Papa Francisco, é preciso parar e refletir.
         Estamos substituindo a beleza do namoro, do romance, do friozinho na barriga, dos encontros escondidos, pelos poucos caracteres permitidos pelo Twitter:
- Topas?
- Topo!

Professor Orosco

segunda-feira, 4 de março de 2013

A EDUCAÇÃO E O FUTURO DA NAÇÃO


Nos últimos 40 anos, após a reforma do ensino promovida no início dos anos 70, a educação no Brasil, de forma geral, experimentou um significativo ganho, em termos de quantidade.
O acesso à educação formal, principalmente para a parcela menos favorecida, economicamente, da população, propiciou um crescimento muito significativo no número de microempreendedores que alcançam o sucesso em seus negócios.
Paradoxalmente, este livre acesso à informação, que acabou se generalizando, dada a enorme quantidade de temas que foram trazidos à luz do dia, acabou por provocar uma certa alienação e distanciamento dos valores formais que compunham nossa sociedade.
Acabamos por produzir belos pomares, com árvores formosas, cujas raízes se mostram frágeis e pouco resistentes às intempéries.
Para assegurar a mantença das conquistas alcançadas, torna-se premente uma correção de rumos, recuperando os valores esquecidos, alicerçando o edifício nacional para os desafios do século que desponta.

Professor Orosco

sexta-feira, 1 de março de 2013

COELHINHO DA PÁSCOA QUE TRAZES PRA MIM Um ovo, dois ovos, três ovos, assim..



            Neste próximo dia 31 de Março, comemora-se a Páscoa, onde os cristãos celebram a ressurreição do Cristo.
            Costuma-se festejar a data com a distribuição de ovos de chocolate, que antigamente eram ovos comuns, cozidos e pintados, entregues às crianças.
            A figura do “coelho”, associada à fertilidade, somada à figura do “Ovo”, semente da vida, trazem à lembrança o marco maior da fé cristã, a ressurreição para a vida eterna.
            Como neste período, a reflexão sobre o que somos, ou o que queremos ser, torna-se, ou ao menos deveria tornar-se, uma condição que transcende o materialismo do dia a dia, achei interessante compartilhar um pequeno texto que li.
            Trata-se de uma tradução livre de Paul Deussen de um poema, um hino criacional do Rigveda, o Veda dos versos, do saber dos hinos de louvor, do pensamento hindu, escrito aproximadamente 1500 anos antes de Cristo.

Naquele tempo existia nem o não ser, nem o ser,
Nem ainda o espaço, nem o céu por cima de tudo.
Quem tinha o mundo em sua cabeça, quem o acolhia?
Onde estava o abismo profundo, onde estava o mar?

Naquele tempo não havia nem morte nem imortalidade ainda,
Não havia a noite e nem o dia havia ainda se manifestado.
Soprava sem vento a originalidade
O Um, e fora ele nenhum outro existia.

De escuridão o mundo todo era coberto,
Um oceano sem luz, perdido na noite;
Ali nascia o que estava escondido em uma casca,
O Um impelido pela força incandescente.

Deste surgiu primeiramente,
Como semente do conhecimento, o amor;
O ser deitou raízes no não ser
Os sábios, perscrutando, os impulsos do coração.

Quando eles atravessaram sua linha de medida,
O que estava abaixo e o que estava acima?
Eram suportes de germinação, forças que se agitavam,
Autoposicionados embaixo, tensionados em cima.

No entanto, a quem é dado perscrutar,
Quem captou de onde a criação surge?
Os deuses surgiram no aquém antes desta!
Quem pode dizer, de onde eles provêm?

Ele, do qual a criação foi gerada,
Que sobre ela vela na mais alta luz celeste,
Ele que a fez ou não a fez,
Ele é que sabe – ou também ele não o sabe?”

Professor Orosco

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

UMA ROSA PARA A MOCIDADE CAMPEÃ


Assistindo agora a pouco a apuração das notas das escolas de samba da capital de São Paulo, onde a Mocidade sagrou-se novamente campeã, com a mesma pontuação da Rosa observei maravilhado, a dedicação, o amor, a capacidade criativa e inventiva de um exército de operários, anônimos em sua maior parte, em prol de suas comunidades.
Quando olhamos a obra de um artista individual, como Leonardo da Vinci ou como Velázques, cada um expressando o que há de mais profundo e característico na mente do povo e da época dos quais eles emergem, fica fácil classificá-los.
Quando um homem, escapando de todas as categorias, tornando-se um estranho em sua época, carregando seu passado social para um meio ambiente distinto, como o cretense Theotokopoulus, que aprendeu sua arte com os grandes venezianos, transformando-se no imortal “El Greco”, se apresenta ao mundo, igualmente torna fácil o nosso trabalho, quando nos lançamos à tarefa de classificá-lo.
A missão quase impossível é a valoração da grandiosidade da obra, fruto do trabalho de um número quase infinito de mãos, alimentadas por gigantescos corações, de uma multidão de trabalhadores, voluntários, que se esmeram para cuidar de cada detalhe, de cada fantasia, de cada alegoria, de cada escola.
Como uma escultura de gelo, que dura uma estação, uma escultura de areia que dura até a maré cheia, esta obra colossal precisa ser compreendida em pouco mais de uma hora, quando se apresenta ao mundo.
Depois deste tempo, será passado.
Impossível de ser reproduzido, fica imortalizado na memória de quem viu, ouviu, cantou e pulou.
Essa é a beleza do nosso carnaval.
Parabéns a todas as escolas.
São todas campeãs.

Professor Orosco


domingo, 3 de fevereiro de 2013

TELEOLOGIA COMUNISTA DO SÉCULO XXI.



Uma das maiores críticas apresentadas pela proposta comunista ao modelo capitalista ao longo da história é a de que, neste último modelo, a alienação do homem, provocada pelo trabalho, acaba fazendo com que o objeto deste trabalho, alienado, sirva a outro homem.
Se pensarmos bem, realmente o trabalho segmentado, fracionado, seriado, seja ele na agricultura, na pecuária, na indústria, em seus vários segmentos, no comércio, nos serviços, inclusive no setor financeiro, retira do homem a ideia do todo e, com isso, torna seu trabalho alienado, descompromissado e fatigante.
O trabalho deixa de servir ao homem que passa a servir o trabalho para outro homem.
Este fato, inconteste, não pode ser ignorado nas relações sociais onde o “dono das moedas”, como destinatário dos produtos produzidos pelo trabalho alienado de outros homens, de forma descompromissada, exige que a “mais valia” remunere seu capital, distanciando cada vez mais o homem que produz o objeto, do objeto de seu trabalho.
No entanto, em defesa ao menos parcial do modelo, precisamos tecer algumas considerações:
A primeira delas, a de que, no momento atual, a distribuição humana pelo planeta, com mais da metade, quase três quartos, da população vivendo em cidades, retira-nos a possibilidade de que o homem viva em contato direto com a “terra virgem” e que dela retire o seu sustento.
A própria forma das cidades não permite que se tenha mais, no quintal de cada casa, um pomar, uma pequena horta, um milharal ou uma criação de galinhas.
A produção de alimentos precisa, portanto, ser realizada em locais distantes, com produtividade tal que o excedente da produção possa ser enviado para alimentar as cidades.
Como o produto do trabalho alienado no campo pertence ao “dono das moedas”, o próprio objeto deste trabalho, no caso o alimento que foi colhido, está distante do homem que o produziu, já que este, como mercadoria, transforma-se em moeda.
Por outro lado, com o desenvolvimento da tecnologia, o homem não consegue mais viver em “estado de natureza”, necessitando consumir uma enormidade de produtos que pouco tem a haver com suas necessidades primárias.
Não conseguimos mais viver nus como algumas tribos indígenas, muito embora os biquines estejam cada dia menores e, paradoxalmente, mais caros.
Não conseguimos mais sobreviver sem livros, sem televisores, sem carros, sem computadores, sem tomógrafos ou sem a internet.
Nossa sociedade, consumista de sabonetes e antibióticos, obriga a que cada vez mais novos produtos e novos serviços sejam disponibilizados, em larga escala, para uma população globalizada.
Esta necessidade criativa, dada a limitação geográfica de insumos, inclusive da oferta de energia e de outras considerações analisadas sob a ótica de uma geografia econômica, pela complexidade dos produtos, acaba obrigando que seu processo produtivo seja, em grande parte, segmentado, fracionado e seriado.
Antigamente, podia-se ir diretamente a uma goiabeira e colher a fruta que se ia comer.
Hoje, para comer esta mesma goiaba, precisamos de um abridor de latas.
Aquela marmelada que compramos no mercado trás consigo o trabalho alienado de um número inimaginável de homens que ofereceram sua força e sua energia vital na colheita dos frutos, na mineração do ferro que vira gusa, que vira aço, que vira flandres, que vira lata, que acondiciona o doce, que foi processado, pesado e rotulado.
Medido, tributado e transportado, chega ao local onde o adquirimos.
A alienação é tal que, se pedirmos a uma criança que desenhe uma vaca leiteira, não devemos nos assustar se ela nos apresentar a figura de uma caixinha.
Se pedirmos para desenhar uma goiabeira, ela pode nos surpreender, com sua inocência piagetiana, com a figura de uma gôndola.
A complexidade dos produtos essenciais à vida de hoje, com seus micro e nanocomponentes, tão distantes da cabaça que se utilizava para buscar e armazenar a água que se retirava do riacho, transforma o projeto comunista, como apregoado por Marx, antes considerado uma utopia, agora em uma aporia.
Com as crises naturais do capitalismo, quase sempre provocadas pela ganância, o marxismo volta à cena acadêmica neste início de século XXI.
No entanto, para uma análise contemporânea de suas propostas, torna-se necessário levar em consideração, para o sucesso de uma estratégia revolucionária, comprometida com o resgate do homem, tentar equacionar  estas questões que sucintamente levantamos.

Professor Orosco

sábado, 26 de janeiro de 2013

SABES O QUANTO VALES?


            Desde muito tempo atrás, em período que remonta ao início da civilização, os homens estabeleceram regras para a divisão do trabalho em uma sociedade, utilizando a moeda como instrumento mediador dos interesses.
            Esta prática milenar, que chegou aos dias atuais travestida sobre as mais diferentes formas de contrato, regula em âmbito mundial as relações entre pessoas.
            Paradoxalmente, a ideia de estabelecer contratos para regular esta relação, cuja função principal seria o de assegurar os interesses dos envolvidos, promovendo a ordem e a “concórdia”, acabou por transformar-se na causa primeira dos conflitos entre os homens, chegando às raias do assassínio e da guerra.
            Uma observação mais detalhada do assunto nos leva a considerar, sob diferentes ângulos, a forma como estes contratos foram elaborados, os valores éticos e morais envolvidos, as condições de liberdade asseguradas às partes contratantes para fazê-lo, bem como o nível de informação sobre causas,  efeitos e consequências do ato, demonstrando o nível de consciência dos envolvidos, etc.
            Como a gama de relações contratuais é extremamente grande, vamos nos ater, por ora, somente àquelas que, de alguma forma, envolvem questões de vida ou de morte, considerando-se que, ao menos na condição individual, a vida é o bem mais precioso e supremo que alguém pode ter.
            Nas relações tribais a defesa do grupo sempre foi uma das maiores preocupações, fosse qual fosse a sociedade.
            A formação de quadros capacitados para promover a defesa do coletivo, de modo bem simples, era aceita por todos e, de forma voluntária, os jovens se ofereciam para a missão, inclusive como forma de alcançar a emancipação.
            Como o crescimento do número de pessoas treinadas para o combate, a possibilidade de enfrentamento entre os diversos ajuntamentos humanos, pelos mais variados motivos, tornou-se um fato histórico, demandando a cada dia, uma maior profissionalização dos exércitos.
            A guerra, e com ela a escravidão dos derrotados, tornou-se frequente entre as nações e os vencidos passaram a ser considerados espólios de guerra, propriedade (mercadoria) dos conquistadores.
            Como mercadorias, os escravos passaram a ser valorizados por suas qualidades, que iam desde a beleza física, sua capacidade reprodutiva, seu conhecimento intelectual, sua destreza para realizar certos trabalhos ou mesmo pela sua experiência em combate.
            E dizer, aqueles grupos, ou mesmo aquelas pessoas, que possuíam um significativo número de moedas, tinham a possibilidade de comprar escravos e deles dispor conforme a sua vontade.
            A antinomia do sucesso alcançado na conquista, retratada no isolamento dos vencedores, forçou, naturalmente, que cada um, segundo o número de suas moedas, formasse seu exército particular, seus guarda costas, seus centuriões.
            Também, de forma natural, como maneira de assegurar o comprometimento dos escravos com sua segurança, os donos das moedas, cada um à sua maneira, procurava recompensar a lealdade.
            A oferta da liberdade após algum tempo, recompensas materiais ou sexuais, moedas, etc., eram algumas das estratégias utilizadas.
            Estas recompensas, por sua vez, atraíam também outros homens, livres, que ofereciam seus serviços a quem pudessem pagá-los.
            A própria manutenção dos exércitos passou a ser uma questão econômica.
            Aos poucos, a ideia da proteção do coletivo, de forma voluntária, patriótica, foi sendo deixada de lado.
            Diferenciando-se dos gregos, os romanos ofereciam aos estrangeiros a oportunidade de serem verdadeiros sócios numa res pública comum, exigindo deles, como contrapartida, que lutassem pela cidade sempre que se fizesse necessário.
            Os cartagineses, receosos de perder o poder comercial que possuíam, frente a ideia propagada pelos romanos da livre adesão, acabaram por declarar guerra contra Roma.
            O exército de mercenários contratados por Cartago, lançado contra Roma, embora vitorioso em muitos embates, acabou derrotado quando os romanos formaram um exército, sob um comando único que, além das tropas treinadas, soube explorar a volatilidade dos interesses pecuniários dos mercenários.
            Esta vitória sobre Cartago acabou por despertar o interesse através da conquista militar entre os romanos que, após inúmeras campanhas, acabaram por conquistar o mundo conhecido.
            Com o passar dos anos, desgastada por inúmeras campanhas militares, assolada por constantes agressões de suas fronteiras por tribos bárbaras, Roma, a exemplo dos cartagineses, vendo o número de seus jovens ser reduzido drasticamente, viu-se obrigada a contratar estrangeiros para defendê-la.
            Isto maculou de tal forma sua imagem, que o próprio imperador Constantino ordenou a mudança da capital do império para Bizâncio.
            A ideia da profissionalização dos exércitos, com quadros nacionais ou valendo-se de mercenários, passou a ser uma questão puramente econômica.
            Honra e civismo, embora sempre invocada pelo dono das moedas, na prática foi sendo abolida.
            Abraham Lincoln, durante a guerra da secessão americana, assinou naquele país, a primeira lei de alistamento compulsório da União, que a Confederação, do sul, já adotara.
            Como moedas são moedas, a lei facultava o direito a quem fosse convocado e não desejasse correr os perigos da guerra, poder contratar outra pessoa para assumir o seu lugar.
            Constam entre aqueles que pagaram substitutos para que combatessem em seu lugar os nomes de J.P. Morgam, os pais de Theodore e Franklin Roosevelt Ed dos presidentes Chester A. Arthur e Grover Cleveland.
            Esta forma de atuação, que revoltava muitos idealistas, sempre foi acompanhada de críticas contundentes, a ponto de Rousseau, em uma de suas manifestações argumentar que:
            “A partir do momento em que um serviço público deixa de ser a principal atribuição dos cidadãos, que preferem servir com o próprio dinheiro em vez de se engajar ara servir, o Estado está prestes a ruir.”
            De forma tautológica, a própria França imortalizou a “Legião Estrangeira”, dando-lhe características românticas e cinematográficas nos registros das campanhas que realizou no norte da África.
            Nos estados modernos, onde a ideia da profissionalização das forças policiais já é aceita pela maioria das sociedades, começa também a ser discutida a utilização de estrangeiros nas forças armadas, a exemplo da nova Roma, que agora aceita latinos e asiáticos, com vistos temporários, em suas fileiras para combater no Oriente Médio, em troca da promessa da cidadania americana.
            Os jovens universitários estadunidenses não querem arriscar suas vidas para defender petroleiras ou oligarquias árabes, preferindo pagar a outros jovens, do terceiro, quarto e quinto mundos, para lutarem sem seu lugar.
            Nos Estados Unidos, a terceirização das Forças Armadas ganha a cada dia ares inovadores, onde as empresas privadas como a Blackwater desempenham muitas atividades no Iraque e no Afeganistão.
            Organizações privadas realizando tarefas do Estado, principalmente nas áreas da segurança, da guerra e da espionagem, a exemplo dos folclóricos xerifes do western americano, aceitas pelas sociedades onde os indivíduos preferem pagar para não se envolver, só fazem banalizar a violência e desvalorizar ainda mais a vida humana.
            De certa forma, como os donos dos escravos que faziam apostas e se divertiam vendo a luta dos gladiadores, a maioria delas até a morte, hoje somos levados a gozar dos mesmos prazeres, pagando para assistir a uma luta de boxe ou a uma sangrenta exibição do UFC (Ultimate Fighting Championship), tão bem trabalhada pela mídia.
            Analisando outro aspecto de uma relação contratual que envolve conceitos morais sobre vida e morte, estudemos um pouco as questões relativas à compra de bebês.
            Já há muito tempo todos sabemos que existe um lucrativo mercado paralelo para a compra e venda de órgãos para transplantes.
            Quem tem moedas sempre encontra alguém que, precisando delas, concorda em vender um Rim ou outro órgão do qual possa dispor.
            Existem registros recentes de pessoas que concordaram em vender órgãos vitais, o que lhes provocaria a morte, pela garantia de compensação financeira a filhos e entes queridos.
            Mas não vamos aqui abordar este aspecto do comércio da vida que, embora importante, foge à mensagem que desejamos transmitir.
            Vamos falar sobre “fertilização in vitro” e sobre barrigas de aluguel.
            No ano de 1985, o casal William e Elizabeth Stern, impossibilitados de terem filhos, contrataram Mary Beth Whitehead para gerar um filho deles.
            Inseminada com o sêmen de William, Mary Beth gerou uma menina de nome Melissa, a qual, após o parto, recusou-se a entregar.
            Após longa batalha judicial, Mary Beth, que havia concordado inicialmente em receber U$ 10 mil pelo trabalho, mesmo sendo a produtora do óvulo que gerou Melissa, acabou sendo condenada a entregar a criança ao casal Stern.
            Este caso, que causou grande comoção social, deu margem a que se elaborassem salvaguardas contratuais onde, a fertilização in vitro, com óvulo e esperma doados por outros inseridos em um útero alugado, retiram da gestante qualquer direito sobre o bebê que vai nascer.
            Com estas garantias, os donos das moedas que, ao invés de adotar um órfão preferissem gerar uma criança nova, tinham assegurado este direito.
            A fertilização in vitro, ao remover a relação tradicional entre óvulo, útero e mãe, fez com que a gravidez de aluguel tivesse reduzida as possibilidades e riscos legais que cercavam a gravidez por encomenda.
            Atualmente, mães de aluguem, em sua maioria de origens latina e asiática, nos Estados Unidos, recebem algo como 20 e 25 mil dólares por gestação que, acrescidos das despesas com o parto e das “taxas legais” cobradas, podem fazer com que o custo do bebê chegue a 75 ou 80 mil dólares.
            Num mundo globalizado, com um produto tão valioso, a Índia legalizou o comércio da gestação na esperança de atrair clientes estrangeiros.
            Como nenhuma característica genética da mãe de aluguel é transferida para a criança gerada, isto se tornou um grande negócio.
            Lá, uma mulher que se proponha a servir de “barriga de aluguel” recebe algo como 4 e 7 mil dólares, muito mais do que receberia em 10 ou 15 anos de trabalho.
            O custo total para os compradores, raramente ultrapassa os 25 mil dólares, evidenciando uma significativa economia.
            Afinal, moeda é sempre moeda.
            Com o avanço da genética, brevemente teremos uma produção seriada de crianças encomendadas, todas com caracteres definidos previamente, como sexo, cor dos olhos, tipo de cabelo e quem sabe até QI.
            É só questão de tempo.
            A aporia que desponta neste século XXI é tentar equacionar a resposta da pergunta inicial.
            Se não definirmos um valor de hoje, poderemos ser ludibriados amanhã.

Professor Orosco
            

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ESTE CORPO NÃO TE PERTENCE


A Philip Morris, uma companhia de tabaco que tem ampla atuação na “República Tcheca”, diante de uma iniciativa do governo local de tentar reduzir as despesas médicas advindas dos tratamentos para os efeitos malignos do tabagismo, apresentou um estudo detalhado provando que:
O cigarro mata.
Mata tanto que o governo deveria “reduzir” os impostos e incentivar o tabagismo, principalmente entre os jovens, demonstrando com números uma conta bem simples.
Morrendo mais cedo, apesar dos elevados custos com os tratamentos dos males provocados pelo tabagismo, o governo gasta menos já que economiza com pensões e com aposentadorias além dos investimentos necessários para promover e oferecer qualidade de vida aos idosos.
A economia estimada para o governo Tcheco era algo como U$ 150 milhões/ano.
A poucos dias, um ministro japonês, de 72 anos, reclamou que as pessoas em seu país estão vivendo muito, chegando ao absurdo de viverem mais de 80 anos.
Segundo ele, a economia japonesa não aguenta tanto desperdício, sugerindo que, patrioticamente, seus conterrâneos morram mais cedo.
A Ford, nos anos 70, provou matematicamente aos seus acionistas que, mesmo indenizando as 200 mortes/ano e 200 outras vítimas dos graves danos causados pela falha no projeto do seu carro Ford PINTO, que fazia o carro explodir em casos de colisão traseira, a economia total seria maior do que se precisassem gastar os U$ 11,00 por veiculo para corrigir o defeito.
O ganho seria algo como U$ 100 milhões.
Quem comprasse um PINTO poderia se FORDer, pelo bem da companhia.
Por aqui, tem terras Tupiniquins, o governador do rico estado do Ceará, paga R$ 650 mil para um artista apresentar-se nas festividades da inauguração de mais um, dentre os milhares, de hospitais públicos que ele construiu por lá.
Nem vou falar dos pouco mais de R$ 3 milhões que ele pagou ao “Tenor” em outra ocasião.
Nossa presidente PRESIDENTA anuncia de forma glamorosa a redução da tarifa de energia elétrica, tão necessária ao nosso desenvolvimento.
Modestamente, sequer explicou à população que conseguiu realizar esta proeza sem reduzir a lucratividade das concessionárias e prestadoras de serviços do setor elétrico.
Os pouco mais de R$ 8 bilhões/ano, serão subsidiados pelos cofres públicos, retirados contabilmente do BNDES, via Itaipu, ou de um tal “Fundo sei lá do que” criado para assegurar a estabilidade em momentos de necessidade (principalmente eleitoral).
Isso tudo, sem precisar tocar no assunto das “térmicas”, tidas inicialmente como inimigas do meio ambiente e mais tarde justificadas pela necessidade de consumir o gás que subsidiamos ao governo cocaleiro e ao sucateamento da nossa (não sei se ainda o é) PetrobraZ.
No ano que vem, teremos Copa do Mundo, com direito a bebida nos estádios construídos 201% com dinheiro da iniciativa privada (somos praticamente 200 milhões de consumidores e contribuintes).
Em 2016, teremos Olimpíadas...
Para completar, nosso novo modelo habitacional, em adiantado estágio de gestação, que será oferecido brevemente à população, em substituição ao “Minha Casa, Minha Vida”, racionalizado dos 35m2 por unidade (cada pessoa precisa de um mínimo de 25m2 para morar bem) para pouco mais de l m2 por pessoa ( 2m x 0,5m x 7 palmos de altura ), que talvez se chame “Minha Casa, Minha Morte”, só depende do acordo sobre o número de dias que precisaremos trabalhar a mais para pagar a conta.
Resumindo, entenda e assuma que brevemente vamos todos pro buraco e que ESTE CORPO NÃO TE PERTENCE.

Professor Orosco

terça-feira, 27 de novembro de 2012

LIBERTAS QUAE SERA TAMEM



Lendo os periódicos matutinos do último domingo e, atentando-me para as notícias do plebiscito Catalão que propõe a independência daquela região do restante de Castela, revindicando, por isonomia, o mesmo direito, manifesto-me, aqui, pela separação do resto do Brasil.
Da mesma forma que a Catalunha deseja separar-se da Espanha, mas continuar fazendo parte da Comunidade Europeia, neste meu desejo separatista, sou obrigado a ponderar sobre a “mais valia” que algumas regiões poderiam propiciar, para o que, seria prudente mantê-las anexadas à minha nova pátria.
Vejamos então:
- O Rio Grande do Sul, quarto maior PIB do Brasil, o estado mais meridional do país, com o quinto maior IDH, palco da Guerra dos Farrapos e berço do movimento republicano, fronteira sul com nosso maior parceiro comercial da região, seria prudente que fizesse parte deste novo país.
- Santa Catarina, maior que Portugal, com seus índices sociais entre os melhores do país, respondendo sozinha por 4% do PIB nacional, considerado importante polo exportador e consumidor, que ocupa posição privilegiada no Unasul por sua situação geográfica, de onde vem a maior parte dos frangos e suínos que se consomem no Brasil, maior produtor de milho e com importante parque industrial, igualmente seria importante manter anexado na nova nação que se propõe.
- O Paraná, o quinto estado mais rico do Brasil, com terra boa, a melhor do Brasil, clima temperado, onde a agropecuária se desenvolveu, assim como seu parque industrial, onde fica Itaipu e o porto de Paranaguá, por onde se escoa importante percentagem dos nossos produtos, sem dúvida precisa fazer parte de minha nação ideal.
Estes três estados juntos, seriam a minha sonhada “República dos Pampas”.
- São Paulo, este nem se precisa falar, o estado mais rico do Brasil, respondendo sozinho por mais de 30% do PIB nacional, com população de 41 milhões de habitantes, superado em população, na América do Sul, apenas pela Colômbia, que detém a maior diversidade étnica do planeta, com o terceiro maior índice de desenvolvimento humano, cuja capital é a sexta maior cidade do planeta, responsável por quase 30% de toda a produção científica nacional e sede de 63% das multinacionais instaladas no Brasil, seria, sozinho, quase que um país, não podendo ser preterido deste meu projeto nacional.
- O Rio de Janeiro, com sua cidade maravilhosa, antiga Capital e nosso cartão postal para o mundo, onde se situa a bacia de Campos e boa parte de nossas reservas de petróleo, contribuindo significativamente nas áreas de serviço, principalmente em telefonia, tecnologia de informação, com importantes indústrias químicas e siderúrgicas (Volta Redonda), também não poderia ficar de fora.
- Espírito Santo, com seus portos de Tubarão e de Vitória, importantes para a exportação de nossos minérios, terra do Dedo de Deus, de Guarapari, com suas fábricas de café solúvel, chocolates e azulejos, além da reserva petrolífera que divide com o Rio na bacia continental, igualmente se mostra útil e necessário para qualquer nação que se planeje construir, não podendo ficar de fora.
- Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil e o terceiro maior PIB, superando o Rio de Janeiro na arrecadação de ICMS, altamente industrializado, com importantes jazidas minerais, importante hidrografia, sítios paleontológicos, também se destaca como um dos principais polos da indústria de tecnologia em eletrônica e de telecomunicações, a exemplo de Santa Rita do Sapucaí, nossa Silicon Valley, rating AAA na escala brasileira e BBB a nível global para investimentos segunda a Standard & Poor´s em 2012, torna-se imperativa para o nosso projeto.
- Mato Grosso do Sul, que com São Paulo formaria a nossa República Piratininga, maior que a Alemanha, onde se bebe o tereré, maior produtor de erva-mate, que abriga o Aquífero Guarani, com sua Aquidauana, entrada para o Pantanal e sua biodiversidade, com uma economia voltada para a pecuária, também não pode ser excluído, tendo muito a oferecer.
- O Mato Grosso, um dos maiores exportadores de soja, com pecuária bem desenvolvida, com um enorme território cuja hidrografia abastece desde o Rio Amazonas ao Rio Paraguai, uma das regiões onde a exploração de minérios mais se desenvolve, estrategicamente não poderia ficar de fora.
- Goiás, com forte propensão para a prática agropecuária, rica em Jequitibá, Peroba e Mogno, com fauna variada, destaca-se pela produção de feijão, milho, algodão, o que lhe confere a liderança nacional na produção de grãos, prudentemente importante para o meu novo país.
- Rondônia, com sua população diversa, oriunda de todas as partes do Brasil, com o 3º IDH e o 2º maior PIB per capta, a 2ª menor taxa de mortalidade infantil e a 3ª menor taxa de analfabetismo, não pode ser preterido de qualquer projeto de país.
- Tocantins, com suas chapadas, com forte potencial agrícola para a produção de grãos, principalmente arroz, milho, feijão e soja, apresenta-se como uma “carta na manga”, uma reserva estratégica para o desenvolvimento, não podendo ser excluído.
- Bahia, primeiro núcleo de riqueza açucareira a América Portuguesa, foi o ponto de chegada de Cabral ao continente, transformando-se, desde então, no referencial histórico do nosso povo, oferecendo grande potencial turístico, da Chapada Diamantina ao Recôncavo, foi o último estado brasileiro a consolidar nossa independência. Com poderoso parque industrial, o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, em Camaçari, principalmente químico e petroquímico, com sua histórica produção de cacau e jacarandá, a Bahia torna-se o berço para qualquer novo projeto nacional.
- Sergipe, que tem sítios arqueológicos que demonstram a ocupação humana ali a mais de 11 mil anos atrás, (mais que a música do Raul), com suas terras planas, seu clima tropical e sua vocação para o plantio da cana de açúcar, pode se transformar em importante produtor de combustível renovável para nosso novo país.
- Alagoas, terra do sururu, com seu rico folclore que o transforma numa das escolhas preferenciais para o turismo internacional, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, onde nasceram Deodoro, Floriano e Graciliano Ramos, onde ficava Palmares, símbolo da luta contra a escravidão, igualmente é importante para o nosso projeto.
- Pernambuco, que abriga Fernando de Noronha, palco da batalha dos Guararapes, da Insurreição Pernambucana, origens do nosso Exército, que gerou nosso maior físico, Mário Schemberg, nosso maior educador, Paulo Freire, nosso maior matemático, Leopoldo Nachbin, onde nasceram Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre e tantos outros, que abriga o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital, o maior estaleiro do Hemisfério Sul, o Complexo Industrial de Suape e que rapidamente se industrializa com vultosos investimentos em petroquímica, biotecnologia e farmacêutica, que se transforma no grande exportador de frutas devido a irrigação das águas do São Francisco, não poderia, jamais, ser preterido.
- Paraíba, onde se situa o ponto mais oriental das Américas, onde o Sol nasce primeiro, onde ocorre o Maior São João do mundo, local da Pedra de Ingá, da caatinga, com seu enorme potencial turístico, igualmente é importante para o país.
- O Rio Grande do Norte, terra potiguar, com sua projeção para o Atlântico, sua produção de sal, onde fica a Barreira do Inferno, a primeira base para o lançamento de foguetes da América do Sul, sua indústria têxtil, tem muito com que contribuir.
- Ceará, terra de jangadeiros, de humoristas, de Rachel de Queiroz e de José de Alencar, Terra da Luz, que aboliu a escravidão quatro anos antes da lei Áurea, que venera Padre Cícero e onde é forte a maçonaria, desde a família Alencar e a Confederação do Equador, com seu potencial turístico, seu belo povo e sua energia cósmica, é muito valioso para ficar de fora.
- O Piauí, rio das piabas, com o Parque Nacional da Serra da Capivara, com vestígios da presença humana a 50 mil anos atrás, com sua marcante presença pecuária, sua produção de algodão e de cimento, seu potencial mineral e vegetal, principalmente da carnaúba, sua vocação eólica, tem lugar assegurado no meu país ideal.
- Maranhão, terra de alumínio e do babaçu, dada a vastidão do seu território, que foi importante para a produção de algodão, com potencial para desenvolvimento da pesca e da criação de camarões, do ecoturismo e da pecuária, por uma condição estratégica, não pode ser abandonado.
- Amapá, reserva ambiental da região para o planeta, é um dos poucos territórios que permite a formação de um conjunto de ecossistemas, com gigantesco potencial para estudos biológicos, o que o torna imprescindível para o futuro.
- O Pará, com a Serra dos Carajás, importante reserva mineral, com sua hidrografia ímpar, a Ilha de Marajó, foz do Amazonas, local da pororoca, sua biodiversidade, sua vocação para o ecoturismo, para a pecuária, a maior produção de bananas do país, seu potencial para a indústria de base, sua extensão territorial, qualifica-o para compor qualquer nação nova que se possa pensar.
- O Acre, o único estado brasileiro que o é por opção, após conquistar sua independência, terra berço da borracha, de Chico Mendes, da castanha, do pirarucu, lugar onde a palavra pátria tem um significado especial, que abrigará a Rodovia Interoceânica, desde muito, já conquistou um lugar de honra em meu país ideal.
- O Amazonas, pulmão do mundo para alguns, refrigerador do clima para outros, a maior reserva florestal do planeta, o rio mais volumoso do mundo, a fonte da maior reserva de biodiversidade conhecida do planeta, a maior rede hidrográfica do mundo, cobiçado por todos, jamais poderia ser preterido do meu projeto de nação.
- Roraima, Mãe dos Ventos, fartamente irrigado por 14 rios que fazem parte da bacia amazônica, com flora e fauna privilegiadas, com seus tamanduás, tatus e jabotis, seus jacus e carcarás, extremo norte do Brasil, Rincão Pacaraima, tem grande potencial de crescimento, pelo que, torna-se importante reserva para o futuro, não podendo ser excluído do projeto maior.
- Brasília, o Distrito Federal, cidade planejada, idealizada para ser o ponto de partida para o desenvolvimento do Centro Oeste e da ocupação nacional, desde cedo frustrou sua expectativa, mostrando-se uma Utopia, onde nem mesmo seu idealizador ficou por lá, seu construtor foi expulso morrendo em terras distantes, assim como seus primeiros governantes, que foram “convidados” a deixá-la. Projetada para dar segurança ao poder, transformou-se em símbolo da usura e da corrupção.
Esta seguramente não é necessária no meu país, da qual desejo libertar-me.
Mas, pensando bem, ela mesma já se declarou independente e distante de minha nação ideal, dela não sendo necessária.

Libertas Quae Sera Tamem.

Professor Orosco

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Deus Escreve Certo Por Linhas Tortas


Como resposta ao processo discriminatório e xenofobico a que os brasileiros sao submetidos quando viajam para o exterior, principalmente na Europa, temos agora a oportunidade de revidar.

Com a enorme crise econômica que se instalou por lá, o desemprego atingiu patamares inconcebíveis a poucos anos, forcando principalmente os jovens a buscarem oportunidades fora de suas pátrias, o que torna, neste momento, o Brasil extremamente atraente para eles.

Revidar as ofensas seria o nosso direito e a oportunidade seria agora.

Não precisamos de nenhum gringo e, afinal, boa parte de nossa gente já tem suas origens européias.

Por outro lado, se atentarmos para nossa formação religiosa, cujos valores acabaram por pautar um pouco de nossa ética e de nossa moral, podemos começar relembrando a oração do "Pai Nosso que estais no céu" onde pedimos ao criador que "perdoe nossas ofensas assim como nós perdoamos aqueles que nos tem ofendido" podemos ver neste momento a oportunidade de demonstrar ao Pai nosso firme compromisso com as palavras que lhe dirigimos.

Aceitar de braços abertos estes novos imigrantes e, a bem da verdade, de formalizar um convite para que venham ao Brasil, seria repetir a história de nossa nação, que em outras oportunidades recebeu estes povos e ao fazê-lo, ganhou muito com isso.

Curiosamente, a idéia de escrever estas palavras 
no dia da consciência negra, que oficializamos como símbolo contra o racismo e o preconceito, não deixa de ser para mim um sinal da presença do Grande Arquiteto.

Desta vez, temos a oportunidade de praticar, com nossa população mestiça e crioula, os ensinamentos que recebemos dando boas vindas e aceitando em nosso meio os germanos, francos, normandos ou saxoes. 


Receber de braços abertos castelhanos e lusitanos, sejam eles loiros, morenos, brancos, negros ou nórdicos, mostrando-lhes a grandeza de nossa nação.

Como justa paga, esperamos receber pessoas educadas, treinadas e disciplinadas, que desejem construir "vida e futuro" por aqui, ajudando-nos a pular degraus no aprendizado do desenvolvimento tecnológico, a melhorar a qualidade de nossas escolas, a consolidar nossa democracia e a combater essa corrupção endêmica pela pratica de posturas sociais melhor consolidadas no velho mundo.

O ganho de nossa eclética sociedade seria enorme, ganhando todos.


 Nossa industria e nossos produtos em competitividade e qualidade, assim como nossas universidades, em conhecimento, e com elas, as próximas gerações, e por aí afora.

Deus escreve certo por linhas tortas, mas e preciso que saibamos ler o que ele escreveu.

Professor Orosco

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POR QUÊ SOU SERRA.



            Veneratio Unus Preteritus Quod Statio Posterus

            A frase que ostento orgulhosamente em meu brasão familiar, Reverenciamos O Passado Enquanto Construímos O Futuro, me obriga, de forma empírica, e até epistêmica, a buscar nas referencias históricas, certas similaridades com os acontecimentos atuais, de modo a facilitar minha compreensão dos fatos em análise e de me auxiliar na construção das expectativas e posicionamentos para sua assimilação.
            Folheando a obra de Vicente Ferreira da Silva, filósofo brasileiro falecido há poucos anos, para quem a nossa história ainda não reconheceu o devido valor, chamou-me a atenção o trecho abaixo, referente à sátira escrita por Abílio Pereira de Almeida, que, na forma de um presságio, retrata um pouco do momento atual que vivemos na política paulistana, quando se avizinham as eleições, em segundo turno, para escolha de nosso alcaide.

Como um relevo, sobre o friso dos outros personagens, sobressai a figura de Marta, em que se aguça o conflito anímico que a peça procura explorar a fundo. De fato, o epicentro da vida dessa família é uma empresa econômica, homônima sacral de Marta e à qual, duas gerações já haviam sacrificado os melhores anos de sua vida. Essa alienação ao fetiche fabril não se dá, entretanto, sem a compensação dos proventos materiais que emanam do bezerro de ouro e sem o status social que tem a sua condição nessa infraestrutura econômica. Mais do que o espectro de uma indústria, que suga a vida e os sonhos do homem, temos aqui uma adesão veemente ao projeto de vida que se exaspera em pletóricas satisfações e hedonismos. Como já foi assinalado por diversos sociólogos, a transformação do patriciado latifundiário em patriciado industrial não mudou o Brasil e em São Paulo o sentido de exploração privativista da empresa econômica. O fantasma da casa grande e senzala perpassa pelos parques fabris da metrópole paulistana, e a vida ainda é percebida sob o ângulo do consumidor, ou como “jouissance” (gozo) e satisfação parasitária.
             Vicente Ferreira da Silva
             Transcendência do Mundo
             Da peça: Santa Marta Fabril S.A.
             Escrita por Abílio Pereira de Almeida
             Diário de São Paulo, 17 abr 1955

            Travestido de cordeiro, o lobo por detrás das falaciosas promessas dos pseudo defensores do proletariado, que nada mais fazem do que dilapidar fraudulentamente o erário público, em causa própria e das benfeitorias que financiam nas paradisíacas ilhas, com os recursos que enviam para os paraísos fiscais, como denunciado pelo Ministério Público e condenado no escândalo do mensalão, vemos novamente o discurso apregoado pelo representante do PT e de seu máximo expoente, o Sr. DR. LULLA, tentar denegrir a imagem e a proposta seria e comprovadamente eficaz do Sr. José Serra.
            O ícone recém-promovido ao Ministério da Cultura, fruto e resultado de uma negociata escandalosa, a exemplo de sua vida pessoal, que Vicente Ferreira da Silva já previa existir a pouco mais de meio século atrás, só reforça este meu pensar.
            Neste momento particular de nossa metrópole, não podemos ficar omissos.
            É necessário expressar com veemência nosso anseio por gestores probos e comprometidos com o futuro de nossa cidade.

Professor Orosco    

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Orgulho de Ser Latino-Americano

 

Mesmo reconhecendo o primitivismo naturalista das culturas Incas e Aztecas, mas, contrapondo-me ao humor desmedido e satírico do filósofo italiano Enzo Paci em sua critica aos trabalhos de nosso querido Vicente Ferreira da Silva e do desabrochar da filosofia Latino-Americana, somos impelidos a fazer reconhecer-se a enorme capacidade criativa e gerencial que estes povos demonstraram ao construir cidades, valendo-se das forças vitais do Sol, do vento, da chuva, do som e da terra para edificar civilizações milenares, cujas ruínas ainda fascinam nossos espíritos.

Professor Orosco

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não Existem Coincidências, é só comparar.


Não Existem Coincidências, é só comparar.

Com a proximidade das eleições municipais, onde o Programa Eleitoral Gratuito divide o espaço de tempo na televisão com as noticias sobre o julgamento do “mensalão”, onde a cúpula do Partido dos Trabalhadores esta “sub judice”, colocando o Supremo Tribunal Federal e seus ministros sob os holofotes da imprensa e despertando o interesse da opinião pública, acho interessante trazer aos amigos uma reflexão escrita no ano de 1.748, a um pouco mais de 260 anos (exatos 264), por Charles-Louis de Secondatt, onde se pode ler:

       Corrompe-se o espírito da democracia não só quando se perde o princípio da igualdade, mas também quando cada qual se apodera do espírito da igualdade ao extremo, pretendendo ser igual àquele que ele escolhe para governá-lo.
...
Quando não se tem mais respeito pelos anciãos, não se respeitará também os pais, e os maridos não merecerão consideração, nem os mestres submissão.
...
Quando era rico, tinha de cortejar os caluniadores, sabendo muito bem que me achava mais em condição de ser prejudicado por eles do que de prejudicá-los; a república exigia-me sempre uma nova quantia, e eu não podia dizer não. Desde que sou pobre, adquiri autoridade; ninguém me ameaça e eu não ameaço aos outros; posso partir ou deixar-me ficar.
Os ricos levantam-se e me cedem o lugar.
Sou um rei, era um escravo; pagava um tributo à república e hoje é ela quem me sustenta. Não tenho mais receio de perder, espero adquirir.
...
O povo cai nessa desgraça quando aqueles em quem confia, querendo ocultar a própria corrupção, procuram corrompê-lo.
Para que o povo não perceba sua ambição, falam da grandeza do povo; para que não se perceba sua avareza, lisonjeiam-lhe sem cessar a do povo.
...
Quanto mais o povo pensa auferir vantagens de sua liberdade, mais se aproximará o momento em que deverá perdê-la.

                    Da corrupção do princípio da democracia
                    Barão de Montesquieu “O Espírito das Leis”

Posso não crer na existência das bruxas, mas que elas existem, existem

Pense nisto ao votar

Professor Orosco

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PARABÉNS AO POVO DO PARÁ

Ontem, dia 11 de Dezembro de 2011, foi realizado um plebiscito para que o povo do estado do Pará decidisse sobre a divisão de seu território e a criação dos novos estados, que seriam chamados Tapajós e Carajás.
Numa demonstração de civilidade e de brasilidade, os paraenses deram ao resto do Brasil uma aula sobre convivência pacífica e chamaram a atenção da nação para seus anseios e problemas.
Para nós, aqui mais ao sul do Equador, distantes a muitas léguas da região, o assunto certamente tinha uma conotação especial.
Para nós, o problema seria, talvez, muito mais de caráter econômico ou de caráter político, preocupados que estávamos em custear, ainda que proporcionalmente, mais 6 (seis) novos senadores da república, novas estruturas administrativas e ver reduzida ainda mais a nossa força no Congresso Nacional, onde a esmagadora população que habita o sul do país já se sente proporcionalmente mal representada quando comparada à do norte.
As informações que temos sobre este importante estado brasileiro, o único representado na Bandeira Nacional acima do dístico “Ordem e Progresso”, são tão poucas e, quase sempre, distorcidas por uma mídia interessada em produzir notícias sensacionalistas e muito pouco representativas, levando-nos a erros de interpretação e julgamento, principalmente quando estas notícias são ligadas à violência, a exploração das riquezas naturais e até mesmo de sua soberania frente a um Capital internacional, de caráter especulativo.
Com o livre exercício do voto, apesar das inúmeras correntes, principalmente as de caráter econômico, o povo do Pará soube manifestar sua opinião sobre o assunto e por isso, é merecedor de todo o nosso respeito e admiração.

O CONTRATO SOCIAL

Segundo Thomas Hobbes (Inglaterra 1588/1679), o teórico do Contrato Social, em um “estado de natureza”, sem a força civilizadora da sociedade e a obrigação política, não existe “conhecimento de face da terra; nem contagem de tempo; nem artes; nem letras; nem sociedade; e, o pior de tudo, o medo contínuo, e o perigo de morte violenta; e a vida do homem, solitária, pobre, vil, bruta e curta”
Desta forma, o homem totalmente livre, em “estado de natureza” seria governado tão somente pelo mesmo tipo de leis aplicadas ao estado físico.
Assim, sem freios sobre as liberdades das pessoas, vivendo em “estado de natureza”, o conflito seria inevitável; uma vez que a liberdade absoluta permitiria que as pessoas tivessem liberdade para matar outros seres humanos, se, de alguma forma, isto facilitasse seus fins.
Para escapar de tal situação, com certeza, qualquer pessoa racional concordaria em abrir mão desta liberdade e em seu lugar, contentar-se em ter tanta liberdade em sua relação para com outros homens quanto permitiria que estes tivessem em relação a elas.
Isso exige que todos aqueles que busquem proteção assinem um “contrato social”, que, de fato, transfira a liberdade absoluta de todas as pessoas para uma única pessoa, ou grupo, que então usa esse poder para manter a paz e garantir a segurança de todos.
É óbvio que existem problemas com esta concepção, uma vez que a idéia de investir o poder absoluto em uma única pessoa é um pouco perturbadora, muito embora seja comumente aceita, por exemplo, numa relação familiar onde o “pai”, provedor e protetor, o ser fisicamente mais forte, determina regras e formas de conduta aos filhos pequenos.
Mesmo aceita por um considerável período de tempo, o fortalecimento natural e vigoroso dos filhos associado à decrepitude e envelhecimento do pai, provocam, também de forma natural, o questionamento desta forma de liderança, absoluta e consentida.
Já, a idéia de investir o poder absoluto em um grupo de pessoas, pai e mãe, por exemplo, minora as resistências individuais e os conflitos, uma vez que a força passa a ser apenas uma das formas de exercício do poder, agora aliada à beleza, fazendo brotar a sabedoria, a idéia do senso comum, da negociação e da flexibilização dos valores em prol do coletivo.
Apesar disto, o investimento de poder absoluto para um grupo de pessoas, não evita os conflitos naturais do crescimento individual, acarretando quase sempre na ruptura dos acordos pré-estabelecidos, onde, por exemplo, o filho ao tornar-se adulto, abandona o lar materno e vai constituir sua própria família.
Para garantir os valores mínimos de liberdade individual, que seja aceito por todos, com a divisão de tarefas, o exercício desta liberdade e o próprio grau de liberdade permitida a cada membro do grupo em relação aos demais, obrigatoriamente precisam ser estabelecidos em um contrato social, de convivência.
Este contrato, flexível ao longo do tempo, aceita a redistribuição de tarefas e dos graus de liberdade oferecida para cada elemento do grupo, como forma de manter coesa a unidade familiar, de tal forma que, mesmo após o filho deixar a casa paterna, os laços umbilicais com os pais se mantenham de forma harmônica e respeitosa.
Extrapolando-se o exemplo para uma sociedade mais complexa, a elaboração de uma “Carta Constitucional”, de um Contrato de Convivência, precisa contemplar a possibilidade de sofrer alterações capazes de contemplar os anseios do grupo à medida que este cresce, metafisicamente falando, e dizer, ser capaz de contemplar aspirações que necessariamente não precisam ser materialistas, pautadas exclusivamente pela razão.
“Os materialistas pensam que todas as entidades existentes são feitas de matéria, ou são atributos da matéria, por exemplo: um pensador estritamente materialista vai negar que fenômenos mentais, como a dor de um dente inflamado, de fato existam.”
O poder delegado para o exercício da liberdade absoluta, por pessoa ou grupo de pessoas, para que possam ser os agentes capazes de atuarem como condutores e promotores da paz e do desenvolvimento, necessariamente precisa ser referendado pelo coletivo, de forma periódica e sistêmica, a fim de garantir que os anseios do grupo sejam atendidos, se não plenamente, pelo menos na maioria de seus desejos.
A alternância no exercício deste poder, de igual forma, sempre referendada pelo coletivo, deve ser igualmente aceita e contemplada neste Contrato Social.
A democracia participativa, até prova em contrário, apesar dos defeitos, ainda é a melhor forma de viver em comunidade.

Professor Orosco



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Teoria das Conspirações II

Analisando as últimas alterações promovidas na Esplanada dos Ministérios, com a saída de Carlos Lupi da pasta do Trabalho, onde já há alguns anos demonstrava competência e aptidão ( nenhum outro deu tanto trabalho para sair ) pergunto-me se a presidente “PresidentA Dilma” estaria realmente com tanta “bala” assim.
Lembrei-me que o referido ministro alardeou aos quatro ventos que só deixaria o cargo “à bala”, fazendo brotar em minha lembrança a figura de outro trabalhista que deixou o cargo abatido por uma bala, só que desferida contra o seu coração, através de um pijama listrado que, coincidentemente poderia servir de uniforme para boa parte dos moradores da Capital.
Como à época de Getúlio e mais tarde à época de Jânio, as forças ocultas sempre estiveram presentes nos bastidores do governo e até mesmo muito antes deles, fazendo reacender novamente a Teoria das Conspirações.
Segundo Antonio Gramsci em sua célebre obra Cadernos do Cárcere que acabou sendo adotado pelo PT, outrora marxista, o caminho da transformação social passaria pelo potenciamento do termo médio, a sociedade civil, enfraquecendo o Estado e a sociedade econômica.
Numa primeira fase, econômico corporativa, seria necessário organizar o partido das classes subalternas, lutar pelo estado democrático e pela ampliação das franquias democráticas, abrindo espaço e condições para o desenvolvimento de uma ação política revolucionária.
Numa segunda fase, lutar pela hegemonia das classes subalternas sobre a sociedade civil, tornando-a dirigente e criando condições para a tomada do poder.
Numa terceira fase, estatal, tomar o poder, impor a nova ordem e estabelecer o socialismo, etapa provisória e anterior à passagem para o comunismo.
Durante o governo do Dr. Luiz Inácio Lulla da Silva (Doutor Honoris Causa pela Fundação Sciences-Po em Paris), o exercício do poder estava ligado ao seu “primeiro ministro”, o chefe da “Casa Civil” José Dirceu, a quem Lulla deveria entregar o poder.
Malograda esta opção pela intervenção do dono da marca trabalhista (PTB), não restou ao grupo governante outra opção além de conduzir à pasta, outra pessoa que, desconhecida do povo, pudesse ser “o fiel soldado” capaz de dar continuidade ao projeto gramsciano do PT.
Dilma Rousseff, da Casa Civil, sucedendo José Dirceu, é eleita presidente do Brasil e indica Antonio Palocci para comandar as ações do governo, que, por não se mostrar tão afinado com a proposta ideológica pregada por Dirceu, foi o primeiro a cair.
Na seqüência, um atrás do outro, uma fila de ministros deixou o cargo, quase todos denunciados por irregularidades e malversação do dinheiro público, repetindo-se a mesma história.
Os mais alarmistas poderiam até associar isto a “um dedinho” de José Dirceu, digamos que, como forma de troco pelo seu infortúnio no caso do Mensalão.
Já deixaram o poder, além de Palocci (PT), Wagner Rossi da Agricultura, Nelson Jobim da Justiça, Pedro Novais do Turismo, todos do PMDB, Alfredo Nascimento dos Transportes (PR), Orlando Silva dos Esportes (PCdoB), Luiz Sérgio (PT) convidado a deixar as Relações Institucionais e ir “Pescar” e agora Carlos Lupi do Trabalho (PDT).
Acredita-se que estejam a caminho da aposentadoria  Fernando Haddad (PT) que deixaria a pasta da Educação para tentar a prefeitura de São Paulo, Mário Negromonte (PP) Ministro das Cidades, e Edson Lobão das Minas e Energia.
Outros ainda poderiam deixar suas pastas no remanejamento e eliminação dos ministérios, prevista para ocorrer no próximo ano.
Até mesmo Paulo Bernardo do Planejamento chegou a ser ameaçado, sendo momentaneamente blindado pela Casa Civil, cujo comando está ocupado por sua esposa.
Quem acha que estas possibilidades são muito fantasiosas, pode dar uma olhadinha na garagem do Planalto e encontrar José Dirceu despachando com a maior naturalidade.
Se o general encarregado de sua segurança pessoal permitir, talvez se consiga até uma entrevista ou foto com ele.


Professor Orosco

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A São Paulo Pós Apocalipse

Considerando a real possibilidade de que o mundo venha a acabar no dia 21 de Dezembro de 2.012, conforme previsões pautadas no intrincado calendário Maia / Asteca e, considerando que, salvo novas atitudes anti-democráticas que possam vir a ser implementadas em caráter de emergência e pelo bem da Pátria nesta nosso BraZIL varonil, atrevo-me a pensar que a atual gestão municipal pode ser a última que nós, pobres paulistanos, veremos.
Desta forma, fazer uma breve reflexão sobre a Prestação de Contas que nossos administradores (atuais ou antigos) precisarão fazer ao tentarem ingressar exibindo seu Bilhete Único nos portões do Céu, caso se confirmem tão fúnebres possibilidades, seria, no mínimo, contribuir com o Guardião para que ele possa avaliar corretamente aqueles que pretendem conseguir sua permissão para entrar.
Admito que este trabalho também demonstre, ao menos de minha parte, uma real tentativa de Puxar o Saco do porteiro e conseguir sua benemerência para comigo, um servo ávido por poder descansar na eternidade em um local onde correm rios de Hidromel e onde possa desfrutar da companhia de Mil Virgens, que espero poder transformar em 999, 998, 997, etc.
Sobre os fatos passados, a avaliação já está registrada no livro e, embora alguns antigos gestores continuem a afirmar que “Não era eu” ou “Este aí na foto pode até se parecer comigo e estar na cama junto com minha am... secretária, mas afirmo categoricamente que não sou eu”, sabemos que o que vale é o que foi registrado e teve sua firma reconhecida na Inicial do Processo.
Aquela afirmação de que “De Boas intenções o Inferno está Cheio” só vale se o advogado do postulante for incompetente ou que o Inquérito tenha sido mal conduzido, coisa que sabemos ser extremamente rara neste nosso país, com leis e sentenças tão duras e pouco complacentes com os ilícitos praticados.
Assim, discursar sobre os Planos Existentes para que se pudesse executar a melhor administração pública deste nosso município será sempre a melhor defesa para justificar eventuais apontamentos contrários ao ingresso de todos aqueles que almejam entrar no paraíso (não o paraíso fiscal, onde muitos já compraram cadeiras cativas e vitalícias).
Todos os cidadãos sabem que, há bem da verdade, existem vários níveis de decisão e que também existem vários Planos a serem observados por todos aqueles que compõem a gestão pública, quer como membros do executivo, do legislativo e até mesmo dos fiscais do judiciário.
Existem os Planos Estratégicos, com previsão para os próximos 30, 40 ou 50 anos, onde tudo é permitido.
Existem os Planos Diretores, com previsão para os próximos 10 anos, facilmente corrigíveis a cada novo exercício ou a cada nova legislatura.
Existem os Planos de Metas, tão bem detalhados nos períodos de campanha eleitoral.
E, finalmente, existem os Planos Orçamentários, que realmente tentam justificar o injustificável, explicando os contingenciamentos na Saúde, na Educação, na Infra-estrutura Urbana, etc., para que se pudesse realizar este ou aquele evento cultural, midiático, ou até mesmo aquele viaduto que atenderá a estrada que será construída futuramente.
Isto tudo é claro, devidamente atualizado para explicitar à população aquilo que foi feito e garantir que o Tribunal de Contas, em suas modestas instalações, possa aprovar e legitimar tudo que foi gasto, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Todo este preâmbulo foi necessário para que finalmente eu pudesse comentar sobre o Plano Estratégico SP 2040, tão brilhantemente apresentado no dia de hoje, em um fórum internacional organizado pela prefeitura, nas belas instalações do Ibirapuera, que contou com ilustres representantes de organizações estrangeiras que vieram contribuir trazendo suas experiências sobre “Cases” de sucesso em várias cidades do mundo.
Foram feitas dissertações sobre as Tendências da Cidade sob a ótica de vários quesitos, tipo habitação, poluição, transporte e qualidade de vida, caso se mantenham os atuais modelos e sobre a cidade que desejamos construir para 2040, indicando caminhos possíveis para alcançar estes objetivos.
Rios Vivos, uma das primeiras metas, indicando um excepcional compromisso com a recuperação de córregos e rios, com a implantação dos parques lineares, já em curso na cidade, que nos enche de orgulho e traz à tona todo o saudosismo de quem já pescou nas margens do Tietê.
Dentre outros, apenas para ater-me ao primeiro, faltou explicitar ações que podem obrigar à prefeituras vizinhas ( Guarulhos por exemplo ) a tratar seu esgoto e evitar que o nosso principal rio entre morto na nossa cidade.
O mesmo eu diria para o município de Mauá, que já fere o Tamanduateí logo na nascente e o entrega agonizante para Santo André e São Caetano que se incumbem de matá-lo.
Com um discurso municipalista, poderíamos, apenas para exercer o direito de apresentar uma proposta para o tema, processar estas cidades e cobrar delas, judicialmente, ações que não viessem a ferir o nosso direito de gozar a beleza de ter um rio caudaloso e limpo.
O que achei importante nas colocações sobre as intervenções de sucesso que ouvi dos interlocutores e que pude constatar serem verdadeiras em algumas das cidades citadas, foi o fato de que as propostas partiram da Sociedade Civil Organizada, elaborando um programa e apresentando-o aos candidatos aos futuros pleitos eletivos, forçando-os a assumirem o compromisso de manterem os cronogramas assumidos para seu cumprimento.
Assim, somente para o caso dos Maias estarem equivocados, seria prudente que todo cidadão paulistano atentasse para este plano que será publicitado brevemente, cobrando daqueles que pretendem eleger-se no próximo ano seu compromisso com as metas ali estabelecidas.
Como a esperança que ficou esquecida na Caixa de Pandora e que por isso mesmo foi a última a morrer, vale a pena sonhar com uma São Paulo mais bela, mais justa, que respeite seus habitantes.
Votar pensando na qualificação de nossos gestores, com visão de estadistas e não de meros políticos casuístas, é fazer a sua parte.

Professor Orosco