domingo, 31 de dezembro de 2017

CLINIAS


            Clinias ( em grego Κλεινίαν ) foi um filósofo pré-socrático, classificado por Diels-Kranz dentre os pitagóricos e naturalistas menores, originário de Tarento, uma importante cidade grega fundada pelos espartanos no ano de 706 a.C., ao sul da Itália. É citado por Jâmblico, em sua obra Vida Pitagórica, em várias passagens, como exemplo da doutrina pitagórica sobre a justiça, sobre a amizade e lealdade entre os membros da escola.

VP 126: - Há um estrangeiro, no santuário de Asclépio, lhe caiu um cinturão com dinheiro e, posto que pelas leis era proibido que se recolhesse o que caísse ao solo, o forasteiro ficou entristecido por sua sorte. Um pitagórico lhe disse que recolhesse o dinheiro que não havia tocado o solo e deixasse o cinturão, que estava realmente sobre a terra. [...] E uns indivíduos que disputavam entre si, segundo parece, se apresentaram perante Pitágoras, quando o menor deles de aproximou e dirimiu a questão, afirmando que não era necessário transferir o problema para outro, senão que eles deveriam esquecer-se de sua cólera, e ele, que estava escutando disse que esta proposta lhe agradava especialmente, mas que sentia vergonha por não haver se antecipado ele, que era o maior. VP 127: Conforme Aristoxeno, se citam aqui também as histórias de Fintias e Damon, Platão e Arquitas, Clinias e Proros. VP 239: - Dizem, ademais que Clinias de Tarento, quando se inteirou de que Proros de Cirene, que era um seguidor da doutrina pitagórica, corria o perigo de quebra em toda a sua fazenda, reuniu dinheiro e navegou até Cirene, e avalizou os investimentos de Proros, sem preocupar-se da mesma forma com sua própria fazenda, nem tratar de evitar tampouco os perigos da travessia. (DK 54, 1)

            Esta passagem de Jamblico, VP 239, é confirmada por Deodoro, X 3, 1, que também cita a informação transmitida por Aristoxeno (DK 54, 3), onde ele acrescenta que tal atitude se deu apenas porque Clinias soube que Proros era, também, um pitagórico.
            Também é citado por Diógenes Laércio em sua obra Vida dos filósofos mais ilustres, IX, 40, referindo-se a um comentário de Aristoxeno:

Aristoxeno, em seus Comentários históricos, disse que Platão quis queimar os escritos de Demócrito que havia podido recolher; mas que o atrapalharam Amiclas e Clinias, pitagóricos, dizendo-lhe que era coisa inútil, posto que aqueles livros andavam já nas mãos de muitos.(DK 54,2)

Athenágoras, também o cita  em XIV 624 a

Nos conta Cameleone Pontico que Clinias de Pitágoras, um homem distinto para a vida e os costumes que, se ele estava com raiva, pegava a lira e começaram a tocar; e  a quem lhe perguntasse o motivo respondia: me acalma. (DK 54, 4)

            Plutarco também o cita na passagem Quaest. Conviv. III 6, 3 p 654 b

Me apraz imensamente, dizia, aquele dito de Clinias de Pitágoras, que, tendo sido perguntado sobre qual seria o melhor momento para se aproximar de uma mulher, respondeu: quando você tem mais desejo de brigar.(DK 54, 5)

AMICLAS


            Amiclas ( em grego Άμύκλαν )[1] de Tarento[2] foi um filósofo pré-socrático classificado por Diels-Krans entre os pitagóricos e naturalistas menores, do qual praticamente nada se sabe, salvo um fragmento citado por Diógenes Laércio em sua obra Vida dos filósofos mais ilustres, IX, 40, referindo-se a um comentário de Aristoxeno:

Aristoxeno, em seus Comentários históricos, disse que Platão quis queimar os escritos de Demócrito que havia podido recolher; mas que o atrapalharam Amiclas e Clinias, pitagóricos, dizendo-lhe que era coisa inútil, posto que aqueles livros andavam já nas mãos de muitos.
      (DK 54, 1)



[1] Não confundir com a figura mitológica de Amyclas, filho de Amphion, que pereceu com seus irmãos no massacre comandado por Apolo e Artemis
[2] Embora Diels-Kranz o tenham descrito como oriundo de Tarento, o fragmento citado não confirma esta origem, que pode ter sido atribuída pela sua proximidade com Clinias.

sábado, 30 de dezembro de 2017

PROROS


           
            Proros (em grego Πρωρον) foi um filósofo pré-socrático, ligado aos pitagóricos, de Cirene, cidade perto da atual Shahat, localizada num exuberante vale nas terras altas de Jebel Akhdar, Líbia, considerada uma das cinco mais importantes cidades gregas da região.
            É citado por Jâmblico, em sua obra Vida Pitagórica, em várias passagens, como exemplo da doutrina pitagórica sobre a justiça, sobre a amizade e lealdade entre os membros da escola, como a demonstrada por Clinias.

VP 126: - Há um estrangeiro, no santuário de Asclépio, lhe caiu um cinturão com dinheiro e, posto que pelas leis era proibido que se recolhesse o que caísse ao solo, o forasteiro ficou entristecido por sua sorte. Um pitagórico lhe disse que recolhesse o dinheiro que não havia tocado o solo e deixasse o cinturão, que estava realmente sobre a terra. [...] E uns indivíduos que disputavam entre si, segundo parece, se apresentaram perante Pitágoras, quando o menor deles de aproximou e dirimiu a questão, afirmando que não era necessário transferir o problema para outro, senão que eles deveriam esquecer-se de sua cólera, e ele, que estava escutando disse que esta proposta lhe agradava especialmente, mas que sentia vergonha por não haver se antecipado ele, que era o maior. VP 127: Conforme Aristoxeno, se citam aqui também as histórias de Fintias e Damon, Platão e Arquitas, Clinias e Proros. VP 239: - Dizem, ademais que Clinias de Tarento, quando se inteirou de que Proros de Cirene, que era um seguidor da doutrina pitagórica, corria o perigo de quebra em toda a sua fazenda, reuniu dinheiro e navegou até Cirene, e avalizou os investimentos de Proros, sem preocupar-se da mesma forma com sua própria fazenda, nem tratar de evitar tampouco os perigos da travessia. (DK 54, 1)

            Esta passagem de Jamblico, VP 239, é confirmada por Deodoro, X 3, 1, que também cita a informação transmitida por Aristoxeno (DK 54, 3), onde ele acrescenta que tal atitude se deu apenas porque Clinias soube que Proros era, também, um pitagórico.




NÚMEROS


Pitágoras, o pai da matemática, pregava aos seus discípulos que os números representavam o princípio de todas as coisas.
Não os algarismos ou numerais, mas todas as representações que eles podiam exprimir.
Longe ou próximo, segundo o  coração de cada um
Largo ou estreito, segundo o sorriso ao encontrá-lo novamente.
Quente ou frio, segundo a coluna vertebral ao vê-lo aproximar-se.
Maior ou menor, segundo seu desejo.
Relações.
Para ele, tudo era fruto de relações.
Assim, ao colocar o pé no próximo ano, pense nas relações que pretende estabelecer em 2018.
De florescimento como na primavera ou de decaimento como no outono.
De calor humano como no verão ou de frio intenso como no isolamento do inverno.
Viverás todas elas, mas só terão importância aquelas que permitir.
Relações.
Relações frutíferas como aquelas que espero poder mantemos aqui.
Feliz ano novo


Professor Orosco


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

ARION



            Arion ( em grego Αρίων) foi um dos últimos pitagóricos, relacionado por Diels-Krans, como originário de Lócrida, a partir de fragmentos deixados por Platão no seu diálogo Fédon,  88 d, e em sua Carta IX, 358 b, endereçada a Arquitas, onde seu nome é subentendido[1], associando-o ao século IV a.C.[2]
             


[1] Em nenhum dos fragmentos citados por Diels-Kranz seu nome aparece textualmente citado.
[2] Não confundir com Arion, de Corinto, um cantor da citara (um antigo instrumento musical do grupo das liras) e poeta que floresceu por volta do ano 615 a.C. ao qual é creditado a invenção do ditirambo, um antigo hino grego cantado em homenagem ao deus Dionísio.

FANTO

          
            Fanto  (em grego Φάντων) foi um pitagórico de Fliunte relacionado por Diels-Krans, a partir de fragmentos deixados por Diógenes Laércio, em sua Vida dos Filósofos mais Ilustres, VIII, 46 e por Jamblico em sua obra Vida Pitagórica. 251 e .
            De sua biografia muito pouco chegou aos nossos dias, à exceção de informações que o associam ao século IV a.C.

DL, VIII, 46 - Sua escola durou até dezenove gerações ou sucessões. Os últimos pitagóricos foram Xenófilo Calcidence da Trácia, Fanto, Fliasio, Equécrates, Diocles e Polimnesto, também filásios... (DK 53, 1)

JAMBLICO - VP, 251 - O resto dos pitagóricos abandonou a Itália, exceto Arquitas de Tarento. Em Régio se reuniram outros que passavam a vida juntos, mas que, com o passar do tempo e vendo a piora dos assuntos políticos ... e os mais significativos foram Fanto, Polimnesto, Equecrates, Diocles, de Fliunte e o calcídio Xenófilo, dos calcídios da Tracia. Preservaram, por suposto, os costumes e as doutrinas originais, inclusive depois da desaparição da seita, até que morreram dignamente. (DK53, 1)


domingo, 24 de dezembro de 2017

SOBRE O NATAL



Origem do Natal e o significado da comemoração

O Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, pois não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. A data real e mais provável para seu nascimento, segundo os estudos da astronomia, que levou em consideração a posição das estrelas conforme descrito, seria em uma data próxima ao final de agosto ou início de setembro. A própria ideia de manjedoura se dá pelas condições climáticas desta época naquela região. Foi somente no século IV (mais precisamente no ano 350) que o 25 de dezembro, por decisão do papa Júlio I, foi estabelecido como data oficial de comemoração. É necessário recordar que a Bíblia Cristã foi elaborada a partir do Concílio de Niceia (325 d.C.) que escolheu os evangelhos oficiais dentre os muitos existentes à época, tornando-se a religião oficial do Império Romano decretada pelo Imperador Constantino. Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno (o solstício de inverno no hemisfério norte ocorre aos 22 de dezembro) Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal.
As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três  reis Magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus. Na verdade, acredita-se que seriam doze os Sacerdotes da tribo dos Magos que visitaram Jesus, pois é improvável que, naqueles dias, uma caravana tivesse número menor de viajantes. O número três teria sido, portando, simbolicamente escolhido pelo número de presentes oferecidos. Atualmente, as pessoas costumam montar as árvores e outras decorações natalinas no começo de dezembro e desmontá-las até 12 dias após o Natal.
Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa História.

O Papai Noel: origem e tradição

Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele. 
A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

A roupa do Papai Noel 

Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura (e permanece assim até hoje em muitos lugares, principalmente em alguns países nórdicos) Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.
Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Curiosidade: o nome do Papai Noel em outros países

- Alemanha (Weihnachtsmann, O "Homem do Natal"), Argentina, Espanha, Colômbia, Paraguai e Uruguai (Papá Noel), Chile (Viejito Pascuero), Dinamarca (Julemanden), França (Père Noël), Itália (Babbo Natale), México (Santa Claus), Holanda (Kerstman, "Homem do Natal), Portugal (Pai Natal), Inglaterra (Father Christmas), Suécia (Jultomte), Estados Unidos (Santa Claus), Rússia (Ded Moroz).

A Árvore de Natal e o Presépio

Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas e outros ambientes. Em conjunto com as decorações natalinas, as árvores proporcionam um clima especial neste período. 
Acredita-se que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Luthero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.
Esta tradição foi trazida para o continente americano por alguns alemães, que vieram morar na América durante o período colonial. No Brasil, país de maioria cristã, as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares, pois, além de decorar, simbolizam alegria, paz e esperança. 
O presépio também representa uma importante decoração natalina. Ele mostra o cenário do nascimento de Jesus, ou seja, uma manjedoura, os animais, os reis Magos e os pais do menino. Esta tradição de montar presépios teve início com São Francisco de Assis, no século XIII. As músicas de Natal também fazem parte desta linda festa. A mais famosa delas, “Noite Feliz". Foi escrita pelo padre Joseph Mohr e a composição foi feita por Franz Xaver Gruber em 1818, na cidade de Oberndorf, Áustria, tendo sido executada pela primeira vez na Missa do Galo daquele ano.

De qualquer sorte, dado o seu forte apelo religioso e, principalmente comercial, as festividades do Natal têm sido mantidas e incentivadas desde muito, representando a possibilidade da construção de um mundo melhor onde impere a fraternidade e a paz.
É fato histórico que, mesmo nas mais sangrentas guerras, como a da I Grande Guerra Mundial, os conflitos cessavam nesta data e as tropas, apesar da resistência e desaprovação dos generais, interrompiam a luta e os combatentes confraternizavam uns com os outros.

FELIZ NATAL

Professor Orosco

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

POLIMNESTO


           
            Polimnesto (em grego Πολνμαστος) foi um músico pitagórico relacionado por Diels-Krans, a partir de fragmentos deixados por Diógenes Laércio, em sua Vida dos Filósofos mais Ilustres, VIII, 46 e por Jamblico em sua obra Vida Pitagórica. 251 e .
            De sua biografia muito pouco chegou aos nossos dias, à exceção de informações que o associam ao século IV a.C.

DL, VIII, 46 - Sua escola durou até dezenove gerações ou sucessões. Os últimos pitagóricos foram Xenófilo Calcidence da Trácia, Fanto, Fliasio, Equécrates, Diocles e Polimnesto, também filásios.. (DK 53, 1)

JAMBLICO - VP, 251 - O resto dos pitagóricos abandonou a Itália, exceto Arquitas de Tarento. Em Régio se reuniram outros que passavam a vida juntos, mas que, com o passar do tempo e vendo a piora dos assuntos políticos ... e os mais significativos foram Fanto, Polimnesto, Equecrates, Diocles, de Fliunte e o calcídio Xenófilo, dos calcídios da Tracia. Preservaram, por suposto, os costumes e as doutrinas originais, inclusive depois da desaparição da seita, até que morreram dignamente. (DK53, 1)

            É citado também por Alfonso Reyes[1], em sua obra Religião Grega - Mitologia Grega, 178, que diz:

As danças líricas correspondem à história da música e também da poesia lírica, que a antiga Esparta enalteceu um dia, só para que, em seu triste aquartelamento, as arrebatassem outras cidades gregas. Desde cedo, Esparta não instruía na música os seus cidadãos. Os músicos eram forasteiros: Tepandro, Polimnesto, Tales – importador do ágil ritmo peônio e cretense -, Tirteo o das famosas batidas que pontuam a marcha militar



[1] Alfonso Reyes Ochoa (1889/1959) era um escritor mexicano, filósofo e diplomata, indicado para o Prêmio Nobel de Literatura cinco vezes

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

EQUÉCRATES



            Equécrates ( em grego Ἐχεκράτης) foi um filósofo grego da escola de Pitágoras, filho de Frínion, nascido em Fliunte, que viveu no século IV, tendo sido discípulo de Filolau e de Eurito, e contemporâneo de Platão que, inclusive se vale de seu nome, colocando-o como um dos personagens centrais do Diálogo Fedon, uma obra onde a presença do pensamento pitagórico da metempsicose se mostra flagrante, em que ele é aquele personagem que pergunta acerca da morte de Sócrates.

88 d :- (Equécrates) - A opinião de que a alma é uma espécie de harmonia sempre teve sobre mim uma extraordinária influência, e tua menção dela fez-me lembrar que compartilhara dela antes.

            É citado por Diógenes Laércio em sua obra Vida dos Filósofos mais Ilustres, VIII, 46, que o coloca como dentre os últimos pitagóricos, quando coloca a longevidade da escola iniciada por Pitágoras:

Sua escola durou até dezenove gerações ou sucessões. Os últimos pitagóricos foram Xenófilo Calcidence da Trácia, Fanto, Fliasio, Equécrates, Diocles e Polimnesto, também filásios... (DK 53, 1 )

Também é citado por Jâmblico, em sua obra Vida Pitagórica, 251,  na passagem imediatamente  posterior à descrição do ataque de Cilon aos pitagóricos, ocorrido em Crotona por volta do ano 400 a,C.

O resto dos pitagóricos abandonou a Itália, exceto Arquitas de Tarento. Em Régio se reuniram outros que passavam a vida juntos, mas que, com o passar do tempo e vendo a piora dos assuntos políticos ... e os mais significativos foram Fanto, Polimnesto, Equecrates, Diocles, de Fliunte e o calcídio Xenófilo, dos calcídios da Tracia. Preservaram, por suposto, os costumes e as doutrinas originais, inclusive depois da desaparição da seita, até que morreram dignamente. (DK 53, 1)

            Platão também o menciona em sua Carta IX, 358 b, endereçada a Arquitas:

E que baste quanto a esse assunto. Estamos, neste momento, cuidando de Equécrates e o faremos também no futuro, por tua causa, por causa de Frínion, o pai dele, e por causa do próprio jovem.

            Também é citado por Cicero, em sua obra De Finis Terre (o fim da Terra) onde, ao que parece de forma equivocada, é descrito como oriundo de Lócrida.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

DIOCLES - II - O médico


              Diocles (em grego Διοκλῆς) de Caristos[1], uma cidade da Eubeia, foi um filósofo grego, que viveu no século IV a.C., provavelmente entre os anos 375 e 295 a.C., considerado o segundo médico mais importante da época, situando-se apenas atrás de Hipócrates de Cós, tanto em reputação quanto em habilidades, de acordo com a tradição.
            Residente em Atenas, foi o primeiro a escrever tratados médicos em grego ático, do qual apenas alguns fragmentos sobreviveram, em vez do jônico, usado habitualmente para tais escritos.
            Seu trabalho mais importante foi Sobre a Dieta, voltado para a medicina prática, especialmente dieta e nutrição, mas ele também escreveu o primeiro livro de texto sistemático sobre anatomia animal . De acordo com várias fontes, ele foi o primeiro a usar a palavra "anatomia" para descrever o estudo
            Geralmente considerado como o principal representante da escola dogmática, ele escreveu sobre anatomia animal, dietética, fisiologia, embriologia e botânica médica, além de outros assuntos.
            Insistia que a saúde requer uma compreensão da natureza do universo e sua relação com o homem enfatizando que os nervos são os canais das sensações e que a interferência com eles está diretamente envolvida na patologia da doença. Defendia  que a Dieta deveria começar no momento exato em que se acorda, recomendando-se não se levantar imediatamente após acordar, mas esperar que a sensação de peso se dissipe dos membros. Da mesma sorte, não recomendava o banho logo após acordar e alertava que antes de dedicar-se ao trabalho, era necessário alimentar-se, sugerindo que, quem dispusesse de tempo para isso, pudesse, também,  caminhar. Na sequência dos período de trabalho, aos cuidados com o corpo recomendados para o período da manhã, deveria cuidar-se do almoço e imediatamente após este, da siesta[2], que poderia ser depois, seguida de alguns trabalhos caseiros e por outra caminhada. Depois, disso, um leve descanso, exercícios físicos da segunda parte do dia que terminaria com a refeição principal. Para ele, a principal refeição deveria ser feita ao entardecer e, as pessoas mais frágeis (jovens demais ou idosas) deveriam entregar-se, imediatamente após isso, ao repouso.
            Em sua doutrina, ele mostrava uma tendência sintética, combinando a influência da medicina hipocrática (da qual existem evidências que ele tinha à sua disposição uma coleção de escritos) e da escola siciliana, e sua terminologia sugere uma influência aristotélica
            Segundo o pesquisador Philip J. Van der Eijk, considerado o maior conhecedor de seus trabalhos, em sua obra Medicine and Philosophy in Classical Antiquity – Doctors and Philosophers on Nature Soul Health and Disease,[3] embora seu trabalho na reorganização da medicina no nível teórico fosse importante, no nível da medicina prática, ele estabeleceu linhas originais.
  




[1] Não confundir com Diocles de Fliunte ( dramaturgo grego que viveu no século V a.C.) ou Diocles  (matemático grego que viveu no século II a.C.)
[2] Período de descanso em que se dorme e tem sono de curta duração realizado logo após o almoço.
[3] Medicina e Filosofia na Antiguidade Clássica - Médicos e Filósofos sobre a Natureza Saúde e Doença da Alma