segunda-feira, 30 de abril de 2018

UM TRISTE PRIMEIRO DE MAIO



Aproveitando a oportunidade que se apresenta neste primeiro de Maio, o dia do trabalho, quando contabilizamos algo como 14 milhões de pessoas desempregadas no país, gostaria de colocar aos amigos, como uma triste constatação, a de que, como consequência inevitável do avanço tecnológico e da respectiva automação na indústria e no campo, chegaremos brevemente aos 25 milhões de pessoas desempregadas no país.
Ou seja, o que agora se mostra ruim, irá piorar e muito, independentemente do governo que venha a ser eleito.
A próxima eleição apenas representará se abrimos o paraquedas para continuar afundando mais devagar ou se continuaremos em queda livre para o fundo do poço.
Uma trágica realidade que poderia ter sido amenizada se houvéssemos realizado as reformas educacionais que  décadas atrás já se mostravam urgentes.
Nada mudou ou mudará nas próximas décadas, ou melhor, mudará para pior.
Enquanto o mundo fala de criptomoedas, comunicação quântica, sintetizadores de alimento e oferta de energia limpa e ilimitada, nós aqui, neste primeiro de maio, continuamos discutindo se um criminoso, traidor da pátria e da esperança de milhões que o elegeram, acreditando em suas promessas, deve ou não continuar preso pelos crimes comuns que cometeu contra o erário e à boa prática de gestão da coisa pública.
Enquanto o mundo avança em progressão geométrica, nós não só paramos no tempo, como estamos regredido na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Uma sociedade em que o Superior Tribunal declarando-se, não o guardião, mas o intérprete da Constituição, faz dela um jogo de interesses a serviço de oligopólios e das forças mais retrógadas que se possa pensar.
Distanciamo-nos exponencialmente do primeiro mundo.
Pior que isso, esquecemos como se plantam as batatas, o merecido prêmio dos vencedores.
Um primeiro de maio em que os sindicatos estão muito mais preocupados em conseguir liminares para continuar ilegalmente confiscando um dia de trabalho por ano de cada trabalhador, sob a infame desculpa de que trabalham em seu favor e não em causa de um pequeno grupo de dirigentes corruptos e muitas vezes ligados ao crime organizado.
Um triste primeiro de maio, com nada para comemorar.

Professor Orosco





quarta-feira, 18 de abril de 2018

MATÉRIA COMPLEMENTAR SOBRE OS PRÉ-SOCRÁTICOS

Endereçado aos estudantes de filosofia e a todos os interessados no assunto.
  
Acabei de publicar em meu blog: blogdoorosco.blogspot.com.br a última parte de uma série de artigos, baseados em sua maioria na tabela de Diels-Kranz ( que procurei ampliar), onde, além de uma curta biografia,  procurei realizar a síntese do pensamento dos principais filósofos pré-socráticos ( listados abaixo ) e também transcrever boa fragmentos disponíveis de autoria dos mesmos.
Foram pouco mais de dois anos de uma exaustiva pesquisa iniciada em março de 2016, hoje concluída, que disponibilizo para livre consulta dos interessados.
Não posso deixar, neste momento, particular de formalmente agradecer à valorosa ajuda do Professor Dr. Isaar Soares de Carvalho, hoje docente na UFMG, pelo incentivo à pesquisa e sem o qual não teria conseguido dar início a este empreendimento.
Hoje encerro apenas a primeira etapa.
Com a ajuda do Grande Arquiteto do Universo, espero poder dar continuidade a este projeto que, pelo andar da carruagem, demandará mais cinco ou seis anos para estar concluído.
Por ora, solicito aos amigos que repassem esta informação sobre a existência desta fonte de pesquisa aos colegas de classe e/ou pessoas que estejam cursando ou interessadas no estudo da filosofia.

Abraços

Professor Orosco

Iniciado em 11 março de 2016 - Proêmio para compreender os pré-socráticos

1 – Orfeo de Tracia (Ορφέο)
2 – Museo de Atenas (Μουσαίος)
3 – Epimenedes de Creta (Επιμενίδης)
4 – Hesíodo (Ησίοδος)
5 – Foco de Samos (ΦώϏον)
6 -  Cleostrato de Tenedos (Κλϵόστρατος)
7 – Ferecides de Siro (Φερεκνδης)
8 – Teagenes de Megara (Θεαγένης)
9 – Acusilau de Argos (Άκονσίλαον)
10 – Cleóbulo de Lindos
11 – Sólon
12 – Quilon
13 – Pitaco
14 – Bias
15 – Periandro
16 – Tales de Mileto (Θαλής)
17 – Anaximandro de Mileto (Άναξίμανδρος)
18 – Anaxímenes de Mileto (Άναξίμένης)
19 - Anacársis
20 – Pitágoras de Samos (Πυθαγόρας)
21 – Cercopes de Mileto (Κέρκωπως)
22 – Petrônio de Imera (Πέτρωνος)
23 – Brontino de Metaponto (Βροντίνος)
24 – Hipaso de Metaponto (Ιππασος)
25 – Califonte (ΚαλλιΦώντος)
26 - Domocedes (Δημοκήδης) de Crotona
27 – Parmisco de Metaponto (Παρμίσκος)
28 – Xenófanes de Colofon ( ΞενοΦάνης )
29 – Heráclito de Éfeso (Ήράκλειτος)
30 – Epicarmo de Crasto (Ἐπίχαρμος)
31 – Alcmeão de Crotona (Ἀλκμαίων)
32 – Icos de Taranto (Ἴκκος)
33 – Paron (Πάρων)
34 – Ameinias (Ἀμεινίας)
35 – Parmênides de Eleia (Παρμενίδης)
36 – Zenão de Eléia (Ζήνων)
37 – Melisso de Samos (Μέλισσος)
38 – Empédocles de Agriento (Ἐμπεδοκλῆς)
39 – Menestor de Sibari (Μενέστωρ)
40 – Xuthos ( Ξονθος)
41 – Boidas (Βοίδαν)
42 – Trasialco de Tassos (Θρασvάλκον)
43 – Ion de Quios (Ίων)
44 – Damon de Atenas (Δάμων)
45 – Hipon de Samos (Ίππωνα)
46 – Faleias de Calcedônia (Φαλέας)
47 - Hipodamos de Mileto (Ἱππόδαμος)
48 – Policleto de Sicião (Πολύκλειτος)
49 – Oinopides de Quios (Οινοπίδης)
50 – Hipócrates de Quios (Ίπποκράτης)
51 – Hipócrates de Cós
52 -  Ésquilo (Αἰσχύλος)
53 – Teodoro de Cirene (Θεοδωρος)
54 – Filolau de Crotona (Φιλόλαος)
55 – Eurito de Crotona (Εϋρντος)
56 – Arquipo (Άρχιππος)
57 - Lisis (Λνσίς) de Taranto
58 - Opsimo (Όψιμος) de Reggio
59 – Arquitas de Taranto (Ἀρχύτας)
60 – Occelos de Lucania (Όκκελος)
61 – Timeu de Lócrida (Τίμαίός)
62 – Hicetas de Siracusa (Ίκέτης)
63 – Ecfanto de Siracusa (Ἔκφαντος)
64 – Xenófilo de Cálcis ( Ξενόϕιλός )
65 – Diocles de Fliunte (Διοκλής),
66 – Diocles de Caristos
67 - Equecrátes (Έϰεκράτης)
68 -  Polimnesto (Πολνμαστος)
69 -  Fanto (Φάντων) de Flionte
70 - Arion (Αρίων) de Locri
71 – Proros (Πρωρον) de Cirene;
72 - Amiclas (Άμύκλαν)
73 - Clinias (Κλεινίαν) de Taranto
74  –Fintias (Φιντίας) da Sicilia
75 – Simos (Σιμον), da Posidonia,
76 - Miônides (Μνωμύδην),
77 - Eufranor (Εύϕράνορα) de Corinto
78 – Licon (Λύκων) de Taranto
79 – Anaxágoras ( Ἀναξαγόρας) de Clazômenas
80 – Arquelao (Άρχέλαος) de Atenas ou de Mileto
81 – Metrodoro de Lâmpsaco
82 – Clidemos (Κλείδημος) de Atenas
83 – Ideo ( Ίδαίος) de Imera
84 – Diógenes ( Διογένης ) de Apolonia
85 – Crátilo ( Κρατύλος )
86 – Antistenes  (Ἀντισθένης)
87 – Leucipo (Λεύκιππος) de Abdera
88 – Demócrito (Δημόκριτος) de Abdera
89 – Nessa ( Νεσσάς) de Quios
90 – Metrodoro (Μητρόδωρος) de Quios
91 – Diógenes ( Διογένης ) de Smirna
92 – Anaxarco (Ἀνάξαρχος) de Abdera
93 – Hecateu (Ἑκαταῖος) de Abdera
94 – Hecateu de Mileto
95 – Apolodoro (Ἀπολλόδωρος) de Cizico
96 – Nausífanes (Ναυσιφάνης) de Teos.
97 – Diotimo ( Διότμος) de Tiro
98 – Diotima de Mantineia
99 – Bion (Βίωνς) de Abdera
100 – Bolos (Βωλος)
101 – Protágoras (Πρωταγόρας) de Abdera
102 – Xeníades ( Ξενιάδης ) de Corinto
103 – Górgias (Γοργίας) de Leontino
104 – Licofron (Λυκόφρων)
105 – Pródico (Πρόδικος) de Ceos
106 – Trasimaco (Θρασύμαχος) da Calcedônia
107 – Hípias (Ιππίας) de Élis
108 – Antifão (Ἀντιφῶν) de Atenas
109 – Critias (Κριτίας) de Atenas

CRÍTIAS


Crítias[1], em grego Κριτίας, foi um filósofo, escritor e político grego, que viveu entre os anos de 460 e 403 a.C. Conforme Diógenes Laércio, era nascido de uma família nobre e de características oligárquicas, em Muníquia, Atenas, era filho de Calescros (Drópides II) e discípulo de Sócrates[2]. Ficou conhecido por ser tio avô de Platão[3] (tio de sua mãe) e um dos personagens mais cruéis dentre os Trinta tiranos estabelecidos em Atenas pelos espartanos, após sua vitória na guerra do Peloponeso.

DIÓGENES LAÉRCIO, Vida dos Filósofos mais Ilustres, III – Platão, filho de Ariston e de Perictione, a qual fazia remontar sua estirpe até Sólon, nasceu em Atenas. Irmão de Sólon foi Drópides, do qual foi filho Crítias e deste, à sua vez, Calescros, de quem nasceram Crítias, o dos Trinta e Gláucon. Deste nasceram Cármides e Perictione; e desta e de Ariston nasceu Platão, sexto descendente de Sólon. PLATÃO, Cármides 154b - Crítias: Cármides, o filho do nosso tio Gláucon e um primo meu. - Sócrates [para Cármides]: A família de seu pai de Crítias filho de Drópides, tem entre nós uma grande linhagem para os louvores que Anacreonte, Sólon  e muitos outros poetas.( DK 88 A 2 )

O primeiro registo histórico de Crítias, consta de um processo datado de 415 a.C. em que foi acusado, juntamente com Alcebíades, de ter participado na violação dos eremitérios, o local de sagrado de retiro dos eremitas, do qual foi inocentado graças ao depoimento de Andócides[4].
Dada sua origem oligárquica, num primeiro momento, teria apoiado um movimento que tentou estabelecer um regime oligárquico em Atenas, conhecido como Quatrocentos, adotando uma táctica que parece ter sido, como a de certos jovens nobres, fazer o jogo da democracia seduzindo o povo e controlando o seu voto pelo prestígio do verbo. Propôs, no ano de 408 a.C., numa de suas elegias, o regresso a Atenas de Alcibíades, com o qual posteriormente também se exilou[5], só regressando a Atenas após a derrota desta frente aos espartanos.
Quando Lisandro[6] impôs a Atenas, derrotada na guerra do Peloponeso que escolhesse trinta atenienses para governar a cidade, Terâmenes, que havia sobrevivido, graças à sua posição moderada, às punições impostas aos que se haviam rebelado na tentativa de golpe impetrada pela oligarquia ateniense no ano de 411 a.C. (ver Antifão), se opôs, alegando que a rendição garantia a Atenas a forma de governo de seus pais. Contra ele, Lisandro contra-argumentou, afirmando que Atenas já havia rompido o tratado por demorar em derrubar suas muralhas e, ao final da celeuma, Atenas, vencida, acabou escolhendo os Trinta, sendo Terâmenes  um deles e Crítias um outro. Quando este governo tirânico dos Trinta começou a prender os atenienses ricos, acusando-os de revolucionários  para serem executados após terem seus bens confiscados, Terâmenes novamente se opôs, sendo, desta vez, acusado por Crítias de trair do governo para o qual havia sido “voluntário”. Mesmo tendo realizado sua defesa e sendo inocentado perante o conselho dos Trinta, Terâmenes foi perseguido e assassinado no ano de 404 a.C., por soldados a mando de Crítias, o que acabou provocando uma revolta dos atenienses que perceberam o perigo de sua tirania. Crítias também é acusado pelos biógrafos Cornelius Nepos”[7] (Alcibíades 10) e Plutarco (Alcibíades 38.5)  de haver ordenado a morte de Alcibíades, que após a guerra havia se refugiado na Trácia.  Xenofonte, em suas Helênicas, II 4,8, indica que ele exercia o controle da cavalaria ateniense  e sobre os “Onze”[8] que agiram como os executores. Crítias acabou morrendo nos arredores de Atenas, quando lutava contra os democratas rebelados de Trasíbulo.
Das obras de Crítias existem ainda vários fragmentos, de importância desigual, em prosa e em verso. Em verso, existe as "Elegias", uma "Constituição da Lacedemónia", três tragédias: "Tenes", "Radamanto", "Piritoo" e um drama satírico: "Sísifo" contendo sua teoria acerca da origem da religião, concebida como um dispositivo político, onde os deuses teriam sido inventados para convencer. Em prosa, perderam-se os seus "Prólogos" de discursos políticos, a sua "Constituição dos Atenienses" e a "Constituição dos Tessálios", mas conservaram-se os fragmentos da "Constituição dos Lacedemónios". Crítias foi também o primeiro a escrever "Aforismos", assim como "Conversações" e um tratado perdido "Da Natureza do Amor ou das Virtudes".
Existem dois fragmentos de Politeai um em prosa e outro em verso. O fragmento em prosa inclui uma descrição dos tessálios, onde Crítias refere os seus modos extravagantes, e outra dos Espartanos. Crítias menciona os seus hábitos de beber, de vestir, de decoração e dança. O seu poema sobre os Espartanos tem como assunto central os seus hábitos de bebida, que eram muito moderados.
A chave para a compreensão do pensamento da Crítias é precisamente a ideia de que os homens são bons mais pelo exercício do que pela natureza, ou seja, para ele, os homens seriam iguais por natureza, diferindo apenas pela cultura. Portanto, o que distinguia para ele a aristocracia era a longa e difícil formação educativa que se lhe dava e que ela a si se dava.
Crítias traçou uma linha de demarcação nítida entre o sentir e o conhecer. Pensamento e sensações opõem-se como a unidade à multiplicidade. Esta distinção não faz, no entanto, anunciar, a posterior distinção entre a alma e o corpo. A teoria do carácter apareceu em Crítias como o elo de ligação entre a sua concepção do homem e a respectiva concepção política.
Crítias exaltava o esforço da formação voluntária em detrimento da espontaneidade natural, opondo a fragilidade da lei ao carácter que, quando presente em alguém, é inabalável. Para ele, o carácter (tropos) não podia pertencer à multidão, porque é próprio de um indivíduo. O homem superior que estaria acima das leis e, portanto, não as receberia senão de si próprio. Crítias via a lei como algo necessário à sociedade, mas que é imposta pela aristocracia e contestava a ideia da omnipotência da palavra, considerando a retórica boa apenas para o povo.
A contribuição significativa e original de Crítias parece ter sido uma clara distinção entre percepção através dos sentidos ( aisthanomai ) e compreensão através da mente ( gnômê ). 
Xenofonte caracterizou Crítias como um tirano implacável e amoral, cujos crimes acabariam por ser a causa da morte de Sócrates, uma vez que dentre as leis elaboradas por Crítias estava um decreto que proibia a "instrução na arte das palavras" (Xenofonte, Memorabilia 1.2.31). Xenofonte relata que Sócrates respondeu com uma resposta sarcástica: "se alguém fosse pastor e tornasse seu gado cada vez menos pobre, ele não concordaria que ele era um pastor ruim; no entanto, é uma grande maravilha, se alguém fosse um líder de um cidade e fez seus cidadãos menos e mais pobres, que ele não teria vergonha nem se consideraria um mau líder de uma cidade "(Xenofonte, Memorabilia 1.2.32). Embora seja a relação entre Crítias e seu ex-professor que Xenofonte pretenda negar, foi Cáricles, outro membro eleito para o conselho dos Trinta, quem ameaçou Sócrates com punição se ele não desistisse de fazer declarações contra o regime (Xenofonte, Memorabilia 1.2.37-38). 
Essa visão negativa de Crítias foi continuada por Filostrato, que o chamou de "o mais maligno de todos os homens" ( Vidas dos Sofistas, 1.16). Por outro lado, o retrato que Platão faz dele em quatro de seus diálogos ( Lísis, Cármides, Crítias e Timeu ) o apresenta como um membro refinado e bem-educado de uma das mais antigas e distintas famílias aristocráticas de Atenas e como um participante regular na cultura filosófica ateniense, e dizer, Embora reconhecendo que os trágicos acontecimentos do último ano da vida de Crítias tenham deixado uma imagem vívida de um político radical e brutal, ele frisa que Crítias também foi um participante regular e importante na cultura filosófica ateniense.

FILOSTRATO, Vida dos sofistas 1 1 6 - Crítias sofista não é o mal pelo simples fato de ter derrubado a democracia ateniense (na verdade a democracia teria caído por si só ao ter chegado a um ponto de exaltação onde nem mesmo os magistrados legítimos eram obedecidos). No entanto, uma vez que aparentemente tomou o lado dos lacedemônios, arteiramente entregou os  templos, através de Lisandro golpeado as paredes da cidade, impedia aos atenienses expulsos acomodarem-se em qualquer lugar da Grécia, ameaçando com hostilidade dos espartanos a todos que acomodassem um exilado de Atenas, superou  em crueldade e espírito sanguinário aos Trinta,  colaborou com os espartanos com um desígnio fora de todo lugar , com o propósito de que a Ática, esvaziada do gado humano, ficasse visivelmente abandonada para as ovelhas, para mim, sem dúvida, parece-me o homem mais perverso daqueles que são notórios por seu mal. E, se por falta de cultura, tivesse sido arrastado para esses excessos, poderia ter alguma força a tese daqueles que afirmam que sua corrupção era obra da Tessália e de seu ambiente. Porque pessoas sem instrução podem ser facilmente seduzidas na orientação de suas vidas. Porém, posto que ele  tenha recebido uma boa educação e compreendido os ensinamentos de muitos sábios bem como traçar sua linhagem até Drópides, que foi arconte em Atenas após Sólon, aos olhos da maioria não poderia escapar a acusação de ter cometido esses males por causa da perversidade de sua natureza. Certamente também é estranho o feito de que não se assemelhasse a Sócrates, o filho de Sofronisco, que desfrutou de uma reputação como o mais sábio e mais justo do seu tempo, com quem compartilhava suas indagações filosóficas Ao contrário, ele se tornou semelhante aos tessálios, um povo para quem a insolência desenfreada é habitual e que cultiva formas tirânicas em meio ao vinho. Contudo, nem mesmo os tessálios eram indiferentes à sabedoria; Pelo contrário, na Tessália, pequenas e grandes cidades seguiram as doutrinas de Górgias, com um olho para o filósofo da Leontini e teriam mudado para seguir Crítias, se ele tivesse feito para eles uma demonstração de sua própria sabedoria. Mas ele não cuidou disso, e antes,  ajudou a tornar mais opressivas suas oligarquias, através de suas conversas com os poderosos daquele país, seus ataques a todas as formas de democracia e suas calúnias contra os atenienses, a quem ele representava como responsáveis por muitos crimes. Assim, se essas considerações forem levadas em conta, seria, antes, Crítias, o corruptor dos Tessália, do que esses os corruptores de Crítias. Ele morreu, consequentemente, nas mãos dos partidários de Trasíbulo que restauraram a democracia. Alguns julgam que ele era um homem leal no momento da morte, já que ele usou a tirania como mortalha. Permita-me uma declaração: nenhum homem morre honrosamente em defesa de fins que ele escolheu erroneamente. Por todas essas razões, penso eu, sua sabedoria e suas obras receberam pouca atenção entre os gregos. Porque, se as palavras não se conformam com o caráter, parecerá que faríamos, como as flautas, com uma língua  estranha. Quanto à maneira de sua estilo, Crítias é moralizador e rico em ideias, muito capaz para a expressão solene, mas que não é próprio do estilo ditirâmbico, nem o que vai para as palavras poéticas, mas uma expressão constituída pelos termos mais apropriados e segundo a natureza. Eu também vejo que ele tem uma grande concisão, bem como uma aptidão violenta para o ataque, quando ele realiza uma defesa. Seu ativismo não é desmedido ou desnaturalizado (a falta de gosto no ativismo é bárbaro), mas, como relâmpagos, resplandece as palavras áticas de seu discurso. Unir sinteticamente  uma passagem para outra é uma elegância do estilo de Crítias, assim como uma exigência a invenção inesperada e expressão paradoxal. No entanto, o alento do seu discurso é um tanto curto, embora agradável e suave como a aura do Zéfiro. ( DK 88 A 1 )

PLATÃO, Timeu, 20 a – [Sócrates] Quanto a Crítias, todos os presentes sabem que não é leigo em nenhuma das matérias discutidas. [...] 20 d – [Crítias]  então escuta, Sócrates, uma história que, a despeito de ser considerada estranha, é, no entanto, inteiramente verdadeira, segundo declarou numa ocasião Sólon, o mais sábio dos sete. Sólon era – como ele próprio diz aqui e ali amiúde em seus poemas – um parente e amigo muito chegado ao nosso bisavô Drópides. Ora, Drópides contou ao nosso avô Crítias, que o velho, por seu turno, contou a nós, que as proezas desta cidade na antiguidade, cujo registro desaparecera ao longo do tempo e por conta do aniquilamento dos seres humanos, ... – 21- Eu contarei a tí. Trata-se de uma velha história ouvida por mim de um homem que não era jovem, pois realmente Crítias [o avô do sofista] naquela época, conforme sua informação, estava para completar noventa anos, enquanto eu tinha por volta de dez. – Escólio à passagem : Crítias era de natureza nobre e elevada, podia unir-se às reuniões filosóficas e, dentre os filósofos, era chamado profano e, entre os profanos, filósofo. Exerceu a tirania, ao seu um dos “Trinta” . ( DK 88 A 3 )

XENOFONTE, Recordações de Sócrates,[9]  I, 2, 12ss : - Entretanto, continua o acusador, Crítias e Alcibíades, que foram discípulos de Sócrates, causaram o maior mal ao Estado. Crítias foi o mais cobiçoso, violento e sanguinário dos oligarcas. Alcibíades o mais dissoluto e insolente dos democratas. Longe de mim, se estes dois homens fizeram algum mal à pátria, a intenção de justifica-los. Quais foram suas relações com Sócrates, eis o que pretendo esclarecer. Eram eles, por natureza, os mais ambiciosos de todos os atenienses. Queriam tudo feito por eles, que seu nome não tivesse igual. Sabiam Sócrates contente de pouco, senhor absoluto de todas as suas paixões e capaz de comandar a seu modo o espírito daqueles com quem falava. Sabedores disso e com o caráter que já lhes expus, acreditará alguém que fosse pelo desejo de imitar a vida de Sócrates e de sua temperança que lhe solicitavam a conversação, ou na esperança de, frequentando-o, tornarem-se bons oradores e hábeis políticos? A mim parece que, se um deus lhes tivesse concedido escolher entre o viver a vida inteira como viam viver Sócrates ou morrer, teriam preferido a morte. Esclareceu-os seu procedimento. Assim se julgaram superiores aos companheiros, abandonaram Sócrates para abraçar a política, móvel de sua ligação com ele. Objetar-me-ão, talvez, que Sócrates não deveria ter ensinado política aos que com ele conviviam antes de ensinar-lhes a sabedoria. Não o nego. Vejo, porém, que todos aqueles que ensinam praticam o que ensinam a fim de edificar pelo exemplo os que aprendem, da mesma forma que os estimulam pela palavra. Sei que Sócrates era para seus discípulos modelo vivo de valor e que lhes administrava as mais belas lições acerca da virtude e o mais que ao homem diz respeito. Sei que Crítias e Alcibíades se portaram com prudência enquanto conviveram com Sócrates. Não que temessem ser por ele castigados, mas por acreditarem então ser a tudo preferível o hábito da virtude. [...] Enquanto convivem com Sócrates, tanto Crítias como Alcibíades puderam, graças à sua ajuda, refrear as más paixões. Uma vez longe dele, Crítias, refugiado na Tessália, viveu em companhia de homens mais afeitos à ilegalidade que à justiça. Perseguido, por causa de sua beleza, por uma multidão de mulheres da mais alta categoria, corrompido por causa do crédito de que gozava assim na república como nas cidades aliadas, por um enxame de hábeis aduladores, honrado pelo povo, alcançando sem esforço a excelência do poder, Alcibíades relaxou-se tal esses atletas que, triunfando facilmente em todas as lutas, descuidam de todo exercício. [...] Mas, tendo percebido que Crítias, enamorado de Eutidemo, queria gozá-lo à maneira dos que abusam do próprio corpo para satisfazer seus desejos amorosos, esforçou-se me demovê-lo de semelhante intento, dizendo-lhe indigno de homem livre e indecente a amigo da virtude ir como mendigo solicitar algo do objeto amado, junto ao qual cumpre sobretudo fazer-se valer, e ainda mais solicitar coisa infamante. Crítias fazia ouvidos de mercador e não dava de si. Então se pretende haver Sócrates ante numerosa assistência e em presença de Eutidemo que Crítias lhe parecia ter tal ou qual semelhança com um porco, pois queria esfregar-se em Eutidemo como se esfregam os porcos nas pedras. Desde então Crítias se tornou inimigo jurado de Sócrates. Nomeado um dos Trinta com Cáricles, guardou-lhe rancor e proibiu por lei o ensino da retórica. ( DK 88 A 4 )

ANDOCIDES, 147 - Vá em frente, então! Vou ler os nomes daqueles que [Dióclides] incluiu na lista ... Crítias, também primo do meu pai. Suas mães eram irmãs. Se salvaram meu pai, meu cunhado, três primos e sete outros parentes que iriam morrer injustamente e que agora veem a luz do sol graças a mim. ( DK 88 A 5 )

DEMÓSTENES, 58, 67 -  Aristócrates, filho de Eclésia ... que realizou muitas ações gloriosas, quando a nossa cidade estava em guerra com os lacedemônios, depois de minar [a península] Etiópia, 4 em que os seguidores de Crítias estavam dispostos a acolher os lacedemônios, demoliu a fortificação e fez retornar a ela aos democratas.(DK 88 A 6)  

LICURGO, Contra Leócrates 113 - Por proposta de Crítias, a assembleia popular decretou condenar por traição ao falecido Frínico, assassinado em 411, e se se descobriu que, apesar de traidor, ele foi enterrado na pátria, exumem seus ossos e jogá-los fora dos limites da Ática. ( DK 88 A 7 )

ARISTÓTELES, Retórica, 1375 b 32 – Cleofonte, discursando contra Crítias, fez uso dos dísticos elegíacos de Sólon para censurar Crítias no que tocava à dissolução de longa data da família deste; pois, caso contrário, Sólon jamais teria dito: “Ordenai ao loiro Crítias que obedeça a seu pai”.  ( DK 88 A 8 )

XENOFONTE, Helênicas, II, 1-2 [Eleição dos Trinta] Ocorreu esta oligarquia da seguinte maneira: o povo decidiu eleger  trinta pessoas que compilariam as leis tradicionais conforme as quais se governaria. E foram eleitos os seguintes: Polícares, Crítias, Melobio, Hipóloco, Euclides, Hierón, Mnesíloco, Cremon, Terâmenes, Aresias, Diocles, Fedrias, Queréleo, Anecio, Pisón, Sófocles, Eratóstenes, Cáricles, Onomacles, Teognis, Esquines, Teógenes, Cleómedes, Erasístrato, Pidón, Dracóntides, Éumates, Aristóteles, Hipómaco, Mnesitides ( DK 88 A 9 )

XENOFONTE, Helênicas, II, 3, 15 ss- Oposição de Terâmenes: Nos primeiros tempos Crítias era da mesma opinião e amigo de Terâmenes, mas depois ele se inclinou a condenar à morte a muitos porque havia sido desterrado pelo partido democrático, e Terâmenes se opunha alegando que não estava bem condenar à morte a um porque era honrado pelo povo, mas que não havia feito nenhum dano às pessoas de bem, “posto que inclusive você e eu, afirmava, dissemos e fizemos muitas coisas para agradar à cidade”. Ele (pois ainda tratava familiarmente a Terâmenes) lhe replicava que não poderia ceder ante aos que desejavam ter mais, de modo que não impedisse tirar do meio aos mais capazes: “Mas se acreditas, porque somos Trinta e não um só, que se tem que utilizar menos em certo modo este poder como tirania, eres um ingênuo”. E como morriam muitos injustamente e se via reunir-se muitos e não sabiam onde pararia o regime, de novo Terâmenes alegava que seria impossível manter o regime oligárquico a menos que se tomassem um número suficiente de participantes nos assuntos políticos. Por isso Crítias e o resto dos Trinta, já cheios de temor, sobre o que os cidadãos acudissem a Terâmenes, formaram uma lista de uns três mil para participar dos assuntos políticos. Terâmenes, por sua parte, alegava com respeito a este  assunto que lhe parecia ridículo, primeiro porque queriam fazer partícipes aos melhores cidadãos, três mil, como se este número tivesse necessariamente por lógica que ser o dos perfeitos e não fosse possível encontrar pessoas competentes fora destes e depravados dentre eles. “Depois, disse, vejo eu que estamos fazendo duas coisas muito contraditórias, preparando-nos um  governo forte e à vez inferior aos governados”.  Estas ideias expunham Terâmenes. E os Trinta passaram em revista os três mil na ágora, e os de fora do catálogo em diversos lugares; logo ordenaram sobre as armas, enquanto aqueles que haviam ido enviaram a uns guardas e cidadãos de seu partido e retiraram as armas de todos, exceto dos três mil, as levaram à acrópole e as amontoaram no templo. Feito isto, com a ideia de que já podiam fazer o que quisessem, deram morte a muitos por inimizade, a muitos por suas riquezas. Decidiram igualmente, para poder pagar à guarnição, que cada um detivesse a um meteco, dar-lhe morte e confiscar seus bens. Ordenavam a Terâmenes deter a um qualquer. Ele respondeu: “Mas não me parece justo que nós, que nos proclamamos os melhores, façamos maiores injustiças que os sicofantas. Pois aqueles deixavam viver àqueles de quem retiravam os bens. Como estas ações não virão a ser totalmente mais injustas que aquelas?”, - [Crítias o acusa perante o Conselho) – Eles, considerando que Terâmenes era um obstáculo para que pudessem fazer o que desejavam, começaram a conspirar contra ele e privadamente o difamavam ante aos do conselho, um por um, com que solapavam o regime. Mandaram a uns jovens que lhes pareciam muito ousados apresentar-se com punhais sob os braços e convocaram o conselho. Quando Terâmenes esteve presente, levantou-se Crítias e falou assim: “ Conselheiros, se algum de vós considera que morram mais do que o conveniente, reflitam que onde existe trocas de regime em todas as partes ocorre isso; e que aqui é forçoso que haja numerosíssimos inimigos dos que trocaram a oligarquia por ser da cidade helênica mais povoada e por haver-se mantido o regime democrático em liberdade durante o maior tempo. Mas nós, conhecendo que a democracia é um regime hostil a homens como nós e vós, conhecendo que o regime democrático nunca seria grato aos lacedemônios que nos salvaram, ainda que os melhores sempre lhes permaneceriam fiéis, por ele, de acordo com os lacedemônios, estabelecemos este regime. E se vemos a alguém oposto à oligarquia, em quanto podemos lhe tiramos do meio; e muito mais ainda nos parece justo que seja castigado e se um de nós mesmos ataca a este regime. Agora, por certo, vemos Terâmenes, aqui presente, tratando de perdermo-nos a nós e a vós pelos meios que possa. Para ver que isto é verdade encontrareis, se refletires, que ninguém despreza mais a situação presente nem se opõe mais que Terâmenes quando queremos tirar de um meio a algum chefe do partido popular. E, se desde um princípio se houvesse pensado assim, seria um inimigo, mas não seria considerado com toda justiça um covarde. Mas agora ele, que foi o primeiro em conseguir a confiança e a amizade dos lacedemônios, e também a derrubada do regime democrático e sobretudo nos lançou a nós impor penas aos acusados ante vós, e agora que vós e nós temos chegado a ser inimigos declarados do povo, já não lhe agrada o que ocorre, para ele pôr-se a salvo e nós sofrermos castigo por nossos atos. Em resumo, que se lhe convém sofrer castigo não só como inimigo, senão também como traidor vosso e nosso. Pois a traição é tanto mais perigosa que a guerra, quanto mais difícil é guardar-se do invisível que do visível, e tanto mais odiosa quanto que os homens fazem pactos com os inimigos e à sua vez se prometem lealdade, mas a quem pegam em traição, com esse nunca ninguém faz pactos nem dá garantias para o futuro. E para que não vejais que este não faz nada de novo, senão que é um traidor por natureza, os recordarei o feito por ele. Bem, este, honrado pelo povo desde um começo à causa de seu pai Agnon, se voltou muito propenso a trocar a democracia pelos Quatrocentos e foi o primeiro entre eles. Mas, quando viu que se havia constituído um partido contrário à oligarquia, de novo se converteu no primeiro guia do povo contra eles. Daqui, sem dúvida, [pois] é alcunhado “coturno”.[Pois o coturno parece adapta-se bem a ambos os pés, e válido para ambos]. Mas é necessário, Terâmenes, que um varão digno da vida não seja hábil para levar adiante aos que estão com ele à ação, e se algo resiste, troque ao ponto de facção; senão afanar-se como em um navio, até que se ponham ao vento favorável. Pois, do contrário, como poderiam chegar alguma vez aonde devem, se quando algo sai do passo, imediatamente se põem a navegar em rumo contrário? E, por suposto, as trocas de regimes são portadoras der mortes, mas tu por tua versatilidade és culpado de que muitíssimos do partido oligárquico tenham perecido vítimas do partido democrático, muitíssimos da democracia vítimas dos estrategos para recolher os náufragos atenienses na batalha naval próxima de Lesbos, não havendo-os recolhido ele pessoalmente, senão acusando-os, deu morte aos estrategos para poder salvar-se, Mas verdadeiramente qualquer que mostre sempre preocupar-se por ter mais sem fazer caso da moral nem dos inimigos, como se vai jamais a perdoar-lhe a vida? Como nós  vamos nos guardar sabendo suas trocas, de modo que não nos possa fazer o mesmo? Nós. Pois, entregamos a este como conspirador e traidor nosso e vosso, Como prova de que a nosso juízo fazemos coisas razoáveis, considerem o seguinte. Bem, a constituição dos lacedemônios parece sem dúvida ser a melhor; e se ali tentassem um éforo em lugar de obedecer à maioria censurar à autoridade e opor-se a seus atos, não crês que ele seria julgado digno da máxima pela pelos próprios éforos e todo o resto da cidade? Também, vós, em consequência, se são razoáveis, não perdoareis a vida a este senão a vós mesmos, porque se este se salva, fará colher ânimos a muitos dos que se opõem, mas se parece, cortará a raiz das esperanças de todos, os da cidade e os de fora”.  – [Defesa de Terâmenes] Dito isto se sentou. E Terâmenes se levantou e disse: “Bem, primeiro vou recordar, varões, o último que disse contra mim. Declara que eu acusando aos estrategos lhes dei morte. Mas não comecei a falar contra eles realmente, senão que eles declararam que não haviam recolhido aos infortunados na batalha naval próxima de Lesbos, sem bem me foi ordenado por eles mesmos; e eu me defendi alegando que pela tempestade não era possível navegar nem muito menos recolher aos homens, e a cidade admitiu que eu alegava coisas razoáveis e aqueles davam a impresso de acusar-se a si mesmos; já que depois de declarar que era impossível salvar aos homens, partiram deixando-os perecer. Sem espanto, não me surpreende que Crítias tenha entendido mal, pois quando ocorria isto, casualmente não estava presente, senão que organizava a democracia na Tessália ao lado de Prometeu e armava aos peneses contra seus amos. Por certo que nada do que este fez ali ocorria aqui. Sem dúvida, no seguinte, ao menos estou de acordo com ele: Se alguém quer que acabe vosso poder e faz fortes aos que conspiram contra vós, é justo que obtenha a máxima pena. Quem é, sem dúvida, o que está fazendo isso? Creio que vós o podeis julgar muito bem se considerais que fez o que faz agora cada um de nós. Com efeito, enquanto vós os limitavam ao cargo de conselheiros e a serem designados magistrados e processar aos sicofantas declarados, todos éramos da mesma opinião, mas quando começaram a arrestar aos homens de bem, desde este momento também eu comecei a ser de opinião contrária. Pois sabia que morrendo o salaminho Leão, varão de prestígio autêntico e reconhecido e que não havia cometido a menor injustiça, os iguais a ele sentiriam medo e sentindo medo seriam contrários a este regime; assim mesmo reconhecia que arrestado Nicerato, filho de Nicias, homem rico e que nunca fez nada, igual que seu pai, pelo partido democrático, os iguais a ele nos seriam hostis. Assim mesmo quando Antifão foi condenado à morte por nós, já que havia proporcionado duas tirrenas rápidas durante a guerra, conhecia bem que os zelosos do Estado todos desconfiariam de nós. Protestei assim mesmo quando declararam que cada um de nós deveria deter a um meteco, pois era evidente que se pareciam estes, todos os metecos deveriam ser inimigos do regime. Protestei assim mesmo quando retiraram as armas do povo, pois não acreditava que fosse preciso debilitar a cidade, nem via que os lacedemônios ao desejarem salvar-nos foram pelo seguinte: que sendo poucos não poderíamos ser-lhes útil em nada, já que haviam podido, se não o houvessem precisamente, não deixar a ninguém, oprimindo um pouco mais de tempo com a fome. Nem o pagar à guarnição me agradou, quando se podia atrair a tantos cidadãos próprios até que chegássemos a dominar com facilidade os governantes aos governados. E realmente quando vi na cidade muitos contrários a este governo, a muitos que eram desterrados, não aprovava assim mesmo que Trasíbulo, Anito e Alcibíades fossem desterrados; pois deste modo a oposição seria forte, se somassem ao partido a maioria dos chefes prestigiados e se mostrava aos que queriam ser chefes muitos partidários. Bem, quem adverte isto publicamente seria considerado com justiça leal um traidor? Crítias, quem impede que os inimigos se multipliquem e quem ensina a adquirir muitos aliados esses não fortalecem aos inimigos, senão muito mais aqueles que se apoderam injustamente de riquezas e condenam à morte aos que não tenham cometido nenhuma injustiça, esses são aqueles que multiplicam aos contrários e traem não só aos amigos, mas inclusive a si mesmos à causa de uma ganância reprovável. E se não é possível reconhecer de outra maneira que digo a verdade, examinem a seguinte: Acreditais que Trasíbulo, Anito e os demais desterrados prefeririam que ocorresse aqui algo do que digo eu ou que estes fazem? Por suposto, eu acredito agora que eles pensam que tudo está repleto de aliados; mas se o melhor da cidade nos fossem favoráveis reconheceriam ser difícil inclusive pisar em qualquer ponto do território. De outra parte, sobre o que disse, que eu sou capaz de trocar em qualquer ocasião, considerai isto: efetivamente o governo dos Quatrocentos o votou o mesmo partido democrático, informado de que os lacedemônios dariam mais fé a qualquer governo antes que à democracia. Mas quando aqueles não afrouxaram nada o grupo de estrategos de Aristóteles, Melantio e Aristarco foram descobertos quando construíam um parapeito no dique pelo que queriam receber aos inimigos e submeter a cidade a si mesmos e a seu grupo, se eu ao adverti-lo o impedi. É isto ser um traidor dos amigos? Me aplica também o nome de coturno na ideia de que tento adaptar-me a ambos os partidos; mas a qualquer que não agrade a nenhum dos dois, a estes, deuses, que devemos chamar? Pois tu na democracia eras considerado o mais odiado de todos os do regime democrático e na aristocracia tem chagado a ser o que de todos tens mais ódio aos homens de bem. Mas eu, Crítias, sempre combato àqueles que não acreditam que exista uma democracia autêntica se os escravos e os que estão dispostos a vender a cidade por uma dracma não participam do poder; e à sua vez sempre sou adversário destes que não acreditam que se implante uma oligarquia autêntica antes de dispor que a cidade seja tiranizada por poucos. Sem dúvida, ao administrar o poder com os que podem defende-lo com cavalos e escudos reconheceria com anterioridade que era o melhor, e agora não troco. Contudo, se podes dizer um exemplo de que eu tentei privar do governos aos homens de bem tanto com um regime democrático com um tirânico, diga-o. com efeito, se estou convicto de fazer isso agora ou de tele feito antes alguma vez, confesso que morreria com justiça depois de sofrer os últimos suplícios.”. Quando terminou de dizer este discurso o conselho se manifestou favorável apoiando-o com grito, se deu conta Crítias de que se encarregava ao Conselho votar sobre ele, que lhe escaparia e, estimando que não poderia suportar este resultado, saiu depois de aproximar-se e falar  um momento com os Trinta, e ordenou aos que tinham os punhais colocar-se à vista do Conselho junto da vala que separava os conselheiros do público. Logo voltou a entrar e disse: “Eu considero, ó Conselho, que é função do presidente que é, como deve ser, ao ver aos amigos enganados, não consenti-lo. Y eu, pois o farei, já que também estes que estão de pé dizem que não nos consentiriam, se soltarmos a um homem que dana publicamente a oligarquia. Estas as novas leis que nenhum dos três mil seja condenado à morte sem vosso voto, mas aos que não estão no catálogo os Trinta tem plenos poderes para matar. Eu, pois, digo, apago a este Terâmenes do catálogo com o consentimento de todos nós. E a este, somou, nós o executamos”. Quando Terâmenes o ouviu, saltou sobre o altar de Héstia e disse: - “Conselheiros, eu peço ante o tudo que é mais legal – disse – que Crítias não tenha o poder de apagar nem a mim nem a qualquer de vós, mas a mesma lei que eles redigiram sobre os do catálogo, segundo ela sejamos julgados vós e eu. Deuses, não ignoro isto, que de nada me servirá este altar – disse – mas quero mostrar que eles não só são os mais injustos entre os homens, senão que também os mais ímpios ante os deuses. Sem dúvida, me surpreende de vós, homens de bem, disse, se não defendeis a vós mesmos, pois conheceis que meu nome não é nada mais fácil de apagar que o de  cada um de vós”. Depois disso, o líder dos Trinta deu ordens aos Onze de prender Terâmenes.  Aqueles entraram com os ajudantes, guiados por Sátiro, o mais audaz e sem escrúpulos, e disse Crítias: “Os entregamos a Terâmenes – afirmou – a este, condenado segundo a lei. Vos detenham-no e levem-no aonde seja preciso e executem o demais.” Quando disse isto, Sátiro o arrancou do altar, o arrancaram também os ajudantes. Terâmenes, como se pode esperar, chamava aos deuses e homens para que vissem o que acontecia. Mas o Conselho permaneceu quieto ao ver aos que da vala do mesmo caráter que Sátiro e à parte diante do Conselho cheia de guardas e não ignorar que estavam ali com punhais. Eles o levaram através da ágora mostrando com seus grandes gritos o muito que sofria. Se disse dele esta frase: como lhe disse Sátiro que se lamentaria se não se calasse, perguntou: “Mas se calo, me lamentarei? E depois que obrigado a morrer bebeu a cicuta afirmavam que havia derramado o resto como se jogasse ao azar: “Isto é para o belo Crítias". ( DK 88 A 10 )

Lísias, XII43 Após a batalha naval [de Egospótamo1 ter sido travada e o infortúnio recair sobre a cidade, enquanto a democracia ainda estava no poder, como o início das lutas internas, eles foram estabelecidos pelas chamadas heterias, cinco éforos, como organizadores dos cidadãos, mas, na realidade, líderes dos conspiradores que praticavam uma política contrária aos interesses de sua democracia. Entre eles estavam Erastóstenes e Crítias. Estes colocavam filiarcados à frente das tribos e davam instruções sobre o que deveria ser votado e as pessoas que tinham que exercer as magistraturas e tinham plenos poderes para qualquer outra ação política que desejassem realizar. ( DK 88 A 11 )

XENOFONTE, Helênicas,  II 4, 9 – Depois disso os Trinta já não consideravam segura a situação para si e decidiram apoderar-se de Eleusis de modo que lhes servisse de refúgio, se fosse necessário. Depois de dar as ordens pertinentes à cavalaria vieram e Eleusis Crítias e o resto dos Trinta. [ Trasíbulo no Pireo] Depois disto Trasíbulo com os reunidos em File, uns mil já, chegou à noite ao Pireo. Os Trinta, quando se inteiraram, imediatamente acudiram com os lacônios e com os cavaleiros e hoplitas e avançaram pelo caminho de carros que levava ao Pireo. Os de File tentaram durante certo tempo impedi-los de subir, mas logo, como o recinto amuralhado era grande e lhes parecia que necessitavam uma numerosa guarnição quando ainda não eram muitos, se concentraram em Muníquia. Os da capital chegaram à ágora de Hipodamos[10] e primeiro formaram para ocupar o caminho que levava ao templo de Artêmis Muníquia e ao templo de Bendis[11]. [...] Mas os demais venderam e os perseguiram até a planície. Ali morreram Crítias e Hipômaco dentre os Trinta, Cármides, filho de Gláucon, dentre os dez arcontes do Pireo, e setenta dos demais. ( DK 88 A 12 )

Escolio para Esquines -  I 39, p. 261-  Uma indicação da política dos Trinta é também a seguinte: no túmulo de Crítias, um dos Trinta, puseram a Oligarquia com uma tocha nas mãos, na atitude de atear fogo à Democracia, acrescentando a seguinte inscrição: “ Este é o túmulo de homens gloriosos, que a devassidão do povo amaldiçoado de Atenas conteve por um breve momento.” ( DK 88 A 13 )

ARISTÓTELES, Retórica, 1416 b 26 – Convém indicar somente os fatos conhecidos e, assim, o ouvinte geralmente dispensa sua narração. Por exemplo, se o desejo é louvar Aquiles, todos conhecem os fatos de sua vida; consequentemente, basta utilizá-los com propriedade; será diferente se o louvor for o de Crítias, já que poucas pessoas o conhecem, impondo-se, assim, a necessidade na narração.
( DK 88 A 14 )

ATENÁGORAS, IV 184d - Camaleonte de Heráclea em seu trabalho intitulado Propéptica afirma que todos os lacedemônios e os tebanos aprenderam a tocar a flauta, como ainda faziam, em seu próprio tempo, os cidadãos de Heráclea do Ponto e como o mais ilustre dos atenienses, Cálias o filho de Hipônico e Crítias o filho de Calescros. ( DK 88 A 15 )

PLUTARCO, Vida dos Dez Oradores I, 1 832d-e  - Até onde podemos lembrar, voltando ao tempo mais antigo, como cultura desse tipo de discurso, ver-se-ia que eles seguiram os passos de Antifão [de Ramnunte], quando ele já era um ancião, como Alcibíades, Crítias, Lísias e Aquino. ( DK 88 A 16 )

CICERO, Do Orador, II 23,93 - A estes [os oradores Péricles, Alcibíades, Tucídides] seguiram Crítias, Terâmenes, Lísias. Existem muitos escritos de Lísias; alguns de Crítias. De Terâmenes, só sabemos o que lemos nos outros. Todos, mesmo assim, mantinham o vigor característico de Péricles, mas sua dicção era algo mais florido.
FILOSTRATO, Cartas 73 K. Sabe-se que Crítias e Tucídides adquiriram a elevação e a severidade de seu estilo [de Górgias], adaptando cada um a seu modo, o por meio de eloquência, o outro, de vigor. ( DK 88 A 17 )

DIONÍSIO DE HELICARNASSO – Lísias  2 -  [ Lísias ] é muito puro de estilo e um modelo perfeito de língua ática, no que aquela antiga que empregaram Platão e Tucídides, senão da habitualmente usada em seu tempo, tal como se pode deduzir dos discursos de Andocides, de Crítias e de muitos outros. ( DK 88 A 18 )

HERMÓGENES, Das formas oratórias II 11, 10, p. 415, 27 – Rabe sobre Crítias... Ele também é grave de maneira semelhante à Antifão e elevado à magnificência e à sua dicção normalmente expressiva; entretanto, seu estilo é mais puro e, na construção dos períodos, rigoroso, de modo que fica claro enquanto elevado e organizado. Ele também tem sinceridade e persuasão em muitos de seus discursos e especialmente em seus Proêmios para discursos políticos. Imoderadamente cuidadoso, no entanto, ele não usa tal ornamento de maneira simples, nem, à maneira do Antifão, com uma busca feita à saciedade e precisão, mas de uma maneira que participa, também neste aspecto, da verossimilhança.  Dos outros gêneros do caráter da exposição, como moderação, simplicidade e outros por seu estilo, não faz muito uso. ( DK 88 A 19 )


FRINICO, Preparações Sofísticas [ Fócio, biblioteca, 101 b 4 ) – Modelos, normas e exemplo perfeito de autêntico e puro estilo ático afirma que [ são Platão, os dez oradores, Tucídides, Xenofonte, Esquines socrático], Crítias, o filho de Calescros e Antístenes. ( DK 88 A 20 )

FILOSTRATO, Vida dos Sofistas II 1, 14 – [Herodes ático] se interessava por todos os antigos; com Crítias, imperou, se havia identificado e o introduziu nas maneiras dos gregos, quando até então, havia estado esquecido e desprezado. ( DK 88 A 21 )

FILOPONO[12], Comentário ao De Anima, de Aristóteles - 89, 8 – Se fala [Alexandro de Afrodisia] que Crítias, um dos Trinta, que foi discípulo de Sócrates ou de algum outro, não o discutimos. Sem dúvida, dizem que existiu outro Crítias sofista, ao que pertencem os escritos que circulam com seu nome, segundo diz Alexandro. Pois, de acordo com ele, Crítias dos Trinta não escreveu nada mais que Constituições em verso. ( DK 88 A 22 )

ARISTÓTELES, De Anima, I 2, 405 b 5  - Mas outros declaram que a alma é sangue, como Crítias, supondo que é muitíssimo peculiar à alma o perceber e que ele subsiste por causa da natureza do sangue. ( DK 88 A 23 )


FILOPONO, Comentário ao De Anima, de Aristóteles – 9, 19 – Crítias. Um dos Trinta: afirmava que a alma é sangue. Sua afirmação é como segue: “sangue que envolve seu coração é o pensamento dos homens” ( DK 88 A 24 )

Fragmentos Poéticos:

HEXAMETROS

ATENÁGORAS, XIII, 600 d – Por haver celebrado continuamente a Eros em seus poemas, o sábio Anacreonte está na boca de todos. Também o excelso Crítias disse dele o seguinte: Téos fez zarpar para a Grécia ao doce Anacreonte, que outrora tecera canções de femininos acentos, sal dos simpósios, sedutor de mulheres, rival das flautas, amante da lira, que entre prazeres, sem conhecer a dor viveu. Nunca afeição por você saberá velhice ou morte, enquanto a água misturada com vinho nos copos que o escravo distribui, movendo aos brindes para a direita, e coros de mulheres frequentam festas sagradas da noite, e a bandeja, filha do bronze , instala-se nos altos picos do κότταβος (Cótabos)[13], expostos à chuva fina de Bromo. (DK 88 B 1 )



ELÉGIAS DE CRÍTIAS

ATENÁGORAS, 1, 28 b – E Crítias, desse modo [faz um inventário das características de cada cidade]: "O cótabo é ... um troféu". E a cerâmica ática é o objeto de um verdadeiro elogio. Primeiro de tudo, a invenção de cótabo vem de um jogo siciliano, assim como os sicilianos sua primeiros inventores, como Crítias, o filho de Calescros em suas elegias com estes versos diz: "... vamos colocar o cótabo." BEKKER, Anecdota Graeca, Léxico I 382, 19 - "Ajuda das palavras", assim, o tirano Crítias chamou as letras. Da Sicília vem o cótabo, um excelente jogo, em que olho de boi colocamos os dardos do vinho; então, o carro siciliano, insuperável em beleza e beleza ... O trono da Tessália é sede suave para os membros; A suprema beleza do leito nupcial possui Mileto e Quios, a cidade marinha de Enopio. O conjunto de taças de ouro tirreno não tem rival ou objeto de bronze útil, seja ele qual for, que adorne a casa. Os fenícios inventaram as letras, auxílio das palavras, e Tebas construído, em primeiro lugar, o carro de guerra e os canos,  administradores do mar, navios de carga, e o tomo, o filho da terra e do homem, cerâmica ilustre , útil despenseira, inventou a cidade que em Maraton ergueu o glorioso troféu. ( DK 88 B 2 )

MÁLIO TEODORO[14], Do metro, p. 19 – Crítias afirma que o metro do hexâmetro dactílico foi inventado originariamente por Orfeu.( DK 88 B 3 )

PARA ALCIBÍADES

HEFESTOS, 2, 3 – [ Sobre a sinicesis ] ... ou dois breves são contraídos em um único breve, como é nos outros metros ... mas raramente no verso épico. Assim Crítias na Elegia a Alcibíades considerou que o nome de Alcibíades não cabia no verso. De fato, ele diz: E agora eu vou coroar o filho ateniense de Clinias, cantando para Alcibíades com novos ritmos, já que não era possível adaptar seu nome a uma elegia, no entanto, no jambo (pé do verso) ele estaria de acordo com a medida. ( DK 88 B 4 )

PLUTARCO, Alcibíades 33  - O decreto do retorno [de Alcibíades] havia sido previamente sancionado, sob proposta de Crítias, filho de Calescros, como ele próprio escreveu em suas Elegias, lembrando Alcibíades do favor com estes versos: A proposta que te devolveu do exílio, antes de tudo eu a apresentei e defendi, conseguindo o propósito. Nestes versos é o selo da minha língua. ( DK 88 B 5 )

CONSTITUIÇÕES EM VERSOS

CONSTITUIÇÃO DOS LACEDEMONIOS

ATENÁGORAS, X 432 d – Os lacedemônios não tinham costume de fazer os brindes habituais nos simpósios nem de levantar, por meio deles, a taça em sinal de amor mútuo. Da provas disso Crítias em suas Elegias: Existe também em Esparta este costume e prática: beber da mesma taça que contém o vinho e não dedicar-se os brindes, dizendo os nomes, nem fazia da mão  direita, arredor da companhia ... uma mão líbia da Ásia inventou os jarros e para oferecer os brindes à mão direita e convidar pelo nome aqueles que querem levantar os seus copos. Após essas libações, eles liberam línguas em conversas vergonhosas e o corpo mais fraco retorna. Um nevoeiro que ofusca a visão fica no olho, o esquecimento dissolve a memória das entranhas, a mente, fora de si mesma, desaparece. Como servos, eles observam um comportamento dissoluto. E em cima disso, um lixo estragado é reduzido. Os jovens lacedemônios bebem na medida em que levam o coração de todos à esperança festiva, e a língua à serena alegria e ao riso moderado. Beber dessa maneira é benéfico para o corpo e para a mente e a fazenda. E bem, isso se adapta às obras de Afrodite e ao sonho, que é o porto das dificuldades, e à Saúde, para os mortais a deusa mais deliciosa  e à Moderação, vizinha da Piedade. Continue, então, como segue: Além da medida dos brindes, embora no momento busque prazer, trazem dor para o futuro. O modo de vida espartano é disciplinado, comendo e bebendo com medida para poder pensar e trabalhar. Não há dia fixo para encher o corpo de vinho com libações sem uma história. ( DK 88 B 6 )

Escólio a Eurípedes – Hipólito 264 – De um dos Sete Sábios é a sentença: “Nada em demasia”, que costumam atribuir a Quílon, como faz Crítias. DIÓGENES LAÉRCIO, 141 [ 10 a I, 41 ] [Sem indicar o nome do autor] Foi um lacedemônio, o sábio Quílon. Quem disse esta sentença: “nada em demasia. No momento oportuno tudo resulta belo”. ( DK 88 B 7 )

PLUTARCO. Cimom, 10 – Crítias, foi um dos Trinta, deseja para si, nas Elegias  a riqueza dos Escópades, de Cimom. A magnanimidade, e de Arcesilau, o lacedemônio, as vitórias ganhas. ( DK 88 B 8 )

ESTOBEU, Florilégio, III 29,11 – De Crítias: Mais bons existem pelo estudo do que pela natureza. ( DK 88 B 9 )

DRAMAS

Vida de Eurípedes,  135, 53  – Destes [os dramas de Eurípides] três são espúrios: Tenes, Radamanto e Piritoo ( DK 88 B 10 )

ESTOOBEU, Florilégio,  2, 25 – Eurípedes em Tenes: Ai! Nenhuma justiça rege aos homens de hoje. ( DK 88 B 12 )

RADAMANTO

Final de um argumento conservado em um papiro editado por Gallavoti (1933) – [Castor, irmão de Pólux] foi morto em combate singular. Satisfeito Radamanto pela vitória, mas magoado por suas filhas, Artêmis apareceu a Helena e lhe ordenou render honras fúnebres a seus dois irmãos mortos e anunciou que suas filhas se converteriam em deusas. * DK 88 B 12 a )

BEKKER, Anecdota Antiaticista, 94, 1 – “Extrair” [exairéin] em lugar de “detrair” [ aphaireín] (= matar). Eurípides em Radamanto: Porque não existe ninguém que possa nos matar. ( DK 88 B 13 )

ESTRABÃO, VIII 356 – Eurípedes... em Radamanto: Quem ocupa a terra de Eubeia, cidade vizinha. ( DK 88 B 14 )

ESTOBEU, Florilégio, II 8, 12. IV 10, II, 61 – Radamanto de Eurípedes: Toda classe de amores existem em nossas vidas: um deseja alcançar a nobreza; outro, em troca não se cuida disso, senão que quer ser proclamado nas casas pai de muitas riquezas, a outro lhe apraz, sem uma só palavra sensata de seu coração, arrastar a seus próximos a temerária ousadia. Outros mortais perseguem o lucro infamante antes do bem. E assim a vida do homem é um errar. Eu, de minha parte, não quero obter nada disso, mas quisera gozar a glória da fama. ( DK 88 B 15 )

PIRITOO

Papiros de Oxirrinco[15]  17, 36 ss – Cinco fragmentos do papiro 2078 conforme Hunt - com restos de 85 versos: Pertencem ao prólogo da tragédia. Dos cinco primeiros versos só se podem ler algumas palavras soltas – Piritoo: um deus loucura... enviou funesta cegueira: [Ixión] depois de haver obtido como esposa a Nefele, um rumor desbordante de soberba difundiu entre os tessálios, que se havia unido à filha de Cronos...por tais jactâncias...devia pagar aos deuses uma pena... atado à roda da loucura... furiosos rodava...ignorado pelos homens. E nem sequer uma tumba lhe deu cobertura, mas pela violência das Bóreas foi despedaçado...Por haver cometido meu pai uma falta contra os deuses...eu devo... suas desgraças. – Héracles: ...doce me parece – Teseu [No] .. te reprovo, Héracles, [mas devo ficar], porque é desonroso trair a um amigo leal, avessamente apressado – Héracles: Um propósito digno de ti, Teseu, e de Atenas tem pronunciado. Pois dos desventurados eres sempre aliado. Para mim, porém, é uma infâmia voltar a minha pátria, alegando desculpa. Com quanto prazer crês tu que Ruristeu, se chega a saber que te ajudei em tua empresa, dirá que o esforço empenhado resultou infrutífero? – Teseu: Para o que queiras, terás, em todo o caso, meu afeto, que não é inconstante, senão o de um homem livre que odeia a seus inimigos e quer bem a seus amigos. Antes se dizia que tu a mim... podias dizer, sem dúvida...    ( DK 88 B 15  a)

JOÃO DIÁCONO, Comentário para Hermógenes – GREGÓRIO DE CORINTO,  Comentário para Hermógenes, 449, 8 – Também Eurípides: "Zeus, como disse" narrativa, "de acordo com a verdade" confirmação. Este verso é encontrado em dois dramas intitulado por Eurípides,  Piritoo e  Melanipe a Sabia. Não é inapropriado expor os argumentos e passagens desses dramas para aqueles que amam a erudição. Bem, o argumento de Piritoo é o seguinte: Piritoo, por ter descido ao Hades, em companhia de Teseu, pretendendo a Perséfone, recebeu o castigo apropriado. Acorrentado ao assento imóvel de uma pedra, estava guardado pelas mandíbulas abertas das cobras. Teseu, por outro lado, desde que ele considerou desonroso abandonar seu amigo, preferiu a existência no Hades a vida terrena. Em seguida, Héracles, que tinha sido enviado pelo Euristeu para caçar Cérbero, domesticado por forçar a besta e companheiro de Teseu, pela graça dos deuses infernais, livre da necessidade que eles eram, alcançando assim com uma única ação batendo o seu oponente, a besta, obtenha uma graça dos deuses e mostre sua misericórdia para com alguns amigos em desgraça. Bem, neste drama é introduzido Aeacus quem dirige estas palavras a Héracles: -  Aeacus: Ei! O que acontece? Eu vejo que alguém, resolvido, aqui está indo com pressa e propósito ousado. É justo, estrangeiro, que você diga quem você é e a razão pela qual você aborda esses lugares. Depois, Héracles diz a ele - Héracles: Eu não tenho dúvidas em revelar todas as minhas razões. Argos é minha terra natal e meu nome, Héracles. Do pai de todos os deuses, de Zeus, eu nasci. Que minha mãe veio, o tálamo ilustre, Zeus, como dito acima, de acordo com a verdade, eu venho aqui pela força de Euristeu, cedendo ao mandato, em que caminho me pus para trazer vivo o cão Hades aos portões de Micenas. Não era seu desejo vê-lo, mas ele acreditava, com isso, ter encontrado uma façanha para mim inatingível. Nas pegadas de uma empreitada tão grande, cheguei aos  lugares mais remotos da Europa e da Ásia inteira. ( DK 88 B 16 )

ATENÁGORAS, XI, 496 a – Podem praticá-lo em Eleusis, no último dia dos mistérios, ao qual, por prática, chamam Plemocoas.. Dele faz menção o autor de Piritoo, trata-se do tirano Crítias ou de Eurípides, com o seguinte teor: para derramar estes copos, com palavras de bom augúrio, no cume que se abre aos infernos... ( DK 88 B 17 )

CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Stromatei (Miscelânea) V 35 - As representações que aparecem na arca sagrada revelam os segredos do mundo inteligível, oculto e excluído para o vulgar. Certamente essas imagens de ouro, com seis asas cada, representam as duas ursas, como alguns afirmam, ou, melhor ainda, os dois hemisférios; Seu nome de Querubim quer designar um conhecimento profundo. No entanto, ambos têm doze asas e, por meio do círculo zodiacal e do tempo que passa por ele, revelam o mundo sensível. Segundo creio, também a tragédia filosófica diz: "incansável ... ao polo". Escólio para Aristófanes , Aves,  179. Os antigos não usam a palavra "pole" no sentido de que eles fazem os modernos, como um limite de ponto e eixo, mas uma vez que contém tudo. Eurípides em Piritoo diz que "também o monitoramento do polo Atlântico", sugerindo que gira em torno de tudo e que tudo se move através dele: O tempo incansável, cheio de um fluir eterno, gira ao redor, engendrando-se a si mesmo e ursas gêmeas, com o bater rápido de suas asas, observam o polo do Atlântico. Atlante, o polo que não experimenta movimento, também pode ser a esfera fixa [das estrelas], mas, talvez, seja melhor concebê-lo como uma eternidade imóvel. ( DK 88 B 18 )

CLEMENTEDE ALEXANDRIA,  Stromatei (Miscelânea) V35 [Em sua tragédia Piritoo o mesmo autor [Eurípides] diz em estilo trágico o seguinte: Para você espontaneamente nascido, para você que, na espiral etérea, entrelaça a natureza de todas as coisas, ao redor de você a luz, a noite escura de variados esplendores e a confusa multidão das estrelas dançam sem cessar. Nesta passagem ele chama de “nascida espontaneamente" à inteligência criadora,  o que se segue, por outro lado, fazendo referência ao universo, entre o qual há também a oposição da luz e escuridão. ( DK 88 B 19 )

PLUTARCO, Da Pluralidade de Amigos, VII, 96 c – Alguns, sem haver obtido proveito algum da fortuna de seus amigos, perecem, em troca, junto com eles na desventura. E isso lhes ocorre especialmente aos filósofos e `s pessoas distintas, como lhe sucedeu a Teseu com Piritoo castigado e encarcerado: “Submetido com não folhados grilhões, ao julgo do respeito” – ( DK 88 B 20 )

ESTOBEU, Florilégio, II 8, 4 – De Eurípides em Piritoo: O primeiro que disse com mente acostumada acertou, alcunhando a nova sentença que diz: a fortuna se faz aliada dos prudentes. ( DK 88 B 21 )

ESTOBEU, Florilégio, III 37,15 – Do Piritoo: Mais firme que a lei é um sólido caráter, pois a este jamais poderá dobrar um orador, àquela, em troca, com seus discursos, retorce e, com frequência, desonra. ( DK 88 B 22 )

SISIFO SATÍRICO
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SEXTO EMPÍRICO, Adv. Math. (Contra os Matemáticos) 1 X 54 -  Também Crítias, um dos que exerceram a tirania em Atenas, parece ter pertencido ao grupo dos ateus, já que afirmou que os antigos legisladores forjaram a divindade como uma espécie de supervisor de sucessos e erros humanos, de modo que ninguém faria isso. em segredo, nenhuma injustiça ao seu próximo, para se proteger contra a punição divina. Suas palavras são as seguintes; «Houve um tempo ... há uma raça de deuses». AÉCIO, 1 7, 2 - Nem o tragediógrafo  Eurípides se mostrou  disposto a revelar-se, com medo do Areópago; no entanto, ele mostrou o seu pensamento da seguinte maneira: ele apresentou Sisifo como o representante desta opinião e defendeu esta teoria do seu caráter: "Houve um tempo ... da força escrava" [1. 2], em seguida, afirma que a ilegalidade foi abolida pela introdução da lei. Mas, como a lei poderia prevenir crimes evidentes, mas muitos ainda cometiam, em segredo, injustiças, então um homem sábio estabeleceu que era necessário cegar a verdade com raciocínio falso e convencer os homens de que "existe um deus ... quem tem uma mente »[17. 18]. Portanto, deixe Eurípides também dizer "a faz estrelada do céu ... o sábio artesão" [33. 34]. Houve uma época em que a vida do homem não tinha ordem, era uma vida bestial, uma força de escravos, uma época em que não havia recompensa pelo bem nem punição para os ímpios. Então, creio eu, os homens estabeleceram leis punitivas, de modo que a justiça era um soberano imparcial para todos e a insolência era sua escrava. Assim, todos que erraram receberam punição. Algum tempo depois, pois as leis impediam pela força, cometendo homens crimes manifestos, embora, escondidos, ainda cometendo-os, então eu acho que, pela primeira vez, uma mente , um homem astuto e sábio inventou, para o bem dos homens, o temor dos deuses, de modo que os ímpios temiam, se cometiam, escondidos algum mal, obra, palavra ou pensamento. Ele introduziu, portanto, a noção do divino, dizendo que há um deus, florescente da vida imortal, que ouve e vê com inteligência, que possui uma mente e rege o universo, revestido de natureza divina. Este deus ouvirá o quanto, entre os homens, é dito, e terá poder para ver todas as suas ações. Se, por acaso, máquinas, em silêncio, algum mal, não escapa à atenção dos deuses. Porque neles há providência. Com estas razões, ele introduziu a doutrina mais doce, escondendo a verdade com um argumento falso. Ele disse que os deuses habitam lá onde eles mais poderiam aterrorizar aos  homens, de onde, segundo compreendeu, vêm os medos humanos, as dificuldades de suas vidas miseráveis: da esfera suprema, de onde via surgir relâmpagos e ouvia os horríveis sons do trovão e da face estrelada do céu, um belo retábulo de Cronos, o sábio artesão, através do qual anda esplêndida a massa ardente do sol [5] e de onde a chuva húmida cai sobre a terra. Tais terrores ele colocou ao redor dos homens, através dos quais ele firmemente estabeleceu, com sua razão: neles, o poder divino e no lugar certo, e extinguiu, com as leis, a ilegalidade que reinava. E, depois de expor alguns argumentos breves, ele acrescenta: Desta forma, acredito, que alguém, pela primeira vez, persuadiu os homens a acreditarem que existe uma linhagem de deuses. ( DK 88 B 25 )

DE DRAMAS INCERTOS

ESTOBEU, Florilégio, I 8, 11 – Atrás da sobra, veloz, envelhece o tempo. ( DK 88 B 26 )

ESTOBEU, Florilégio, III 14, 2 – De Crítias: Quem, no trato com seus amigos tudo por seu próprio prazer realiza, o prazer imediato, no tempo futuro, em ódio transforma.  ( DK 88 B 27 )

ESTOBEU, Florilégio III 23, 1 – De Crítias: Perigoso é o caso em que o não inteligente o parece. ( DK 88 B 28 )

ESTOBEU, Florilégio, IV 33, 10 – De Crítias: É preferível ter, compartilhando a casa, uma torpe riqueza a uma sábia pobreza. ( DK 88 B 29 )

FRAGMENTOS EM PROSA

CONSTITUIÇÃO DOS TESSÁLIOS 

ATENÁGORAS, XIV 662 f – Se admite geralmente que os tessálios foram os mais faustosos dos gregos em sua forma de vestir e de viver. Essa foi precisamente a causa de que eles atraíram à Grécia os persas, cujo luxo e boato invejavam. Do luxo deles informa também Crítias na Constituição dos Tessálios.  ( DK 88 B 31 )

CONSTITUIÇÃO DOS LACEDEMONIOS  

CLEMENTE DE ALEXANDRIA, Stromatei, V 19 - Tendo composto, em outra ocasião, Eurípides estes versos (fragmentos 525, 4, 5 N.): «De um pai e uma mãe que enfrentam uma dura existência, nascem melhores filhos», escreve Crítias: «A partir do nascimento do homem” De que maneira poderia adquirir perfeição corporal e vigor supremo? Se seu pai fizesse exercícios físicos, comera solidamente e trabalhasse o corpo, e a mãe do futuro filho,  teria um corpo forte com exercícios físicos.  ( DK 88 B 32 )
ATENÁGORAS, XI 463 e - Cada cidade tem seu próprio jeito de beber, como nos mostra Crítias na Constituição dos Lacedemônios com estas palavras: «O habitante de Quios e Tessália [bebê] de copos grandes e à direita, o habitante da Ática de pequenos copos e à direita, o da Tessália oferece brindes copiosos a quem os aceita. Os lacedemônios bebem, cada um, da taça diante deles e o escravo que acompanha o serviço do vinho serve tanto quanto pode beber cada » (DK 88 B 33)

ATENÁGORAS, XI 483 b – E Crítias na Constituição dos lacedemônios escreve o seguinte: "Além destes, os utensílios mais simples da vida cotidiana: as excelentes botas lacônicas e seus vestidos extremamente agradáveis e úteis de usar. O cantil lacônico, um recipiente especialmente adequado para a campanha e muito confortável para transportar na bolsa. Vou explicar a razão pela qual é adequado ao soldado. Um soldado é frequentemente forçado a beber água suja. Bem, em primeiro lugar, é conveniente que a bebida não seja muito visível. Em segundo lugar, ao beber um gole, o cantil, retém as impurezas dentro » . PLUTARCO, Licurgo 9 -  Por essa razão, os atuais e necessários utensílios, divãs, banquinhos, mesas, eram fabricados excelentemente em Lacedemônia e o cantil da Lacônia era famoso, especialmente para as campanhas militares, como afirma Crítias. De fato, as águas que tinham que ser bebidas à força e cuja aparência desagradava os olhos, disfarçavam-nas com sua cor e, quando as impurezas colidiam e aderiam ao pescoço, a bebida se aproximava mais pura da boca.  PÓLUX, VI 97 -  kóthon – Copo lacônio ( DK 88 B 34 )

ATENÁGORAS, XI 486 E - Crítias na Constituição dos Lacedemônios: «Leito e estrado de pernas, miliurgo, leito quiturge e mesa de refugiados». HARPOCRÁCIO [de acordo com uma citação de Dídimo]: o gramático parece ignorar que não seria possível encontrar uma forma como essa, derivada de nomes próprios, mas sim dos nomes de cidades e vilas. "Leito miliurgo", diz Crítias, na Constituição de lacedemônios. ( DK 88 B 35 )

EUSTÁQUIO, Comentário da Odisseia VIII, 376, 1601,25 - Era costume antigo jogar dessa maneira e, como dizem, era comum a competição entre os lacedemônios pelo jogo de bola ... também indicar que o jogo de bola também era uma aula de dança, como também foi explicado por alguém que escreveu: «dança termaustria (tenaz) com movimentos veementes dos pés ». Crítias, por exemplo, explica da seguinte maneira: «dando um salto para cima, antes de cair no chão, executam com os pés muitos movimentos cruzados, uma ação que denominaram« termaustria ». ( DK 88 B 36 )

LIBANIO, Discursos 25, 63 - Os lacedemônios que mantinham em aberto a possibilidade de matar os hilotas e, com base no que, Crítias diz que na Lacedemônia alguém é absolutamente escravo ou livre. Mas isso não significa outra coisa senão o que o próprio Crítias diz: "por desconfiança dos hilotas, o espartano, quando é tempo de paz, tira deles a braçadeira do escudo". Como você não pode fazer isso durante uma campanha, a necessidade, muitas vezes tem que ser rápido, vou sempre andar com a lança, pensando que com ela, você pode submeter  um hilota, se tentar qualquer revolta com apenas o escudo. E eles também construíram chaves que consideram mais fortes do que as injurias que podem ser tramadas. Essa seria a situação daqueles que coexistem com o medo e aqueles que nem sequer permitem respirar àqueles a quem suas esperanças tomam temíveis. Bem, aqueles a quem o medo dos escravos tem em armas enquanto comem, dormem ou se preparam para qualquer outra atividade, como, filho de Calescros, poderiam gozar de uma liberdade pura? Os escravos se levantaram contra eles, com a ajuda de Poseidon, e deram provas de que, em ocasiões semelhantes, agiriam de maneira semelhante. Tal como os seus reis não eram livres, uma vez que eles foram permitindo aos éforos prender e condenar à morte  um rei, de modo que os espartanos, todos eles, eliminado liberdade, ao conviver com ódio que seus escravos lhes professavam. ( DK 88 B 37 )

PÓLUX, VII 59 – às bombachas as chamam também calções. A palavra se encontra em Crítias nas Constituições. ( DK 88 B 38 )

AFORISMOS

GALENO, Comentário aos “deveres do médico” de Hipócrates II – [Aquilo que é possível perceber pela visão, tato, audição, olfato, linguagem e pensamento]. XVIII B 654 Kühn. Tal explicação do significado da percepção [isto é, de perceber] é estoica. Por esta razão, Epificiano, o discípulo de Quinto, aceitou quando recebeu, entusiasticamente, a filosofia estoica ... Ele afirma que Hipócrates usou a palavra  "percebo" para "pensamento" ... Ele também menciona a palavra "pensamento" ", afirmando que, no tempo dos antigos, era usado com o mesmo significado de "mente" ou "intelecto", se não valesse também "reflexão". Embora existam muitos testemunhos disso, apresentarei alguns exemplos. Crítias, no primeiro livro dos Aforismos, escrevem o seguinte: "Nem o que ele percebe por outra faculdade corporal nem ele também conhece pela mente". E em outro momento: "Os homens estão acostumados a estarem saudáveis dementes” ( DK 88 B 39 )

CONVERSAÇÕES

GALENO, Comentário aos “deveres do médico” de Hipócrates - E no primeiro livro de As Conversas: "Se você mesmo se exercitar para ter uma mente capaz, não sofrerá, de forma alguma, injustiças da parte deles". E assim, com muita frequência, no mesmo livro. E no segundo livro de As Conversas, ao distinguir as sensações de pensamento, ele frequentemente diz, como Antifão etc  ( DK 88 B 40 )

HERODIANO – Das particularidades do Estilo 40, 14 – No As Conversas de Crítias aparece a estranha palavra “impulso” [orsótés] em lugar de “ímpeto”. ( DK 88 B 41 )

PLATÃO, Cármides, 161 b – [Cármides] ‘Bem, julgo, Sócrates’, ele disse, ‘que tuas afirmações são corretas. Há, contudo, uma outra definição de moderação em relação à qual apreciaria ouvir tua opinião. Acabei de me lembrar de algo que ouvi alguém [Crítias] declarar, ou seja, que a moderação bem poderia ser executar seus próprios negócios’. ( DK 88 B 41 a )

SOBRE A NATUREZA DO AMOR E DOS AMORES

GALENO, Léxico hipocrático, XIX 94 – [Comentário sobre as epidemias] “Triste” : Crítias em Sobre a natureza do amor e dos amores explica o termo do seguinte modo: “triste é quem se aflige por nimiedades ou, por razões importantes, experimenta maior aflição que os demais homens ou durante mais tempo”. ( DK 88 B 42 )

FRAGMENTOS EM PROSA DE OBRAS INCERTAS

ELIANO, Histórias Várias 13 - Crítias acusa Arquíloco de ter falado mal de si mesmo: "Se ele,  disse, não espalhou tal fama sobre sua própria pessoa entre os gregos, não seríamos informados de que ele era o filho do escravo Enipo ou que ele teve que abandonar, por causa de sua pobreza e falta de meios, Paros, para se dirigir a Tassos ou que, chegado ali, ganhava a inimizade de seus habitantes, nem que difamava amigos e inimigos igualmente. E além disso, ele disse, não saberíamos que ele também era um adúltero, se não soubéssemos por ele mesmo, ou que ele era lascivo e insolente e, o que é ainda mais vergonhoso que tudo isso, que ele jogou o escudo [em combate]. Não foi, portanto, Arquíloco uma boa testemunha de si mesmo, legar à posteridade tal fama e nomeá-la em sua pessoa. Não sou eu quem faz essas acusações a Arquíloco, mas a Crítias. ( DK 88 B 44 )

ELIANO, Histórias Várias, X 17 - Crítias diz que Temístocles, filho de Neocles, antes de iniciar sua carreira política, possuía uma casa, herdada de seu pai, de três talentos. Mas quando ele assumiu o controle dos assuntos públicos, depois que ele foi para o exílio e sua propriedade foi confiscada, descobriu-se que ele tinha uma fortuna de mais de cem talentos. Afirma também de Cleon que, antes de se fazer presente na política, não teve nenhuma de suas propriedades livre de encargos, mas que legou depois um patrimônio de cinquenta talentos.
( DK 88 B 45 )

ARISTIDES, Arte Retórica II 15 – [A propósito do começo do banquete de Xenofonte] [A mim me parece, sem dúvida que] se seu discurso houvesse começado por alguma palavra afirmativa, como “a mim, desde logo, me parece”, haveria resultado mais firme e houvesse parecido mais próprio de Crítias ou de algum dos seus estilos. ( DK 88 B 46 )

ARISTIDES, Arte Retórica II 50 – [A propósito do Banquete de Xenofonte] [Melhor para os aqui presentes, pois que se a estrategos, hiparcos e intrigantes], se tu, construindo o período em sentido contrário, houvesse dito algo assim como “ quantos elegem a quem, por suas qualidades, veem sobressair sobre os demais por seus cargos, honras e poderes análogos, não me parece que trabalham corretamente”, um estilo tal me teria parecido mais próprio de Crítias ou de algum dos antigos sofistas. ( DK 88 B 47 )




[1] Mas não se deve confundir este Crítias com o sofista Crítias, pai de Calescros, que educou Sócrates na juventude.
[2] Crítias estava entre os mais proeminentes dos antigos clãs de Eupátridas (bem nascidos) aristocráticos que haviam governado Atenas antes do advento da democracia. Nada menos que quatro de seus ancestrais diretos mantiveram o arcontado epônimo (o cargo mais alto do estado ateniense), a exemplo de Sólon e seu irmão Drópides.
[3] Embora Platão, no seu diálogo Cármides, 154 b, (ver DK 88 A 2 ) faça uma descrição distinta, por coerência, e compreendendo o sentido figurativo que Platão dava a seus diálogos, seguiremos a ordem cronológica determinada pelo testemunho de Diógenes Laércio ( DK 88 A 2 ) ao traçar a genealogia de Platão, que coloca Crítias como tio avô de Platão.
[4] Andocides foi um orador ateniense da  Grécia Antiga  que viveu aproximadamente entre os anos de 440 e 390 a.C. Ele foi um dos dez oradores do sótão incluídos no Canon Alexandrino compilado por Aristófanes de Bizâncio e Aristarco de Samos no terceiro século antes de Cristo.
[5] No ano 407 a.C Crítias foi para a Tessália e Alcebíades para Esparta
[6] Lisandro foi um estratego (general) e navarco (almirante) espartano, comandante da frota que derrotou os atenienses na embocadura do Egospótamos, durante a Guerra do Peloponeso em 405 a.C. No ano seguinte tomou Atenas, forçando a liderança ateniense a capitular.
[7] Cornélio Nepos foi um biógrafo e historiador romano, nascido na Gália,  que viveu aproximadamente entre os anos 100 e 25 a.C.
[8]Os Onze” eram  um grupo de onze homens escolhidos por votação que cuidavam em Atenas do cárcere e das execuções.
[9] Traduzido para o português por Mirtes Coscodai sob o título Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, Coleção os Pensadores, São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999

[10] Ver Hipodamos de Mileto: o porto do Pireo havia sido construído de acordo com seus planos
[11] Bendis era a deusa trácia parecida com Artêmis.
[12] João Filopono de Alexandria (em latim: Joannes Philoponus; c. 490 – c. 570) foi um filósofo neoplatônico cristão bizantino e patrístico grego que fez parte da Biblioteca de Alexandria no período conhecido como "pós-nissênico" da Escola Neoplatônica de Alexandria, no Egito.
[13] Antigo jogo de habilidades dos simpósios gregos, onde o jogador lançava borras de vinho.
[14] Flávio Málio Teodoro foi um oficial romano do final do século IV e começo do século V,
[15] Os papiros de Oxirrinco são um grupo de manuscritos, a maioria em papiro, datados dos séculos I ao VI d.C. descoberto pelos arqueólogos Bernard Pyne e Arthur Surridge Hunt num antigo depósito de lixo em Oxirrinco no Egito, que incluem milhares de documentos em grego e em latim