segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

METRODORO



            Metrodoro ( em grego antigo Μητρόδωρος  ) foi um filósofo pré-socrático grego, nascido em Quios, uma ilha da costa jônica, na Ásia Menor, que viveu aproximadamente entre os anos 449 e 350 a.C., Pertencente à escola de Demócrito, sabe-se que dedicou também um especial interesse pelos problemas de lógica e do conhecimento, onde desenvolveu temas gnosiológicos que foram, posteriormente, aproveitados pelo ceticismo pirrônico.
Considerado um importante predecessor de Epicuro, Metrodoro foi  aluno de Nessa de Quios ou, como algumas fontes indicam, do próprio Demócrito. Diz-se, também, que ensinou Diógenes de Esmirna que, por sua vez, teria ensinado Anaxarco.
Metrodoro era um completo cético e, conforme os fragmentos de sua obra Sobre a natureza, onde confirma sua tendência atomista, aceitando a teoria dos átomos, do vazio e da pluralidade dos mundos de Demócrito. No entanto, diferenciando-se dele, desenvolveu uma teoria própria, na qual dizia que as estrelas são formadas no curso do tempo pela umidade do ar sob o calor do Sol.
De acordo com Cicero[1] também teria dito:  "Nem sequer sabia que nada sabia",[2] tendo também apoiado a ideia de que todas as coisas são para cada pessoa aquilo que lhe parece ser. Metrodoro se mostra especialmente interessante como professor de Anaxarco, amigo de Pirro e como elemento de ligação entre o atomismo e o posterior ceticismo.
A ele também são atribuídas as obras Histórias jônicas e Histórias troianas, sendo-lhe atribuída a seguinte citação: "Uma só espiga de trigo num grande campo é tão estranha como um mundo único no espaço infinito, o que evidencia, se é verdadeira essa afirmação, uma filosofia cosmológica avançada para a sua época.[3]

CLEM. ALEX. Strom. I, 64 - De Demócrito eram discípulos Protágoras de Abdera e Metrodoro de Quios, de Metrodoro, Diógenes de Esmirna, dele Anaxarco, daquele então Pirro, e de Nausifane: e alguns dizem que dele era um discípulo Epicuro. SUID. s. v.... foi na escola de Brison ... depois de Anaxarco o discípulo de Metrodoro de Quios, de quem tinha sido mestre Demócrito de Abdera ( DK 70 A 1 )

PLUTAR. Strom. 11 -  Metrodoro de Quios sustenta que o universo é eterno, porque, se fosse gerado, viria do não-ser; e que é infinito, porque é eterno: na verdade, não tem um começo do qual nem um limite nem um fim começaram; e de fato o universo inteiro nem participa no movimento. Na verdade, não é possível que ele se mova sem mudar de lugar: e seria necessário que ele mudasse de lugar ou para a plenitude ou para o vazio... O ar, condensando, produz as nuvens e depois a chuva, que, caindo no solo, a extingue; e então reacende para rarefazer-se. Então, ao longo do tempo, o solo se solidifica para o seco e pelo elemento luminoso da água dá origem às estrelas; e com a extinção e a iluminação produz noite e dia, bem como eclipses em geral. ( DK 70 A 4 )

SIMPLIC. Comentários sobre a física de Aristóteles 648 14. [Afirmaram que] mesmo fora do mundo existe [vazio], precisamente porque é manifesto que não há espaço [para conter o mundo], mas que seria colocado em si mesmo. Metrodoro de Quios também foi desta opinião ( DK 70 A 8 )

SIMPLIC. Comentários sobre a física de Aristóteles, 1121, 21 Anaxágoras e Arquelao e Metrodoro de Quios parecem afirmar que o mundo existe desde o início dos tempos ( DK 70 A 5 )

AËT. I 5, 4 - Metrodoro, o mestre de Epicuro, afirma que seria igualmente absurdo que uma única ovelha tenha nascido em um vasto campo e apenas um mundo no infinito. Que os mundos, em vez disso, são infinitos em número, é evidente em consequência do infinito sendo as causas. Na verdade, se o mundo é limitado, mas as causas de que este mundo foi produzido são infinitas em sua totalidade, é necessário que os mundos sejam infinitos: uma vez que, onde as causas são infinitas, os efeitos também devem ser infinitos. E as causas são os átomos ou os elementos. ( DK 70 A 6 )

AËT. II 1, 3 -. ... Diógenes, Leucipo, Demócrito, Epicuro e o mestre deste Metrodoro afirmam que existem infinitos mundos no espaço infinito em todas as direções. ( DK 70 A 7 )

AËT. II 17, 1 - Metrodoro acredita que todas as estrelas fixas recebem luz do sol. ( DK 70 A 9 )

AËT. II 27, 5 - [ a Lua ]. Tales foi quem  primeiro disse que está iluminada pelo Sol ... e, da mesma forma, Metrodoro ( DK 70 A 12 )

AËT. III 3, 3 - [trovões, relâmpagos e redemoinhos]. Metrodoro diz que quando o vento entra em uma nuvem que se tornou compacta devido à condensação, quando ela quebra, produz um ruído, com o golpe e com a separação, provoca um flash, com a velocidade do movimento que adquire calor do Sol provoca raios e, se o  relâmpago não possui força suficiente, faz com que ele gire como um redemoinho ( DK 70 A 15 )

AËT. III 15, 6 [terremotos]. Metrodoro afirma que nenhum corpo que está em seu lugar apropriado se move, se não há quem o empurre ou o raspe pela força. Para o qual nem a terra se move, como a que está situada em seu lugar natural, mas certos lugares dela retornam aos outros. SENEC. nat. Quaest. VI 19, 1-2. É necessário ouvir a Metrodoro de Quios ... o que ele diz então? Como quando cantar na boca de um vaso, a voz corre rapidamente através do recipiente com uma certa vibração e ressoa, e, embora seja emitida um pouco, no entanto, ele não passa sem tremer e retumbar do recipiente onde está fechado, então a imensidão das cavernas que penetram abaixo do solo contém seu próprio ar que, logo que é atingido por outro ar que vem de cima, é abalado de uma maneira que não é diferente da ressonância desses vasos vazios, mencionados acima, devido a um clamor produzir dentro deles. ( DK 70 A 21 )

Fragmentos Sobre a natureza

CICER. ac. pr. II 23, 73 E este Metrodoro de Quios, que teve para ele [Demócrito] a maior admiração, no início de seu livro intitulado Sobre a natureza escreve: Eu digo que não sabemos se sabemos ou ignoramos qualquer coisa; e que nem sabemos se sabemos ou não conhecemos isso mesmo ou absolutamente se algo existe ou não. EUSEB. Præp. Evang. XIV 19, 8 [de seu compêndio biográfico]. Juntamente com estes, há também aqueles que seguem o caminho oposto e que afirmam ter que pagar fielmente às sensações do corpo: entre estes encontramos Metrodoro de Quios e Protágoras de Abdera. Metrodoro, portanto, diz que ele era um pupilo de Demócrito; e que ele estabeleceu como cheio e vazio os princípios dos quais se representa ser e o outro não é ser. Ele escreveu um livro da natureza, ao qual ele deu esse exórdio: Nenhum de nós sabe nada, nem mesmo essa coisa em si, se conhecemos ou não sabemos, nem mesmo se algo existe ou não.Este exórdio foi uma fonte de inspiração para Pirro, que viveu depois desses tempos. Procedendo então, ele diz: ( DK  70 B 1 )

Fragmentos da História Troiana

ATHEN. IV 184. A. Metrodoro de Quios nas Histórias de Troia diz que Marcia inventou a gaita em Celene, enquanto antes dele tocava flautas compostas por uma única cana. ( DK 70 B 3 )

Fragmentos da História Jônica

PLUT. Quaest. conv. VI 2 p. 694 A - E nós recebemos o testemunho das Histórias Jônicas de Metrodoro: ele narra que os Esmirnos, que já pertenciam antigamente aos Eólios, sacrificam um touro preto em holocausto para Bubrosti, cortando-o em pedaços sem ferir a pele ( DK 70 B 6 )




[1] Cicero, Academica, ii. 23 § 73; 
[2] Diógenes Laércio,  Vida dos filósofos mais ilustres, IX, 58
[3] Aëtius, Placita Philosophorum i.5.4.

NESSA



            Nessa ( em grego antigo Νεσσας ) foi um filósofo pré-socrático grego, pertencente à escola de Demócrito, que viveu no século IV a.C. do qual não se sabe praticamente nada, à exceção de que era de Quios, uma ilha da costa jônica, na Ásia Menor e que foi, juntamente com Protágoras de Abdera, discípulo de Demócrito e professor de Metrodoro de Quios que, à sua vez, foi professor de Diógenes de Esmirna, que foi professor de Anaxarco, que teve Pirro por aluno.
            Existem registros de sua existência nos escritos de Diógenes Laércio, em sua obra Vida dos filósofos mais ilustres, nos trabalhos de Eusébio e Fragmentos obtidos a partir de Porfírio e Proclo.

EUSEB. Præp. Evang. XIV 17, 10 [de seu vulgar compêndio biográfico, não de Aristocles]. Parmênides: dele era o discípulo Melisso, e estes [tinham como pupilo] Zenão e estes Leucipo e este Demócrito e os últimos Protágoras e Nessa. Nessa então [teve como pupilo] Metrodoro e esse Diógenes e este Anaxarco; de Anaxarco, um discípulo de nome Pirro. ( DK 69 A 1 )


DIÓG. LAÉRCIO, IX, 58 – Anaxarco, abderita, foi discípulo de Diógenes de Esmirna. Outros dizem que o foi de Metrodoro de Quios, o qual dizia que nem sequer sabia que nada sabia. Este Metrodoro foi discípulo de Nessa de Quios, ainda que outros suponham que de Demócrito. ( DK 69 A 2 ) 

PORPHYR. Quaest. Hom. para Il. IX 378 I 137, 14 [de Apolodoro]. Nessa de Quios também estende minimamente a atenção à métrica (DK 69 B 1)

PROCL. em Hesíodo. opp. p. 84 [de Apolodoro sobre os deuses]. Nessa de Quios da função de acompanhar as almas dos mortos ( DK 69 B 2 )



sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DEMÓCRITO

  
            Demócrito ( em grego antigo Δημόκριτος, Dēmokritos, "escolhido do povo" ) foi um filósofo grego que viveu aproximadamente entre os anos de 460 e 370 a.C., nascido na cidade de Mileto, Ásia Menor, ao Sul da Jônia, atual Turquia que, tendo viajado pela Babilônia, Pérsia, Egito e Atenas, estabeleceu-se em Abdera, uma cidade grega na costa da Trácia, perto do rio Nestos e quase em frente a Tasos, sendo considerado equivocadamente um filósofo pré-socrático, uma vez que foi contemporâneo de Sócrates e que suas obras (segundo a doxografia existente) tratavam da ética e não apenas da physis ( cujo estudo caracterizava os pré-socráticos ).      
            Discípulo e sucessor de Leucipo, também nascido em Mileto e radicado em Abdera, com quem, partilhando da percepção de que a natureza (physis), a despeito de seu aspecto múltiplo e movediço, é um todo ordenado e regulado a partir de certos princípios, isto é, em alguma medida racional em seus movimentos, lançou-se à tarefa de investigar a realidade, bem como as modalidades discursivas válidas, numa tentativa de responder ao desafio de Parmênides, e de seus discípulos da escola Eleata, de que era impossível conciliar a experiência ordinária do devir com as normas de inteligibilidade ditadas pelo pensamento na determinação do real.[1]  
            Neste sentido, pode-se dizer que foram, até certo ponto, bem sucedidos, uma vez que conseguiram elaborar uma ontologia que respeitava as exigências dos eleatas (isto é, da razão) relativas ao ser; ao mesmo tempo que conseguiram oferecer um estatuto coerente, inteligível, ao problema do movimento e da multiplicidade, ao considerarem o universo como uma infinidade de matéria (pensada como ser) dispersa em movimento caótico (em função de fenômenos que se apresentam pelo acaso e pela necessidade) num kenón (vazio) [ pensado como não-ser ] infinito, sem outra força de movimento além daquela pertencente aos átomos[2].
            Demócrito é considerado por muitos o maior e mais radical materialista do mundo antigo, um ateu que negava Deus ao proclamar a matéria como coisa autocriada e integrada por átomos e, embora discípulo de Leucipo, por haver sistematizado o pensamento e a teoria atômica, é considerado, também, seu maior expoente, chegando a avançar no conceito de um universo infinito, onde existiriam muitos outros mundos como o nosso.
            Tendo vivido no período final das discussões pré-socráticas sobre a natureza, seu pensamento moral se opunha ao idealismo socrático/platônico e ao relativismo dos sofistas. Um exemplo deste antagonismo se pode depreender, observando e comparando a defesa das diferentes posições no Diálogo Crátilo de Platão e na apresentação do testemunho de Proclo em seu Comentário ao Crátilo de Platão, onde nele, Pitágoras e Epicuro seriam partidários da opinião de Crátilo, e Demócrito, concordando com Hermógenes, teria apresentado quatro argumentos contra sua tese naturalista dos nomes.

PLAT. Crátilo, 383 A – [ Hermógenes ] - Crátilo afirma, Sócrates, que todas as coisas possuem um nome correto, que lhe é inerente por força da natureza, e que o nome de uma coisa não é algo pelo qual é chamada devido a um acordo das pessoas, como uma partícula de sua própria linguagem nativa aplicada a ele, mas que há uma correlação inerente aos nomes, que é a mesma para todos, gregos e bárbaros. Pergunto-lhe, consequentemente, se seu nome é verdadeiramente Crátilo, com o que ele concorda. “E quanto a Sócrates?”, eu disse, “Seu nome é Sócrates”, ele disse. “E isso se aplica também a todos os demais seres humanos e o nome particular pelo qual chamamos cada pessoa é seu nome?”. E ele disse: “Não, teu nome não é Hermógenes mesmo que toda a humanidade te chame assim”. ( ver Crátilo - DK 65 A 5 )

PROCL. em Crátilo 16 p. 6, 10. Com a expressão "o que impôs os nomes [às coisas"], Pitágoras aludiu simbolicamente à alma, que é imediatamente subordinada ao intelecto; e as coisas, em si mesmas, não têm uma existência original como intelecto, mas a alma possui imagens delas e suas relações essenciais com toda a clareza, como pinturas das coisas, que são precisamente as nomes, que são imitações de espécies inteligíveis, isto é, números. O ser, portanto, deriva de todas as coisas do intelecto que se conhece e que é a sabedoria, a denominação da alma que imita o intelecto. Não é, portanto, uma obra de qualquer tipo, diz Pitágoras, impondo nomes [às coisas], mas apenas o que contempla o intelecto e a natureza dos seres: [para ele], portanto, os nomes são por natureza. Por outro lado, Demócrito, que afirma serem os nomes por convenção (thései), estabeleceu isso através de quatro argumentos (epikheiremáton) : pela homonímia; pois coisas (prágmata) diferentes são chamadas pelo mesmo nome; por conseguinte, o nome não é por natureza (phúsei). Também pela polionímia; pois se nomes diferentes se ajustarem a uma mesma e única coisas, também [ o farão  ] mutuamente, o que é impossível. Em terceiro lugar, pela mudança dos nomes ( tês tôn onomáton metathéseos). Com efeito, por que mudamos o nome                      ( metonomásamen ) de Aristocles para Platão, por um lado, e o de Tirtamo para Teofrasto, por outro, se os nomes são por natureza? E pela falta dos semelhantes ( tês tôn homoíon elleípseos ); por que a partir de “discernimento” ( apò mèn tês phronéseos ) dizemos “discernir”, ao passo que a partir de “justiça” ( apò mèn tês dikaiosúnes ) já não temos um parônimo ( paronomázomen ) ?. Por conseguinte, os nomes são por acaso e não por natureza. ( DK 68 B 26 )

            Segundo Proclo, Demócrito atacou a tese naturalista dos nomes, afirmando que coisas diferentes são chamadas pelo mesmo nome e, curiosamente, a exemplo de Homero (Ilíada,  XVII, 720) já se valia do vocábulo homónumos para isso.
Esta oposição acabou gerando um antagonismo exacerbado por parte de Platão, inimigo de seu materialismo, que chegou a ser acusado e responsabilizado historicamente por se perderem a maioria dos muitos manuscritos de Demócrito, conforme registrado Diógenes Laércio em sua obra Vida dos filósofos mais ilustres,  IX, 40, referindo-se a um comentário de Aristoxeno, nos  seus Comentários históricos:

Aristoxeno, em seus Comentários históricos, disse que Platão quis queimar os escritos de Demócrito que havia podido recolher; mas que o atrapalharam Amiclas e Clinias, pitagóricos, dizendo-lhe que era coisa inútil, posto que aqueles livros andavam já nas mãos de muitos. (Ver Amiclas - DK 54, 1)  

Acredita-se que o sofista Protágoras de Abdera tenha sido seu discípulo direto ( DK 68 A 2 ) e que, posteriormente, o principal filósofo influenciado por seu pensamento tenha sido Epicuro. No renascimento, muitas de suas ideias foram aceitas, a exemplo de Giordano Bruno, que acabou condenado a morrer queimado na fogueira ao defender a possibilidade existirem de muitos outros mundos como o nosso, e, também, tiveram um papel importante no iluminismo. Sua obra sobreviveu apenas na forma de relatos de segunda mão, cujos numerosos fragmentos se mostram por vezes contraditórios. Muitos destes relatos vêm de Aristóteles, seu principal crítico na Antiguidade, mas que reconhecia o valor de sua obra em filosofia natural. Diógenes Laércio, que lhe dedica todo um capítulo em sua obra Vida dos Filósofos mais ilustres, IX, 34 e ss.,  ao comentar sobre sua biografia, listou um grande número de obras de Demócrito em diversas áreas, incluindo filosofia, ética, física, matemática, música, meteorologia, zoologia, estética e cosmologia.

DL., IX, 34 ss : - 1) Demócrito foi filho, segundo alguns, de Hegesistrato; segundo outros, de Atenócrito, e segundo outros, de Damasipo; nasceu em Abdera, ou como dizem alguns, em Mileto. Estudou com vários Magos e Caldeus que o Rei Xerxes deixou como professores a seu pai quando se hospedou em sua casa, dos quais aprendeu teologia e astrologia, sendo todavia muito pequeno, segundo escreve Heródoto. Se uniu depois a Leucipo, e segundo dizem alguns, a Anaxágoras, sendo quarenta anos mais jovem que ele. Favorino refere em sua História, que Demócrito disse que de Anaxágoras não eram deste as coisas que havia escrito acerca do Sol e da Lua, senão opiniões antigas, e que as havia roubado. Também que censurou e denegriu o mérito do que havia escrito sobre a formação do mundo e da mente fazendo-se seu inimigo por não havê-lo querer receber. ( DK 68 B 5 )  Como? , dizem alguns, será discípulo seu?  Demétrio, em seus Homônimos, e Antístenes nas Sucessões, dizem que se foi com os sacerdotes do Egito a fim de aprender a geometria, com os Caldeus da Pérsia e ao Mar Vermelho. Ainda existem quem diga que também esteve na Índia com os gimnosofistas[3] e que, ademais, passou para a Etiópia. 2) Era o menor de três irmãos; e ao dividir-se a herança paterna, escrevem muitos que escolheu a porção menor que estava em dinheiro, sendo-lhe mais útil para viajar, ainda seus irmãos imaginavam que o fazia com algum dolo. Demétrio disse que sua parte passou dos cem talentos, e que os gastou todos. Dizem que era tão aplicado ao trabalho, que de sua casa e horto separou uma pequena parte e se encarcerou nela; e como uma vez levasse seu pai um boi ao sacrifício e o prendesse ali, não o advertiu até que seu pai o chamou para o sacrifício e o avisou que ali estava o boi. 3) Segundo Demétrio, parece que também passou por Atenas, e que por desestimar sua própria glória não cuidou de ser conhecido, ainda que ele conheceu Sócrates, e Sócrates conheceu a ele. Fui – disse – a Atenas e ninguém me conheceu. ( DK 68 B 116 ) Se o diálogo Antierastes[4] – disse Trasilo – é de Platão, acaso seria Demócrito o anônimo que ali estava, ademais de Enópides e Anaxágoras, discorrendo sobre a filosofia do qual disse Platão: Este filósofo se parece com o vendedor de cinco certames. Com efeito. Demócrito realmente era na filosofia perito em cinco certames, pois era experimentado e hábil na natural, moral, matemática, encíclica e em todas as artes. É seu aquele dito que diz: as palavras são a sombra das coisas. 4) Demétrio Falero, na Apologia de Sócrates, disse que Demócrito nunca esteve em Atenas. Isto todavia é mais: haver menosprezado a cidade tão célebre, não querendo receber fama do lugar, senão procurar que o lugar que a recebesse dele. Mas qual foi Demócrito manifesto em seus escritos. Parece, disse Trasilo, que foi imitador dos pitagóricos. Efetivamente, ele faz menção a Pitágoras, celebrando muito em seu Homônimo, e toma todas suas coisas de tal maneira, que parece que foi seu discípulo, se não repugnassem os tempos; mas que ouviu algum pitagórico o assegura Claudio de Régio, que viveu por aquela época. Apolodoro Ciziceno disse que tratou com Filolau. E Antístenes afirma que exercitava e provava variadamente sua imaginação, já na solidão, ou também retirando-se aos sepulcros. Que ao regressar de suas viagens, viveu pobremente (como havia gasto nelas tudo o que possuía), e por sua indigência, o manteve seu irmão Damasco; mas logo que se acreditou anunciando algumas coisas vindouras, muitos o julgaram merecedor de honras divinas. 5) Como havia uma lei que dizia que quem dissipasse seu patrimônio era indigno de ter sepultura em sua pátria, quando o soube Demócrito (disse Antístenes), por não ver-se como o branco de alguns invejosos e caluniadores, lhes leu seu Megas Diakosmos (Grande Cosmologia), que era o menor de seus escritos, e foi premiado com quinhentos talentos. Não só isto, senão que o honraram com estátuas de bronze; e morrendo com mais de cem anos, foi enterrado a custas do povo. Demétrio disse que seus parentes foram os que leram o Megas Diakosmos, e que ele, como prêmio, recebeu somente cem talentos. Isto mesmo confirma Hipoboto. Aristoxeno, em seus Comentários históricos, disse que Platão quis queimar os escritos de Demócrito que havia conseguido recolher; mas o atrapalharam Amiclas e Clinias, pitagóricos, dizendo que isso era coisa inútil, posto que aqueles livros já andavam nas mãos de muitos. Isto consta também de que Platão fazendo recordações de quase todos os antigos, em nenhum lugar a faz de Demócrito, nem sequer onde convinha contradizê-lo em alguma coisa, o qual parece que o fez sabendo que assim contradizia ao mais excelente dos filósofos, a quem Timeu louvava dizendo: Qual Demócrito sábio, autor do belo estilo e doutas frases, e, acima de tudo, do falar festivo. 6) Segundo disse ele mesmo em sua Pequena Cosmologia, era todavia moço quando Anaxágoras já era velho, posto que tinha quarenta anos a menos que ele. Disse que compôs o Micros Diakosmos por volta do ano 730 depois da destruição de Tróia. ( DK 68 B 5 ) Assim que teria nascido, segundo Apolodoro nas Crônicas pela LXXX Olimpíada; ainda que Trasilo, em sua obra intitulada Dos conhecimentos prévios sobre os livros de Demócrito, tenha dito que nasceu no ano terceiro da LXXVII Olimpíada, um antes que Sócrates. Assim que foi contemporâneo de Arquelau, discípulo de Anaxágoras e também de Oinopides, de quem também faz memória. A faz também a opinião de Parmênides e de Zenão acerca da unidade, como filósofos muito celebres de seu tempo; e também a faz de Pitágoras de Abdera, no qual confessam todos os que foram do tempo de Sócrates. 7) Disse Atenodoro no livro VII de seus Passeios que, havendo-lhe visitado Hipócrates , mandou que lhe trouxessem leite; visto o qual, disse que era de cabra primeira e negra, o que fez que Hipócrates admirasse muito sua observação e diligência. A uma donzela que veio com Hipócrates, o primeiro dia a saudou assim: Salve menina, e ao dia seguinte: Salve mulher, era o caso de que aquela noite teria sido viciada. 8) Demócrito morreu, segundo Hermipo, desta forma: como já fosse muito velho e se visse próximo de partir desta vida, a sua irmã, que se lamentava de que se ele morresse na próxima comemoração das Tesmofórias[5], não poderia ela dar à deusa os devidos cultos, lhe disse que se consolasse. Lhe mandou trazer diariamente alguns pães quentes e, aplicando-se lhes às narinas, conservou sua vida durante as festas; mas passados seus dias, que eram três, terminou sua vida sem dor alguma, aos cento e nove anos de idade, como disse Hiparco. Eu, em meu Panmetro, lhe compus os seguintes versos: E quem dentre os nascidos foi tão sábio que ao onipotente Demócrito se iguale? Quem fez obra tão grande como ele fez? Ele abrigou a morte em sua morada, e com somente o vapor de pão quente, três dias a manteve hospedada. Assim foi a vida deste varão; suas opiniões são estas: 9) Os princípios de todas as coisas são os átomos e o vazio; tudo mais é duvidoso e opinável. Disse que existem infinitos mundos, sujeitos à geração e corrupção. Que do que não existe, nada se faz; nem no que é, nada se corrompe. Que os átomos são infinitos, tanto em magnitude como no número ou multidão. Que se movem em giro pelo universo, com o qual se fazem todas as concreções de fogo, água, ar e terra, pois todas estas coisas constam de certos agregados de átomos, os quais por sua solidez são impassíveis e imutáveis. Que o Sol e a Lua são massas concretas destes átomos levados em giro; e o mesmo a alma, a qual, disse, não é diversa da mente. Que a visão se faz pelas imagens que caem em nós. Que todas as coisas se fazem por necessidade, sendo o giro ( a quem chama necessidade) a causa da geração de tudo. Que o fim é a tranquilidade do ânimo, no que é o mesmo que o deleite, como sinistramente entenderam alguns, senão aquilo pelo que vive a alma tranquila e constantemente, e não é perturbada por algum medo, superstição ou qualquer outra paixão destas. A chama também imposta, e com outros nomes. Finalmente, as coisas que se fazem são legítimas; mas os átomos e vazios são naturais. Até aqui suas opiniões. 10) Seus livros[6] os escreveu Trasilo e os coordenou em tetralogias, como os de Platão. Os morais são estes: Pitágoras; Da disposição do sábio; Do que existe no enfermo, Tritogenia ( isto é, que dela nascem três coisas que contém todas as humanas),  Da bondade ou da virtude; O chifre de Amaltea, Da tranquilidade do ânimo e Comentários morais,  pois o Imposto não se acha. Até aqui seus livros morais. Os físicos são: A Grande Cosmologia, que Teofrastro diz que é de Leucipo; A pequena Cosmologia, Cosmografia, Dos Planetas, um livro Da natureza, dois Da carne, Da mente e dos sentidos ( alguns juntam em um estes livros, intitulando-os Da alma); Dos humores, Das cores, da Diversidade das rugas, Da imutação das rugas, Corroborativos para preservar as rugas e mesmo retirá-las; Do aspecto da providência; Três regras sobre a peste e Das coisas ambíguas. Até aqui os livros de física. 11) Os livros não coordenados são estes: Causas celestes, Causas do ar, Causas terrestres, Causas ígneas e Das coisas que existem no fogo, Causa das vozes, Causas das sementes, plantas e frutas, Causas dos animais, três livros; Causas promíscuas, e Da pedras imã. Até aqui os livros não coordenados. Os de matemáticas são estes: Da variedade da regra ou Do contato do círculo e esfera; De Geometria, Geométrico, Números, dois livros de Linhas irracionais, e Dos sólidos, Extensões, Ano Grande, ou seja Tabuas astronômicas; Dissertação sobre a clepsidra ou Relógio d´água; Uranografia ou Descrição do polo, e Descrição dos raios. Estes são livros de matemática. Os de música são os seguintes: Do ritmo e harmonia, Da poesia, Da elegância e formosura do verso; Das letras consoantes e díssonas, De Homero ou da retidão do verso, Dos dialetos, Do canto, Dos verbos, e Dos nomes. Até aqui seus livros de música. 12) Das artes são estes: Prognóstico, Da dieta ou Dietético, ou seja Regra médica; Causas das coisas intempestivas e tempestivas; De agricultura, ou seja Geométrico; Da pintura, Da tática, e Da Luta com armas. Até aqui seus livros artísticos. Alguns colocam, apartados de seus comentários, os seguintes livros: Das letras santas na Babilônia, Das letras santas em Meroe, Da história, Língua Caldeia e frígia, Da febre e dos que tossem por enfermidade; Causa legítima ou legal, e Problemas. Dos outros livros que alguns lhe atribuem, uns são compostos de coisas extraídas de seus próprios escritos, e outros, por consentimento geral, não são seus. 13) Existiram seis Demócrito: O primeiro, este mesmo; o segundo, um músico de Quios que vivia em seu tempo. O terceiro foi um escultor de quem Antígono faz menção. O quarto, em que escreveu do templo de Diana de Éfeso e da cidade de Samos. O quinto, poeta de epigramas, claro e florido, e o sexto foi um orador de acusação. ( DK 68 A 1 )

            Embora Diógenes Laércio não tenha abordado de forma explícita em sua biografia, o fez, indiretamente, confirmando o ativo engajamento político de Demócrito, nas questões das cidades por onde passou, como podermos constatar  nos seus fragmentos.
Aristóteles, refutando algumas de suas posições, também o cita em diversas passagens de sua obra[7], que acaba se transformando numa das melhores referências para estudá-lo e à sua proposta atomista.

Fis. 188 a 22 : - [os contrários como princípios] – Todos colocam os contrários como princípios, tanto aqueles que afirmam que o Todo é um e imóvel (pois Parmênides coloca como princípios o calor e o frio, e os chama fogo e terra), como os que falam do raro e o denso. Também Demócrito fala do cheio e do vazio, estendendo-os respectivamente como ser e o não-ser, e fala assim mesmo de diferenças de posição, figura e ordem, os quais seriam os gêneros dos contrários: assim, da posição, o alto e o baixo, o interior e o exterior; da figura. A angular e a não angular, o reto e o circular. ( DK 68 A 45 )

Fis. 195 b 36 – [a sorte e a causalidade] – Alguns duvidam de sua existência e afirmam que nada provém da sorte, senão que existe sempre uma causa – 196 a – determinada de tudo o que dizemos que ocorre por causalidade ou por sorte. ( DK 68 A 68 )

Fis. 196 a 24 – [a sorte e a causalidade] – Existem outros que consideram que este mundo e todos os mundos são produtos da causalidade, pois dizem que o Torvelinho surgiu pela causalidade, como também o movimento que separou as partes e estabeleceu a atual ordem do Todo. E isto é o que mais nos surpreende; pois dizem, de uma parte, que os animais e as plantas não são nem se geraram fortuitamente, senão que a causa é a Natureza, ou uma Inteligência, ou alguma outra semelhante (porque uma determinada semente não se gera fortuitamente em qualquer coisa, senão desta semente uma oliva, daquela um homem), e dizem, de outra parte, que o céu e as coisas mais divinas que vemos se geraram por causalidade, e que suas causas não são as mesmas que as que geraram aos animais e às plantas. Mas, se é assim, merecia que se lhes prestasse atenção e houvesse sido conveniente que dissessem algo sobre ela. Pois o que dizem, além de ser absurdo por outras razões, é todavia, ainda mais absurdo que o digam quando podem observar que no céu nada se gera por causalidade, enquanto que nas coisas que, segundo eles, não se produzem fortuitamente, muitas chegam a ser como se o fossem. Assim, quem sabe ocorra melhor o contrário do que dizem.
                                                                                              (DK 68 A 69 )

Fís. 196 b 5 –  [a sorte e a causalidade] – Existem também outros que pensam que a sorte é uma causa, mas que é algo divino e tão demoníaco que a faz inescrutável ao pensamento humano. ( DK 68 A 70 )

Fis. 203 a 16 – [ Aporias ] –  Todos os que estudam a natureza põem como sujeito do infinito uma natureza que é distinta dos chamados << elementos >>, como a água, o ar ou algo intermediário. Mas nenhum dos que põem um número finito de elementos pensam que estes sejam algo infinito. E quantos põem infinitos elementos, como Anaxágoras com as homeomerias e Demócrito com a panspermia das figuras, afirmam que o infinito é contínuo por contato. - 203 a 33  Demócrito, por sua vez, nega que os corpos primeiros se tenham engendrado entre si; para ele o corpo comum é – 203 b – o princípio de todas as coisas, diferenciando-se estas por magnitude e figura. ( DK 68 A 41 )

Fis. 251 b 11 – [sempre houve e sempre haverá movimento] – Ademais, como poderia haver um antes e um depois, se não houvesse o tempo? E mais, como poderia existir o tempo se não houvesse movimento? Porque se o tempo é o número do movimento, e inclusive um certo movimento, e posto que o tempo existe sempre, então, é necessário que o movimento seja eterno. – 251 b 15 - Mas, sobre o tempo, parece que todos estão de acordo, exceto um, pois dizem que é incriado. E precisamente nisto se apoia Demócrito para mostrar que é impossível que todas as coisas sejam geradas, pois o tempo é incriado. Somente para Platão existe geração do tempo, pois diz que foi gerado simultaneamente com o céu, e que o céu foi gerado. ( DK 68 A 71 )

Fis. 252 a 32 – Em geral, pensar que temos um princípio suficiente pelo fato de que algo sempre é assim ou sempre ocorre assim, é uma suposição errada. Sem exagero, isto é o que faz Demócrito ao reduzir as causas que explicam a natureza ao fato de que as coisas ocorreram no passado tal como ocorrem no presente, sem pensar que temos que buscar um princípio que explique este “sempre”, assim, enquanto sua – 275 b – teoria é verdadeira no que se refere a certos casos particulares, é equivocada quando se lhe dá um alcance universal. Os ângulos de um triangulo são sempre iguais e dois retos, mais existe outra causa da eternidade desta verdade, enquanto que os princípios tem em si mesmo a causa de sua própria eternidade. ( DK 68 A 65 )

Fis.  265 b 24 – [o movimento circular como movimento primeiro] –  De modo similar pensam também aqueles que, sem aduzir uma causa dessa classe, recorrem ao vazio para explicar o movimento, pois também eles afirmam que a natureza se move segundo um movimento local (já que um movimento através do vácuo é um deslocamento, como se fosse em um lugar), e pensam que os outros movimentos não pertencem às coisas primeiras senão as que provém delas, pois dizem que os processos de aumento, diminuição e alteração só se efetuam pela combinação e separação de átomos. ( DK 68 A 58 )

ARISTOT. Metaf., 985 b 4 – Leucipo e seu seguidor Demócrito afirmam como elementos o cheio e o vazio, e chamam um de ser e o outro de não-ser; mais precisamente, chamam o cheio e o sólido de ser e o vazio de não-ser; e por isso sustentam que o ser não tem mais realidade do que o não ser; pois o cheio não tem mais realidade que o vazio. E afirmam esses elementos como causas materiais dos seres. E como os pensadores que consideram como única a substância que funciona como substrato e explicam a derivação de todas as outras coisas pela modificação dela, introduzindo o rarefeito e o denso como princípio dessas modificações, do mesmo modo, Demócrito e Leucipo dizem que as diferenças < dos elementos > são as causas de todas as outras. Além disso, eles dizem que são três as diferenças: a figura, a ordem e a posição. Com efeito, explicam eles, o ser só difere pela proporção, pelo contato e pela direção.
A proporção é a forma (rhusmoi)[8], o contato é a ordem e a direção é a posição. Assim, A difere de N pela forma, NA de NA pela ordem, enquanto Z difere de H pela posição. Mas eles também, como os outros, negligenciaram a questão de saber de onde deriva e como existe nos seres o movimento. A respeito das duas causas em questão, como dissemos, até esse ponto chegou a pesquisa dos pensadores precedentes. ( Ver Leucipo  DK 67 A 6 )

Metaf. 1009 b 6 – Ademais, eles dizem que muitos dos outros seres vivos têm impressões sensoriais das mesmas coisas contrárias às nossas e que até mesmo cada indivíduo, considerado em si mesmo, nem sempre tem as mesmas impressões sensoriais da mesma coisa. Portanto, não é claro quais delas são verdadeiras e quais delas são falsas. Na realidade, umas não são mais verdadeiras do que as outras, mas ambas são equivalentes. Por isso Demócrito afirma que ou não existe nada de verdadeiro ou, pelo menos, que a verdade permanece escondida para nós. ( DK 68 A 112 )

Metaf. 1039 a 9 – Portanto, se a substância é uma unidade, não poderá ser constituída por substâncias presentes nela, e presentes desse modo. E com razão Demócrito diz ser impossível que de duas coisas se forme uma só, ou que de uma se formem duas: ele afirma como substâncias as grandezas indivisíveis. ( DK 68 A 42 )

Metaf. 1069 a 17 – Portanto, não só podemos dizer, em certo sentido, que tudo deriva do não-ser, mas também que tudo deriva do ser: evidentemente, do ser em potência e do não-ser em ato. (E justamente isso significa o “um” de Anaxágoras; com efeito, em vez de dizer “todas as coisas juntas” – e em lugar da “mistura” de Empédocles e de Anaximandro e, também, do que diz Demócrito – seria melhor dizer: “todas as coisas estavam juntas em potência, mas não em ato”.  (DK 68 A 57)

Metaf. 1078 b 19 – Sócrates ocupou-se das virtudes éticas, e por primeiro tentou dar definições universais delas. Entre os filósofos naturalistas, só Demócrito tocou neste ponto, e muito pouco, e, de certo modo, deu uma definição do quente e do frio. ( DK 68 A 36 )

De Anima, 403 b 31 – Donde Demócrito declara que a alma é algo quente ou uma espécie de fogo; pois, havendo infinitos átomos e formatos, diz que os de forma esférica são fogo e alma ( como no ar chamadas poeiras, que se revelam nos raios de luz através das frestas); ele afirma, por um lado, que o agregado de sementes contém os elementos da natureza inteira ( e de maneira similar pensa Leucipo ), e, por outro lado, que dentre esses os de forma esférica são alma, e, sobretudo porque tais fluxos podem tudo permear e, por moverem as coisas restantes, que se movem também. Disso se supõe que é a alma que fornece aos animais o movimento. E por isso também o que define o viver é a respiração. Pois, como o ar circundante comprime os corpos, expulsando os formatos que, por nunca repousarem, fornecem aos animais movimento, um auxílio vem de fora. Pois, ao serem introduzidos de novo outros semelhantes no respirar, impedem que os formatos contidos nos animais escapem, ajudando a repelir aquilo que contrai e condensa – e vivem enquanto puderem fazer isso. (ver Leucipo DK 67 A 28)

De Anima, 404 a 25 – De maneira similar também Anaxágoras diz que a alma é o que faz mover ´e também todo aquele que tenha dito que e intelecto move o todo -, o que não é exatamente o que diz Demócrito. Pois este diz simplesmente que alma e intelecto são o mesmo, pois o verdadeiro é o que se revela – por isso Homero compôs bem o seguinte verso: “Heitor jaz desmaiado”. Ora, Demócrito não se serve do intelecto como uma potência relativa à verdade, mas diz que alma e intelecto são o mesmo. – 405 a 5 – Donde alguns terem a opinião de que a alma é fogo, pois o fogo é composto de partículas sutis e é o mais incorpóreo dos elementos e, além disso, em sentido primordial, tanto é movido como move tudo o mais. – 405 a 8 – Também Demócrito expressou-se com maior minúcia, ao declarar o porquê de cada um daqueles aspectos; pois a alma e intelecto são o mesmo: algo que está entre os corpos primordiais e indivisíveis, podendo mover-se pela pequenez e formato de suas partes. Ele afirma que o esférico é o mais móvel dos formatos; e assim são tanto quanto o intelecto como o fogo. ( DK 68 A 101 )

De Anima, 406 b 15 – Alguns declaram ainda que a alma move o corpo em que está do mesmo modo como ela move a si mesma. Por exemplo, Demócrito, que fala de maneira similar a Felipe, o instrutor de comédia. Este último afirma que Dédalo fez a Afrodite de madeira se mover ao verter nela mercúrio. E também Demócrito se expressa de maneira similar, pois declara que as esferas indivisíveis se movem por jamais pararem naturalmente, assim compelindo e movendo o corpo todo. ( DK 68 A 104 )

De Anima,  409 A 31 – Como dissemos, a isso se apresenta, em primeiro lugar, a dificuldade de dizer algo idêntico àqueles que supõem que a alma é um corpo composto de partículas sutis e, em segundo lugar, o absurdo peculiar de dizer, como Demócrito, que ele se move pela alma. Pois, se a alma está de fato por todo o corpo que sente, é necessário estarem no mesmo lugar dois corpos, supondo-se que a alma é um certo corpo.  ( DK 68 A 104 )

De Anima, 409 A 15 – Demócrito não se expressou bem ao supor que, caso o intermediário se tornasse vazio, tudo poderia ser visto com exatidão ainda que fosse uma formiga no céu. Pois isso é impossível. O ato de ver ocorre quando o capaz de perceber é afetado por algo; mas é impossível que o seja pela própria cor que é vista; resta então que o seja pelo intermediário. É necessário, portanto, que exista algo intermediário, e tornando-se vazio, não com exatidão, mas nada de novo será visto. ( DK 68 A 122 )

Sobre a ger. e corrup. – 315  a 34 - Em geral, ninguém se debruçou sobre nenhum destes assuntos a não ser de modo superficial, com exceção de Demócrito. Este, porém, parece ter refletido sobre todos eles, distinguindo-se desde logo pelo modo como o fez. ( DK 68 A 35 )

Sobre a ger. e corrup. – 316 a 1 - como faz Demócrito (por isso ele nega que a cor exista, sendo por orientação que as coisas adquirem cor) (DK 68 A 123)

Sobre a ger. e corrup – 316  a 14 - Uma dificuldade surgirá, com efeito, se se supuser a existência de um corpo ou grandeza totalmente divisível e a possibilidade desta divisão. O que haverá, então, que possa escapar à divisão? Pois se um corpo fosse totalmente divisível e tal divisão fosse possível, poderia ser totalmente dividido ao mesmo tempo, ainda que as divisões não ocorressem simultaneamente — e se tal pudesse acontecer, não seria impossível. Deste modo, se o corpo fosse por natureza totalmente divisível, quer se trate de divisão em metades ou de divisão em geral, nada de impossível resultaria ao ser dividido, pois mesmo que fosse inúmeras vezes dividido em inúmeras partes o resultado não seria impossível, ainda que provavelmente ninguém o pudesse levar a cabo. Admitindo, porém, que o corpo seja totalmente divisível, suponhamo-lo dividido. O que poderá restar? Uma grandeza? Tal não será possível, pois haveria algo que não teria sido dividido, e admitimos que o corpo era totalmente divisível. No entanto, se não restasse corpo nem grandeza e houvesse divisão, ou o corpo seria constituído por pontos, sendo desprovidas de grandeza as coisas de que fosse composto, ou nada seria em absoluto, — pelo que, neste caso, o corpo de nada seria proveniente e de nada seria composto, e o seu todo nada mais seria do que aparência. De igual modo, se o corpo fosse constituído por pontos, não teria quantidade. Pois quando os pontos estivessem em contato e se formasse uma grandeza única, mantendo-se eles juntos, o todo não se tornaria maior. Com efeito, se fosse dividido em duas ou mais partes, o todo não se tornaria menor nem maior do que antes. Em consequência, mesmo que todos os pontos se juntassem, não formariam nenhuma grandeza. – 316 b - Em contrapartida, se a divisão do corpo originasse algo semelhante a serradura, e da grandeza assim resultasse alguma coisa corpórea, valeria o mesmo argumento — pois em que sentido seria esta última divisível? Se, porém, não resultasse uma coisa corpórea, mas alguma forma separável ou uma afecção, e a grandeza fosse constituída por pontos ou contatos que possuíssem tal afecção, seria absurdo que uma grandeza fosse constituída por coisas que não são grandezas. Além disso, onde estariam os pontos? E seriam imóveis ou estariam em movimento? Um contato ocorre sempre entre duas coisas, pelo que há sempre alguma coisa além do contato, da divisão ou do ponto. Por conseguinte, se se supuser que qualquer corpo, qualquer que seja o seu tamanho, é totalmente divisível, serão estas as consequências. Além disso, se eu reconstituir um pedaço de madeira ou algum outro corpo que tenha dividido, ele voltará a ser igual e uno. Será claramente assim, qualquer que seja o ponto em que eu corte o pedaço de madeira. Este é, portanto, totalmente divisível em potência. O que há [na madeira], então, além da divisão? Se houver alguma afecção, como poderá [o pedaço de madeira] decompor-se em afecções e gerar-se a partir delas? Ou como podem elas estar separadas? Em consequência, se é impossível que as grandezas sejam constituídas por contatos ou por pontos, terão necessariamente de existir corpos e grandezas indivisíveis. No entanto, também aqueles que defendem esta posição incorrem em consequências não menos impossíveis, as quais foram examinadas em outros escritos. Mas há que tentar resolver estes problemas, pelo que temos de retomar novamente a dificuldade a partir do princípio. Por um lado, não é absurdo que todo o corpo sensível seja divisível em qualquer ponto e indivisível, pois a primeira qualidade pertencer-lhe-á em potência e a segunda em ato. Por outro lado, parecerá impossível que, em potência, um corpo seja divisível na totalidade simultaneamente. Se fosse possível, [a divisão] poderia ocorrer (não com a consequência de o corpo ser em ato indivisível e dividido, as duas coisas simultaneamente, mas com a de ser dividido em qualquer ponto). Então nada restaria e o corpo corromper-se-ia naquilo que é incorpóreo, assim como, em sentido inverso, poderia gerar-se a partir de pontos, ou, em geral, a partir de nada. Mas como seria isso possível? É seguramente claro, no entanto, que o corpo é divisível em grandezas separáveis e cada vez menores, ou seja, em partes isoladas e separadas. Assim sendo, num processo de divisão em partes, o fraccionamento não poderá prosseguir até ao infinito, nem o corpo poderá ser dividido em todos os pontos simultaneamente (pois tal não é possível), mas somente até um determinado limite. Em consequência, é necessário que no corpo existam grandezas indivisíveis que não são visíveis, sobretudo se a geração e a corrupção ocorrerem por associação e por separação, respectivamente. – 317 A - Este é, pois, o argumento que parece tornar necessária a existência de grandezas indivisíveis. Mostraremos, porém, que esconde um paralogismo, e onde o esconde. ( DK 68 A 37 )

Sobre a ger. e corrup. – 318 b 6 -  retomando os dois termos de mudança de que fala Parménides, o ser e o não ser, os quais diz serem o fogo e a terra ( DK 68 A 42 )

Sobre a ger. e corrup. – 323 b 10 - Demócrito, porém, divergiu dos outros e foi o único que formulou uma teoria peculiar, afirmando que o agente e o paciente são o mesmo, ou seja, semelhantes, pois não é possível que coisas diversas e diferentes sejam afetadas umas pelas outras; pelo contrário, ainda que as coisas, sendo diversas, possam exercer alguma ação entre si, não é enquanto diversas que tal sucede no seu caso, mas enquanto detentoras de alguma propriedade idêntica. ( DK 68 A 63 )

Sobre a ger. e corrup. -  326 a 9 - No entanto, Demócrito diz que cada um dos indivisíveis é tanto mais pesado quanto maior é a sua preponderância pelo que é claro que também será mais quente.  ( DK 68 A 60 )

Sobre a ger. e corrup. -  327 a 16 -  Com efeito, esta explicação suprime a alteração, mas nós vemos que um mesmo corpo, permanecendo contínuo, é ora líquido, ora sólido, e não é por divisão e composição que ele sofre tal afecção, nem por orientação e contato mútuo, como afirma Demócrito — pois não é devido a mudanças de ordem ou de posição na sua natureza que o corpo passa de líquido a sólido, nem por nele haver partículas duras e sólidas com massas indivisíveis, mas, pelo contrário, é uniformemente e na sua totalidade que é ora líquido, ora duro e sólido .( DK 68 A 38 )

Meteorológicos,  342 b 25 –   Falemos agora dos cometas e da chamada < Via Láctea >, tratando de desentranhar primeiro o dito nas obras dos demais. Pois bem, Anaxágoras e Demócrito dizem que os cometas são uma conjunção de astros errantes que, por irem muito próximos parecem tocar-se   ( DK 68 A 92 )

Meteorológicos,  345 a 25 -  Os seguidores de Anaxágoras e Demócrito dizem que a < Via Láctea > é a luz de certas estrelas; o Sol, com efeito, ao passar sob a Terra, não pode olhar algumas das estrelas. Pois bem, de todas aquelas que podem ser vistas por ele em torno < da Terra > não se faz patente a luz ( pois é impedida pelos raios do Sol); em troca, a luz própria de todas aquelas < estrelas > frente às que se interpõem a Terra, dizem que é a Via Láctea. ( DK 68 A 91 )

Meteorológicos,  356 b 4  -   Em seguida, a salinidade dele [do mar] deve ser perguntada, mesmo que permaneça o que é eternamente ou se não existia antes e não existiria mais tarde, mas pode falhar: como, de fato, tem sido dito por alguns. Parece, portanto, que todos concordam sobre este ponto, que foi formado, desde que todo o universo tenha sido formado: na verdade, afirmam que se originou ao mesmo tempo. Portanto, é evidente que, se admitimos a eternidade do mundo, o mesmo terá de ser admitido também para o mar. A ideia de que o mar deve diminuir em extensão (e assim diz Demócrito) e, eventualmente, desaparecer completamente, não é realmente diferente das fábulas de Esopo. Na verdade, ele conta uma história  que Caribdis[9], havia engolido [água do mar] duas vezes, na primeira, começaram a aparecer as montanhas, na segunda as ilhas, e na terceira vez que engolir, tudo secará. Agora, para Esopo que estava irritado com o barqueiro, ele estava disposto a contar um conto desse tipo, mas não tanto para aqueles que procuram a verdade; e, na verdade, assumindo que o mar foi por princípio parado [em lugares adequados] por uma determinada causa, tanto pelo peso, como alguns também dizem ... pelo mesmo motivo, evidentemente, deve permanecer necessariamente por todo o tempo restante. ( DK 68 A 100 )

Meteorológicos,  365 a 17 -   As explicações conhecidas até o momento   [ sobre os terremotos ] são três, procedentes de três autores distintos. Com efeito, Anaxágoras de Clazômenas e, antes dele, Anaxímenes de Mileto se manifestaram a respeito, e depois deles, Demócrito de Abdera.  ( DK 68 A 7 )

Meteorológicos,  365 b 1 -  Demócrito disse que a Terra está cheia de água e que, ao receber muito mais água das chuvas, é movida por esta: pois quando dita água chega a ser excessiva, por não poder admiti-la em suas cavidades subterrâneas,  ao abrir-se, por sua força provoca o terremoto, e quando a terra está seca e atrai água dos lugares cheios aos vazios, a água que muda de lugar, ao irromper, move a terra.(DK 68 A 97) 

Sobre o Céu,  303 a 25 – É forçoso, ao mesmo tempo que se contradigam a si mesmo, com efeito, se os elementos são indivisíveis, é impossível que o ar, a terra e a água se diferenciem pela magnitude e pequenez, pois não poderiam gerar-se um a partir do outro; com efeito, ao separar-se os corpos < indivisíveis > mais grandes, estes restarão sempre eliminados, em que pese que assim é como dizem que se geraram reciprocamente a água, o ar e a terra.  ( DK 68 A 60 a )

Sobre o Céu,  305 b 1    Pois bem, os partidários de Empédocles e Demócrito não se dão conta de que eles propõem uma geração recíproca, senão uma aparente geração: dizem, com efeito, que cada coisa, preexistindo < num todo>, se separa dele, como se a geração surgisse a partir de um recipiente e não de uma matéria, e como se as coisas se gerassem sem sofrer modificações. Ademais, mesmo se assim fosse, as conclusões não resultariam menos ilógicas. Com efeito, não parece que uma mesma magnitude, ao comprimir-se, se faça mais pesada. Mas isto é o que hão de dizer forçosamente aqueles que afirmam que a água se separa do ar, preexistindo nele? Pois quando a partir do ar se produz água, esta é mais pesada. Estando, ademais, vários corpos misturados, um deles, ao separar-se, não necessariamente ocupará um lugar maior; então, quando se gera o ar e partir da água, se apropria de um lugar maior: com efeito, o que consta de martes mais sutis se produz estendendo-se por um lugar maior. Isto é patente também na troca de estado: com efeito, quando o húmido se evapora e vaporiza, os recipientes que contém essas massas se rompem pela falta de espaço para o vapor. De modo que, se não existe em absoluto o vazio e os corpos não se dilatam, como afirmam os que dizem essas coisas [ Empédocles e Anaxágoras], é patente a impossibilidade de sua teoria; mas se existem o vácuo e a dilatação é ilógico que o que se separa tenha que ocupar sempre um lugar maior.  ( DK  68 A 46 )

Sobre o Céu, 309 a 1 - Aos que afirmam que são sólidos lhe é mais permissível dizer que o maior entre eles é mais pesado. Enquanto aos compostos, dado que não parece que cada um deles se ajuste à regra, senão que vemos que muitos deles são mais pesados, mesmo sendo menores em volume, como por exemplo, o bronze em relação a lã, alguns acreditam e sustentam que a causa é outra; com efeito, dizem que o vazio encarcerado nos corpos os aliviam e faz com que às vezes os maiores sejam mais leves: pois contém mais vazio. Que por isso, com efeito, são também maiores em volume compostos muitas vezes de igual ou, inclusive, menor número de sólidos. E, no geral, que a causa de todo corpo que seja mais leve é que existe nele mais vazio. Deste modo, pois, expõem , mas os que assim explicam deveriam forçosamente acrescentar, não só que < o corpo >, se é mais leve, tem mais vazio, como também, que tem menos sólido; pois se tivesse excesso neste tipo de proporção, não seria mais leve. Por isso, com efeito dizem também que o fogo é o corpo mais leve, porque tem a maior quantidade de vazio. Resultará, pois, que uma grande quantidade de ouro que contenha mais vazio que uma pequena quantidade de fogo seja mais leve, a não ser que tenha também uma quantidade muitas vezes maior de sólido; de modo que deve-se dizer também isto. - 309 b 34 - Com efeito, se < a matéria > é única, não existirão o grave nem o leve sem mais, como ocorre com os que constituem as coisas a base de triângulos; e se são contrárias, como dizem os que propõem o vazio e o cheio, não será possível dizer por qual causa os intermediários entre os corpos pesados ou leves são mais pesados ou leves que outros e com respeito aos que o são.  Em quanto a defini-los em função da magnitude e pequenez isso se parece uma ficção maior que os modos de definição anteriores, mesmo que pelo feito de permitir estabelecer em cada caso as diferenças entre os quatro elementos oferece mais segurança frente às dificuldades anteriores. Mas, pelo feito de estabelecer uma única natureza para os elementos diferenciados pela magnitude, ocorre necessariamente o mesmo que com os que estabelecem uma única matéria, que não existe nada leve sem que mais nada que se desloque para cima, senão que o leve é, bem o que fica atrás, bem o expulso, e muitas pequenas partículas são mais pesadas que poucas grandes ( DK 68 A 60 )

Sobre o Céu, 313 a 21 –  As formas não são causas de deslocarem-se sem mais para baixo ou para cima, senão que fazê-lo mais rápida ou mais lentamente. As causas por que são assim não são difíceis de ver: Com efeito, se coloca agora a dificuldade de por que os objetos planos de ferro e de chumbo flutuam sobre a água, em contrapartida, outros menores e menos pesados, se são redondos ou compridos, como no exemplo de uma agulha, vão para baixo, assim como o feito de que alguns flutuam por sua pequenez, como por exemplo, as limaduras e outras partículas terrosas ou poeira que flutuam no ar. Acerca de todas estas coisas não é certo acreditar que sua causa seja como afirma Demócrito. Pois este diz que as partículas quentes que se desprendem da água retém dos objetos planos que possuem peso, enquanto que os estreitos se fundem: com efeito, as partículas que lhes resistem são poucas. Mas seria preciso que isso ocorresse mais ainda no ar, como objeta o mesmo argumento muito fraco: pois diz que o empuxo não tende para cima um único ponto, chamando empuxo o movimento dos corpos que se deslocam para cima. ( DK 68 A 62 )

Hist. dos animais, 623 a 30 : - As aranhas conseguem fazer a sua teia mal nascem; o fio não lhes sai de dentro, tipo excreção, como afirma Demócrito, mas vem-lhes do corpo, como se fosse uma casca, ou como os pelos que o porco-espinho projeta. A aranha ataca mesmo animais maiores do que ela, até lagartos pequenos, que vai envolvendo de fios antes de investir contra eles. Vai apertando-os até lhes fechar a boca; só então avança e os morde. ( DK 68 A 150 )

Sobre as partes dos animais,  642 a 24 : - O motivo pelo qual nossos predecessores não chegaram a este método é que não dispunham do conceito de essência nem da definição de substância. Sem exagero, o primeiro que fez menção disso foi Demócrito; não porque o acreditasse necessário para o estudo da natureza, senão obrigado pelo assunto mesmo. Isto aconteceu no tempo de Sócrates, mas se deixou de lado a investigação sobre a natureza e os filósofos se ocuparam mais da virtude prática e da política. ( DK 68 A 36 )

Sobre as partes dos animais,  665 a 30 : -  Nenhum dos não sanguíneos tem vísceras. Demócrito não parece tê-los distinguido corretamente se pensou que na realidade as vísceras dos animais não sanguíneos não são possíveis de serem vistas por causa de sua pequenez.(DK 68 A 148)

Reprod. dos animais,  740 a 13 : -  Pelo que, quantos dizem como Demócrito, que primeiro se distinguem as partes externas dos animais, e depois as internas, não tem razão: é como se falassem de animais de madeira ou de pedra.  ( DK 68 A 145 )

Reprod. dos animais,  740 a 33 : -  As veias se unem ao útero como raízes, através das quais recebe o feto o alimento. Pois com esta finalidade permanece o animal no útero, e não, como afirma Demócrito, par que seus órgãos se moldem conforme os de sua mãe. Isto é evidente no caso dos ovíparos: pois as partes adquirem sua diferenciação nos ovos, já separados da matriz. – 746 a 19 -  Os que afirmam que as crias se alimentam no útero através da sução de um pouco de carne, não tem razão, pois nos demais animais ocorreria o mesmo; mas, de feito, não parece que seja assim (é fácil observar isto por meio de dissecações). ( DK 68 A 144 )

Reprod. dos animais,  747 a 22 : -   Pois bem, como se disse antes, nos homens e nas demais espécies tal deformação se dá em casos particulares; em troca, toda espécie dos machos é estéril. – 747 a 29 – Sobre a causa falaram Empédocles e Demócrito, um de forma obscura e outro de modo mais inteligível, mas não têm razão; pois dão a mesma explicação para todos aqueles que copulam sem ser da mesma espécie. Demócrito afirma que os condutos dos machos são destruídos no útero porque a origem destes animais não provém de seres da mesma espécie.  ( DK 68 A 149 )

Reprod. dos animais,  764 a 6 : - Demócrito de Abdera afirma que a diferenciação entre a fêmea e o macho tem lugar dentro da mãe, mas não é pelo calor ou pelo frio o porquê de  um ser fêmea e outro macho, senão porque prevalece a esperma[10]  de um dos pais, esperma que vêm da parte na qual diferem mutuamente a fêmea e o macho. ( DK 68 A 143 )

Reprod. dos animais,  769 b 30 : -  Pois bem, Demócrito disse que os monstros se formam por coincidirem os espermas, um que se lança primeiro e o outro depois, e este, ao sair do macho entrou também no útero, de modo que as partes se desenvolveram juntas e se mesclaram. Nas aves, como a cópula é sempre rápida, disse que os ovos e sua cor se confundem. ( DK 68 A 146 )

Reprod. dos animais,  788 b 3  : - Com respeito aos dentes, já se disse antes que não servem para uma só coisa, nem todos os animais os têm para a mesma função, senão que, uns os têm para alimentar-se, e outros para a defesa e a linguagem articulada. Mas, por que razão os dentes dianteiros saem antes e os molares depois, e estes não caem enquanto aqueles caem e crescem de novo? Temos que pensar que a causa tem a ver com o estudo da geração. – 788 b 9 - Pois bem, Demócrito tem falado já destes assuntos, mas não corretamente. Pois, sem haver examinado a questão em todos os casos, dá uma explicação geral. Afirma que aos animais lhes caem os dentes porque se formam antes do tempo; e quando são adultos, por assim dizê-lo, lhes saem os dentes de acordo com a natureza. Ele disse que a causa de saírem antes do tempo é que mamam. ( DK 68 A 147 )

Trat. breves de história natural [Sobre a sensação], 438 a 5 : -  Demócrito tem razão quando diz que o olho é água, mas não a tem quando acredita que a visão é o reflexo de uma imagem refletida. Isto acontece porque o olho é liso, mas não existe no olho, senão na pessoa que vê. O fenômeno consiste, sim em uma reflexão, o que ocorre é que próximo dos objetivos refletidos e da reflexão em geral, não existia ainda uma opinião clara, ao que parece. ( DK 68 A 121 )

Trat. breves de história natural [Sobre a sensação], 442 a 29 : Demócrito e a maioria dos naturalistas que falaram sobre a sensação, defendem algo muito absurdo, pois de Demócrito fazem tangível todo o sensível. Ainda que isso fosse assim, é evidente que cada um dos demais sentidos seria uma certa forma de tato. Que isso é impossível, não é difícil de compreender. Com efeito, tomam todos os sensíveis comuns como se fossem específicos. Pois o tamanho, a figura, o rugoso ou o liso e, além destes, o agudo e o obtuso nos corpos sólidos são sensíveis comuns, se não a todos os sentidos, ao menos à vista e ao tato. ( DK 68 A 119 )

Trat. breves de história natural [Sobre a sensação], 442 b 11 :  De outro lado, estes filósofos reduzem os sensíveis específicos a comuns, como faz Demócrito. Com efeito, diz que o branco e o negro são o rugoso e o liso, e reduz os sabores a figuras.( DK 68 A 126 )

Trat. breves de história natural [Sobre a respiração], 471 b 22 : -  O principal motivo pelo qual não trataram adequadamente a questão é que os naturalistas não tinham um conhecimento prático das antigas partes internas e não compreendiam que a natureza faz tudo com um fim. Pois, no caso de haver investigado com que fim se dá nos animais a respiração e havê-lo observado por partes destes, como as brânquias e os pulmões haveriam encontrado rapidamente a causa. – 471 b 30 – Demócrito disse que a respiração nos animais que respiram tem um motivo; afirma que impede que a alma se veja expelida deles. Sem exagero, não disse – 472 a – que a natureza já há havia para tal fim, nem tampouco ele, como em geral os demais naturalistas, se ocuparam deste tipo de causa, Disse que a alma e o calor são o mesmo. ( DK 68 A 106 )

            Plutarco, em seu testemunho sobre Demócrito e sua teoria atomista, apresenta-nos duas grandes linhas, suas substâncias elementares, como princípios de todas as coisas e o processo mediante o qual veem a ser todas as coisas, considerando que os átomos e o vazio constituem os princípios do universo, no qual a estrutura do mundo é a mesma em cada um dos pequenos mundos existentes. ( DK 68 B 34 )

PLUT. adv. Col. 8 p. 1108 E : - E, de fato, durante muito tempo, Epicuro declarou-se seguidor de Demócrito, como muitos testificam; e, de fato, Leôncio, um dos melhores discípulos de Epicuro, escrevendo para Licofron, diz que Demócrito foi homenageado por Epicuro como aquele que havia chegado ao conhecimento verdadeiro antes de Epicuro para toda a doutrina ser dito seguidor de Demócrito porque aqueles tinham sido verdadeiramente O primeiro que se dedicou ao estudo de causas físicas. Metrodoro, então, diz mesmo, em seu livro sobre a filosofia, que Epicuro não teria realmente chegado à sabedoria, se Demócrito não o tivesse precedido ( DK 68 A 53 )

PLUT. adv. Col. 8 p. 1110 F - O que Demócrito diz? Quais substâncias infinitas de número, indivisíveis e sem diferenças, e também carentes de qualidades sensíveis e inalteráveis, se movem no vazio em que estão espalhadas; e quando se aproximam ou se encontram ou se entrelaçam, formam agregações das quais uma é apresentada como água, a outra como o fogo, a outra como uma planta, a outra como um homem. E todos constituem as "formas indivisíveis", como ele os chama, e não há nada além disso: porque não há geração do não-ser, mas nem mesmo os seres podem nascer de nada porque não podem, por sua solidez nem sofrem nada a mudar: nem a cor pode vir do que não tem cor, nem natureza ou alma do que falta em qualidade e . ( DK 68 A 57 )

PLUT. de virt. mor. 7 p. 448 A - Mesmo Aristóteles e Demócrito e Crisipo abandonaram sem perturbar ou arrepender, mesmo com prazer, alguns dos conceitos que tinham seguido anteriormente. ( DK 68 A 35 )

PLUT. de curiosidades. 12 p. 521 D. - É falsa a história de que Demócrito se privou voluntariamente da luz dos olhos, olhando para um espelho colocado contra um incêndio e de frente para o reflexo, de modo que seus olhos não roubassem seu intelecto chamando-o muito frequentemente para fora e deixando-o em vez disso fechado em si mesmo - como janelas bem fechadas à estrada - e todas voltadas para coisas inteligíveis  ( DK 68 A 27 )

68 a 17 a. Plutarco. Quaest. conv. I 10, 2 p. 628 C. : -  Isso acontecerá conosco, com nosso desejo de conhecer, o mesmo que o sábio Demócrito. Na verdade, uma vez, como se diz, ele, comendo melancia, notou que tinha um certo gosto de mel. Então ele chama o servo e quer saber onde ele comprou: ele indica uma horta; e Demócrito, tendo levantado para ir, comanda-o a guiá-lo e a mostrar-lhe o lugar. A mulher está maravilhada e pede-lhe que faça. E ele: - Procurar a causa desse gosto doce; e certamente o acharei, examinando o lugar diretamente. "Então você pode se sentar", a mulher diz, sorrindo, "porque eu, sem prestar atenção nela, colocava a melancia em um vaso onde havia mel. E aquele em ato de aborrecimento, responde: - Você me apontou; e ainda assim vou fazer o meu raciocínio e buscar a causa. E ele começou a procurá-lo, como se o gosto doce fosse o próprio e natural sabor da melancia. ( DK 68 A 17 )

PLUT. Quaest. conv. VIII 10, 2 p 734 F (porque não confiamos nos sonhos do outono). Favorino ... para um antigo raciocínio de Demócrito, que ele desenhou, por assim dizer, da fumaça e das trevas em que estava envolvido, conseguiu restaurar a pureza e o esplendor. - VIII 10, 2 p. 735 A. -  Ele começa por apresentar precisamente esse princípio popular enunciado por Demócrito, a saber, que "os signos através dos poros se insinuam profundamente no corpo [do homem] e, quando retornam, produzem visões durante o sono; e esses signos entrando em nós, vindo de todos os lados, separando-se dos móveis, das roupas, das árvores e, acima de tudo, dos seres vivos - por agitação e calor assíduos - e não apenas apresentam a semelhança da forma do corpo do que mantém a marca "(como Epicuro pensa, que até este ponto segue Demócrito, deixando ir o resto da doutrina)", mas também retém e desenhe com eles as aparências dos movimentos da alma e das deliberações e costumes e paixões: de modo que, ao se apresentarem a eles, falam como verdadeiramente animados e revelam a quem os recebe [no sonho] as opiniões, raciocínios e desejos daqueles de quem eles vêm, quando esses signos aproximam as imagens, mantendo-os bem articulados e não confusa. " Isso ocorre especialmente se o ar a ser atravessado é calmo e silencioso, desde então os signos fazem sua jornada rápida e sem obstáculos. Mas no outono, quando as árvores perdem suas folhas, o ar, que se tornou muito irregular e amargo, se contorce e desvenda os signos de várias formas, de modo a diminuí-los e tornar a evidência quase imperceptível, o que é borrado pela lentidão com que eles realizam seu caminho; Pelo contrário, os signos que vêm em grande número e rapidamente por indivíduos irritados e inflamados transmitem imagens sempre novas e expressivas. - V 7, 6 p. 682 -  Quanto aos signos de Demócrito, ele disse: você não leva em consideração ou menciona, como se fosse do Egeu ou Megara: aqueles signos que ele diz serem emitidos pelos malévolos. e que eles não são desprovidos de sensibilidade ou desejo, antes eles estão cheios da perversidade e do mal daqueles que os emitem, imprimindo e se instalando e permanecendo nas pessoas a quem a maldição é dirigida, perturba e danifica o corpo e a alma: na verdade, eu acredito que quer entender, aproximadamente, o filósofo com sua doutrina, expressado com tanta sublimidade e magnificência de estilo ( DK 68 A 77 )

PLUT. Strom. 7. Demócrito de Abdera supôs o universo infinito porque não foi produzido pelo trabalho de nenhum arquiteto; e ele também diz isso imutável; e, em geral, expõe de forma racional qual é a constituição do universo. As causas dos corpos que estão nascendo e se dissolvem não tiveram nenhum princípio, mas desde tempos imemoriais todos, absolutamente, as coisas passadas do presente e do futuro são governadas pela necessidade. Ele então diz que o Sol e a Lua nasceram. Eles já estavam se movendo cada um com seu próprio movimento, quando ainda não possuíam nenhuma natureza calorífica ou mesmo luminosa, mas sim uma natureza semelhante à da Terra; para sim, aquele que o outro planeta já havia produzido como resultado de um determinado assentamento do mundo e somente depois, tendo o globo do Sol adquirido em tamanho, achou fogo nele. ( DK 68 A 39 )

            Como se pôde depreender até aqui, torna-se evidente que Demócrito, à diferença de seu mestre Leucipo, estava particularmente preocupado com a construção de uma base epistemológica para sua teoria atomista, como percebemos, à exemplo da teoria da percepção, nos testemunhos de Teofrasto (ver DK 68 A 135), discípulo e sucessor de Aristóteles na escola peripatética e nos Comentários de Simplício.

TEOFR. de ign. 52. É incerto sobre este fato: porque a chama é piramidal; e Demócrito diz que, uma vez que os finos da chama se esfriam, ela se contraí em um espaço pequeno e torna-se aguda na extremidade. ( DK 68 A 73 )

TEOFR.  de caus. planta. II 11, 7 e seguintes. [crescimento de plantas]. 7) Não parece certo em Demócrito, quanto à forma como as plantas certas têm vidas mais curtas e brotam antes daqueles torcidos, dizendo que, no primeiro, o alimento a partir do qual eles dependem do início e o fruto se espalha rapidamente, enquanto no último ele prossegue lentamente porque não é fácil seguir a parte deles que emerge do solo e, portanto, o alimento beneficia as raízes e, de fato, estas são plantas com raízes longas e espessas. (8) Porque ele afirma que as raízes das plantas de haste reta são fracas, para competir tanto pelas razões pelas quais as raízes estão quebradas quanto a árvore é destruída; de fato, tanto do frio quanto do calor penetram, para serem poros retilíneos, até as raízes, que, fracas, não se levantam; e, em geral, muitas dessas plantas começam de baixo a idade, devido à fraqueza das raízes. Além disso, acontece que a parte emergente do chão, se for dobrada pelo vento devido à sua simplicidade, move suas raízes; e se isso acontecer, as raízes se quebram e se tornam impotentes, de modo que toda a árvore morra. Isso é tudo o que ele diz sobre isso. - Ver TEOFR.. de caus. planta. I 8, 2. Deve ser assumido que [o crescimento] depende de ser poros retos, como Demócrito diz, porque neste caso, a alimentação do alimento é mais fluente e sem impedimentos, como ele diz? ( DK 68 A 162 )



TEOFR.  de caus. planta. VI 1, 6. - Demócrito, que atribui uma certa forma atômica a cada sabor, faz com que o doce derive de átomos redondos de tamanho discreto, o acre dos átomos de grande figura com aspereza e com muitos ângulos e sem redondeza, o ácido ou aguda - como o nome indica - de átomos angulares agudos a curvas, sutis e não arredondadas, o agro em vez de átomos arredondados, fino, angular e curvo; o salgado, dos angulares de tamanho discreto, oblíquo e isósceles; o amargo, dos arredondados, com uma curvatura uniforme e tamanho pequeno; gorda, de átomos leves, redondos e pequenos. ( DK 68 A 129 )

TEOFR.  de caus. Planta  VI 2, 1 - [controvérsia contra Demócrito]. Parece, portanto, que os sabores certamente dependem das formas de átomos: na verdade, analisando assim os dos poderes em si mesmos, imagina-se explicar a causa pela qual uma substância é acre e seca O palato se aperta, outro dá uma sensação de suave, doce e agradável, outro faz com que os sucos saem e os espalhe e produz outros efeitos semelhantes. No entanto, esta pesquisa sobre sabores pode ser melhor desenvolvida, a fim de demonstrar também quais são as qualidades do sujeito consciente. Porque é necessário conhecer não só o agente, mas também aquele que recebe a ação, especialmente se isso também for dado, "nem todos os mesmos [sabor] são os mesmos", como ele diz. Na verdade, nada impede o que para nós é doce para outros seres serem amargos e, por isso, para outras qualidades ( DK 68 A 130 )

TEOFR.  de caus. Planta . VI 2, 3. - Esta é também uma opinião estranha, naqueles que explicam [os sabores] através de figuras atômicas: que, sendo semelhante em certas substâncias, as formas de átomos, basta que a diferença consista em ser o corpo menor ou mais Ótimo para garantir que as substâncias já não tenham o mesmo poder. Porque, então, os poderes não estão mais relacionados às formas, mas aos volumes, o que podemos dizer que permitem que os corpos atuem uns contra os outros e até conduzam a ações de maior ou menor força, mas não é razoável que eles conduzam a poderes ou a diferentes atividades, uma vez que os poderes dependem das formas dos átomos. E assim, as figuras atômicas iguais devem corresponder a corpos de igual qualidade, como em outros casos [nos quais as qualidades são deduzidas apenas das figuras]. ( DK 68 A 131 )

TEOFR.  de caus. Planta. VI 7, 2. Outra questão que deixa você incerto é a seguinte: de que maneira Demócrito [os sabores] podem derivar uns dos outros. Porque é necessário dar um desses três casos: o que os átomos assumem uma forma diferente, transformando do escaleno e agudo em átomos redondos; ou que, presentes em cada substância, átomos de todas as qualidades, por exemplo átomos do acre, do ácido e do doce, alguns desses átomos são expulso (pois em cada composto existem átomos que estão na superfície e nela existem outros que são próprios de qualquer outro sabor que possa se manifestar), enquanto os outros átomos permaneceriam; ou, terceiro caso, essa parte dos átomos deixa o composto e outros entram nele. Mas, uma vez que é impossível que os átomos se formem (na verdade, o que é indivisível não pode sofrer alterações), apenas os outros dois casos permanecem possíveis: alguns átomos penetram e outros saem, ou alguns deles permanecem e outros deixam o composto. Ambos os casos, no entanto, são absurdos: porque a demonstração deve ser completada, explicando também o que é que opera e realiza essas modificações. ( DK 68 A 132 )

TEOFR.  de caus. Planta. VI 17, 11. Mas o que é estranho, como dissemos anteriormente, é que tem um cheiro atraente para eles [para os animais] o que para nós é nojento ou inodoro. E, no entanto, afinal, não é estranho. Vemos, de fato, que o mesmo efeito ocorre também para outras coisas, como na mesma comida, na qual a causa pode ser facilmente atribuída a misturas, quando elas saem do normal: já que, de fato, os átomos de Demócrito - que, de acordo com a definição, eles têm as formas apropriadas para cada sensação - eles devem produzir esses efeitos (e sensações) que estão em conformidade com aquelas ( DK 68 A 163 )

TEOFR. o odor. 64. Por que o Demócrito que explica os sabores em relação ao sentido do gosto, não explica de maneira semelhante os cheiros e as cores em relação aos seus sentidos? Na verdade, deveria ter derivado essas qualidades das formas atômicas. ( DK 68 A 133 )

TEOFR. Da sens. 49-83: - (49) Demócrito não esclarece, em relação à sensação, se ocorre por meio de opostos ou pelo trabalho do semelhante. Porque se ele explica o sentimento com a alteração, parece que ele o fez derivar da ação de coisas diferentes, uma vez que o mesmo não sofre alterações do tipo; se, pelo contrário, explica o sentimento e, em geral, a alteração como um sofrimento - e é impossível, diz ele, que coisas não idênticas sofrem umas das outras, de fato, se elas são diferentes, elas não são tão diferentes, mas enquanto há neles algo comum - é evidente que explica o sentimento com os outros. Portanto, neste ponto, pode-se fazer ambas as hipóteses. Então Demócrito trabalha para explicar cada tipo de sensação em particular. (50) A visão, portanto, de acordo com ele é produzida pela imagem, na qual ele expõe uma teoria própria: a imagem não se forma diretamente sobre a pupila, mas o ar que se interpôs entre o órgão de visão e o objeto visto, sendo comprimido pelo objeto visto e o sujeito que vê, recebe uma impressão, pois de cada coisa vem um determinado eflúvio; Este ar, que se tornou consistente e marcado pelas diferentes cores, reflete-se nos olhos úmidos e o elemento denso não o recebe, enquanto o úmido deixa-o penetrar. Portanto, os olhos úmidos, para a capacidade visual, são melhores do que os secos, se a película externa é extremamente fina e compacta, o interior é extremamente esponjoso, livre de carne compacta e resistente, e cheio de humor denso e gordo, e veias no interior dos olhos em linhas retas e sem umidade, quando os olhos são tais que podem receber as mesmas figuras atômicas que estão nas imagens das coisas: porque todos sabem melhor o que é homogêneo. (51) Agora, antes de tudo, essa formação de impressões no ar é absurda; de fato, o que recebe uma impressão deve possuir uma certa compacidade e não contar, como ele próprio reconhece, com a comparação que ele faz, dizendo que a marca é tal como seria obtida modelando um pedaço de cera. Além disso, as imagens na água podem ser formadas com mais facilidade à medida que a água é mais espessa, e ainda na água densa vê-se pior, embora se veja melhor. E, como ele geralmente admite o eflúvio das formas dos corpos, como se vê nos livros dos signos, para que serve a formação de impressões no ar? Porque os ídolos já são, em si, imagens. (52) Mas, como isso acontece, isto é, o ar tem a forma de cera pressionada e condensada, como é produzida a imagem e de que natureza é? Enquanto isso, é claro que a impressão será voltada para o objeto visto, pois é o próprio de todas as pegadas. E, como é assim, é impossível que a imagem do objeto nos apresente, se a impressão não se acender. Mas o que deve ser demonstrado é por que causa e de que maneira essa inversão de impressões irá ocorrer: porque, de outra forma, a visão não é possível. Outro ponto: quando vemos vários objetos no mesmo lugar, como podem muitas pegadas diferentes no mesmo ar estarem juntas? E novamente: como é possível que duas pessoas se vejam? Porque as impressões digitais devem se cruzar, sendo cada uma delas localizada em frente da pessoa de quem vem. Portanto, esses problemas aguardam a solução. (53) E, além disso, por que ninguém pode ser visto por ele mesmo? Uma vez que as pegadas [provenientes de nós], ao produzirem a imagem nos olhos daqueles que estão perto de nós, também deveriam trazê-la para os nossos olhos, especialmente se a outra pessoa estiver bem à nossa frente e se [por causa das pegadas as imagens] produzam o mesmo efeito que ocorre no eco: de fato, ele diz que o som também afeta a mesma pessoa que falou. E então a formação de pegadas no ar é absurda em geral: porque do que ele diz vem como uma consequência necessária que todos os corpos produzam suas pegadas no ar e muitos deles seriam confundidos, o que nos impedirá de ver e além disso, é completamente improvável. Mais uma vez: se, então, a impressão era persistente, você deveria ver os objetos mesmo quando não são visíveis nem vizinhos e, se não de noite, pelo menos durante o dia. E verdadeiramente não é menos natural que as pegadas persistam de noite, mais o ar está fresco; (54), mas talvez a imagem seja produzida pelo Sol trazendo luz na forma de um "raio" para o órgão visual, como parece que ele pretendia dizer. Como é dito, como ele faz, que o sol, repelindo e batendo incessantemente o ar antes de si mesmo, a condensação, é outro absurdo, já que [o calor do Sol] é bastante rarefeito. Outro absurdo ainda é a partilha do sentido da visão, não apenas os olhos, mas também o resto do corpo: na verdade, diz que o olho deve ter um certo vazio e uma certa umidade precisamente para isso, para melhor receber as imagens e transmiti-las para todo o resto do corpo. E também é contraditório dizer que o olho vê acima de tudo as coisas homogêneas para ele e, então, derivar a imagem de coisas de cores diferentes, como se, então, de tais coisas não pudessem ser produzidas imagens. Como então temos as imagens de grandeza e distância, ele não pode explicar, por mais que ele tente. (55) Quanto à visão, portanto, Demócrito queria explicar várias questões de forma original, mas é muito mais o que ele deixou para investigar. Quanto à audição, ele explica isso mais ou menos como os outros. O ar que vai penetrar no vazio produz um movimento, mas mesmo que ele penetra uniformemente em todo o corpo, ele o produz acima de tudo e em um grau muito maior dentro dos ouvidos, porque atravessa um espaço vazio muito maior e não permanece no mínimo . E essa é a razão pela qual, enquanto no resto do corpo não há sensação [de som], há apenas naquela parte [na orelha]. Quando o ar chegou ao interior, a velocidade se espalha e o som é apenas o efeito do ar comprimido e penetrante com força. Ele também explica com tato a sensação de que alguém tem no interior, como aquele fora. (56) A audição é então muito aguda, quando a pupila externa é densa, as veias pequenas estão vazias e, tanto quanto possível, desprovidas de líquido e bem perfuradas, mesmo no resto do nosso corpo, bem como na cabeça e nas orelhas; e também é necessário que os ossos sejam compactos, o cérebro bem temperado e que seu entorno seja o mais seco possível; então o som penetra em conjunto, já que ele penetra em um vazio largo, sem umidade e bem perfurado, e assim se espalha rapidamente e uniformemente por todo o corpo sem derramar. (57) Demócrito, portanto, não difere de outros na determinação [da natureza do som] sem qualquer clareza. O que é pessoal e absurdo na teoria é que o som penetra em todo o corpo, isto é, quando ele penetra através da audição, ele se espalha por todo o corpo, como se a sensação de som pudesse ter todo o corpo e não o ouvido apenas. Pois, se o corpo também participar de algo da impressão que vem da audição, não é por esta razão que se pode dizer que na verdade, o corpo está sujeito de alguma modificação em todos os casos, e não apenas em relação aos sentidos, mas também em relação à alma. Quanto à visão e à audição, portanto, ele dá essas explicações, enquanto ele concebe as outras sensações mais como a maioria dos outros. (58) Quanto ao pensamento, ele só disse que é produzido quando há equilíbrio na mistura da alma; Quando, em vez disso, tem os elementos predominantes ou quentes ou frios, percebeu Demócrito que os antigos explicaram bem esse fato dizendo que é outro "pensamento". E, portanto, é claro que ele deriva o pensamento da mistura [dos elementos] do corpo, o que talvez seja também lógico para ele, para o qual a alma é corporal. Tanto o mesmo e o mesmo, portanto, são as opiniões expressas pelos antigos em torno de sensações e pensamentos. (59) Quanto aos objetos sensíveis, a investigação de sua natureza e as qualidades próprias de cada um são deixadas de fora pelos outros filósofos. Em objetos que ficam sob o toque, eles consideram o pesado e a luz, o calor e o frio, dizendo, por exemplo, que é quente o que está dilatado e magro, frio, o que é comprimido e grosso; e assim Anaxágoras distingue o ar do éter. Os pesados ​​e leves também são devidos às mesmas causas, adicionando o movimento para cima ou para baixo. Além disso, quanto ao som, eles dizem que é um movimento de ar; e, quanto ao cheiro, que é um eflúvio. Empédocles também falou das cores, dizendo que o branco é a cor do fogo e o preto da água; Os outros, no entanto, simplesmente dizem isso, que os brancos e os negros são os princípios das cores e que todos as outras cores derivam da mistura destes dois; e na verdade Anaxágoras falou sobre isso de maneira superficial. (60) Demócrito e Platão em grande parte concordam, porque definiram cada sentido separadamente, com a diferença de que Platão não nega a realidade objetiva às qualidades sensíveis, enquanto Demócrito considera todas as modificações de nossa sensibilidade. Qual dos dois deu a explicação em conformidade com a verdade, é algo que não exige discursos. Vamos tentar, em vez disso, ilustrar em que ponto cada um dos dois avançou na pesquisa e de que maneira determinou as qualidades sensíveis: mas vamos premiar qual é a direção geral de sua investigação. Demócrito não faz uso de um princípio idêntico para explicar todas as qualidades sensíveis, mas sim explica algumas delas com magnitudes, outras com formas, outras com ordem e posição. Platão, por outro lado, pode dizer-se que contém todas as qualidades que são sensíveis às impressões externas e ao significado. Parece, então, que cada um dos dois contradisse sua própria hipótese. (61) Na verdade, aqueles que consideram as qualidades como impressões sensíveis determinam então sua existência objetiva; O outro, que os considera objetivo e derivado de substâncias, leva-os a impressões de significado. O pesado e a luz, portanto, são definidos por Demócrito através da grandeza: se, de fato, todas as substâncias individuais pudessem ser separadas, ele diz que, embora fossem diferentes em forma, teriam, por natureza, o peso proporcional à grandeza. Pelo contrário, em compostos é mais leve o que contém mais vazio, mais pesado o que contém menos: assim ele afirma em vários lugares. (62) Em outro lugar, no entanto, simplesmente diz que a luz é o que é sutil. E, da mesma forma, prossegue em explicar o duro e o macio: de fato, é duro o que é denso, macio o que é raro, e as variações mais e menos [em duro ou macio] e todas as possíveis variações são explicadas de acordo com essas premissas . No entanto, se compararmos o que é duro ou macio com o que é pesado ou leve, uma certa diferença também reporta à posição e à distribuição interna dos vazios. É, portanto, que o ferro é mais duro enquanto o chumbo é mais pesado: na verdade, o ferro tem uma composição irregular e contém vazios frequentes e também consideráveis, enquanto em certas partes é fortemente compacto, mas em geral ele está mais vazio que o chumbo. O chumbo, que contém menos vazios, tem uma composição regular e uniforme em todas as suas partes: para a qual é mais pesado, mas mais macio que o ferro. (63) Assim, ele explica o pesado e o leve, o duro e o macio. Das outras qualidades sensíveis, nenhuma tem uma realidade objetiva, mas todas são impressões a partir das quais o sentido é modificado, da qual vem a representação. Assim, nem o frio nem o calor têm realidades objetivas, mas há apenas a mudança de forma, que também produz a nossa modificação: de fato, o que constitui uma massa compacta tem a força para se sentir percebida por todos, enquanto o que está disperso em um vasto espaço, não é mais perceptível. A prova de que as qualidades sensíveis não têm existência objetiva está no fato de que uma mesma qualidade não parece igual a todos os seres sensíveis, mas o que para nós é doce é para outros amargo, para outros ácidos, para outros azedos, para outros ainda acre, e assim por diante. (64) Além disso, os seres sencientes sofrem alterações na mistura [da alma], dependendo das impressões que recebem e da idade; e também disso é evidente que o arranjo [do sensível] é a causa da representação. Ele acredita, portanto, que as qualidades sensíveis devem ser concebidas em geral dessa maneira. No entanto, ele atribui, como os outros, também essas qualidades às formas, exceto que ele não determina as formas para todos os objetos sensíveis, mas sim para os gostos e as cores; e, entre estes, com maior precisão define os dos sabores, trazendo ao homem a representação deles. (65) Ele diz, portanto, que o ácido ou o azedo é o sabor de formas atômicas angulares e muito sinuosas, pequenas e sutis. Estes, por sua penetrabilidade, se arrastam rapidamente e em todos os lugares, e, como eles são duros e angulosos, determinam uma contração e um estreitamento para o qual o corpo, produzindo vácuos em seu interior, também é para aquecer: uma vez que algo muito mais  aquecido quanto maior o vácuo que contém. O macio é composto de partículas arredondadas e não muito pequenas; de onde se espalham completamente para o corpo e passam de forma não violenta e até rapidamente em todos os lugares; mas eles perturbam os outros gostos quando, penetrando através das outras formas, os empurram para fora e os humedecem, e estes, então, úmidos e movidos de seu lugar, correm todos juntos para o útero, pois isso oferece uma passagem muito fácil porque tem dentro dele um monte de vazio. (66) O acre resulta de grandes figuras atômicas, muito angulares e com quase nenhuma redondeza; essas figuras, quando entram nos corpos, obstruem as pequenas veias enchendo-as e impedindo que elas escorreguem; e, dessa forma, também param o fluxo do ventre. A amargura resulta de pequenos átomos suaves e redondos, e tem um contorno arredondado também com sinuosidade: por isso é pegajoso e pegajoso. O salgado é o que resulta de átomos grandes e não redondos, mas em pequena parte o escaleno, , então eles não são mesmo muito sinuosos (com escaleno ele significa aqueles que têm a capacidade de serem pegos mutuamente, isto é, formar um único complexo); eles são grandes átomos, porque os salgados permanecem na superfície, enquanto que se fossem pequenos, uma vez submetidos aos choques dos átomos do corpo em que eles entraram, eles se misturariam com todo o corpo; eles não são redondos, porque o que é salgado é áspero, enquanto o que é redondo é suave; não escaleno, porque eles não ficam presos entre eles e, portanto, o sal é friável. (67) O acre é [o átomo] pequeno, ora redondo ora angular, mas sem tortuosidade. De fato, o acre aquece sua rudeza, sendo muito anguloso e se espalha por sua pequenez e pela arredondamento ou angularidade da forma: porque o que é angular tem essas atitudes. Da mesma forma, ele também explica as propriedades individuais dos outros sabores, trazendo-os de volta às figuras atômicas. De todas essas figuras, no entanto, ninguém está sozinho [em cada sabor único] e não se mistura com os outros, mas há muitos para determinar cada sabor: o mesmo sabor contém o liso e amargo, redondo e azedo. Essa figura atômica que se encontra no composto na quantidade prevalecente tem a maior força na determinação da sensação e da qualidade sensível, embora de acordo com a disposição do corpo em que ela entra: porque [por esse respeito] não temos pequenas diferenças e às vezes uma substância pode produzir efeitos opostos com a mesma forma atômica, enquanto as formas contrárias podem produzir o mesmo efeito. (68) Estas são as explicações que ele deu sobre os sabores. Mas o que pode parecer estranho é, em primeiro lugar, que ele não explica da mesma maneira as causas de todas as qualidades sensíveis, mas para o pesado e o leve, o macio e o duro, ao grande e ao pequeno , aos raros e densos, pelo calor e pelo frio, e por outras qualidades semelhantes, às figuras atômicas. Nem é menos original do que o pesado e o próprio leve em si, o duro e o mole em si, ele afirma a existência objetiva (na verdade, o grande e o pequeno, o denso e o raro não estão relacionados aos outros) e, em vez disso, considere o calor e o frio e as demais qualidades similares e relativas ao sentido, e isso, apesar do fato dele repetir várias vezes que, por exemplo, a forma atômica do calor é esférica. (69). Em suma, a maior contradição e aquilo que é comum a toda essa consideração das qualidades sensíveis consiste em dizer simultaneamente, por um lado, que as qualidades são modificações do sentido e, por outro, que dependem das figuras atômicas; e dizer que o mesmo parece amargo para um, doce para outro, para outros de outra maneira: porque não é possível que a figura atômica seja nossa impressão, nem que a mesma figura seja para esféricos e para outros de forma diferente (ainda isso será muito necessário, concedido que seja para o doce e para os outros amargos), ou que as figuras atômicas se moldaram de acordo com a disposição de nosso corpo. Por outro lado, a figura é absolutamente real em si mesma, enquanto o doce e, em geral, todas as qualidades sensíveis são relativas umas nas outras e existem em outra, para o que ele diz. E é absurdo acreditar que aqueles que têm o sentimento dos mesmos objetos recebem a mesma impressão e que essa impressão prova a verdade dos objetos e tudo isso, apesar de ter dito, pouco antes, que as coisas aparecem diferentes às pessoas de disposição diferente e Além disso, não é dado a mais do que outro para alcançar a verdade. (70) Absurdo porque, logicamente, quem é melhor alcançará melhor do que aqueles que são piores, quem é mais saudável do que aqueles que estão doentes; que está muito mais em conformidade com a natureza. E novamente: se eles não têm realidade objetiva as qualidades sensíveis pelo fato de que elas não parecem idênticas, é evidente que mesmo os animais e todos os outros corpos não terão realidade objetiva: porque nem mesmo nestes todos temos a mesma opinião. E, no entanto, mesmo que o mesmo objeto não produza a mesma sensação de doce ou amargo em todos, é certo que todos concebem a natureza doce e amargo de uma maneira. E isso parece confirmar ele mesmo. Para como poderia ser amargo para nós parecer aos outros doce ou azedo se não houvesse uma natureza muito específica própria desses sabores? (71) E ele também torna mais evidente onde ele diz que cada uma [dessas qualidades sensíveis] é produzida e realmente existe e, especialmente para o amargo, que tem o atributo de perceptibilidade. Portanto, por esta razão, parece que ele se contradiz ao não reconhecer uma realidade às qualidades sensíveis; e, além disso, como mencionado acima, parece contradizer-se quando determina, em vez disso, a figura própria da substância "amarga", assim como a outra e, em conjunto, nega a sua realidade objetiva. Na verdade, nenhum objeto percebido tem realidade objetiva ou mesmo qualidades sensíveis o terão, uma vez que, como causas [do sentimento], objetos e qualidades operam da mesma maneira. Mais uma vez: o calor e o frio, que eles estabelecem como princípios, devem acreditar em ter alguma realidade; se eles tiverem estes, eles também terão outras qualidades sensíveis. Enquanto isso, para o duro e o macio, o pesado e a leve, ele reconhece uma certa substancialidade, enquanto ele parecia considerá-los em relação a nós, não menos que as outras qualidades sensíveis; e ele não reconhece isso no calor ou no frio ou em qualquer das outras qualidades. E, no entanto, como ele explica o pesado e o leve através das grandezas, é necessário que todos os corpos simples tenham a mesma tendência ao movimento, de modo que todos eles sejam de um único material e da mesma natureza. (72) Mas ao redor disso, ele parece ter seguido aqueles que fazem o pensamento diretamente depender de mudanças físicas, uma opinião que é muito antiga. Na verdade, todos os antigos, poetas e filósofos, explicam o pensamento dependendo da nossa disposição. A cada um dos sabores, ele atribui uma figura atômica, tentando estabelecê-la com uma certa semelhança entre ela e o poder que ela manifesta na sensação; mas a figura deve ser definida não só de acordo com as características dos sabores, mas também com os órgãos dos sentidos, principalmente devido ao fato de que as sensações são modificações de nossos sentidos. Porque nem todas as formas esféricas têm o mesmo poder e não as outras; por conseguinte, teria de ser definido também de acordo com a substância, para dizer se é composto de figuras semelhantes ou diferentes, dizer como essa mudança é produzida em que a sensação consiste, e também para explicar todas as sensações dependentes do toque e não apenas as sensações do gosto. Em suma, mesmo todas essas outras sensações ou tem algo que as diferencia dos sabores, e foi necessário determinar essa diferença, ou eles poderiam ser explicados da mesma maneira, e ele os negligenciou. (73) Quanto às cores, ele admite quatro cores simples. O branco, portanto, é suave. Na verdade, tudo o que não é áspero e não molda sombra e é facilmente penetrado também é brilhante. Tudo o que é brilhante, então, deve oferecer passagens diretas e ser transparente. Das substâncias brancas, aqueles que são duros são compostos de figuras atômicas do tipo daqueles que compõem a superfície interna das conchas: como essas, de fato, são sem sombra, são claras e têm poros retos; aqueles que são friáveis ​​e resultam facilmente de figuras atômicas redondas, obliquamente uma em relação à outra e conectadas em pares, e têm todo o arranjo interno uniforme ao mais alto grau. Assim ordenados no interior, são friáveis ​​porque o contato ocorre em uma pequena superfície; eles se desintegram facilmente, porque suas partículas estão dispostas uniformemente; eles são sem sombra, porque são lisos e planos; e eles são mais brancos entre eles do que aqueles em que as figuras atômicas descritas acima são mais regulares e menos misturadas e onde a ordem e a posição de tais figuras estão mais em conformidade com o anteriormente mencionado.(74) Branco, portanto, resulta de figuras desse tipo. Negros, daqueles de natureza oposta, que são ásperos, tortuosos e diferentes um dos outros: porquê dessa forma lançam sombras e têm poros que não são retos e não penetram facilmente. Mesmo os efluentes são lentos e desordenados; e há uma diferença de qualidade nos eflúvios em relação à sensação, que será diferente dependendo da entrada de ar [nos poros do sensível]. (75) O vermelho deriva das mesmas figuras das quais o calor deriva, apenas maior; porque mesmo no caso de os compostos [corpos] serem maiores, mesmo que as partículas sejam uniformes, existe um vermelho muito mais vívido. O sinal claro de que o vermelho deriva de figuras desse tipo é nisso: nós, quando aquecermos, ficamos vermelhos e os outros corpos ardentes, até que eles tenham apenas fogo. As coisas mais vermelhas são compostas por grandes figuras atômicas, como a chama e o carvão de madeira verde mais do que os de madeira seca. O mesmo se aplica ao ferro e aos outros corpos ardentes: os mais brilhantes são aqueles que contêm um fogo mais sutil e muito grande, enquanto os mais vermelhos são aqueles que contêm um fogo maior e menor. E esta é a razão pela qual os corpos mais vermelhos também são menos quentes: porque o calor é o sutil. O verde, então, consiste em solidez e vazio e é como uma mistura de um e outro; e de acordo com a ordem e disposição, a cor resultante. (76) As cores simples, portanto, precisam dessas figuras atômicas: e cada cor será mais pura, mais resultará de figuras não misturadas. As outras cores dependem das combinações destes. Por exemplo, a cor do ouro, a do bronze e todas as similares, da combinação de branco com vermelho; na verdade, eles desenham o brilhante do branco, o avermelhado do vermelho, uma vez que o vermelho na mistura vai cair diretamente nos espaços em branco do branco. Se você adicionar verde a essas cores, você obtém uma cor bonita, mas as adições de verde devem ser pequenas: porque grande não é possível, da maneira branca e vermelha combinadas. E as cores compostas serão diferentes dependendo de se você tomar mais ou menos simples. (77) O púrpura é derivado de branco, preto e vermelho misturado, mas o vermelho tem a maior parte na mistura, a parte preta é pequena e o branco está em proporção média: por isso também é agradável o sentimento que produz. Que no roxo há preto e vermelho, é manifesto aos olhos; que há branco, o esplendor e a transparência o provam, uma vez que estas são as qualidades constituintes do branco. O azul da água deriva do intenso preto e verde, mas com maior quantidade de preto: o magenta do roxo e do azul da água ou do verde e do purpúreo: de fato, o enxofre é dessa natureza e participa de um certo, brilhar. Índigo deriva do azul a água e do fogo vermelho, mas de figuras atômicas redondas e em forma de agulha, de modo que no preto existe o brilho. (78) O ciano vem do verde e do índigo; se você misturar o verde você fica com o fogo da cor, porque o que é desprovido de sombra também elimina a presença da cor preta. E, em geral, mesmo o vermelho misturado com o branco torna o verde puro e sem preto: e é por isso que os frutos das árvores são verdes primeiro, antes de sentir o calor e se tornarem maduros. No geral, ele menciona apenas essas cores, mas ele acredita que as cores e os sabores são infinitos, dadas as misturas que podem ser feitas delas, removendo ou adicionando uma ou outra e misturando-as mais, algumas outros menos: porque eles nunca resultarão em duas cores perfeitamente parecidas entre si. (79) Em primeiro lugar, no entanto, é difícil admitir vários princípios; e de fato os outros [físicos] admitem apenas brancos e negros, mantendo apenas cores simples. Além disso, é difícil não admitir uma única forma atômica para todos os corpos brancos, mas um para os corpos duros e outro para os friáveis. Porque não é realmente natural que haja outra causa [para cor] em corpos que são diferentes ao toque; e, no entanto, a causa da diferença não seria a figura atômica, mas sim a posição. Na verdade, é possível que até mesmo as figuras atômicas redondas e, em geral, todas as figuras se somem. Uma prova: é que o mesmo Demócrito está convencido disso, por aqueles corpos suaves que parecem negros, pois diz que eles aparecem tão por sua coesão e pela ordem das partes, enquanto eles têm a mesma coesão e a mesma ordem do preto ; e, vice-versa, para aqueles corpos escabrosos que parecem brancos: diz que os aparentemente brancos vêm de grandes figuras atômicas e com agrupamentos não arredondados mas escalonados, de modo que as formas dos átomos formam uma linha quebrada como abrigos ou aterros criados perto de das paredes, porque um corpo desse tipo não produz sombra nem dificulta o brilho. (80) Em outra, como explica, e com base em quais figuras atômicas, o fato de que o branco de certos corpos pode se tornar preto, se eles [corpos] estão dispostos de forma a lançar uma sombra? Em suma, parece que [dessa maneira] ele explica melhor a natureza do diáfano e do reluzente do que do branco. Na verdade, é característico do diáfano possuir transparência e não ter os poros alternadamente disponíveis; mas no gênero do diáfano, quantas substâncias brancas existem? Mais uma vez: que os poros das substâncias brancas são retos e as das substâncias negras estão disponíveis alternadamente, é uma suposição que é válida no caso de alguma questão deve penetrar. Mas ele explica o ver através do eflúvio e da imagem que é produzida no órgão visual; então, que importância os poros devem ser organizados de forma uniforme ou alternadamente disponível? Também não é fácil admitir que o eflúvio pode, de qualquer forma, nascer do vazio: daí a causa disso continua a ser determinada; e parece que ele faz branco vir da luz ou de outra coisa; [e, portanto, também sugere a densidade do ar como uma causa pela qual certas substâncias parecem pretas]. (81) Não é fácil entender como ele explica o preto: porque a sombra é algo preta e constitui um obstáculo para a visão do branco e, portanto, branco é, por natureza, a primeira cor. Mas ele atribui a causa do preto como um todo a várias coisas, não apenas à sobreposição da sombra, mas também à densidade do ar, à penetração do eflúvio, à perturbação do olho. Mas se isso acontece por falta de transparência ou depende de outro e de qual outra causa, ele não esclarece. (82) Também é absurdo não atribuir uma forma própria do verde, considerando-a constituída apenas de vazio sólido e vazio, pois isso é realmente comum a todos os corpos, de qualquer espécie que sejam suas figuras atômicas; e, em vez disso, como com as outras cores, era necessário atribuir-lhe uma característica particular. E se essa cor é contrária ao vermelho, enquanto o preto é contrário ao branco, deve ter a forma contrária à do vermelho; se, então, não é contrário ao vermelho, seria uma maravilha disso, que Demócrito não considera os princípios como contrários: já que todos os consideram como esses. E acima de tudo, foi necessário examinar cuidadosamente quais cores são simples e por que algumas são compostas, outras não compostas: porque a maior dificuldade reside na determinação dos princípios. Mas essa investigação provavelmente foi difícil. Porque, mesmo os sabores, o melhor de tudo seria capaz de explicar quem poderia determinar os sabores simples. Quanto ao odor, ele negligenciou determinar suas peculiaridades, limitando-se à afirmação de que o odor é produzido pelo sutil que emana dos corpos pesados. Mas ele não acrescenta a natureza do ser que sofre essas ações de fora - o que talvez tenha sido o ponto principal.(83) Demócrito, portanto, deixou muitas perguntas dessa maneira. ( DK 68 A 135)        
         
TEOFR. fr. 171.12 : - Mas pode-se perguntar isso, em torno desses dois tipos de peixes, isto é, aqueles que podem viver secos e aqueles que cavam a terra: se, se fossem enviados para dentro da água, pudessem viver lá ou procurar nela seu próprio lugar e isso seria para eles como sua natureza, pois eles têm seu lugar os peixes que vivem no mar e aqueles que vivem nos rios: nem mesmo estes estão sujeitos a mudanças [da sua natureza], exceto por alguns casos. Pois, para aqueles peixes que cavam um buraco na terra após a dessecação do lugar e para aqueles que permanecem presos no gelo, é evidente que seu lugar é o elemento líquido. E isso é ainda mais a ser admitido para aqueles que cavam a terra e para os outros, para os primeiros absolutamente e para os outros como anfíbios, como diz Demócrito. ( DK 68 A 155 )

SIMPLIC. Comentários Sobre o Céu de Aristóteles, 294, 33. Uma breve citação do livro de Aristóteles sobre Demócrito mostrará a diferença de concepção entre esses dois pensadores. - Demócrito acredita que a questão do eterno consiste em pequenas substâncias infinitas de número; e supõe que estes estão contidos em outro espaço, de tamanho infinito; e chama o espaço com "nomes vazio" e "nada" e "infinito" ao mesmo tempo que dá a cada uma das substâncias chamadas "entidade" e "sólido" e "ser". Ele acredita que as substâncias são tão pequenas que escapam dos nossos sentidos; e que apresentam todos os tipos de figuras [e formas] e diferenças de tamanho. Portanto, a partir dessas substâncias, como ele as considera como elementos, ele faz com que os volumes visíveis e geralmente perceptíveis derivem e sejam combinados pela agregação. ... Se, portanto, o nascimento é agregação de átomos e a dissolução é a desintegração, mesmo para Demócrito, o tornar-se não passa de uma mudança de estado.3 ( DK 68 A 37 )

SIMPLIC. Comentários Sobre o Céu de Aristóteles - 310.5. A desintegração e destruição do mundo não conduz a isso - diz Alexandro] - a uma matéria pura que teve o poder de dar origem a um mundo, mas leva à formação de outro mundo, já que, sendo o mundo infinitas e passando umas às outras, não é necessário o retorno do mesmo mundo que antes. Esta foi a opinião de Leucipo e Demócrito ... mas os mundos de Demócrito são transformados em outros mundos que são constituídos pelos mesmos átomos; então eles são os mesmos que para a forma, mas não para o número que eles representam. ( DK 68 A 82 )

SIMPLIC. Comentários Sobre o Céu de Aristóteles -  564, 24. Demócrito, conforme relatado por Teofrasto na Física. fr.13;, considerando que eles seguiram um procedimento grosseiro, aqueles que colocaram as principais causas no calor e no frio e semelhantes, subiram aos átomos, como os pitagóricos de forma semelhante à superfície, considerando as causas do calor e figuras e tamanhos frios: de fato As coisas desruptivas trazem consigo o sentimento de calor; de frio, em vez disso, os compactos e os comprimidos. ( DK 68 A 120 )

SIMPLIC. Comentários Sobre o Céu de Aristóteles. - 569, 5. A escola de Demócrito e depois Epicuro argumentam que os átomos, todos de mesma natureza, têm peso, e que, sendo átomos mais pesados, os mais leves são empurrados para fora dos mais pesados ​​(que formam um depósito) abaixo) e adquirem um movimento ascendente; e assim acontece, eles dizem, que os corpos parecem leves e pesados. - 721, 27  - Os seguidores de Demócrito acreditam que todos os corpos têm peso e que o fogo, pelo motivo de um peso menor, sendo afastado da pressão dos elementos pré-existentes, move-se para cima e, portanto, parece um corpo leve . Eles estão convencidos de que apenas o pesado existe e que é sempre levado para o centro. ( DK 68 A 61 )

SIMPLIC. Comentários Sobre o Céu de Aristóteles, 712, 27 : -  A escola de Demócrito pensa que tudo possui peso, mas que por possuir menos peso, é que o fogo é expelido pelas coisas que possuem mais, se move para cima e, consequentemente parece leve. ( DK 68 A 61 )

SIMPLIC. Comentários sobre a Física de Aristóteles - 28, 15  - Da mesma forma, seu discípulo [de Leucipo] Demócrito de Abdera também estabeleceu plenitude e vazio, chamando de ser o primeiro e o outro não sendo: de fato, considerando os átomos como matéria de corpos, eles derivam todos os outros coisas das diferenças dos próprios átomos. As diferenças são: medida, direção, contato mútuo, que é dizer forma, posição e ordem. Eles acreditam que, por natureza, o mesmo é posto em movimento pelo gosto e que as coisas agradáveis ​​são trazidas umas para as outras e que cada uma das formas, dispostas em outro complexo, produz outra ordem; de modo que, partindo da hipótese de que os princípios são infinitos em número, prometeu explicar de forma racional as modificações e as substâncias e a partir do que e como os corpos são gerados; portanto, eles também dizem que apenas para aqueles que consideram infinitamente os elementos tudo ocorre de uma maneira consistente com a razão. E afirmam que o número de formas nos átomos é infinito porque nada possui essa forma aqui mais do que esta: esta é, na verdade, a causa de que eles adicionam o seu infinito. ( DK 68 A 38 )

SIMPLIC. Comentários sobre a Física de Aristóteles 327, 24. Mas também Demócrito, onde ele diz "de todo um vórtice de formas de todo tipo destacadas" (mas não diz nem por causa), parece significar que o vórtice é produzido espontaneamente e aleatoriamente ( DK 68 A 67 )

            Demócrito também é ainda citado por vários doxógrafos, historiadores e comentaristas, dentre os quais citamos, Sexto Empírico, Plínio, Sêneca,  Cícero, Galeno, Écio, Hipólito de Roma, Clemente de Alexandria e outros que, mesmo se valendo de uma linguagem própria e segundo seus interesses, falam basicamente o que já foi apresentado.

PLINIO. nat. hist. XVIII 273. De Demócrito, que primeiro compreendeu e demonstrou as relações que correm entre o céu e a terra, este episódio é narrado: como o mais rico entre os seus concidadãos desprezou essas pesquisas, ele disse uma vez, prevendo que lá teria sido uma escassez de óleo desde a época das Plêiades (da maneira que já dissemos e que explicaremos ainda mais de maneira clara), comprou, a um preço muito baixo, nutrido pela esperança na colheita, todo o óleo que poderia ser encontrado em toda a região, para o espanto daqueles que sabiam mais do que qualquer coisa sobre uma vida modesta e a tranquilidade de seus estudos. Quando a causa se tornou manifesta e suas riquezas tiveram um imenso aumento de valor, ele, diante do arrependimento dos proprietários ansiosos e gananciosos, repôs a perda, contentando-se por ter provado que não era difícil para ele obter riquezas, quando ele tinha vontade. ( DK 68 A 17 )
CICERO. Tusc. disp. V 39, 114. Demócrito, perdeu a visão, não pode, claro, distinguir o branco do preto; mas, portanto, não perdeu a faculdade de discernir o bem e o mal, o justo e o injusto, o digno e o abjeto, o útil e o inútil, o grande e o pequeno; e mesmo sem ver toda a variedade de cores ele poderia viver feliz, enquanto ele não o poderia sem ter o conhecimento da verdade. Pelo contrário, ele acreditava que a visão interna da alma era impedida pela visão do corpo e, embora muitas vezes nem sequer vejam o que tinham antes deles, ele passou pelo infinito com o intelecto sozinho, nunca encontrando nenhum limite para prendê-lo. ( DK 68 A 22 )

SEXT. EMP. Contra os Matemáticos. VIII 6. Os seguidores de Platão e Demócrito reconheceram como verdades apenas o inteligível, mas Demócrito, porque a natureza não tem substrato sensível para ele, sendo os átomos - que compõem tudo - sem qualquer qualidade sensata, Platão em vez disso porque que coisas sensíveis são aquelas que sempre se tornam e nunca são, etc. ( DK 68 A 59 )

AËT. III 3, 11 - Para Demócrito, o trovão deriva da ação de um complexo irregular de elementos, o que força a nuvem que o contém, rasgando-o, para o movimento para baixo; o raio é uma colisão de nuvens, através da qual os corpos que geram fogo, reunidos no mesmo lugar, são filtrados, graças à fricção mútua, através dos interstícios vazios; o raio é produzido quando o caminho do livre movimento abre-se dos corpos que geram fogo, particularmente puros, sutis, regulares e fortemente unidos, como se expressa; o turbilhão quando os complexos de fogo, tendo muito vazio no interior e contidos em espaços vazios, formando corpo com substâncias misturadas em várias membranas, levam o impulso descendente. ( DK 68 A 93 )

SENEC. nat. Quaest. V 2. Demócrito diz que quando muitos corpúsculos (que ele chama átomos) são coletados em um pequeno espaço vazio, o vento os segue; e, inversamente, o estado do ar é tranquilo e silencioso, quando há alguns corpúsculos em um vasto espaço vazio. Na verdade, mesmo em uma quadra ou numa rua, quando há poucas pessoas, você pode caminhar sem confusão, quando, em vez disso, a multidão está lotada em uma passagem estreita, ocorre uma verdadeira luta entre os transeuntes que batem e se empurram. Da mesma forma, na atmosfera a partir da qual estamos cercados, quando numerosos corpúsculos enchem um pequeno espaço, é necessário que eles se encontrem, se empurram e se repelem, se entrelaçam e se comprimem; e a partir destes, o vento nasce quando os corpúsculos, enquanto antes, estavam em conflito um com o outro, se apressavam e, enquanto haviam flutuado no ar sem uma determinada direção, todos inclinavam em uma direção. Mas, onde poucos corpos flutuam em uma grande largura, eles não podem entrar em conflito nem ser atingidos.  ( DK 68 A 93 a )

            Das obras de Demócrito nos chegaram fragmentos, boa parte deles, resumidos em sentenças que resumiam seu pensamento sobre dado assunto.

FILODEMO. Sobre a Morte,  29, 27 : - Os homens recusam-se a pensar na hora da morte e, quando ela chega, encontra-os despreparados. Surpresos, não conseguem escrever seu testamento e, segundo as palavras de Demócrito, são forçados a carregar um duplo fardo.  ( DK 68 B 1 a )

PLUT. Da tranquilidade da Alma, 2, p. 465 C : -  É preciso que aquele que quer sentir-se bem não faça muitas coisas nem particular nem publicamente, e que aquilo que faz não assuma além de sua força e natureza. Ao contrário, é preciso que, mesmo que a sorte lhe seja hostil e, pela aparência, o leve pouco a pouco ao excesso, tenha o cuidado bastante para renunciar e não procurar mais do que suas forças permitem, pois uma plenitude razoável é coisa mais segura que uma super-plenitude. ( DK 68 B 3 )

SEXTO EMPÍRICO, Contra os matemáticos, VII, 135 – Por convenção existe o doce e por convenção o amargo, por convenção o quente, por convenção o frio, por convenção a cor; na realidade, porém, átomos e vazio... Nós, porém, realmente nada de preciso apreendemos, mas em mudança, segundo a disposição do corpo e das coisas que nele penetram e chocam. ( DK 68 B 9 )


Sentenças:

Se se ouvirem com entendimento estas minhas sentenças, muitas ações dignas de um homem excelente serão praticadas e muitas más ações serão evitadas. ( DB 68 B 35 )

Escolher os bens da alma é escolher os bens divinos; contentar-se com os bens do corpo é contentar-se com os bens humanos. ( DK 68 B 37 )

Belo é conter o homem injusto; ou ao menos não participar de sua injustiça ( DK 68 B 38 )

Deve-se ser bom ou imitar o bom. ( DK 68 B 39 )

Nem o corpo nem o dinheiro fazem o homem feliz, mas a retidão e a prudência. ( DK 68 B 40 )

Evita os maus atos, não por temor, mas por dever. ( DK 68 B 41 )

É grandioso pensar no dever quando se está em desgraça (DK 68 B42)

Arrepender-se de seus atos vergonhosos é salvar a sua vida.  ( DK 68 B 43 )

Aquele que comete injustiça, é mais desgraçado do que quem a sofre. ( DK 68 B 45 )

Magnanimidade é suportar com calma a falta de tato. ( DK 68 B 46 )

Sujeitar-se à lei, à autoridade e ao mais sábio pertence ao sentido da ordem. ( DK 68 B 47 )

O homem bom não faz caso das censuras das más pessoas ( DK 68 B 48 )

Punível é deixar-se dominar por um homem inferior. ( DK 68 B 49 )

Quem for completamente dominado pelas riquezas, não pode ser justo  ( DK 68 B 50 )

Muitas vezes, para persuadir, vale mais a palavra do que o ouro. ( DK 58 B 51 )

É esforçar-se em vão pretender trazer entendimento a quem imagina possuir entendimento. ( DK 68 B 52 )

Muitos que não aprenderam a razão, vivem segundo a razão. ( DK 68 B 53 )

Muitos que cometem as mais vergonhosas ações, falam honestamente. ( DK 68 B 53 a )

Os insensatos tornam-se razoáveis pela desgraça. ( DK 68 B 54 )

Deve-se aspirar a vigorosas obras e ações e não a palavras (DK 68 B 55)

Conhecer o belo e aspirar a ele supõe um dom inato por natureza. ( DK 68 B 56 )

As boas qualidades dos animais mostram-se no vigor do corpo; as dos homens na excelência do caráter. ( DK 68 B 57 )

As esperanças dos que pensam corretamente são realizáveis; as dos insensatos irrealizáveis. ( DK 68 B 58 )

Nem a Arte nem a Ciência são atingíveis sem o estudo ( DK 68 B 59 )

Melhor censurar os próprios erros do que os dos outros ( DK 68 B 60 )

Quando o caráter é bem equilibrado, a vida também é ordenada. ( DK 68 B 61 )

Bom não é apenas não ser injusto, mas também não querer sê-lo. (  DK 68 B 62 )

Elogiar as belas ações é belo; pois aprovar as más é obra de um falso e enganador. ( DK 68 B 63 )

Muitos que muito sabem não têm entendimento. ( DK 68 B 64 )
Muito pensar e não muito saber é o importante. ( DK 68 B 65 )
Melhor é pensar antes de agir do que arrepender-se depois (DK 68 B 66)
Não se deve confiar em todos, mas naquele que tem experiência. Pois aquilo é simplicidade, e o segundo sabedoria ( DK 68 B 67 )
O homem experimentado, e o inexperiente, pode ser reconhecido não só pelo que ele faz, mas também pelo que ele quer ( DK 68 B 68 )
Para todos os homens, o bem e o verdadeiro são o mesmo; o agradável é uma coisa para uns e outra para outros. ( DK 68 B 69 )
Desejar sem medida é coisa de criança e não de um homem(DK 68 B 70)
Prazeres intempestivos provocam desgosto. ( DK 68 B 71 )
Desejar violentamente uma coisa, é tornar-se cego para o demais. ( DK 68 B 72 )

O desejo é justificado quando aspira às belas coisas sem excesso ( DK 68 B 73 )

Recusar todo gozo que não comporte vantagens ( DK 68 B 74 )

Para os desprovidos de entendimento melhor é serem dominados do que dominar ( DK 68 B 75 )

Aos tolos ensina, não a palavra, mas a desgraça. ( DK 68 B 76 )

Reputação e riqueza sem inteligência não são propriedades seguras. ( DK 68 B 77 )

Adquirir riqueza não é inútil, mas adquiri-la injustamente é a pior das coisas. ( DK 68 B 78 )

Mau é imitar os maus e nem querer imitar os bons. ( DK 68 B 79 )

Vergonhoso é dar-se muito trabalho com as coisas dos outros e ignorar as próprias. ( DK 68 B 80 )

A eterna hesitação não deixa as ações atingirem a sua perfeição. ( DK 68 B 81 )

Falsos e hipócritas são aqueles que tudo fazem com palavras, mas na realidade nada fazem ( DK 68 B 82 )

A ignorância do melhor é causa dos nossos erros. ( DK 68 B 83 )

Aquele que age vergonhosamente deve envergonhar-se primeiramente diante de si mesmo. ( DK 68 B 84 )

Quem se perde em discussões e tagarelices mostra-se incapaz para aprender o necessário ( DK 68 B 85 )

É avidez falar de tudo e nada querer escutar ( DK 68 B 86 )

É preciso vigiar o mau, a fim de que não se aproveite de uma oportunidade ( DK 68 B 87 )

O invejoso se prejudica a si próprio como a um inimigo ( DK 68 B 88 )

Não é inimigo quem comete injustiça, mas quem a deseja. ( DK 68 B 89 )

A inimizade dos parentes é muito pior do que a dos estranhos. (  DK 68 B 90 )

Não suspeites de todo o mundo, mas sê acautelado e firme.(DK 68 B 91)

Só se devem aceitar benefícios com a intenção de devolvê-los aumentados ( DK 68 B 92 )

Quando praticas um benefício acautela-te de que o beneficiado não seja um pérfido e retribua o bem com o mal ( DK 68 B 93 )

Pequenos benefícios prestados em momento oportuno são os maiores para quem os recebe. ( DK 68 B 94 )

Honras são de grande efeito para os que têm entendimento e compreendem quando são honrados. ( DK 68 B 95 )

Benfeitor não é aquele que espera retribuição, mas aquele que se determina a bem fazer. ( DK 68 B 96 )

Muitos que parecem amigos não o são; e muitos que não parecem sê-lo, são. ( DK 68 B 97 )

A amizade de um único homem compreensível é melhor que a de todos os que não têm entendimento. ( DK 68 B 98 )

Não vale a pena viver quando não se tem um único bom amigo ( DK 68 B 99 )

Amigos experimentados não suportam muito tempo um caráter difícil. ( DK 68 B 100 )

Muitas pessoas afastam-se de seus amigos, quando estes caem da abundância na pobreza. ( DK 68 B 101 )

Bela é em todas as coisas a boa medida; o excesso e a deficiência me desagradam ( DK 68 B 102 )

Quem a ninguém ama, a meu ver, por ninguém é amado.( DK 68 B 103 )

Agradável é o ancião que sabe gracejar e pronunciar palavras sérias. ( DK 68 B 104 )

A beleza do corpo é animalesca se não for dignificada pelo entendimento  ( DK 68 B 105 )

Encontrar um amigo na felicidade é fácil; mas na desgraça é o mais difícil. ( DK 68 B 106 )

Amigos são, não todos os que nos são aparentados, mas aqueles que concordam conosco naquilo que importa ( DK 68 B 107 )

Como homens nos é digno não rir da desgraça dos homens, mas lastimá-la. ( DK 68 B 107 a )

Quem procura o bem, atinge-o só com dificuldades; o mal, contudo, atinge mesmo aquele que não o procura. ( DK 68 B 108 )

Os que gostam de censurar não são feitos para a amizade (DK 68 B 109)

A mulher não se deve preocupar com a fala; pois isto é desprezível. ( DK 68 B 110 )

Ser dominado por uma mulher é, para um homem, a mais extrema ofensa. ( DK 68 B 111 )

Meditar sempre alguma coisa de belo é próprio de um espírito divino. ( DK 68 B 112 )

Aqueles que elogiam os insensatos causam-lhes grandes males. ( DK 68 B 113 )

Melhor ser elogiado por outro do que por si próprio. ( DK 68 B 114 )

Se não compreendes os elogios que te fazem, toma-os por lisonjas. ( DK 68 B 115 )

DIOG. LAÉRCIO, Vida dos Filósofos mais ilustres, IX, 36 - Pois eu vim para Atenas, — e ninguém me conhece ( DK 68 B 116 )

IDEM, IX, 72 - Em realidade, porém, nada sabemos, pois no abismo está a verdade. ( DK 68 B 117 )

DIONÍSIO, Eusébio – Prep. Evangélica,  XIV, 27, 4 -(Demócrito dizia) preferir encontrar uma única (explicação pelas causas) a possuir o reino da Pérsia. ( DK 68 B 118 )

IDEM, Ibidem, XIV, 27, 5 - Os homens fizeram do acaso uma imagem como pretexto para a sua própria imprudência. Pois somente em casos excepcionais o acaso combate a imprudência: em geral, na vida, a perspicácia sensata põe-nos no caminho reto. ( DK 68 B 119 )

EROTIANO, p, 90, 18 – Demócrito chama a pulsação venosa o movimento das artérias ( DK 68 B 120 )

EUSTÁTIO, Comentário à Odisseia, II, 190, p. 1551 – Demócrito emprega a palavra adequadíssimo ( DK 68 B 121 )

Etimológico Genuíno Magno – Demócrito chama lápathos as covas que os caçadores abrem no solo e recobrem com terra e folhas secas para apanhar lebres. ( DK 68 B 122 )

Ibidem – Segundo Demócrito, a palavra mulher é derivada de semente. ( DK 68 B 122 a )

Ibidem – Representação, em Demócrito, quanto à forma, a emanação é igual às coisas ( DK 68 B 123 )

GALENO, Sobre a nomenclatura médica, 439 – Homens um só será e homens todos ( DK 68 B 124 )

IDEM, Sobre a medicina empírica,  1259, B - (Demócrito, após exprimir a sua desconfiança nas impressões dos sentidos na seguinte frase:) conforme a convenção dos homens existem a cor, o doce, o amargo; em verdade, contudo, só existem os átomos e o vazio; (deixa falar os sentidos contra a razão:) Pobre razão! De nós tomaste argumentos e com eles queres nos derrubar. A vitória será tua desgraça ( DK 68 B 125)

IDEM, Sobre a distinção das pulsações, I, 25 - Todas (as lagartas), que em seu caminhar se movem de modo ondulante. ( DK 68 B 126 )

HERODIANO GRAMÁTICO, Regras da prosódia comum, em EUSTÁQUIO, Comentário à odisseia, XIV, 428 p 1766 - Os homens sentem volúpia ao coçar-se, assim como quando amam ( DK 68 B 127 )

FILODEMO, Sobre a ira, 28, 17 G - Tanta infelicidade, quanta se poderia imaginar. ( DK 68 B 143 )

IDEM, Sobre a Música, IV, 31 - A Música é uma arte jovem. Pois não foi a necessidade que a fez nascer, mas o supérfluo já existente. ( DK 68 B 144 )

PLUTARCO, Sobre a educação dos filhos, 14, p 9 F - A palavra, sombra da ação ( DK 68 B 145 )

IDEM, I Dos progressos na virtude, 10 p 81 A - O espírito habituado a tirar de si próprio os seus prazeres. ( DK 68 B 146 )

IDEM, Preceitos sobre saúde, 14, p. 129 A - Os porcos brincam no estrume ( DK 68 B 147 )

IDEM,  Sobre o amor dos filhos, 3, p. 495 E - No ventre materno forma-se primeiramente o umbigo como ancoradouro contra a ressaca e os caminhos transviados, amarra e gavinha para o fruto que se forma e nascerá. ( DK 68 B 148 )

IDEM – São mais graves as doenças da alma ou a do corpo? 2, p. 500 D - (Se lançares os olhos para dentro de ti, encontrarás) uma despensa sortida e cheia de sofrimentos e um tesouro de males. ( DK 68 B 149 )

IDEM, Questões de Convivas,  I, 1, 5, 614 D E - Se s pesquisas fáceis movem as almas de modo conveniente, deve-se deixar de lado, segundo Demócrito, as palavras de quereladores e enroladores de corda ( DK 68 B 150 )

IDEM, Ibidem, II, 10, 2, 5. 643 F - Pois num peixe que muitos compartilham não há espinhos ( DK 68 B 151 )

IDEM. Ibidem, IV, 2, 4, p. 665 F - Nenhum raio enviado por Zeus, que não guardasse o brilho do éter ( DK 68 B 152 )

IDEM, Preceitos Políticos, 28, p. 821 – O homem político não desprezará a verdadeira honra e a gratidão baseada na benevolência e disposição dos que são lembrados, nem desprezará a forma evitando agradar ao próximo  ( DK 68 B 153 )

IDEM, Sobre a Solércia dos animais, 20, p. 974 - Nas coisas mais importantes somos discípulos dos animais; da aranha no tecer e remendar, da andorinha no construir, e das aves canoras — o cisne e o rouxinol — no cantar; e tudo por imitação. ( DK 68 B 154 )

IDEM, Reflexões comuns contra os estoicos,  39, p. 1079 E - Quando um cone é cortado paralelamente na base por um plano, como devem ser representadas as superfícies resultantes ? Iguais ou desiguais? Se forem desiguais, tornarão o cone irregular, pois apresentará entradas e saliências escalonadas; se, ao contrário, forem iguais, os cortes (também) serão iguais e o cone oferecerá a aparência do cilindro, pois será composto de círculos iguais e não desiguais, o que é surpreendente. ( DK 68 B 155 )

ARISTÓTELES, Sobre o céu, III, 8, 307 a 17 - A esfera até certo ponto um ângulo. ( DK 68 B 155 a )

PLUTARCO, Contra Colotes, 4, p. 1108 F – Colotes diz contra Demócrito que ele, afirmando que cada uma das coisas não é mais assim do que assim, confunde a vida. Mas Demócrito está tão longe de pensar que cada uma das coisas não é mais assim do que assim que lutou contra Protágoras, autor de tal afirmação; e contra ele escreveu obras numerosas e convincentes. Não tendo conhecimento dessas obras nem em sonho, Colotes errou sobre o enunciado do homem (isto é, de Demócrito) no qual há uma definição: o “ada” não existe mais que o ”nada”, chamando “ada” o corpo e de “nada” o vazio, já que este também possui uma certa natureza e substância própria. ( DK 68 B 156 )[11]

IDEM, Ibidem, 32, p. 1126 A - A arte política destes homens (como Parmênides, Melisso, etc.) deve ser estudada como sendo a mais alta e deve-se consagrar esforços dos quais os homens usufruam o grande e o admirável. ( DK 68 B 157 )

IDEM, Sobre a vida oculta, 5, p. 1129 E Homens que, cada dia, têm pensamentos novos. ( DK 68 B 158 )

IDEM, frag. De Sobre o desejo e a dor, 2 - Se o corpo instaurasse um processo contra a alma, devido às dores e aos maus tratos recebidos durante toda a vida, e se (Demócrito) fosse juiz na queixa, prazerosamente condenaria a alma, com as seguintes razões: que ela destruía o corpo pela sua negligência, o enfraquecia pela sua embriaguez, o corrompia e rasgava por volúpia. Da mesma maneira como responsabilizaria aquele que faz uso de um instrumento ou utensílio, deixando-o em mau estado ( DK 68 B 159 )

PORFÍRIO, Sobre a abstinência, IV, 21 - (A vida má, sem moderação, desprovida de entendimento e de respeito pelo sagrado) não é uma vida má, mas um morrer lentamente ( DK 68 B 160 )

Escólios, in APOLÔNIO DE RODES, III, 533 - Antigamente julgavam que as feiticeiras faziam descer o Sol e a Lua. Por isso até mesmo à época de Demócrito muitos chamavam de descensão aos eclipses. (DK 68 B 161 )

Escólios, HOMERO AB, Ilíada, XIII, 137 - Demócrito chama o cilindro de rolo ( DK 68 B 161 )

SEXTO EMPÍRICO, Contra os Matemáticos, VII, 53 - O corinto de Xeníades a quem Demócrito menciona ( DK 68 B 163 )

IDEM, Ibidem, VII, 116 - Todos os seres vivos associam-se com seres vivos semelhantes; as pombas com as pombas, os grous com os grous, e assim com todos os animais. Também assim com as coisas inertes, como se pode ver ao joeirar as sementes ou nas rochas submetidas à ressaca. Pois, devido ao turbilhão provocado pela peneira, as lentilhas separam-se e unem-se às lentilhas, os grãos de cevada aos grãos de cevada, os grãos de trigo aos grãos de trigo. No outro caso, devido ao movimento da onda, as pedras alongadas rolam ao lugar onde estão as pedras alongadas, as redondas buscam as redondas, como se a semelhança que se encontra nestas coisas exercesse certa força de união. ( DK 68 B 164 )

IDEM, Ibidem, VII, 265 - Isto eu afirmo sobre o Todo. — O homem é o que nós todos sabemos... ( DK 68 B 165 )

IDEM, Ibidem, IX, 19 - (Demócrito diz que) certas imagens se aproximavam dos homens (exercendo estas um efeito as vezes bom e às vezes mau. Por isso desejava ele) participar de imagens anunciadoras de felicidade ( DK 68 B 166 )

SIMPLÍCIO, Comentários sobre a Física de Aristóteles, 327, 24 - Um turbilhão de todos os tipos de formas separou-se do Todo.(DK 68 B 167)

IDEM, Ibidem, 1318, 34 - Os discípulos de Demócrito chamavam os átomos de:) natureza. (No vazio são) projetados em todas as direções. ( DK 68 B 168 )

ESTOBEU, II, 1, 12 - Não procures tudo saber para não ignorar tudo. ( DK 68 B 169 )

IDEM, II, 7, 3 i - A felicidade e a infelicidade são propriedades da alma. ( DK 68 B 170 )

IDEM. II, 7, 3 I - A felicidade não reside nem em rebanhos nem em ouro: a alma é a morada do "daimon". ( DK 68 B 171 )

IDEM, II, 9, 1 - As mesmas coisas que nos dão o bem, também nos podem dar o mal, mas deste nos podemos livrar. Por exemplo, a água profunda nos pode ser muito útil, mas também prejudicial, pois corre-se o perigo de um afogamento. Contra isto, encontrou-se apenas um caminho: aprender a nadar ( DK 68 B 172 )

IDEM, II, 9, 2 - Para o homem, os males nascem do bem, quando não se sabe dirigi-los nem suportá-los. Contudo, não é justo considerar tais coisas como males, pois, muito mais, são bens, e, se se quiser, pode-se utilizar o bem contra o mal. ( DK 68 B 173 )

IDEM, II, 9, 3 - Quem se sente inclinado a praticar ações justas e conformes às leis, para ele é alegre, forte e livre de preocupações tanto o dia como a noite; mas quem não obedece à justiça e não faz o que deve fazer, a este tudo se torna desagradável, quando lembra o passado, e sofre o medo e se atormenta. ( DK 68 B 174 )

IDEM, II, 9, 4 - Os deuses dão aos homens, em nossos dias como outrora, todos os bens. Somente o mau, prejudicial e perigoso recusam os deuses, em nossos dias como outrora, aos homens. Mas estes precipitam-se devido à cegueira de seu espírito e a sua loucura. ( DK 68 B 175 )

IDEM, II, 9, 5 - O acaso é magnânimo, mas pouco seguro; a natureza. ao contrário, repousa sobre si própria. E por isto, com sua força menor, porém mais segura, sai vitoriosa contra as promessas mais vastas da esperança. ( DK 68 B 176 )

IDEM, II, 9, 40 - Nem a nobre palavra encobre a má ação, nem é a boa ação prejudicada pela má palavra. ( DK 68 B 177 )

IDEM, II, 31, 66 - O pior que se pode ensinar à juventude é a leviandade. Pois é ela que provoca aqueles desejos que desenvolvem a perversidade ( DK 68 B 178 )

IDEM, II, 31, 57 - Se os meninos não são levados ao trabalho, não aprenderão nem a ler nem a escrever, nem música, nem esporte, nem o respeito, que é a principal condição de valor; pois é por estes exercícios que nasce o respeito. ( DK 68 B 179 )

IDEM, II, 31, 58 - A educação é um ornamento para os felizes; para os desgraçados é um refúgio ( DK 68 B 180 )

IDEM, II, 31, 59 - Melhor (educador) para a virtude mostrar-se-á aquele que usar o encorajamento e a palavra persuasiva, do que o que se servir da lei e da coerção. Pois quem evita o injusto apenas por temor à lei, provavelmente cometerá o mal em segredo; quem, ao contrário, for levado ao dever pela convicção, provavelmente não cometerá o injusto nem em segredo nem abertamente. Por isto, quem agir corretamente com compreensão e entendimento, mostrar-se-á corajoso e correto de pensamento. ( DK 68 B 181 )

IDEM, II, 31, 66 - Somente com esforço se aprendem no estudo as coisas nobres; as que não o são colhem-se por si e não exigem esforço. Pois mesmo contra a vontade forçam frequentemente um (homem) a ser assim ( DK 68 B 182 )

IDEM, II, 31, 72 - Ocasionalmente encontra-se compreensão entre os jovens e incompreensão entre os velhos. Pois o tempo não ensina a pensar mas sim a educação desde a infância e o dom da natureza ( DK 68 B 183 )

IDEM, II, 31, 90 - A convivência assídua com os maus acresce nossa propensão aos vícios ( DK 68 B 184 )

IDEM, II, 31, 94 - As esperanças dos homens educados valem mais do que as riquezas dos ignorantes ( DK 68 B 185 )

IDEM, II, 33, 9 - Acordo de pensamento engendra amizade (DK 68 B 186)

IDEM, III, 1, 27 - Convém ao homem dar maior atenção à alma do que ao corpo. Pois a excelência da alma corrige a fraqueza do corpo; a força do corpo, contudo, sem a razão, é incapaz de melhorar a alma. ( DK 68 B 187 )

IDEM, III, 1, 46 - Os limites do que é útil ou não, são o prazer e o desprazer. ( DK 68 B 188 )

IDEM, III, 1, 47 - O melhor para o homem é viver com o máximo de alegria e o mínimo de tristeza. Isto acontece quando não se procura o prazer em coisas perecíveis ( DK 68 B 189 )

IDEM, III, 1, 91 - Sobre as más ações deve-se evitar mesmo a conversa  ( DK 68 B 190 )

IDEM, III, 1, 210 - Pois para o homem, a tranquilidade provém da moderação no prazer e da justa medida na vida. A deficiência e o excesso provocam mudanças e grandes movimentos na alma. As almas agitadas por grandes movimentos perdem o seu equilíbrio e a sua tranquilidade. Deve-se, portanto, aplicar o espírito ao possível e contentar-se com o presente, sem dar demasiada atenção ao que se inveja e admira ou prender nisto o pensamento; deve-se, ao contrário, ter sob os olhos a vida dos miseráveis e atentar aos que sofrem; assim, a tua situação e as tuas posses parecerão grandes e invejáveis, e, cessando então de desejar mais, evitarás sofrer o mal na alma. Pois quem admira os ricos e aqueles que outros homens louvam felizes, não desprendendo deles o seu pensamento de toda hora, ver-se-á forçado a empreender constantemente novos meios, fazendo renovadas tentativas levado pelo desejo de agir contra as proibições da lei. Por isto, não se deve cobiçar, mas contentar-se com o que se possui, comparando a nossa vida com a dos mais miseráveis, e, considerando os seus sofrimentos, julgar-se feliz por sofrer menos. Adotando esta maneira de pensar, viver-se-á mais tranquilamente, evitando não poucas calamidades na vida: a inveja, a ambição, a inimizade. ( DK 68 B 191 )

IDEM, III, 2, 36 - É fácil louvar e lastimar o que não se deve; ambos, contudo, são sinais de mau caráter ( DK 68 B 192 )

IDEM, III, 3, 43 - A prudência consiste em guardar-se da injustiça que nos ameaça; a insensibilidade, em não vingar-se da ofensa sofrida (DK 68 B 193 )

IDEM, II, 3, 46 - As grandes alegrias provêm da contemplação das belas obras. ( DK 68 B 194 )

IDEM, III, 4, 69 - Estátuas que, pela indumentária e pelo adorno, atraem a vista, mas são vazias de coração.( DK 68 B 195 )

IDEM, III, 4, 70 - O esquecimento de nossa maldade gera a temeridade. ( DK 68 B 196 )

IDEM, III, 4, 71 - Os insensatos se formam pelas dádivas do acaso; os que estas conhecem, pelas dádivas da sabedoria. ( DK 68 B 197 )

IDEM, III, 4, 72 - Bem mais sensato do que o homem é o animal) que, em sua necessidade, sabe quanto necessita. O homem, ao contrário, quando necessita, não o sabe. ( DK 68 B 198 )

IDEM, III, 4, 73 - Insensatos são aqueles que odeiam a vida, mas querem viver por temerem o Hades. ( DK 68 B 199 )

IDEM, III, 4, 74- Os insensatos vivem sem alegria na vida (DK 68 B 200)

IDEM, III, 4, 75 - Os insensatos aspiram a uma longa vida, sem tirar dela nenhuma alegria ( DK 68 B 201 )

IDEM, III, 4, 76 - Os insensatos aspiram ao ausente, e deixam passar o presente, embora mais vantajoso do que aquilo que lhes escapa ( DK 68 B 202 )

IDEM, III, 4, 77 - Homens que fogem da morte, correm atrás dela. ( DK 68 B 203 )

IDEM, III, 4, 78 - Os insensatos, em toda a sua vida, não contentam ninguém ( DK 68 B 204 )

IDEM, III, 4, 79 - Os insensatos aspiram à vida por temerem a morte. ( DK 68 B 205 )

IDEM, III, 4, 80 - Os insensatos, por temor da morte, querem envelhecer  ( DK 68 B 206 )

IDEM, III, 5, 22 - Não se deve aspirar indiferentemente a todo o prazer, mas somente ao prazer do belo. ( DK 68 B 207 )

IDEM, III, 5, 24 - O autodomínio do pai é o maior exemplo para os filhos  ( DK 68 B 208 )

IDEM, III, 5, 25 - Para o estomago moderado, a noite nunca é curta. ( DK 68 B 209 )

IDEM, III, 5, 26 - A fortuna prevê uma mesa muito rica, a moderação uma mesa suficiente ( DK 68 B 210 )

IDEM, III, 5, 27 - A moderação aumenta o gozo e acresce o prazer. ( DK 68 B 211 )

IDEM, III, 6, 27 - Dormir durante o dia manifesta uma perturbação do corpo ou tormento ou preguiça ou má formação da alma ( DK 68 B 212 )

IDEM, III, 7, 21 - A virilidade torna pequenos os golpes do destino. ( DK 68 B 213 )

IDEM, III, 7, 25 - Corajoso não é somente quem triunfa de seus inimigos, mas também dos prazeres. Alguns, contudo, são senhores de cidades, mas servos de mulheres ( DK 68 B 214 )

IDEM, III, 7, 31 - A glória (resultado) da justiça reside na segurança e intrepidez do juízo; o resultado da injustiça é o medo frente à desgraça ( DK 68 B 215 )

IDEM, III, 7, 74- A sabedoria intrépida é do mais alto valor. (DK 68 B 216)

IDEM, III, 9, 30 - Só os que odeiam a injustiça são amados pelos deuses ( DK 68 B 217 )

IDEM, III, 10, 36 - Riqueza adquirida ao preço da maldade apresenta mácula manifesta. ( DK 68 B 218 )

IDEM, III, 10, 43 - Quando nosso apetite de riquezas é insaciável, torna-se muito pior do que a extrema pobreza. Pois maior o apetite, maior se torna a necessidade. ( DK 68 B 219 )

IDEM, III, 10, 44 - Maus lucros trazem prejuízo à honra. ( DK 68 B 220 )

IDEM, III, 10, 58 - A esperança em maus lucros é o início de nossa perda  ( DK 68 B 221 )

IDEM, III, 10, 64 - Amontoar riquezas excessivas para os filhos é um pretexto à cobiça, que com isto põe a nu o caráter. ( DK 68 B 222 )

IDEM, III, 10, 65 - O que o corpo reclama, encontramo-lo facilmente sem esforço e necessidade. Tudo o que exige esforço e necessidade, enchendo de dores a vida, não vem das exigências do corpo, mas de um espírito mal dirigido. ( DK 68 B 223 )

IDEM, III, 10, 68 - Cobiçar mais do que possuímos, é perder o que já temos, à semelhança do cão (na fábula) de Esopo. ( DK 68 B 224 )

IDEM, III, 12, 13 - Dizer a verdade e não perder-se em conversas é dever ( DK 68 B 225 )

IDEM, III, 13, 47 - Falar abertamente é a característica própria do espírito livre, e o perigo está em não saber o momento exato para fazê-lo  ( DK 68 B 226 )

IDEM, III, 16, 17 - As pessoas parcimoniosas têm o destino das abelhas; trabalham como se devessem viver eternamente. ( DK 68 B 227 )

IDEM, III, 16, 18 - Os filhos de pessoas medíocres, quando crescem na ignorância, são como dançarinos que fazem seus saltos entre espadas. Se não conseguem colocar-se no local preciso onde devem pôr o pé, perecem; e é difícil cair no lugar exato, pois somente o lugar para os pés está livre. Assim também com aqueles: quando se afastam do constrangedor e mesquinho modelo paterno, geralmente sucumbem. ( DK 68 B 228 )

IDEM, III, 16, 19 - A parcimônia e a fome são úteis, como também o são os gastos em tempo justo; decidi-lo é tarefa do competente. ( DK 68 B 229 )

IDEM, III, 16, 22 - Uma vida sem festejos é um longo caminho sem hospedarias. ( DK 68 B 230 )

IDEM, III, 17, 25 - Sábio é quem não se aflige com o que lhe falta e se alegra com o que possui ( DK 68 B 231 )

IDEM, III, 17, 37 - Entre os prazeres, o mais raro traz maior alegria. ( DK 68 B 232 )

IDEM, III, 17, 38 - Transgredir a justa medida pode fazer da mais agradável a coisa mais desagradável. ( DK 68 B 233 )

IDEM, III, 18, 30 - Saúde rogam os homens aos deuses em suas orações; não sabem, porém, que trazem em si mesmos a força para tal; e fazendo, pela intemperança, o contrário do que ela exige, tornam-se, por sua cupidez, traidores da saúde. ( DK 68 B 234 )

IDEM, III, 18, 35 - Os que procuram os prazeres no ventre, desrespeitando a justa medida, na mesa, na bebida e no amor, para estes são os prazeres curtos, durante o tempo em que comem ou bebem; os sofrimentos, porém, são numerosos. Pois o desejo das mesmas coisas renasce sem cessar, e uma vez atingido o que se propunham, desaparece o prazer rapidamente, sobrando-lhes pequeno gozo: e novamente impõe-se a necessidade de outras satisfações. ( DK 68 B 235 )

IDEM, III, 20, 56 - Lutar contra o próprio coração é coisa difícil; mas é próprio do homem de bom senso conseguir a vitória. ( DK 68 B 236 )

IDEM, III, 20, 62 - Todo desejo de luta é irracional; pois enquanto busca prejudicar o inimigo, esquece o seu próprio interesse. ( DK 68 B 237 )

IDEM, III, 22, 42 - Termina em má reputação pretender medir-se com o mais forte. ( DK 68 B 238 )

IDEM, III, 28, 13 - Juramentos feitos na necessidade não são cumpridos pelas pessoas baixas, uma vez desvencilhadas das dificuldades ( DK 68 B 239 )

IDEM, III, 29, 63 - O esforço voluntário torna-nos mais capazes de suportar o involuntário ( DK 68 B 240 )

IDEM, III, 29, 64 - Esforço ininterrupto torna-se mais suportável com o hábito. ( DK 68 B 241 )

IDEM, III, 29, 66 - Mais pessoas tornam-se boas pelo exercício do que pela natureza ( DK 68 B 242 )

IDEM, III, 29, 88 - Todo esforço é mais agradável do que o repouso quando atingimos a finalidade de nossos esforços ou quando sabemos que a atingiremos. Em cada decepção, contudo, torna-se o esforço igualmente penoso e aflitivo. ( DK 68 B 243 )

IDEM, III, 31, 7 - Também quando estás só, nada deves dizer nem fazer que seja baixo. Aprende a envergonhar-te mais frente a ti mesmo do que frente aos outros. ( DK 68 B 244 )

IDEM, III, 31, 53 - Se os homens não se prejudicassem reciprocamente, as leis não impediriam que cada um vivesse conforme ao seu próprio gosto. Pois a inveja é o início da discórdia ( DK 68 B 245 )

IDEM, III, 40, 6 - Viver no estrangeiro ensina a autossuficiência; pois pão de cevada e um leito de palha são os melhores remédios contra a fome e o cansaço. ( DK68 B 246 )

IDEM, III, 40, 7 - Para um homem sábio todas as terras são acessíveis; pois a pátria de uma alma virtuosa é o universo. ( DK 68 B 247 )

IDEM, IV, 1, 33 - A lei se propõe a melhorar a vida do homem; só o consegue, porém, quando eles mesmos querem passar bem; pois só aos que lhe obedecem manifesta a sua própria excelência.( DK 68 B 248 )

IDEM, IV, 1, 34 - A guerra civil é uma desgraça para os dois partidos; conduz vencedores e vencidos igualmente à perda. ( DK 68 B 249 )

IDEM, IV, 1, 40 - As grandes obras e as guerras só pela concórdia podem ser realizadas para as comunidades; de outra forma, é impossível. ( DK 68 B 250 )

IDEM, IV, 1, 42 - A pobreza em uma democracia é melhor do que a assim chamada felicidade no paço dos príncipes, assim como a liberdade é melhor do que a escravidão. ( DK 68 B 251 )

IDEM, IV, 1, 43 - Os deveres para com o interesse público devem ser considerados como os maiores, afim de que sejam bem executados; deve-se evitar a querela contra a equidade, bem como atribuir-se a força contra o bem coletivo. Pois uma cidade bem administrada é a maior proteção e nela tudo se encontra; se for sadia, tudo é sadio. e se perece, tudo perece com ela ( DK 68 B 252 )

IDEM, IV, 1, 44 - Não é proveitoso aos honrados negligenciar os próprios negócios e ocupar-se daqueles dos outros. Pois então soem comprometer-se os seus próprios. Quando, contudo, se quiser negligenciar os negócios públicos, forma-se uma reputação má, mesmo sem o cometimento de roubo ou injustiça. Aquele que não é negligente nem comete injustiça periga cair em má reputação e até em sofrimentos corpóreos. E inevitável cometer erros, mas não é fácil encontrar o perdão dos homens. ( DK 68 B 253 )

IDEM, IV, 1, 45 - Quando os cidadãos desonestos conseguem os postos de governo, — quanto mais indignos deles forem, tanto mais negligentes se tornam, crescendo em insensatez e atrevimento. ( DK 68 B 254 )

IDEM, IV, 1, 46 - Quando as pessoas de posse se decidem a ajudar e a fazer o bem, já nisto exercem a piedade, não deixam os outros sós e praticam a fraternidade, a ajuda mútua, a concórdia entre os cidadãos e outras coisas boas, tantas que nem poderiam ser enumeradas ( DK 68 B 255 )

IDEM, IV, 2, 14 - Justiça quer dizer: fazer o que é necessário; injustiça: não fazer o que é necessário, esquivando-se ( DK 68 B 256 )

IDEM, IV, 2, 15 - com certos animais, no que se refere a matar e não matar, o seguinte: aquele que matar os que fazem injustiça e os que querem fazer injustiça — quer dizer, os que prejudicam e querem prejudicar —, fique impune. E mais vale, para o bem-estar geral, fazer isto do que não fazê-lo. ( DK 68 B 257 )

IDEM, IV, 2, 16 - A morte se impõe, a todo preço, àqueles que, contra a justiça, trazem prejuízo. Quem fizer isto, assegurar-se-á maior tranquilidade, justiça, confiança e posses em toda ordem (estatal). ( DK 68 B 258 )

IDEM, IV, 2, 17 - Assim como há (leis) escritas (por mim) contra animais e vermes nocivos, assim, julgo eu, dever-se-ia fazer também contra os homens. Segundo as leis herdadas de nossos pais, e na medida em que nenhuma disposição legal o proíba, dever-se-ia matar um inimigo público em todo o Estado. Isto, porém, é proibido por santuários (ou) determinações sagradas, específicas a cada povo, e tratados e juramentos ( DK 68 B 259 )

IDEM, IV, 4, 18 - Aquele que matar um ladrão ou um pirata, não deve ser castigado, tenha acontecido pela própria mão, ou por sua ordem, ou por decreto. ( DK 68 B 260 )

IDEM, IV, 5, 43 - Aos que sofrem injustiça se deve apoiar com forças vingativas e não permitir que aconteça. Pois esta é a conduta justa e boa; em caso contrário, age-se mal e injustamente. ( DK 68 B 261 )

IDEM, IV, 5, 44 - Também aqueles que cometem algo que mereça exílio ou prisão, ou aqueles que devem cumprir sentença, devem ser condenados e não libertos. Pois quem os liberta, contra as leis, julgando segundo ganho ou prazer, faz injustiça e isto deve roer-lhe o coração. ( DK 68 B 262 )

IDEM, IV, 5, 45 - Maximamente participa da justiça e da virtude aquele que distribui as maiores recompensas aos dignos. ( DK 68 B 263 )

IDEM, IV, 5, 46 - Não se deve temer mais aos outros do que a si próprio, como não se deve praticar o mal sob pretexto de que ninguém ou a Humanidade inteira o saberá. Muito mais, é a nós próprios que devemos temer, e nada fazer de mal deve ser a lei da alma. ( DK 68 B 264 )

IDEM, IV, 5, 47 - Os homens recordam mais as suas falhas do que os seus sucessos. E isto é justo. Assim como não se deve elogiar quem restitui um bem confiado, deve-se censurar e castigar aquele que não o restitui, e isto vale também para os que exercem função pública. Pois não foi eleito para agir mal, e sim bem. ( DK 68 B 265 )

IDEM, IV, 5, 48 - Nenhum recurso tem a constituição, agora em vigor, para impedir que os governantes cometam injustiça, mesmo quando eles são muito bons. É de esperar-se, com efeito, que em situações diferentes ele venha a ser o mesmo, não um outro, mas ele próprio. É preciso, de alguma forma, também isto ficar disposto assim: Quem não cometer injustiça alguma, ainda que examine a fundo os atos dos que cometem injustiça, não virá a ficar sob aqueles, mas uma lei ou outra coisa qualquer defenderá quem pratica atos justos  ( DK 68 B 266 )

IDEM, IV, 6, 19 - Por natureza, governar pertence ao mais forte ( DK 68 B 267 )

IDEM, IV, 7, 13 - O temor produz lisonja, mas não obtém benevolência ( DK 68 B 268 )

IDEM, IV, 10, 28 - A ousadia é início da ação, mas a sorte é a senhora do fim ( DK 68 B 269 )

IDEM, IV, 19, 45 - Dos servidores da casa deves usar como partes do corpo, i.e., de um em vista de outro ( DK 68 B 270 )

IDEM, IV, 20, 33 - Uma censura de amante a amada a elimina ( DK 68 B 271 )

IDEM, IV, 22, 108 - Quem teve sorte com um genro, encontrou um filho; quem não a teve, perdeu também uma filha ( DK 68 B 272 )

IDEM, IV, 23, 199 - Uma mulher é muito mais fina que um homem para maus pensamentos ( DK 68 B 273 )

IDEM, IV, 23, 38 - Falar pouco é adorno para a mulher, mas é belo também a parcimônia de adorno ( DK 68 B 274 )

IDEM, IV, 24, 29 - A educação dos filhos é coisa escorregadia: o sucesso que tem é cheio de luta e preocupação, e ao insucesso nenhuma outra dor supera ( DK 68 B 275 )

IDEM, IV, 24, 31 - Não me parece preciso ter filhos, pois vejo no ter filhos muitos e grandes perigos e muitos sofrimentos, mas colheita pouca e, mesmo essa, magra e pobre ( DK 68 B 276 )

IDEM, IV, 24, 31 - Para quem for uma necessidade gerar um filho, será melhor, parece-me, criar um dos seus amigos. Este filho será tal qual ele deseja, pois é-lhe possível escolher tal como quer. E o que lhe parecer adequado também o acompanhará por inclinação natural. E há nisso uma diferença, na medida em que é possível escolher dentre muitos o filho de seu coração, como se deve. Se alguém gera um filho de sua própria carne, os riscos são muitos, pois será forçoso conviver com o filho que engendrar ( DK 68 B 277 )

IDEM, IV, 24, 33 - Aos homens o ter filhos parece estar entre as necessidades que derivam da natureza ou de um preceito antigo. Isto é evidente quanto aos outros seres vivos. Todos eles têm filhotes obedecendo à natureza, sem por certo visar a vantagem alguma. Mas quando os filhotes nascem, labutam e alimentam-nos como podem, zelam muito por eles enquanto são pequenos e, se lhes acontece algo, ficam tristes. Tal é a natureza de todos os seres quantos têm alma. Entre os homens, porém, já se criou a expectativa de que dos filhos advirá também um proveito. ( DK 68 B 278 )

IDEM, IV, 26, 25 - Aos filhos, tanto quanto é possível, é preciso distribuir o dinheiro e, ao mesmo tempo, zelar por eles para que, tendo-o nas mãos, não cometam um desatino. É nesse mesmo momento que eles vêm a ser mais parcimoniosos com o dinheiro, mais cobiçosos de ganho, e lutam uns com os outros, pois o que se gasta em comum não incomoda como a despesa particular, nem as novas aquisições animam, mas muito menos. ( DK 68 B 279 )

IDEM, IV, 26, 26 - É possível, sem gastar muito do que é seu, educar os filhos e construir à volta de sua propriedade e das pessoas deles uma muralha protetora ( DK 68 B 280 )

IDEM, IV, 31, 49 - Assim como entre as feridas o câncer é a pior doença, assim também para as propriedades ( DK 68 B 281 )

IDEM, IV, 31, 120 - O uso do dinheiro, feito com inteligência, pode contribuir para a generosidade e para o bem do povo; sem inteligência, é um imposto pago continuamente ( DK 68 B 282 )

IDEM, IV, 33, 23 - Pobreza e riqueza são nomes para a carência e saciedade. Não é, portanto, rico o carente, nem pobre o não carente ( DK 68 B 283 )

IDEM, IV, 24, 25 - Se não cobiçares muitas coisas, as poucas julgarás muitas, pois o pequeno apetite faz a pobreza equivalente à riqueza ( DK 68 B 284 )

IDEM, IV, 24, 65 - É preciso reconhecer que a vida humana é frágil, pouco duradoura e misturada com muitos cuidados e dificuldades, para que haja preocupação por uma posse moderada e a labuta se meça pelas necessidades de cada um ( DK 68 B 285 )

IDEM, IV, 39, 17 - Afortunado quem deseja com medida, infortunado quem sofre pelo muito que tem ( DK 68 B 286 )

IDEM, IV, 40, 20 - A falta de recursos da comunidade é mais dura do que a de cada um, pois não lhe resta a esperança de ajuda ( DK 68 B 287 )

IDEM, IV, 40, 21 - Há doença no lar e da vida como há a do corpo ( DK 68 B 288 )

IDEM, IV, 44, 64 - É falta de razão não aceder às necessidades próprias da vida ( DK 68 B 289 )

IDEM, IV, 44, 67 - A dor incontrolada de uma alma entorpecida afasta-a com o raciocínio ( DK 68 B 290 )

IDEM, IV, 44, 70 - Suportar com brandura a pobreza é próprio do homem sensato ( DK 68 B 291 )

IDEM, IV, 46, 19 - Irracionais são as esperanças dos tolos (DK 68 B 292)

IDEM, IV, 48, 10 - Aqueles a quem dão prazer os sofrimentos do próximo não compreendem que as vicissitudes da sorte são comuns a todos e lhes falta uma alegria que seja sua ( DK 68 B 293 )

IDEM, IV, 50, 20 - Força e beleza são bens da juventude, comedimento, a flor da velhice ( DK 68 B 294 )

IDEM, IV, 50, 22 - O velho foi jovem, mas, quanto ao jovem, é incerto se ele chegará à velhice. Portanto, o bem realizado vale mais que o que está ainda por vir e é incerto ( DK 68 B 295 )

IDEM, IV, 50, 76 - Velhice é mutilação total: tudo tem e de tudo é carente ( DK 68 B 296 )

IDEM, IV, 52, 40 - Alguns homens, não conhecendo a dissolução da natureza mortal, mas conhecendo os sofrimentos que ocorrem na vida, penam durante o período de vida em meio a perturbações e temores, inventando histórias falsas sobre o tempo após o fim ( DK 68 B 297 )







[1] Para explicar as mudanças da natureza, Heráclito havia afirmado que tudo é movimento, enquanto Parmênides dizia que o ser é uno e imutável e que o movimento é ilusão. Tentando resolver esse dilema, Demócrito considerou que toda a realidade se compunha de dois únicos elementos: o vácuo ou não-ser e os átomos indivisíveis. 
[2] Na verdade, Demócrito chamava estas substâncias existentes em número infinito de “tas atomous ideas” ( formas indivisíveis), e foi somente a partir de Aristóteles que se convencionou chamá-las de atomoi, dada sua indivisibilidade e ao fato de se moverem dispersas no infinito. (Plutarco, Contra Colotes, 8, 1110 F           ( DK 68 A 57 )
[3] Os gimnosofistas (em grego γυμνοσοφισταί = homens nus) era o nome dado pelos gregos aos filósofos indianos que perseguiam o ascetismo ao ponto de considerar alimentos e roupas como prejudiciais à pureza do pensamento. Existiam também gimnosofistas entre os sacerdotes da Etiópia.
[4] Para nós o diálogo platônico Amantes Rivais
[5] Festas celebradas pelas mulheres de Atenas em honra de Deméter e de Cora
[6] Todos os livros citados por Diógenes Laércio estão catalogados nos fragmentos citados por Diels-Kranz
[7] Ver também, além destes, os seus comentários em Leucipo.
[8] Aristóteles se vale do termo rhusmo para designar a forma, que somada à disposição e lugar, explica não apenas existência dos diferentes compostos atômicos, mas também suas diferentes disposições à mudança e ao movimento. Segundo ele, para Demócrito, é  por meio do rhusmo, do contato recíproco e da disposição a volver os átomos em um corpo composto que é possível explicar a natureza particular de cada coisa e a dinâmica que lhe é própria. No entanto, quando Aristóteles substitui o termo rhusmo por skhêma (figura) ele adota uma posição reducionista, privilegiando apenas um aspecto da realidade: sua determinação formal e estática, transformando o átomo em uma figura estática e abstrata, nos moldes das figuras geométricas platônicas. 
[9] Caríbdis (em grego: Χάρυβδις), na mitologia grega, era uma criatura marinha protetora de limites territoriais no mar. 
[10] Semente
[11] A afirmação do não ser