sexta-feira, 21 de julho de 2017

O BOTÃO DO FODA-SE


Já é frase comumente ouvida dentre os brasileiros a expressão "liguei o botão do foda-se", para demonstrar sua insatisfação com o andar da carruagem, numa clara e vã tentativa de evitar encarar o problema de frente.
Mais ou menos como o avestruz que enfia a cabeça no buraco para esconder-se (tal qual as crianças que cobrem os olhos) para inocentemente não serem encontrados, os que o fazem, não só fracassam na sua tentativa de alienar-se dos problemas quanto potencializam seus efeitos.
Dito de outra forma:
Quando dizemos que nada podemos fazer, que estamos de "saco cheio" e que vamos apertar o referido botão, esquecemos que essa frase foi concebida durante o período da "guerra fria" para indicar que, diante da impossibilidade de agir com responsabilidade por seus atos, seria melhor promover a extinção da raça humana, o que era uma forma jocosa de afirmar a loucura daquele período, uma vez que a referida extinção não agradaria ninguém (pelo menos nenhum humano).
No jogo de futebol, analogamente diríamos que, com zaga tão ruim, seria melhor deixar só o goleiro.
Assim, quando esquecemos que o atual presidente do Brasil foi legalmente empossado para o cargo, após o impedimento de sua predecessora, esquecemos que também o foi para tentar evitar um mal maior, que seria a ruptura constitucional e o agravamento da crise econômica que já provocou mais de 14 milhões de desempregados.
Não votei nele, e possivelmente não votaria novamente, mas não vejo ninguém melhor na atualidade para ocupar o cargo.
O que vejo é um bando de "urubus" sobrevoando a carniça, falando bobagens e irresponsavelmente jogando palavras ao vento.
Alguns tentando esconder o fato de que foram diretamente responsáveis pela crise, quer por corrupção, quer por incompetência, malcaratismo ou até mesmo pelos três. Outros, por verem nessa crise, a oportunidade de saírem do seu merecido ostracismo e ganharem notabilidade, foro privilegiado ou a oportunidade de promover novas maracutaias.
Vide-se a Venezuela.
Não devemos nos esquecer que corruptos e corruptores existem em grande número entre os seres humanos e particularmente por aqui.
Não devemos nos esquecer que interesses internacionais fomentam crises econômicas para evitar o fortalecimento de novas nações, chegando até a promover revoluções e guerras entre elas.
As guerras comerciais precedem as militares.
Exemplos disto existem a cântaros.
Enfim, tentando não ser muito prolixo, gostaria de lembrar que, apertando o tal botão, somos nós que vamos expor a "bunda" e pagar, neste primeiro momento, mais R$ 0,40 por litro de gasolina.
Gostaria de lembrar que " O Temer já era ! "
No máximo fica mais um ano, período no qual eu gostaria de saber quais propostas reais esses pseudo candidatos apresentam para tirar o país da crise.
Quais são seus planos para a saúde, para a educação, infraestrutura,  defesa, uma política industrial desenvolvimentista, etc, ao invés de ficarem atirando pedras no defunto.
Saber o que propõem para socorrer estes milhões de desempregados.
Sem demagogias.
Propostas reais e factíveis.
Chega de aventureiros midiáticos.
Não quero apertar o "BOTÃO DO FODA-SE".
Amo demais meus filhos e netos para isso.
Quero um país melhor para eles.

Professor Orosco.


terça-feira, 20 de junho de 2017

O PROBLEMA DOS REFUGIADOS


Como estou meio de "saco cheio" diante de tantas opiniões e antagonismos provocados pela questão dos refugiados, com a adoção de posições xenófobas tanto de esquerda quanto de direita, para mim a solução se mostra evidente:
Pela ordem, poderíamos eliminar (suicidar) todos os muçulmanos da face da terra;
Na sequência, todos os budistas;
Todos os cristãos;
Todos os que professarem qualquer outra religião;
Também todos aqueles que não reconhecem a supremacia de um Deus criador.
Tudo isso de forma democraticamente organizada, sem distinção de sexo, cor ou idade.
Ao final, sobrariam os animais, peixes e os insetos.
Os únicos que não ligam muito pra essa coisa de especismo, de supremacia territorial, de poder, etc.
Antes disso, precisaríamos também nos assegurar da eliminação das baratas e dos escorpiões que tanto influenciaram a estrutura do nosso DNA.
Ou isso, ou criar vergonha na cara e aceitar que todos temos os mesmos direitos de existir, de sonhar e de sermos felizes, reconhecendo no outro, o seu próprio reflexo de ser humano.

Professor Orosco

terça-feira, 9 de maio de 2017

CHEGOU O GRANDE DIA


Neste dez de maio, quando os olhos do Brasil se voltam para a pequena Curitiba, esperando ver renascer ali a esperança por dias melhores, lembro-me de um pequeno e seleto grupo de homens que lutam diariamente para combater, além das próprias paixões, os inimigos da humanidade, como sejam: os hipócritas, que a enganam; os pérfidos, que a defraudam; os fanáticos, que a oprimem; os ambiciosos, que a usurpam e os corruptos e sem princípios, que abusam da confiança do povo.
Homens para os quais a probidade não é apenas uma disposição da alma que nos induz a praticar o bem, mas uma virtude que combate o vício, como o hábito desgraçado que nos arrasta para o mal.
Homens que condenam a exploração do homem, os privilégios e as regalias e que enaltecem o mérito da inteligência e o valor dos serviços demonstrados à Pátria.
Homens para quem o sectarismo político, a ignorância, a superstição e a tirania se mostram incompatíveis com a universalidade do espírito humano.
Homens prontos para sacrificarem-se, como a Pátria sacrifica seus próprios filhos, quando o bem das gerações vindouras assim o exigir.
Homens para os quais a Luz foi dada e para quem estaremos sempre em Pé e a Ordem.

Professor Orosco

sábado, 1 de abril de 2017

O MUNDO DA ARTE DEPENDE DE INSTITUIÇÕES FORMAIS PARA EXISTIR?


              A questão colocada para o presente trabalho, sobre a ‘dependência ou não do mundo da arte de instituições formais para existir’, nos remete à necessidade, antes de tomar por verdadeira a afirmação de Donald Clarence Judd (1928/1994), um pintor e artista plástico minimalista norte-americano, para quem “se alguém chama de arte, é arte”, de explicitar alguns dos conceitos desenvolvidos ao longo do curso, tais como “o que arte? ”; “o que é obra de arte? ”; “o que chamamos mundo da arte? ” e quais os critérios dos quais nos valemos para aceitar uma instituição como sendo suficientemente capaz e credenciada para reconhecer, classificar, opinar sobre e valorar uma obra de arte?
            Neste sentido, precisamos reconhecer que o conceito de arte, entendido até bem pouco tempo, pela filosofia, como uma produção menor, capaz apenas de imitar, retratar e representar o mundo, valorando critérios estéticos, cujos primórdios remontam ao período neolítico (arte rupestre), passando pela Grécia Antiga, pelo medievo, pelo renascimento e pela modernidade, somente no século XX ganhou o direito de ser e ter uma significação autônoma, dentro de um sistema de linguagem próprio, que lhe é particular. Assim, a definição clássica dos critérios “necessário” e “suficiente” aplicada para definir o conceito do que é arte foi de certa forma colocada à margem e a preocupação maior passou a ser focada na mensagem transmitida pela obra dentro de um determinado contexto social.
            Desta forma, podemos dizer que atualmente, uma obra de arte pode ser definida como sendo uma criação humana com objeto simbólico, belo ou de representação de um conceito determinado, a exemplo das esculturas, pinturas, poemas, filmes, músicas ou artefatos decorativos, diferenciando-se de um objeto comum, aquele que possui apenas uma função prática e útil na sociedade. Seu valor depende primeiramente de sua função na sociedade, segundo o homem que a apreende, o que nos remete à definição de que “A compreensão de uma obra de arte só é possível quando esta puder ser entendida por um apreciador com sensibilidade artística e estética” (KOELLREUTTER, 1999)[1]. Um valor cujo conceito não pode ser definido rigorosamente, pertencendo à gama daqueles conceitos abrangentes como ser, existência ou realidade, que não comportam uma definição propriamente dita, mas que exprimem uma relação dinâmica entre um objeto e o homem, e entre este e a sociedade, como a altura, duração, timbre e intensidade de uma música, por exemplo.
            Um conceito que, Joseph Kosuth, um influente artista conceitual americano, desenvolve em seu artigo A arte depois da filosofia, de 1969, ao colocar claramente a distinção entre estética e arte, afirmando que a arte, “é a análoga a uma proposição analítica,(quando sua validade depende unicamente das definições dos símbolos que ela contém)  e que a existência da arte, como uma tautologia é o que permite à arte permanecer indiferente com relação às conjecturas filosóficas” ao passo que, a “a estética lida com opiniões sobre a percepção do mundo em geral”, tendo o sentido de promover uma reflexão sobre a arte. Para ele, os objetos apresentados no contexto da arte, como quaisquer outros existentes no mundo, são passíveis de considerações estéticas, motivo pelo qual tal consideração, “sua existência em um contexto de arte” é irrelevante para o juízo estético. Kosuth, neste artigo, referencia a obra de Marcel Duchamp, expoente do movimento dadaísta, aquele que marca a falta de um sentido formal da linguagem, valorizando mais a concepção do que a aparência, classificando-o, em suas palavras, como o marco inicial da arte moderna e da arte “Conceitual”.
            Na mesma linha, Clement Greenberg (1909/1994) outro influente crítico de arte estadunidense, ligado ao Modernismo, elaborou um artigo sobre a pintura modernista (1960) onde descreve sucintamente o processo de libertação da pintura das amarras clássicas, que privilegiavam a forma, ainda que continuassem a reproduzir a representação de objetos reconhecíveis, valorizando os elementos particulares constituintes da própria pintura, como a planaridade da tela. Ou seja, a arte tendo mais a ver com o meio do qual ela se utiliza do que com aquilo que retrata. Em suas palavras: “Por ser a planaridade a única condição que a pintura não partilhava com nenhuma outra arte, a pintura modernista se voltou para a planaridade e para mais nada”, Greenberg, inclusive citando esta inovação proposta pelas obras de Manet, um ícone do impressionismo que valorizava os pontos que os objetos adquirem ao refletir a luz num determinado momento, reitera que, neste processo de libertação da filosofia, cada arte precisa determinar, por suas próprias operações e obras, aquilo que lhe é particular. A seu ver o que, se de um lado lhe restringe a área de competências, de outro, consolida sua posse dessa área.
            Ao citar estas duas abordagens distintas, ambas elaboradas por pessoas de ‘reconhecido saber’ no assunto, esperamos haver mostrado que elas, por si mesmas, já evidenciam a necessidade de algum conhecimento técnico para o processo de valoração de uma obra de arte, ou daquilo que podemos considerar arte, por parte do observador, ainda que se faça essa valoração de forma empírica e subjetiva. Um conhecimento teórico que, conforme descrito por Morris Weitz (1916/1981) um norte-americano profundo conhecedor dos assuntos ligados à natureza da arte, tenta em vão defini-la. Em sua abordagem, Weitz denuncia que, para que se possa definir o que é arte, precisamos, antes, conhecer suas propriedades “necessárias” e “suficientes” e isso se mostra uma tarefa muito difícil, principalmente quando o fazemos influenciados por critérios estéticos. Para ele, “a teoria estética está errada em princípio ao pensar que uma teoria correta é possível uma vez que adultera radicalmente a lógica do conceito de arte”. É falsa a sua principal contenda de que a arte é susceptível de uma definição real...” Em seu trabalho, ele coloca que a arte, como a lógica do conceito mostra, não tem nenhum conjunto de propriedades necessárias e suficientes, pelo que não pode ser definida sob a forma clássica, motivo pelo qual se recomenda a rejeição da teoria estética, muito embora faça a ressalva acerca de sua contribuição para a compreensão das artes.
            Assim, na análise das teorias estéticas, ele refuta a tese formalista que tenta defini-la através da relação entre os elementos plásticos, rejeitando tudo aquilo que não possui tal forma. Igualmente refuta os conceitos emocionalistas para os quais a propriedade definidora não é a forma significante, mas a expressão das emoções. Refuta também os intuicionistas que defendem a arte como um estádio do conhecimento em que os humanos encaminham suas imagens e suas emoções para uma um processo de tomada de consciência, de caráter não conceptual. E dizer, mesmo reconhecendo em todas estas teorias estéticas alguma propriedade válida, ele mostra o equívoco de tomá-las por necessárias e suficientes, tomando-se um conceito que é aberto por fechado e esquecendo-se de que todas elas apresentam uma característica valorativa.
            Na tentativa de trazer alguma luz a este universo de possibilidades, Arthur Danto, (1924/2013), um filosofo e critico de arte americano, elaborou uma teoria em que afirma a necessidade de conhecer as teorias artísticas, já que o artístico é definido por teorias, para que se possa reconhecer uma obra de arte. E dizer, para ele “ver algo como arte requer algo que o olho não pode repudiar, uma atmosfera de teoria artística, um conhecimento da história da arte: um mundo da arte”. Danto, em suas colocações sobre as caixas de Brillo, por exemplo, faz referências a objetos similares que, dependendo do contexto em que são observados, podem ser ou não classificados como obras de arte, independentemente de suas diferenças constitutivas (papelão ou compensado), evidenciando a definição contextual de arte é algo que vai além do objeto em si. Que uma obra de arte é classificada como tal, em consequência de uma teoria que a recebe desta forma no mundo da arte.
            Completando o pensamento de Danto, George Dickie, um filósofo norte-americano especialista em estética e filosofia da arte, postula uma definição clássica para identificar uma obra de arte, atribuindo-lhe a condição de possuir uma propriedade necessária e suficiente ser “um artefato ao qual alguma sociedade ou algum subgrupo de uma sociedade atribuiu o estatuto de candidato à apreciação”, desde que o faça no mundo da arte e de forma relacional.
            Desta forma, respondendo à questão inicial formulada para este trabalho, neste momento particular e contemporâneo da arte, onde tudo é possível ser apresentado como arte, concordamos que o reconhecimento daquilo que podemos chamar de obra de arte, como um artefato pertencente ao mundo da arte, precisa ser chancelado por instituições formais, reconhecidas como detentoras do conhecimento acerca das teorias artísticas, inclusive em seu aspecto histórico.

[1] Koellreutter, H.J. Sobre o valor e o desvalor da obra de arte. Scielo Estud. avançados. vol.13 nº.37 São Paulo Sept./Dec. 1999

Professor Orosco

domingo, 12 de março de 2017

A PRIMEIRA DIRETRIZ





Segundo o Site Oficial da Frota Estelar, “É proibido a todas as naves e membros da Frota Estelar interferir com o desenvolvimento normal de uma cultura ou sociedade. Essa diretiva é mais importante do que a proteção das naves ou membros da Frota Estelar. Perdas são toleradas, caso sejam necessárias para a observação dessa diretiva.” 

Esta é Premissa principal da Frota Estelar, na qual todo e qualquer oficial da Frota está proibido de descumprir, mesmo ao custo de sua nave ou mesmo de suas vidas. O descumprimento dessa norma só é admitido para corrigir uma violação maior dessa diretriz.

Se fizermos uma breve retrospectiva acerca do surgimento da Frota Estelar (2161), veremos que o Capitão Archer, no comando da NX-01 Enterprise (2151), que validou o motor de dobra 5 e com isso permitiu o início da exploração espacial pelos terráqueos, já alertava para a necessidade de um conjunto de normas que assegurassem a todos que os humanos não iriam “brincar de deuses” quando se deparassem com civilizações tecnicamente mais atrasadas (Capítulo 13 da 1ª Temporada – Caro Doutor), como era o medo manifesto dos vulcanos, que se valiam disso para atrasar o início das jornadas estelares pelos humanos, como ocorreu após o incidente da perda de um comunicador (Capítulo 8 – 2ª temporada – O Comunicador)

Se lembrarmos, os vulcanos só estabeleceram o contato com os terráqueos (Primeiro Contato), quando Zefram Cochrane demonstrou que nós havíamos alcançado a capacidade de dobra e que já havíamos dominado a tecnologia necessária para iniciar a exploração espacial. Lembremo-nos também que, depois do encontro com os Klingons (2218), que levou a quase um século de hostilidades, a federação percebeu que precisava de regras claras para o primeiro contato com outras espécies e que a pura admissão da tecnologia de dobra era insuficiente para tal.
  
Em linhas gerais, a Primeira Diretriz afirma que, “Considerando que o direito de cada espécie consciente de viver de acordo com a sua evolução cultural normal é sagrado, nenhum membro da Frota Estelar pode interferir com o desenvolvimento normal e saudável da vida e da cultura de uma espécie alienígena. Essa interferência inclui a introdução de conhecimentos, força ou tecnologia superiores num mundo cuja sociedade é ainda incapaz de lidar com essas vantagens sabiamente. Os membros da Frota Estelar não podem violar esta Primeira Diretriz, mesmo para salvar as suas vidas e/ou a sua nave, a não ser que eles estejam a corrigir uma anterior violação ou contaminação desta diretriz. Esta diretriz tem precedência sobre todas as outras considerações, e carrega consigo a maior obrigação moral”.

Nesta mesma linha, conforme a 4ª Diretriz, também é proibido aos membros da Frota Estelar, ao realizar um contato com uma espécie alienígena, informar sobre a existência de outras espécies ou mundos conhecidos, assim como, a 10ª Diretriz estabelece que qualquer oficial da Frota que, por prova testemunhal ou prova verificável, tenha descumprido a Primeira Diretriz, o mesmo deverá ser afastado de suas funções e colocado na prisão. O mesmo se dá com qualquer representante da Federação Unida dos Planetas (23ª Diretriz). O próprio auxílio médico (16ª Diretriz) fica condicionado à observação da Primeira Diretriz. A exceção da aplicação de medidas disciplinares se dará apenas aos tripulantes que o façam sob ordens de seus oficiais superiores, os quais assumirão a responsabilidade total por seus comandados (26ª Diretriz) e, finalmente, de acordo com a 31ª Diretriz, “As condições e especificações da Primeira Diretriz devem ser aplicadas a todas as formas de vida consciente descobertas, quer sejam de origem natural ou artificial”.

Sob a ótica da história terrestre, temos aqui mesmo, incontáveis exemplos de civilizações que desapareceram, foram assimiladas ou foram completamente destruídas, quando tiveram contato com uma civilização tecnologicamente mais avançada, principalmente em termos militares.

Tivemos, por exemplo, a civilização Azteca, praticamente extinta no ano de 1521, quando o espanhol Hernando Cortez, pensando nas riquezas que podia conseguir, exterminou o povo de Montezuma, no México. Resquícios desta civilização sobreviveram até nossos dias, graças a algumas tribos, como as de Teotihuacan que enterraram toda uma cidade, inclusive suas pirâmides, nas cercanias da atual Cidade do México.

A destruição do Império Inca, pelo conquistador Francisco Pizarro, no século XVI, preocupado apenas com o ouro do Peru, da qual os resquícios ainda podem ser vistos em Machu Picchu, (Vale Sagrado). Na verdade, o Império Inca, rico em conhecimentos agrícolas e astronômicos,  cobria, além do Peru, regiões que hoje constituem o Equador, uma parte da Bolívia e do Chile.

Na Ásia menor, os Babilônios, assimilados pelos gregos que por sua vez foram assimilados pelos macedônios que se renderam aos romanos, assim como os egípcios, etc.

Melhor sorte tiveram os chineses que, graças à hostilidade demonstrada aos europeus pela dinastia Manchu, que havia sucedido à dinastia Ming, por volta do ano de 1644, conseguiram estabelecer uma linha de defesa de sua cultura e de seus valores, pelo menos até o final do século XIX, quando os interesses coloniais ingleses, norte-americanos, franceses, belgas e alemães, executaram uma série de conflitos armados que lhes renderam a ocupação militar e a exploração da população local até praticamente a metade do século XX, quando foram expulsos pela revolução comunista liderada por Mao Tse Tung.

Os japoneses, também conseguiram se manter protegidos até o final da Segunda Grande Guerra, permanecendo isolados do mundo ocidental, quando a vitória estadunidense impôs ao povo derrotado, novos valores culturais.
  
De qualquer forma, olhando para o tema da Primeira Diretriz, sob a ótica da filosofia, recorro primeiramente ao romance "O Despertar dos Deuses" de Isaac Asimov onde ele explora simultaneamente a unidade potencial de todas as raças e a possibilidade de conflito inerente a todas as situações de primeiro contato, quando, mesmo se os membros de raças diferentes compreenderem uns aos outros, suas percepções distintas podem colocar em perigo ambos os mundos e mesmo a estrutura dos respectivos universos. Lendo Asimov, percebemos que esta lacuna entre indivíduos e suas respectivas sociedades é a preocupação central da Primeira Diretriz.

As sociedades se organizam segundo várias formas de “contratos sociais”, onde são estabelecidos os valores que devem reger seu desenvolvimento, como língua, religião, respeito aos direitos humanos, individuais ou coletivos, direitos políticos, etc. Cada sociedade estabelece seus padrões e, para coexistir pacificamente umas com as outras, estabelece regras de respeito mútuo. Antigamente, tudo era resolvido pela guerra, hoje, pelo comércio. A guerra era anterior ao comércio, e ambas alternativas são nada mais do que meios diferentes para atingir o mesmo fim: o de se possuir o que se deseja; a guerra como fruto do impulso e o comércio como fruto do cálculo.

No campo dos valores morais, apenas para exemplificar a dificuldade entre culturas, ainda que da mesma espécie, no caso a nossa, a espécie humana, recorro ao famoso embate entre o ativista político Benjamin Constant (1767/1830) e Immanuel Kant (1724/1804) sobre o estabelecimento de princípios, particularmente sobre a “obrigação de dizer a verdade”.

Kant afirmava que, para que uma sociedade se estabeleça, a relação entre os homens deve partir de princípios previamente estabelecidos que, aceitos por todos, se tornam o alicerce da construção social. Dentre estes princípios, o de dizer a verdade, sempre, de forma incondicional e em qualquer circunstância, é a única garantia que se pode oferecer para o estabelecimento de coesão social, pois se houver dúvida quando à palavra dita ou empenhada, a confiança inexiste e o contrato entre as partes não se estabelece.

Kant era radical nesta afirmação, valendo-se do exemplo de que mesmo se um assassino lhe perguntasse sobre o paradeiro de sua próxima vítima, escondida em sua casa, você moralmente estaria obrigado a dizer-lhe a verdade, cabendo a culpa do assassinato única e exclusivamente ao criminoso pelo ato praticado.
Constant, por sua vez, mesmo reconhecendo a necessidade da obediência aos princípios, estabeleceu princípios de segunda ordem, intermediários, que facilitariam a aplicação dos primeiros. Desta sorte, para que uma pessoa fosse merecedora de ouvir a verdade, ela precisaria, antes, oferecer provas de suas intenções, ou seja, ela precisaria demonstrar que em seus atos não estavam embutidas ações que poderiam causar danos a outros. Para ele, não causar propositalmente danos a outras pessoas é um outro princípio para o estabelecimento de um contrato social, tão importante quanto dizer a verdade.
Kant considerava essa possibilidade absurda, pois remetia a um subjetivismo, o de que cada um poderia decidir sobre se o outro estaria ou não sendo verdadeiro em suas propostas, o que deixaria uma dúvida considerável sobre a minha decisão de “dizer ou não a verdade”, o que faria toda a construção do tecido social ruir.

Em outro exemplo, poderíamos dizer que em praticamente todas as religiões, os textos sagrados remetem ao princípio de não matar, e como sabemos, é em nome da religião que os homens se matam a milênios.

Isto, apenas entre elementos da mesma espécie, que diremos em relação a outras.

Até hoje, embora o movimento em defesa dos animais esteja ganhando adeptos na maioria do mundo civilizado, a matança de animais para a alimentação humana, ou mesmo para a confecção de roupas e adereços, continua difundida e aceita por todo o planeta. Mesmo aqueles animais que já ganharam o status de pessoas, de pessoas não humanas, como os golfinhos e algumas espécies de primatas, continuam sendo assassinados nos nossos dias, inclusive com requintes de crueldade, como no caso dos bezerros, das galinhas poedeiras, dos porcos em confinamento, etc., com a indiferença de cada um de nós que consome estes produtos. Aceitamos que os matem e nem nos importamos com isso. Pior, dizemos que é assim porque sempre foi assim e, então, tudo bem, afinal, não fomos nós que os matamos (só pagamos para alguém fazê-lo em nosso nome).

Sem a Primeira diretriz, entendida em sua forma de verdade apodítica, que não pode ser questionada ou descumprida, o que nos impediria de tratar uma espécie alienígena da mesma forma, como gado a caminho do matadouro, como escravos para trabalhar até o limite de suas forças, sempre com a justificativa de que estaríamos alimentando humanos ou enriquecendo humanos.

Vale o revés, e como a filosofia trata de levantar perguntas mais do que respostas, como nos sentiríamos se, como ainda somos uma raça ignorante que ainda não alcançou, de fato, a tecnologia da dobra espacial, fossemos tratados assim por uma raça alienígena mais desenvolvida.

Tipo Independence Day.

Neste critério, já terminando, filosoficamente falando e apesar de todas as implicações decorrentes de nossos atos, rendo-me a Kant e à primeira diretriz, da maneira exata como está formulada pela Federação dos Planetas Unidos, como regra de conduta para toda a Frota Estelar. No entanto, reconheço que o “fator humano”, decisivo nestes casos, dependerá sempre daquele que ocupa a cadeira do Capitão.

Vida próspera e longa a todos vocês.

Professor Orosco. 



sábado, 7 de janeiro de 2017

INVESTIGANDO OS GREGOS

  
A música de qualidade mais inferior produz entre os povos bárbaros sensações incomparavelmente mais fortes do que as provocadas pela mais doce das melodias entre os povos civilizados. Quanto mais os gregos quiseram aperfeiçoar a música, mais viram suas maravilhas enfraquecerem. Isso ocorreu precisamente porque eles desejaram aperfeiçoar a música. Isto é, a estavam julgando. Tudo o que seus selvagens ancestrais haviam feito tinha sido escutá-la. (M. de Pauw [1], Recherches sur les Grecs, 1768)

Este argumento defendido por Pauw, a quase 250 anos atrás, é ainda tido por muitos como verdadeiro, principalmente quando não compreendemos o significado das atuais preferencias musicais de boa parte de nossa juventude.
Se realizarmos um estudo antropológico destas novas tribos urbanas, a partir de seus gostos musicais, poderíamos evidenciar, por exemplo, alguns preconceitos de nossa parte para com elas, quando não percebemos o fato de que a harmonia melódica que defendemos é simplesmente um processo de racionalização (matematização) construída ao longo dos tempos, inspirada em boa parte na observação que fizemos das coisas da natureza, responsável por todo o nosso processo civilizatório.
O jovem, como o bárbaro das civilizações antigas, tendo uma imaginação dominante, é capaz de justificar para si a violência e o desejo de conquista territorial ou de poder, como força motriz do desenvolvimento humano, elementos que Nietzsche explorou muito bem ao definir sua “vontade de potência”. Já os mais velhos, conscientes de sua finitude, veem seus interesses serem pautados por coisas mais próximas a eles, preferindo valorar a razão, a paz e o comércio ao uso da força que já não possuem.
Assim, refutando uma análise simplista do pensamento de Pauw, entendemos que o entusiasmo e o conhecimento, de forma complementar e não antagônica, fazem parte do processo de desenvolvimento humano, tanto individual quanto coletivamente. Ambos são igualmente importantes ou potencialmente perigosos para a continuidade e desenvolvimento da nossa espécie.
A música, ou a forma como ela nos toca, simplesmente espelha isso.

Professor Orosco



[1] Cornélius Franciscus de Pauw, ou Cornelis de Pauw (1739-1799) foi um holandês filósofo, geógrafo, especialista em estudos etnonógicos e diplomata na corte de Frederico, o Grande, da Prússia, Familar às ideias do iluminismo, foi considerado o maior especialista sobre as Américas, mesmo nunca tendo visitado o continente. Também escreveu sobre as origens dos povos antigos, rejeitando a ideia popular de que a China havia sido, originalmente, uma colônia do Egito Antigo.