quinta-feira, 26 de junho de 2014

A ESPERANÇA VENCEU O MEDO


Assim, se explica esta merda toda.

Ao contrário do Senso Comum, a Esperança não é uma dádiva.
Muito mais uma praga, ela simboliza a falta, a ausência, aquilo que se precisa ou deseja, mas que não se tem.
Criança Esperança, é criança sem saúde, sem escola, sem moradia, com futuro comprometido, sem cidadania.
Na Suécia, a criança não espera, ela é feliz.
A Esperança é coisa de país pobre e subdesenvolvido.
É coisa de povo servil que suporta as agruras e espera resignado a recompensa que virá em outra vida; que virá depois da morte.
Isto é tão verdade que a Esperança era uma das pragas que estava presa na Caixa de Pandora, a única que ficou.
Por sua vez, o medo é salutar, pois nos torna prudentes, precavidos.
Claro que não um medo paralizante, mas um medo que nos obriga a poupar, a economizar, a gastar com sabedoria e nas coisas realmente importantes.
Um medo que nos fazia gritar "Quem sabe faz a hora não espera acontecer" enquanto tínhamos esperança de viver em um país livre.
Um governo com medo, prudentemente investe na infra-estrutura, investe na educação, investe na saúde, no desenvolvimento sustentável.
Um governo esperançoso, espera chover, espera ganhar a Copa, espera a compreensão pelo seu imobilismo.
Pense nisto antes de votar.

Professor Orosco.

ETA BICHO BURRO ESSE TAR DI HOMI


Santo Tomás de Aquino (1225/1274), defendendo a doutrina cristã, em sua obra mais famosa, afirmou que "ser é antes de tudo existir" (Summa Theológica. Livro I, p 41. 3. Ed. São Paulo: Loyola, 2009) e, ao fazê-lo, nos obrigou a ponderar sobre esta asserção, de tal sorte que vamos tentar nos aprofundar um pouco mais nesta reflexão.
Para ser, é preciso existir.
Para existir, é necessário viver.
Para viver, é necessário que os pré requisitos, as condições que asseguram a manutenção da vida estejam presentes e preservadas.
Para que estas condições estejam presentes e preservadas, é necessário que a influência humana, de maneira geral, e, na sua totalidade, não seja prejudicial ao planeta.
Para que isto ocorra, é necessário que a responsabilidade sobre os atos praticados, de forma consciente, pelos humanos seja assumida.
Para que esta responsabilidade seja assumida, é necessário que haja, por princípio, esta responsabilidade.
O Princípio da Responsabilidade ( Hans Jonas, 1903/1993 ) pressupõe que, como seres com capacidade de entendimento, tendo a liberdade de agir, todos nós precisamos fazê-lo, obedecendo à sua proposta de imperativo categórico, relacionado a um novo tipo de ação humana: "Age de tal forma que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica sobre a terra" (JONAS, Hans. El Princípio del Responsabilidad.Barcelona: Herder, 1995, p.40)
Pressupõe, também, que o dever para com as gerações futuras é um dever da humanidade, independentemente se os seres são ou não nossos descendentes.
É, de certa forma, levar ao pé da letra a proposta cristã de "fazer o bem, não importando a quem", que Immanuel Kant, classificou como o caso extremo da ética da intenção, em seu imperativo categórico " Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne universal" (KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p.129).
Também, dizendo o mesmo, em outras palavras, "não fazer a outros aquilo que não desejamos que nos façam".
Só isso.
O engraçado, para não dizer trágico, é que lá se vão quase mil anos, e ainda não entendemos o que este homem, Aquino, escreveu.
Pior ainda, ainda não entendemos, sequer, as palavras de seu mestre, proferidas a pouco mais de dois mil anos.
"Ama ao teu próximo como a ti mesmo".

Eta bicho burro esse tar de homi.

Professor Orosco.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pensamento Medieval atualizado.

Em momentos de Copa, uma breve mensagem:

Deus, como Sumo Bem, como perfeição, unicamente por Amor, criou algo diferente de si.
Criou o mundo.
Se não fosse diferente de si, seria perfeito, e, portanto, não seria criação, seria sua extensão.
Ao criar o mundo, ao criar algo diferente de si, precisou criar algo imperfeito, algo que continha o mal, mas que, também, por participação, tivesse imbricado no seu ser, o bem, a intuição do perfeito, a intuição de Deus.
Criou o homem, e, ao fazê-lo, num ato de amor, de renúncia, de ágape, um amor que se doa, concedeu-lhe a liberdade.
Uma liberdade para que, na sua evolução, ele pudesse contemplar seus mistérios e para que pudesse experimentar sua glória, praticando este mesmo amor para com seus semelhantes e para com toda a sua criação.
Uma boa semana para todos, e que venham as oitavas de finais.

Professor Orosco.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

PROLEGÔMENO DA ESCOLÁSTICA - Parte 2


     Na continuidade de nossa apresentação, reeditando um texto que publicamos no dia 11 de Março deste mesmo ano, reforçamos a necessidade de que, para que se possa realmente tentar compreender o espírito da filosofia medieval e sua defesa teocêntrica, aquela que coloca Deus como centro de todas as coisas, é preciso, antes, ter em mente, ou fazer uma breve recordação,  dos enunciados propostos pela filosofia grega.
     Começando por Parmênides, que elaborou o princípio da identidade, o que é, é, e não pode deixar de ser.
     Que  elaborou, também, o princípio da não contradição, se o que é, é, o seu contrário, o não ser, não é, e, portanto, não pode ser.
     Conhecimento que se mostrou necessário para a compreensão da lógica, que tem tudo a ver com a validade, de Aristoteles, o qual se interessava pelas proposições categóricas (quantificadas).
     Para ele, uma proposição, um enunciado, precisava ter sentido e apresentar um valor de verdade, verdadeiro ou falso, ou seja, precisava afirmar ou negar alguma coisa.
     Assim, de posse deste conceito, quando analisamos todas as premissas de um argumento e as confrontamos com a conclusão, podemos inferir a validade da argumentação.
     Se todos os valores de verdade forem verdadeiros, a tautologia se faz presente; se todos forem falsos, a contradição se mostra evidente e, quando parte do argumento se mostra possivelmente verdadeiro e parte possivelmente falso, a contingência se manifesta, despertando a dúvida, a possibilidade de ser e de não ser.
     Desta forma, quando subimos pelos galhos da "Árvore de Porfirio", compreendemos a contingência dos seres e, a partir desta compreensão, intuímos a "existência" de um Ser, maior que tudo que pode ser pensado e dito, segundo Santo Anselmo, ou causa primeira, a causa não causada, segundo Santo Tomas de Aquino.
     Existência, Ex (fora) + Sistere (residir).
     Um Ser que, para comprovar sua ação causal, doa algo de si ao sujeito causado, algo como aquilo que a genética já comprovou quando analisa a descendência dos seres, por exemplo.
     Neste caso, sua substância.
     Em outras palavras, para que uma causa se mostre evidente, precisa ceder algo que tem, tornando-se a raiz da sua própria causalidade.
     A ciência, que tem seu ponto de partida baseado em axiomas, raramente, ou quase nunca, se interessa pela justificação do ser e do movimento, assim como da causalidade, o que não é o caso da filosofia, que busca alcançar o conhecimento da causa primeira e princípio de todas as coisas.
     Não é o caso da Religião, particularmente do pensamento teocêntrico cristão da Idade Média, para quem o Ser é Deus, a causa primeira, criadora de todas as coisas e de si mesma.
     Uma religião que, em seu antropomorfismo, ao defender a capacidade de intuir este ato criador dentre todas as coisas que percebemos na natureza, admite ser esta a qualidade que nos foi doada no ato da criação.
     E, ao fazê-lo, levar-nos a compreender que a causalidade se manifesta por uma ideia pré-concebida do ato que se consuma, no espírito de quem age ou faz, assim como reconhecer a nossa incapacidade para criar, limitada a poder, apenas, a combinar ou transformar simplesmente, aquilo que já existe e foi criado.
     Uma religião que reconhece que o homem, assim criado, só causa na medida em que ele é, e, como nada é anterior ao Ser, não poderá tentar ir além dele.
     Uma religião que afirma que, como Ser que criou tudo, que criou a si mesmo, Deus, de forma soberana e livre, como perfeição, só quer a si, só necessita de si, e, é em relação a si que quer todo o resto, permitindo por analogia e por sua infinita bondade, ao homem, experimentar o seu Bem.
     Admitindo que é pela bondade que Deus permite aos seres serem, que permite que sejam causas de outras causas.
     Que é por sua bondade que participamos de sua potência e vontade, desfrutando de sua glória.
    E que somente por analogia que nos assemelhamos a ele, que proporcionalmente podemos ser causa de outras causas, compreendendo que a finalidade disto está no âmago do próprio ser, na sua perfeição.

Extraído da Obra O Espírito da Filosofia Medieval, de Étienne Gilson, Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martina Fontes, 2006.

Professor Orosco.