terça-feira, 17 de março de 2020

PUXÃO DE ORELHAS


O Grande Arquiteto do Universo não se cansa de nos chamar a atenção para o fato de que somos, todos nós, independentemente de cor, gênero, religião, etc., membros de uma mesma espécie.
Quando ocorreu aquele tsunami na Ásia, que matou mais de 300 mil pessoas, este trágico acontecimento mudou muito pouco a rotina das pessoas.
Quase ninguém ligou; não foram feitas preces ou orações pelas vítimas; pouca gente se mobilizou em campanhas de ajuda, etc.
Aconteceu a mesma coisa no Haiti; acontece a mesma coisa na Siria, com a fome na África e na América Central, etc.
Agora, com esta crise sanitária que toma proporções gigantescas, parando o comércio mundial, finalmente estamos percebendo que estamos todos conectados, e não só pela internet.
Como diria Ortega y Gasset no seu livro Rebelião das Massas, finalmente estamos aprendendo que, todos nós, independentemente da classe social, ideologia política, religião, formação acadêmica, condição econômica, ou outra desculpa segregacionista, estamos vivendo uma relação de interdependência, uns com os outros, muito superior ao mais complexo estudo social.
Oxalá, vencida esta pandemia, com o puxão de orelhas que estamos recebendo, aprendamos a lição e alteremos nossa relação com o mundo, repensando nossas ações com os outros, com o meio ambiente, etc.


Professor Orosco.

segunda-feira, 9 de março de 2020

UM SINGELO ÚLTIMO DESEJO:


Revendo alguns de meus trabalhos sobre Heidegger e seu Dasein, o ser lançado ao mundo, existente, Ser - aí ou Ser – aí - no mundo, reconhecidamente um Ser angustiado, cuja autenticidade da vida o obriga a reconhecer-se como um Ser para a morte, certo de sua finitude em momento incerto; um Ser morrente que precisa viver e experimentar a vida a todo momento, extraindo dela tudo o que puder gozar, detive-me a pensar sobre o que desejaria, como um singelo e último desejo, ocorresse no momento de minha partida:
Quando chegar a minha hora, se o clima for apropriado aos vivos e o tempo permitir, gostaria de ser velado quase nu, vestido apenas por uma modesta gravata.
Seria, para mim, o sinal de que, neste derradeiro momento, finalmente estaria livre de convenções, contratos sociais, regulamentos e leis, às quais fui submetido contra a minha vontade, desde que aqui cheguei, nu e assustado.
Quiçá, não por mim, mas por conta do rubor ou curiosidade que possa provocar aos que porventura venham se despedir, toleraria um pequeno lençol, cobrindo junto com as flores, o motivo de sua vergonha.
Gostaria, também, que meus despojos pudessem, depois de retiradas as partes úteis, e se a ordem assim o permitir, servissem de alimento aos animais vertebrados, numa última tentativa de amenizar minha dívida para com aqueles que também me serviram de alimento, inclusive afetivo.
Não os vermes que já me acompanharam por muito tempo, mas os vertebrados como aves, porcos ou peixes, até mesmo cães ou gatos, para os quais minha carne, despojada da alma, teria alguma serventia, acreditando que para bovinos e caprinos ela não seria apropriada, salvo julgamento posterior que também pudesse contemplá-los, sem nenhuma restrição de minha parte.
Na impossibilidade, que meu corpo cremado, voltando à condição de carbono e cálcio, fosse depositado como adubo de uma planta qualquer, preferencialmente uma que possa produzir frutos para o deleite de pequenos pássaros, ou flores que acolham abelhas e borboletas.
Que mais poderia desejar?
Cheguei aqui nu e em plenas condições de me fazer totalidade e, partindo com apenas uma gravata, já sairia desta vida com um bom lucro, além de evitar carregar um peso extra na minha jornada, frente a um futuro que me é desconhecido; abandonando, assim, tudo aquilo que, acredito eu, não me fará falta; crente de que o Criador, como aqui já fez, me proverá das condições para alcançar tudo aquilo que porventura, ele venha a planejar para mim ou que eu venha precisar.
Levando apenas uma gravata, carregarei comigo um símbolo de ostentação e lembrança do meu cativeiro, da masmorra social que cerceou, em vida, a minha liberdade e não me permitiu ser o que poderia ter sido enquanto homem; esperançoso de que tal recordação possa me auxiliar, como uma espécie de memória genética transcendente, nas novas escolhas que precisarei fazer ou dos novos caminhos que deverei trilhar.
Quanto ao resto, minhas parcas posses, deixá-las àqueles que carregarão consigo a minha semente, esperando que o maior valor que possam levar seja o meu carinho, amor e gratidão eterna.
Aos amigos, a lembrança de bons momentos compartilhados e dos bons embates travados.
Aos demais, a tentativa de explicitar um modesto exemplo de vida, combativa, frugal e dedicada à tarefa de aprender e ensinar.


Professor Orosco.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

TERIA NOSTRADAMUS ACERTADO MAIS ESTA?

Considerado por muitos, como um grande profeta do apocalipse, em um dos versos da segunda Centúria (como são apresentadas e descritas as suas previsões sobre o futuro) ele escreveu:

 "E no céu dois Sóis surgirão,
O sumo pontífice fugirá em terror,
E mudará a Santa Sé."

Alguns estudiosos colocaram que isto poderia representar o desenlace de uma explosão nuclear que destruiria o Vaticano.
Outros preferem acreditar que seu sistema de códigos é incompreensível e que pode abrigar qualquer resposta.
Particularmente, acredito que a resposta está no meio termo, ou seja, como ele mesmo colocou, que suas previsões só serão compreendidas, posteriormente.
Assim, jogando lenha na fogueira, e somando mais uma possibilidade para esta Centúria, registro que:

a) Sabemos que a estrela Betelgeuse, uma gigante vermelha da Constelação de Orion, localizada acima e à esquerda das 3 Marias, está para explodir em uma supernova.
Na verdade, isso significa que ela teria explodido na primeira metade do século XIV (1300 a 1350 d.C.) e que só agora estaríamos vendo a luz desta explosão, que produziria, também, ondas gravitacionais, viajando à velocidade da luz, similares às que foram percebidas aqui na Terra, no último dia 14 de janeiro.
Acredita-se que nesta explosão como Supernova, ela venha a destruir tudo em um volume cuja esfera teria um diâmetro de 100 anos-luz, o que seria percebido, aqui na Terra, como uma estrela visível dioturnamente do tamanho da nossa Lua, como se fosse um segundo Sol a brilhar no céu.

b) O fato de que a basílica da cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo, haver sido construída com dimensões equivalentes à basílica de São Pedro, no estado do Vaticano, a maior do mundo (nenhuma outra pode ser maior do que ela), transformando-se em uma alternativa para a mudança da Santa Sé, já que o Brasil abriga a maior população cristã do planeta.

c) A coincidência de que, tanto Nostradamus quanto São Malaquias, previram que o atual seria o último Papa, coincidentemente um Argentino, o que per si, já é visto por muitos como o anúncio do fim do mundo.

d) A possibilidade de que a proliferação pandêmica de um vírus, como este coronavírus, que está assustando o mundo, poderia desencadear uma situação tão grave, em que o abandono da Europa seria uma necessidade para a cúpula da igreja de Cristo. Neste caso, a peste, como em outros momentos da história, ao invés da bomba atômica, como o fator de destruição do tecido social.

e) O problema das enchentes em Minas Gerais, sempre considerada como um mundo à parte, impedindo o êxodo daqueles que, assustadamente, tentariam fugir do "fim dos tempos".

Desta forma, como prudência e caldo de galinha não fazem mal à ninguém (exceto à galinha) seria de bom alvitre, uma breve reflexão sobre nossa conduta individual, nossas virtudes e nossos defeitos, que serão pesados no momento da nossa prestação de contas.

Sabem como é: como não acredito que existam apenas coincidências, vai que Nostradamus tenha acertado mais esta......

Professor Orosco.

sábado, 16 de novembro de 2019

EM DEFESA DO BE A BA

Todos reconhecemos que o processo de alfabetização de crianças é extremamente complexo e dinâmico.
No entanto, baseado em Piaget e Vigodsky, sabemos que também é um processo que pode ser dividido em fases, segundo a idade e o ambiente em que a criança começa a perceber, Freirianamente, o seu mundo circundante. Sabemos, também, como defende Silvio Galo, que é um processo que precisa ser, antes de mais nada, sedutor ao estudante.
Assim, o antigo método de silabação, quando corretamente adotado, para mim, ainda é a melhor maneira para iniciar este processo educacional.
Fazer com que aprendam foneticamente o som das vogais e na sequência as consoantes (letras que se somam ao som das vogais), cantando e associando cada sílaba, na formação das palavras, assegura às crianças, um bom alicerce para a formação de orações, com as quais elas constroem o seu pensamento. Infelizmente, em boa parte das escolas, por conta da "modernidade acadêmica" pulamos alguns degraus e tentamos começar a construção da casa (do conhecimento) pelo telhado.
Abandonamos a "Cartilha" e partimos diretamente para a dissertação, para a narração, para a descrição, esperando que a criança consiga entender osmoticamente as diversas relações textuais.
Como resultado, na prática, produzimos analfabetos desmotivados que são incapazes de expressar-se corretamente ou compreender textos com alguma complexidade.
Retiramos, como defende a "escola italiana" o lúdico do processo e mecanizamos os resultados, sem perceber que, com isso, "tiramos o mel" com o qual atraíamos os jovens para a leitura.
Tentamos ensinar Wagner antes de terem ouvido Straus, Tchaikovsky, Mozart ou Bach. Abandonamos a música, os jogos do "faz de conta", as encenações coreografadas e tudo o mais que teria essa função, substituindo este modelo por jogos eletrônicos que matam a imaginação.
Nossos jovens nunca ouviram "O trenzinho do caipira" do saudoso Villa Lobos que, aliás, nem sabem quem foi.
Fazemo-los assitir ao filme sem antes terem lido o livro no qual se inspirou.
Como no "Exterminador do Futuro" matamos a Emilia, a Tia Anastácia, o Visconde de Sabugosa e, junto com eles a poesia e o desejo de aprender.
O resultado, todos conhecem...

Professor Orosco

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

UMA QUESTÃO DE HERMENÊUTICA



Desde há muito venho discordando da transcrição de um trecho de uma das principais orações do ecumenismo cristão, O  Pai Nosso, recorrente em praticamente todas os encontros religiosos:
Nesta oração, costuma-se dizer: “Não nos deixei cair em tentação...” que, particularmente,  sempre preferi compreender e pronunciar como “Não nos deixeis caídos em tentação...”, considerando que cair é um ato decorrente do processo da aprendizagem para caminhar (neste caso, em direção ao coração do Pai Celestial).
Faço isto, em concordância com o que foi descrito no Evangelho de São João 8: 1-11, onde Jesus, ao se negar a condenar a mulher que lhe fora apresentada como adúltera,  reconheceu que todos são passíveis de cometer pequenos deslizes e que, nem por isso, são pessoas condenáveis, sendo o importante, neste caso, não persistir no erro.
Faço isto, também, corroborado pelo estudo exegético dos Textos de Santo Agostinho, De Civitate Dei (A Cidade de Deus) onde, em  9: 1, podemos ver que ele coloca, textualmente: “Dado não haver fiéis, cuja vida, por irrepreensível que seja, às vezes não ceda aos instintos carnais e, sem cair na enormidade do crime, no abismo da libertinagem, não se abandone a certos pecados, raros ou cometidos com frequência inversamente proporcional à gravidade...”
Assim, ainda que pairem opiniões discordantes, solicito aos crentes e estudiosos do assunto, uma profunda reflexão sobre o tema, principalmente em uma época repleta de Fake News e de opiniões xenofóbicas, preconceituosas e racistas, que nada mais fazem além do que separar irmãos e promover a discórdia entre os “homens de boa vontade”.

Professor Orosco

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A HISTÓRIA QUE SE REPETE

A esquerda chegou ao poder prometendo aquilo que não podia dar, num populismo irresponsável, que fragilizou a economia e provocou uma enorme recessão. 
Foi substituída pela direita, que também prometia aquilo que não podia dar, retirando benefícios sociais das camadas mais pobres, mas mantendo as regalias de algumas categorias de servidores públicos, o que só agravou a situação. 
Deu no que deu: 
A inconsequência dos dois extremos, ambos se valendo de propostas populistas, desconectadas de um programa de recuperação nacional, agravou um estado de animosidade geral que talvez só possa ser contida às custas da supressão dos direitos políticos e das liberdades democráticas. 
Um retrocesso que deixará a América Latina ainda mais distante do restante do mundo civilizado, dividida em novas Capitanias Hereditárias, que serão, novamente, exploradas por grandes corporações, ávidas por retirar daqui o seu quinhão de batatas. 

 Professor Orosco

sábado, 12 de outubro de 2019

O DIREITO AMBIENTAL DAS CRIANÇAS DE TODAS AS IDADES. 

A defesa das questões ambientais não é para defender o planeta ou outras espécies, sejam elas animais ou vegetais. 
Eles não só não precisam de nós, como, talvez, estivessem melhor se não houvessem humanos a lhes retirar ou destruir os ecossistemas que habitam. 
A defesa das questões ambientais é para defender o direito de existir dos nossos filhos e netos, assegurando-lhes um ambiente o mais sadio possível. 
Neste dia das crianças, pensem nisso, e dêem-lhes, como presente, um futuro melhor.

Professor Orosco

terça-feira, 17 de setembro de 2019

ESTAMOS SÓS

Num mundo globalizado, sob o domínio das redes sociais, onde contabilizamos várias páginas para poder abrigar dezenas de milhares amigos virtuais, o homem nunca esteve tão solitário.
Preocupado em postar tudo, na esperança de despertar a atenção para si, frustra-se e decepciona-se ao perceber que não faz falta a ninguém; ao constatar que todos estão ali para serem vistos e não para ver. Percebe-se só e cai em depressão.
Muitos suicidam-se anualmente (mais que a soma das guerras e acidentes) por não aguentar a solidão e a pecha de inutilitário; outros tentam mudar de vida, buscar velhos amigos, novos amigos, mas já não sabem como. Sabe que seu grito de lamento não será ouvido e embora deseje que ele seja compartilhado, resigna-se com os poucos "likes" que recebe. Neste mundo globalizado o homem aprendeu a escrever, mas esqueceu de ler assim como esqueceu de sorrir.
Já não viaja mais pelas páginas nas quais navegou o Nautilus, ou nas cinco semanas em um balão, cruzando o continente africano. Esqueceu-se do seu pé de laranja lima e até do sítio do pica-pau amarelo.
Deixou a poesia, abandonou a música e recolheu-se ao fundo da caverna.
Não como o super homem de Nietzsche, mas como o ignorante denúnciado por Platão. Nunca ouviu falar de Dersu Uzala, e sequer sabe que terá o mesmo destino.
Já é tarde.
Cruzamos o Cabo da Boa Esperança.
Não há retorno.
Neste mundo globalizado,
Estamos sós.

 Professor Orosco

quarta-feira, 3 de julho de 2019

A CONQUISTA DA LUA

Estando a poucos dias da data em que comemoraremos os 50 anos da conquista lunar, tive a oportunidade de ler um conto sobre o assunto, que simplesmente achei maravilhoso:

Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin aterrissaram na superfície da Lua. Nos meses que antecederam sua expedição, os astronautas da Apolo 11 treinaram em um deserto remoto similar ao da Lua, no oeste dos Estados Unidos. A área é o lar de várias comunidades indígenas, e existe uma história – ou lenda – descrevendo o encontro entre os astronautas e um dos habitantes locais.
Um dia, enquanto estavam treinando, os astronautas se depararam com um velho índio. O homem lhes perguntou o que eles estavam fazendo lá. Eles responderam que eram parte de uma expedição de pesquisa que em greve viajaria para explorar a Lua. Quando o velho escutou isso, ficou em silêncio por alguns instantes e então perguntou aos astronautas se eles poderiam lhe fazer um favor.
- O que você quer? – eles perguntaram.
- Bem – disse o velho -, as pessoas da minha tribo acreditam que a Lua é habitada por espíritos sagrados. Eu estava pensando se vocês poderiam transmitir a eles uma mensagem importante para o meu povo.
- Qual é a mensagem? – perguntaram os astronautas.
O homem proferiu algo em sua língua natal e então pediu que os astronautas repetissem de novo e de novo, até memorizarem corretamente,
- O que significa? - Os astronautas perguntaram.
- Ah, não posso lhes dizer. É um segredo que só a nossa tribo e os espíritos da Lua podem saber.
Quando voltaram à base, os astronautas procuraram e procuraram até encontrar alguém que sabia falar a língua tribal e lhe pediram para traduzir a mensagem secreta. Quando repetiram o que haviam memorizado, o tradutor começou a gargalhar. Quando se acalmou, os astronautas perguntaram o que significava. O homem explicou que a frase que eles memorizaram com tanto cuidado queria dizer: “Não acredite em uma única palavra do que essas pessoas estão lhe dizendo. Eles vieram roubar suas terras”.

Professor Orosco
Extraído do livro Sapiens de Yuval Noah Harari

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO E DO GÁS NATURAL

Mais um livro revisado e agora publicado no formato e-book na amazon.com.br.  
É o quarto em formato e-book de uma previsão de pelo menos dez para este ano.
Este é destinado a todos os estudantes de química, engenharia petroquímica e similares, ou simplesmente a pessoas que procuram conhecer um pouco mais sobre esta importante comódite, em nome da qual foram (e ainda são) travadas as maiorias das guerras nos últimos 50 anos e sobre a qual estão em curso importantes discussões no Congresso Nacional.
É só digitar o código ASIN: B07TLF8KCP para poder visualizar e/ou comprar.
Espero que gostem

Professor Orosco

quarta-feira, 24 de abril de 2019

CROMOTERAPIA CIENTÍFICA




É gratificante saber que o resultado de nosso trabalho e nossas pesquisas nos últimos 30 anos estão despertando o interesse das pessoas.
Alcançamos o primeiro lugar entre os e-books mais vendidos pela Amazon na área de eletromagnetismo.
Também alcançamos o 18º lugar entre os mais vendidos na área de Elétrica e Eletrônica Profissional e Técnico e ainda o 75º lugar nas áreas de Ciências, Matemática e Tecnologia.

O ENGODO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Todas as propostas apresentadas, não só aqui, mas em todo o mundo regido pelo modelo capitalista cometem um "equívoco" (se é que podemos dizer "um equívoco") ao propor um sistema previdenciário pautado na contribuição compulsória de todos os trabalhadores e da contrapartida das empresas, capaz de sustentar aqueles que, atingindo uma idade mínima ou um tempo de contribuição, podem aposentar-se.
Tal "engano" foi cometido inicialmente, ao acreditar-se que a população mundial cresceria exponencialmente e que a longevidade seria contida aos indicadores do começo do século passado.
Ou seja, teríamos uma grande quantidade de jovens ingressando no trabalho (muitos filhos por família) e aposentados morrendo cedo. Isso aconteceu por um período razoável de tempo, mas hoje já não é assim.
As famílias têm poucos filhos e graças as melhorias fitosanitarias e ao avanço da tecnologia, principalmente nas áreas de saúde, as pessoas estão vivendo mais. Isso significa que a pirâmide se inverteu e que a massa de trabalhadores que entra no mercado, quase sempre com salários aviltados, já não consegue fazer frente às necessidades da massa humana que se aposenta ou que fica inativa (em termos contributivos para o sistema), isso sem contar o gigantesco contingente de pessoas desempregadas, um indicador cujos índices irão continuar crescendo de forma vertiginosa, principalmente por conta da automação e do emprego das novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, por exemplo.
Acrescente-se ainda as distorções dos rendimentos auferidos entre a elite do funcionalismo público e a grande maioria da população.
Assim sendo, qualquer ajuste nas contas, por mais traumático que seja, no curto prazo, quiçá no médio prazo, já se mostrará insuficiente e demandará maiores sacrifícios.
E dizer, seja como for, terá apenas um caráter paliativo que esconderá momentaneamente o erro do modelo previdenciário adotado.
A solução é, portanto, clara, evidente e necessária.
Este modelo precisa ser substituído por outro que contemple esta nova situação.
Um modelo que, por exemplo, assegure uma "renda mínima" (quase nos moldes propostos pelo Senador Suplicy) a todas as pessoas que cheguem a determinada idade ou que não tenham condições de subsistência, independentemente de terem contribuído ou não ao longo de suas vidas, financiado por um imposto específico, pago por todas as pessoas, indiscriminadamente, e que pode ser (embora não desejável) reforçado por uma tributação específica de empresas ou ainda (este sim desejável) das atividades de ganhos de capital meramente especulativo, como aplicações em bolsas de valores, ou também aquelas atividades pautadas na prestação de serviços, como bancos ou seguradoras.
Não uma aposentadoria que assegure a manutenção de seus salários ou que possa servir para garantir privilégios, mas uma renda mínima que assegure a todos, as condições mínimas de sobrevivência com dignidade.
Uma renda que poderia, também, ser assegurada, levando-se em consideração algumas variantes, como, por exemplo, o tempo de contribuição do Imposto, a escolaridade de cada um (incentivaria as pessoas a estudarem), etc., mas que seria limitada a um valor máximo (digamos de três ou quatro vezes o menor valor, e não mais que isto), independentemente da condição do trabalhador (do setor público ou privado).
Assim, o valor desta renda mínima poderia, a critério de cada um, ser complementada por um sistema de capitalização qualquer, de previdência privada, ou de investimentos realizados ao longo da vida, segundo seu empenho e esforço individual.
Essa possibilidade inibiria, de certa forma, a passividade e o acomodamento das pessoas, que veriam nela, a oportunidade de assegurar a manutenção de seu padrão de vida, no momento em que atingissem a idade de aposentadoria.
Esta é apenas uma ideia que, reconheço de antemão, pode, sem dúvida alguma, ser aprimorada e melhor trabalhada em uma discussão pública e mais abrangente.
No entanto, o fato determinante e que não pode ser negado, é que o modelo atual não serve mais e que, portanto, estamos perdendo tempo com remendos e curativos que não vão estancar a sangria do sistema, embora um ajuste, agora, nos permita condições de fazer uma transição menos traumática para um novo modelo, capaz de fazer frente aos desafios do futuro.

Professor Orosco 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A FALÊNCIA DO ENSINO NO BRASIL

Como cobrar resultados de uma população que mal aprendeu a ler ou interpretar textos de baixa complexidade, a começar por aqueles encarregados de ensinar tais atividades. 
Boa parte de nossos professores não sabem ler e escrever, e pior, não querem fazê-lo, contentando-se apenas em reproduzir conteúdos simplistas que podem ser encontrados no Google.
Boa parte deles sequer consulta sites acadêmicos para reforçar seus argumentos em salas de aula.
Junto com a tecnologia, aliando-se a ela, veio a preguiça mental, tornando não apenas a juventude, mas o grosso de nossa população, peritos em Whatsapp e Facebook, mais interessada em opinar do que em se informar acerca daquilo em que emitem opiniões.
Youtuberes substituindo pesquisas e livros, a tal ponto que livrarias e editoras estão simplesmente encerrando suas atividades.
Substituindo ao invés de complementar.
Eu sempre disse que estávamos formando engenheiros que passariam fome, estando em uma roça de mandiocas.
Hoje, acrescento a isso também as batatas, simbolizando a total falência do ensino no Brasil.
Aqui, o total desinteresse pelos "fundamentos" explica as ações liberais dos governos locais que fecham bibliotecas e museus, tidos por desnecessários, na maior parte do país, ressaltando-se porém a heroica resistência de alguns Estados do Norte e do Nordeste que, preteridos do pseudo desenvolvimento industrial, ainda investem maciçamente na formação e na qualidade acadêmica de seus jovens.
Se não repensarmos nossas prioridades, nosso futuro será sombrio.
Durante a Revolução Francesa, Condorcet alertou aos líderes revoltosos que o povo só seria realmente emancipado se tivesse acesso à educação de qualidade.
Foi preso e suicidado por conta disso, tendo sido sua mensagem alterada para assegurar apenas a formação básica a todos e a de qualidade apenas à elite que, bem alimentada, poderia aproveitá-la melhor.
Quase o mesmo que fizemos com Paulo Freire por aqui.
Professor Orosco

quinta-feira, 11 de abril de 2019

LIVROS PUBLICADOS

- COMO HAVIA COMUNICADO ANTERIORMENTE, MEUS TRÊS PRIMEIROS LIVROS REVISADOS JÁ SAÍRAM DO FORNO E JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NO SITE DA AMAZON.COM




- BASTA INSERIR O CÓDIGO DE CADA UM DELES PARA PODER COMPRAR.
ESPERO QUE GOSTEM

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

AUSÊNCIA DE FUTURO

Quando as pessoas se sentem inseguras e não vislumbram um futuro promissor, geralmente se apegam a dogmas religiosos que as confortam, ainda que estes sejam apenas anestésicos para o momento que vivem.
Já disseram uma vez que "A religião é o ópio do povo".
Nada contra os que se valem dela para os momentos de crise, pois acredito que essa válvula de segurança seja salutar, inclusive como forma de superar sensações de perda.
O problema é que, como o ópio, sem o devido senso crítico, o uso e abuso deste importante instrumento de apoio, tende a promover o vício e corromper a capacidade de pensar, transformando os usuários em zumbis, que andam de um lado para o outro, em busca de cérebros para comer.
Nos recentes casos de Brumadinho e do trágico acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechart e o piloto do helicóptero em que viajava, vimos aqui nas redes sociais um exemplo disso.
O livro sagrado é um ótimo livro, mas é só um dentre os muitos que ajudam a confortar os enfermos e, embora seja muito importante, sozinho não consegue mudar o futuro das pessoas, que precisam, à sua vez, realmente desejar mudar e trabalhar para isso. Frequentar uma boa escola, muitas vezes ajuda mais do que ir à igreja, embora uma coisa não invalide a outra.
Ou seja, as duas são importantes e se complementam.
O fanatismo, qualquer que seja ele, ao invés de assegurar, só promove a ausência de futuro.

Professor Orosco

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

AVISO AOS NAVEGANTES

Depois de pouco mais de 73 mil acessos em meu blog, decidi retirar do ar as publicações gratuitas dos meus livros que, doravante, poderão ser encontrados, já revisados, nas livrarias ou em formato digital.
Como são mais de 100 títulos, este ano estarei me dedicando à tarefa de organizar todos eles e, à medida que estiverem revisados, vou informando.

Professor Orosco.

domingo, 23 de dezembro de 2018

domingo, 16 de dezembro de 2018

QUEM NUNCA COMEU DOCE, QUANDO COME, SE LAMBUZA

Durante décadas vivemos em um país onde o Estado tutelava nossos passos.
Já no Estado Novo, com Getúlio Vargas, sob a égide da proteção contra o regime escravagista vigente, o governo decidiu assegurar por lei alguns direitos, antes que a sociedade civil, de forma organizada, os conquistassem.
Deram migalhas e puniram severamente os que pleiteavam a liberdade de escolha.
Inventaram o 13 Salário, e todo tipo de auxílio, sempre concedidos para aplacar a insurgência latente dos oprimidos.
Chegamos ao Bolsa família, depois do vale leite, da cesta básica, do vale transporte, vale gás, etc.
Permitimos que dirigentes empresariais, interessados em lucros, decidissem o tipo de feijão e a marca de óleo que iríamos consumir.
E aí de quem quisesse um salário digno para comprar o que quisesse.
Nosso governo, permitiu a formação de sindicatos, desde que estes cumprissem as regras impostas.
Greves combinadas, liberdade de associação, mas com contribuição compulsória para todos.
Permitiu que esses instrumentos de defesa da sociedade fossem tomados por quadrilhas e que as verdadeiras lideranças fossem assassinadas, muitas delas com sua ajuda ou mando.
Nunca fiscalizou ou puniu os infratores.
Em todos os governos militares, com a ajuda da força, ajudou a criar castas profissionais desconectadas da realidade nacional, a exemplo do poder judiciário e das associações de classe, promovendo a divisão que Ortega y Gasset já denunciava em sua Rebelião das Massas.
Nunca tivemos uma educação emancipatória, que focasse o empreendedorismo.
Todo o investimento nesta área foi feito para produzir funcionários automatizados, robotizados, reféns do progresso tecnológico.
Mantiveram o país isolado do mundo e permitiram que as inovações e conquistas tecnológicas entrassem no país, a conta gotas, sempre privilegiando o consumo de bens e de inutilitários, tipo videogames.
Mantiveram o controle hegemônico do conhecimento e informação, oferecendo telenovelas e programas de auditório, intercalados por programação religiosa, impedindo ou desincentivando que a população desenvolvesse hábitos como leitura e convívio sócio-comunitário.
Proibiram até as Sociedades Amigos de Bairro, que vez ou outra realizavam festas locais, mas que cobravam do poder público serviços de qualidade.
Transformaram as que sobraram em currais eleitorais de vereadores que, por sua vez, sustentam pseudo lideranças locais, transformadas em seus cabos eleitorais, alguns dos quais se valem da violência para manter seu emprego.
Criaram as facções criminosas ao permitir a corrupção endêmica da justiça e dos presídios.
Criaram o PT e o Chavismo, com o discurso de liberdade, mas com lideranças a serviço do capital internacional. Aqui, sob controle das montadoras, na Venezuela sob controle das 7 grandes petrolíferas.
Todos encabeçados por lideranças populares, demagógicas e sem formação acadêmica ou preparadas para a correta gestão da coisa pública.
E por aí vai.
Agora, diante de tanto descalabro, jogam a culpa nos comunistas, associando-os ao peleguismo e à corrupção que promoveram e institucionalizaram, valendo-se para isso das mesmas instituições que sempre mantiveram o povo submisso.
Fazem isso desde o Estado Novo.
Na idade média eram as bruxas e os hereges, hoje os comunistas.
O engraçado é que nunca explicam o que é realmente um comunista, mas comparam-no ao anticristão, ao comedor de criancinhas, aos governos totalitários, aos que usurpam a propriedade alheia, etc.
Nunca se valem de livros com argumentos sólidos para isso, já que o estudo da sociologia, da filosofia ou mesmo da antropologia virou uma coisa desnecessária, pois seu poder emancipador precisa ser evitado ou controlado.
Valem-se de ícones midiáticos ou de pseudos intelectuais (verdadeiros idiotas) para sustentar uma ideia libertária que, na verdade, é escravagista.
Jogaram, novamente, o povo contra o povo, oferecendo doces e guloseimas, travestidas de halloween, permitindo que se lambuzem e se atolem ainda mais na miséria e na violência.
Agora ....
Agora, o salvador da pátria, em seu cavalo branco, (no melhor estilo Ronaldo Caiado) empunhando a espada da justiça e da moralidade, abençoado pelos neo pentecostais, vai colocar o Brasil nos trilhos...


Professor Orosco

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DESCONSTRUINDO A DEMOCRACIA



Estou cansado de ver nas redes sociais uma série de ataques aos candidatos, ora A, ora B, só porque ele melhora momentaneamente em uma ou outra pesquisa.

Também estou cansado do exército de IDIOTAS (literalmente idiotas, na verdadeira acepção da palavra, de origem grega) que ficam apregoando através de Fakes, uma série de notícias falsas ou opiniões que acreditam serem verdadeiras (dóxa aletheia) , mas que não se sustentam por fatos concretos ou argumentos plausíveis, tornando-se, assim, opiniões falsas (pseudès doxa).

Gostaria de ver comentários sobre propostas concretas dos candidatos sobre problemas relativos à saúde, à educação, à infraestrutura, sobre política de empregos, políticas industriais, políticas de energia, de segurança pública, de reformas do Estado, etc. 

Propostas concretas e não fantasias para alimentar IDIOTAS.

Neste cenário, em minhas análises, só dois candidatos apresentam condições reais, inclusive políticas, de pleitear com possibilidades de sucesso, o comando da nação: Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, pois são os únicos que comprovadamente tem experiências exitosas no comando do executivo e os únicos que apresentaram propostas realistas sobre como enfrentar e superar os problemas nacionais. Um apresentando uma visão de centro esquerda (com viés mais à esquerda) e outro de centro direita (com viés mais à direita).

Como não sou banqueiro, multimilionário ou pertenço à elite do funcionalismo público, nem tampouco trabalho no judiciário, por questões óbvias, tenho críticas aos modelos liberais que apregoam o livre mercado e que abominam o Estado de Bem Estar Social, apesar de reconhecer suas malversações assistencialistas e políticas eleitoreiras, e, uma vez que estou dentre a grande maioria que precisa trabalhar para viver e, dentre a minoria que ainda consegue pensar de forma crítica, minha escolha é óbvia: Vou de Ciro Gomes, sem contudo desmerecer as qualidades de Geraldo Alckmin.

Não vejo nos demais qualquer consistência, verdade de propostas ou compromissos reais com o Brasil, ainda que reconhecendo em alguns poucos, como Amoedo, um posicionamento claro sobre suas ideias.

Combati a ditadura militar, como combati a truculência de “piqueteiros de porta de fábrica”, ambos faces da mesma moeda, calcada na truculência e no desrespeito às leis e aos direitos civis, motivos pelos quais não vejo com bons olhos Bolsonaro, Boulos ou Haddad, a versão light do “peleguismo sindical”.

A imprensa, que desde Assis Chateubriand serve a quem paga mais ou a quem pode extorquir, nunca foi merecedora de minha plena confiança.

Assim, como as redes sociais ainda gozam de certa liberdade, gostaria de ver nelas discussões propositivas sobre o próximo pleito eleitoral, e não Fakes News (mentiras pura e simplesmente) desconstruindo a nossa democracia.

Professor Orosco


sábado, 8 de setembro de 2018

JUSTO E PERFEITO


Quando pequeno, vindo de uma família pobre, ficava a me perguntar porque meu querido pai precisava sair de casa às 4:30 da manhã para trabalhar.
A imagem dele vestido com um capote surrado, um chapéu velho e uma botina ainda mais velha, saindo na chuva, no escuro da noite, carregando sua maleta onde levava uma marmita, ainda é nítida em minha memória.
Minha mãe dizia que ele fazia isso para sustentar a família e garantir que eu pudesse estudar.
- Para que eu pudesse estudar!
O amor que sentia por ele era tão grande, que acreditei que a única forma de recompensá-lo seria me tornar um aluno muito aplicado (o melhor da classe) e assim justificar que seu esforço não era em vão.
Tirar uma nota inferior a 10 era impensável para mim. Se o fizesse estaria faltando ao meu pai.
Acabei me formando, casei e tive filhos, que ele chegou a conhecer.
Hoje já tenho netos.
Não sou rico, nem pobre.
Tenho o que preciso, nem mais, nem menos.
Aprendi com ele.
Seu exemplo, mesmo após seu passamento, ainda são o meu norte.
Se um dia, em minha vida, eu conseguir ser, ao menos a metade do Homem que meu pai foi, já me darei por satisfeito.
Dito isto, coloco-me a refletir :
Para viver bem, preciso 3 camisas, se puder ter 10 ou 20, melhor. Mas precisar mesmo, só três.
Preciso 3 pares de sapatos. Se puder ter mais, melhor, mas precisar mesmo, só três.
Preciso assegurar que eu e que os meus tenhamos 3 refeições por dia.
Se pudermos ter mais, seria ótimo.
Mas precisar mesmo, só três.
Valores para uma vida comedida.
Assim, desejando saúde a todos por 3 x 3, encaminho meu T.'.F.'.A.'. a todos os meus irmãos, com a recomendação de que gozem a vida com prudência e moderação, lembrando que a verdadeira amizade e o espírito de solidariedade são os pilares que edificam uma sociedade justa e perfeita.

Professor Orosco