domingo, 23 de dezembro de 2018

domingo, 16 de dezembro de 2018

QUEM NUNCA COMEU DOCE, QUANDO COME, SE LAMBUZA

Durante décadas vivemos em um país onde o Estado tutelava nossos passos.
Já no Estado Novo, com Getúlio Vargas, sob a égide da proteção contra o regime escravagista vigente, o governo decidiu assegurar por lei alguns direitos, antes que a sociedade civil, de forma organizada, os conquistassem.
Deram migalhas e puniram severamente os que pleiteavam a liberdade de escolha.
Inventaram o 13 Salário, e todo tipo de auxílio, sempre concedidos para aplacar a insurgência latente dos oprimidos.
Chegamos ao Bolsa família, depois do vale leite, da cesta básica, do vale transporte, vale gás, etc.
Permitimos que dirigentes empresariais, interessados em lucros, decidissem o tipo de feijão e a marca de óleo que iríamos consumir.
E aí de quem quisesse um salário digno para comprar o que quisesse.
Nosso governo, permitiu a formação de sindicatos, desde que estes cumprissem as regras impostas.
Greves combinadas, liberdade de associação, mas com contribuição compulsória para todos.
Permitiu que esses instrumentos de defesa da sociedade fossem tomados por quadrilhas e que as verdadeiras lideranças fossem assassinadas, muitas delas com sua ajuda ou mando.
Nunca fiscalizou ou puniu os infratores.
Em todos os governos militares, com a ajuda da força, ajudou a criar castas profissionais desconectadas da realidade nacional, a exemplo do poder judiciário e das associações de classe, promovendo a divisão que Ortega y Gasset já denunciava em sua Rebelião das Massas.
Nunca tivemos uma educação emancipatória, que focasse o empreendedorismo.
Todo o investimento nesta área foi feito para produzir funcionários automatizados, robotizados, reféns do progresso tecnológico.
Mantiveram o país isolado do mundo e permitiram que as inovações e conquistas tecnológicas entrassem no país, a conta gotas, sempre privilegiando o consumo de bens e de inutilitários, tipo videogames.
Mantiveram o controle hegemônico do conhecimento e informação, oferecendo telenovelas e programas de auditório, intercalados por programação religiosa, impedindo ou desincentivando que a população desenvolvesse hábitos como leitura e convívio sócio-comunitário.
Proibiram até as Sociedades Amigos de Bairro, que vez ou outra realizavam festas locais, mas que cobravam do poder público serviços de qualidade.
Transformaram as que sobraram em currais eleitorais de vereadores que, por sua vez, sustentam pseudo lideranças locais, transformadas em seus cabos eleitorais, alguns dos quais se valem da violência para manter seu emprego.
Criaram as facções criminosas ao permitir a corrupção endêmica da justiça e dos presídios.
Criaram o PT e o Chavismo, com o discurso de liberdade, mas com lideranças a serviço do capital internacional. Aqui, sob controle das montadoras, na Venezuela sob controle das 7 grandes petrolíferas.
Todos encabeçados por lideranças populares, demagógicas e sem formação acadêmica ou preparadas para a correta gestão da coisa pública.
E por aí vai.
Agora, diante de tanto descalabro, jogam a culpa nos comunistas, associando-os ao peleguismo e à corrupção que promoveram e institucionalizaram, valendo-se para isso das mesmas instituições que sempre mantiveram o povo submisso.
Fazem isso desde o Estado Novo.
Na idade média eram as bruxas e os hereges, hoje os comunistas.
O engraçado é que nunca explicam o que é realmente um comunista, mas comparam-no ao anticristão, ao comedor de criancinhas, aos governos totalitários, aos que usurpam a propriedade alheia, etc.
Nunca se valem de livros com argumentos sólidos para isso, já que o estudo da sociologia, da filosofia ou mesmo da antropologia virou uma coisa desnecessária, pois seu poder emancipador precisa ser evitado ou controlado.
Valem-se de ícones midiáticos ou de pseudos intelectuais (verdadeiros idiotas) para sustentar uma ideia libertária que, na verdade, é escravagista.
Jogaram, novamente, o povo contra o povo, oferecendo doces e guloseimas, travestidas de halloween, permitindo que se lambuzem e se atolem ainda mais na miséria e na violência.
Agora ....
Agora, o salvador da pátria, em seu cavalo branco, (no melhor estilo Ronaldo Caiado) empunhando a espada da justiça e da moralidade, abençoado pelos neo pentecostais, vai colocar o Brasil nos trilhos...


Professor Orosco

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DESCONSTRUINDO A DEMOCRACIA



Estou cansado de ver nas redes sociais uma série de ataques aos candidatos, ora A, ora B, só porque ele melhora momentaneamente em uma ou outra pesquisa.

Também estou cansado do exército de IDIOTAS (literalmente idiotas, na verdadeira acepção da palavra, de origem grega) que ficam apregoando através de Fakes, uma série de notícias falsas ou opiniões que acreditam serem verdadeiras (dóxa aletheia) , mas que não se sustentam por fatos concretos ou argumentos plausíveis, tornando-se, assim, opiniões falsas (pseudès doxa).

Gostaria de ver comentários sobre propostas concretas dos candidatos sobre problemas relativos à saúde, à educação, à infraestrutura, sobre política de empregos, políticas industriais, políticas de energia, de segurança pública, de reformas do Estado, etc. 

Propostas concretas e não fantasias para alimentar IDIOTAS.

Neste cenário, em minhas análises, só dois candidatos apresentam condições reais, inclusive políticas, de pleitear com possibilidades de sucesso, o comando da nação: Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, pois são os únicos que comprovadamente tem experiências exitosas no comando do executivo e os únicos que apresentaram propostas realistas sobre como enfrentar e superar os problemas nacionais. Um apresentando uma visão de centro esquerda (com viés mais à esquerda) e outro de centro direita (com viés mais à direita).

Como não sou banqueiro, multimilionário ou pertenço à elite do funcionalismo público, nem tampouco trabalho no judiciário, por questões óbvias, tenho críticas aos modelos liberais que apregoam o livre mercado e que abominam o Estado de Bem Estar Social, apesar de reconhecer suas malversações assistencialistas e políticas eleitoreiras, e, uma vez que estou dentre a grande maioria que precisa trabalhar para viver e, dentre a minoria que ainda consegue pensar de forma crítica, minha escolha é óbvia: Vou de Ciro Gomes, sem contudo desmerecer as qualidades de Geraldo Alckmin.

Não vejo nos demais qualquer consistência, verdade de propostas ou compromissos reais com o Brasil, ainda que reconhecendo em alguns poucos, como Amoedo, um posicionamento claro sobre suas ideias.

Combati a ditadura militar, como combati a truculência de “piqueteiros de porta de fábrica”, ambos faces da mesma moeda, calcada na truculência e no desrespeito às leis e aos direitos civis, motivos pelos quais não vejo com bons olhos Bolsonaro, Boulos ou Haddad, a versão light do “peleguismo sindical”.

A imprensa, que desde Assis Chateubriand serve a quem paga mais ou a quem pode extorquir, nunca foi merecedora de minha plena confiança.

Assim, como as redes sociais ainda gozam de certa liberdade, gostaria de ver nelas discussões propositivas sobre o próximo pleito eleitoral, e não Fakes News (mentiras pura e simplesmente) desconstruindo a nossa democracia.

Professor Orosco


sábado, 8 de setembro de 2018

JUSTO E PERFEITO


Quando pequeno, vindo de uma família pobre, ficava a me perguntar porque meu querido pai precisava sair de casa às 4:30 da manhã para trabalhar.
A imagem dele vestido com um capote surrado, um chapéu velho e uma botina ainda mais velha, saindo na chuva, no escuro da noite, carregando sua maleta onde levava uma marmita, ainda é nítida em minha memória.
Minha mãe dizia que ele fazia isso para sustentar a família e garantir que eu pudesse estudar.
- Para que eu pudesse estudar!
O amor que sentia por ele era tão grande, que acreditei que a única forma de recompensá-lo seria me tornar um aluno muito aplicado (o melhor da classe) e assim justificar que seu esforço não era em vão.
Tirar uma nota inferior a 10 era impensável para mim. Se o fizesse estaria faltando ao meu pai.
Acabei me formando, casei e tive filhos, que ele chegou a conhecer.
Hoje já tenho netos.
Não sou rico, nem pobre.
Tenho o que preciso, nem mais, nem menos.
Aprendi com ele.
Seu exemplo, mesmo após seu passamento, ainda são o meu norte.
Se um dia, em minha vida, eu conseguir ser, ao menos a metade do Homem que meu pai foi, já me darei por satisfeito.
Dito isto, coloco-me a refletir :
Para viver bem, preciso 3 camisas, se puder ter 10 ou 20, melhor. Mas precisar mesmo, só três.
Preciso 3 pares de sapatos. Se puder ter mais, melhor, mas precisar mesmo, só três.
Preciso assegurar que eu e que os meus tenhamos 3 refeições por dia.
Se pudermos ter mais, seria ótimo.
Mas precisar mesmo, só três.
Valores para uma vida comedida.
Assim, desejando saúde a todos por 3 x 3, encaminho meu T.'.F.'.A.'. a todos os meus irmãos, com a recomendação de que gozem a vida com prudência e moderação, lembrando que a verdadeira amizade e o espírito de solidariedade são os pilares que edificam uma sociedade justa e perfeita.

Professor Orosco

domingo, 8 de julho de 2018

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932




          Sobre a revolução constitucionalista de 1932, ou simplesmente a Revolução de 32, como muitos preferem dizer, devemos ter em mente que existem duas versões sobre os acontecimentos: Uma que recorre à visão paulista liberal reforçando e buscando em sua consciência a certeza de ter lutado contra a ditadura, em nome do Direito e da Constituição, e outra, que apresenta a Revolução como um movimento reacionário e contrarrevolucionário, que pretendia o retorno da situação anterior ( o da República do Café com Leite), investida da tentativa de restaurar a velha mentalidade oligárquica.
         Para os paulistas revolucionários, a imagem da Revolução de 1930 deveria ser destruída e o levante de 1932 deveria ser o marco divisor para o início de uma nova era, como nas palavras do jurista,  jornalista, escritor  paulistano Mario Pinto Serva      (1881/1962):

A revolução brasileira de 1930 (...) não fez senão substituir a tirania e a ditadura do Sr. Washington Luiz pela tirania e ditadura do Sr. Getúlio Vargas, com o agravante de ser este um irresponsável atrás do qual se esconde meia dúzia de tenentes. A revolução de 1930 pretende reduzir o povo brasileiro à condição de rebanho paciente e uniforme. E pretendeu, adiando indefinidamente a Constituinte, manter a ditadura permanente.

         Esta informação nos remete à constatação de que a Revolução de 1932 ocorreu basicamente como um movimento contrário à Revolução de 1930, que impediu a posse de do presidente eleito Júlio Prestes e colocou Getúlio Vargas no poder.
Para entender melhor estes acontecimentos, as motivações, ideias e objetivos que levaram ao movimento armado de 1930 devem ser buscadas na década de 1920, quando apareceram mais claramente os efeitos políticos do processo de urbanização e de industrialização e quando novas forças sociais, principalmente as camadas médias e as massas urbanas, começaram  a exigir uma participação política, que até então lhes era vedada. As reivindicações e pressões dessas novas forças levaram à contestação do Estado oligárquico, na medida em que este era incapaz de absorver suas demandas.
Politicamente, essa fase da vida brasileira se caracterizava pelo domínio das oligarquias agrárias, sob hegemonia dos cafeicultores. Em nível local, o poder era exercido por chefes de famílias – os coronéis -, que controlavam os votos de seus parentes, amigos e subordinados, transformando-se na única via de escolha, não só dos representantes do Congresso como, também, dos candidatos à presidência e vice-presidência da República. Nesta época, a democracia política tinha um conteúdo apenas formal, onde a soberania popular significava apenas a ratificação das decisões palacianas.
Só um pequeno aparte histórico: Estamos falando de 1920 e não de hoje.
São Paulo e Minas Gerais se apropriavam do poder, utilizando-se deste mecanismo e comandavam, assim, a vida política do país. A República do Café com Leite.
Nesta época, a oposição da jovem oficialidade do exército – os tenentes – ao sistema político vigente, se manifestou através de pequenas revoltas, em São Paulo no ano de 1922 e no Rio Grande do Sul em 1924, e posteriormente na Coluna Prestes, de 1925 a 1927. Os tenentes expressavam ideias da regeneração do sistema jurídico-político, atacavam as oligarquias e defendiam o equilíbrio entre os três poderes. Os grupos oligárquicos dos demais estados não tinham acesso aos centros de decisão e aceitavam participar como sócios menores da divisão de poder.
Neste cenário, as origens imediatas do movimento de 1930 se encontram no encaminhamento da escolha dos candidatos à presidência da república para o quadriênio de 1930 a 1934, quando ocorreu uma cisão entre os estados de Minas Gerais e São Paulo.
Quebrando uma das regras da política em vigor, segundo a qual Minas Gerais e São Paulo se revezavam no governo da República, a partir de 1928, Washington Luiz, ligado ao Partido Republicano Paulista ( PRP ), passou a apoiar ostensivamente a candidatura de outro perrepista, o então presidente de São Paulo, Júlio Prestes, pretendendo com isso, assegurar a continuidade de sua política econômico-financeira de austeridade e contenção de recursos para a cafeicultura.
Diante disto, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, presidente de Minas Gerais, aproximou-se do Rio Grande do Sul, a fim de opor-se aos planos de Washington Luiz, firmando um acordo, segundo o qual, Minas e Rio Grande vetavam a candidatura de Júlio Prestes, abrindo a possibilidade de que o Rio Grande do Sul indicasse como candidato, seu presidente, Getúlio Vargas.
Para tornar esta ação mais concreta, em 1929, esta oposição formou a Aliança Liberal que lançou a chapa Getúlio Vargas-João Pessoa (presidente da Paraíba) para contrapor-se à chapa paulista Júlio Prestes -  Vital Soares.
Ainda em 1929, a corrente mais radical da Aliança Liberal passou a admitir a hipótese de desencadear um movimento armado em caso de derrota nas urnas, buscando, como primeiro passo, o apoio dos tenentes, tendo em vista seu passado, sua experiencia militar e seu prestígio no interior do Exército.
O curioso é que nesta aliança liberal estavam os principais adversários dos tenentes, como Artur Bernardes, Epitácio Pessoa e o próprio João Pessoa, à época ministro do Superior Tribunal Militar.
À sua vez, dentre os tenentes, não havia uma opinião homogênea sobre o assunto, que a exemplo de Luiz Carlos Prestes, o mais prestigiado chefe do tenentismo, mostrava reservas quanto ao movimento.
Contudo, Prestes aceitou encontra-se com Vargas no Rio Grande do Sul, não para dar apoio à sua candidatura, mas para discutir sobre o que considerava fundamental para uma revolução anti-imperialista e agrária.
Neste encontro, Getúlio teria concordado com seus termos, afirmando textualmente: “Fique tranquilo, você não vai se decepcionar comigo.”
Depois disso, já em carta a João Neves da Fontoura, um advogado, diplomata, jornalista, político e escritor Riograndense, Vargas referia-se à posição de Prestes nos seguintes termos : “O Carlos Prestes declarou que, sendo para regenerar os costumes políticos do Brasil, está pronto a nos acompanhar”
Esta carta está no acervo da Fundação Getúlio Vargas.
Sabendo disto, Prestes escreveu uma carta a Silo Meireles e Osvaldo Cordeiro de Farias, ambos tenentistas radicados no Rio de Janeiro, exprimindo sua posição contrária à candidatura de Vargas.
Nesta carta, referia-se à disputa presidencial nos seguintes termos: “Dia a dia aumenta em mim a convicção de que tais liberais desejam tudo, menos a revolução”. E acrescentava: “Resta-nos um único caminho: o caminho pelo qual venho a muito me batendo e que consiste em levantarmos com toda a coragem uma bandeira das reivindicações populares, de caráter prático e positivo, capazes de estimular a vontade das amplas massas de nossa paupérrima população das cidades e do sertão”.
Enquanto a campanha eleitoral prosseguia, em dezembro de 1929 Vargas, pouco seguro em relação ao futuro, estabeleceu um acordo com Washington Luiz que, caso fosse derrotado nas eleições, se conformaria com o resultado e passaria a apoiar o governo constituído, em troca da recusa de Washington Luiz e Júlio Prestes em apoiar elementos divergentes de seu governo no Rio Grande do Sul.
Vargas munia-se assim, de um instrumento que lhe permitiria uma saída honrosa, qualquer que fosse o resultado eleitoral. Pouco depois desse episódio, Vargas, ainda no final de dezembro, romperia parte deste acordo.
O resultado do pleito de 1º de março de 1930 deu a vitória a Júlio Prestes e Vital Soares.
Logo após a derrota nas eleições foram retomadas as articulações para um movimento revolucionário, onde principalmente os jovens filhos da oligarquia iniciaram os contatos para o movimento e obtiveram o apoio dos velhos chefes políticos. Esta jovem oligarquia, representada por Osvaldo Aranha, João Batista Luzardo, João Neves da Fontoura, Virgílio de Melo Franco, Artur Bernardes Filho, e outros, lutava por um regime democrático, pela modernização econômica do Brasil e basicamente por uma inserção na estrutura de poder que se encontrava enfeixada nas mãos dos velhos oligarcas.
Em 3 de maio de 1930, o Congresso iniciou seus trabalhos e a maioria dos governistas se serviu arbitrariamente do processo de reconhecimento dos candidatos para punir as representações aliancistas de Minas Gerais e da Paraíba, tendo o Rio Grande do Sul sua representação reconhecida por conta do acordo de Vargas e Washington Luiz.
O arbítrio do reconhecimento dos poderes constituiu mais um fator de indignação contra Washington Luiz, sobretudo em Minas Gerais.
Prestes já decidira não participar da revolução.
Outro fato importante desse período foi o manifesto de Vargas, datado de 1º de junho e divulgado através de jornais, condenando as fraudes e as violências que vinham sendo praticadas pelo governo federal e pelos governos estaduais contra os aliancistas.
Para agravar o quadro, em 26 de julho João Pessoa foi assassinado em Recife, por João Dantas, que apoiava o governo federal. Embora os motivos fossem passionais e privados, naquele momento toda a responsabilidade foi atribuída ao governo federal.
Os chefes militares começaram a pressionar os chefes políticos para que estes se definissem em relação ao movimento.
Em 25 de setembro, Vargas e Aranha decidiram desencadear a revolução no dia 3 de Outubro e, na madrugada de 4 de outubro, todas as unidades militares de Porto Alegre já se encontravam sob o controle dos revolucionários. No dia 5, todo o Estado já havia aderido à Revolução.
Em Belo Horizonte, a revolução eclodiu no mesmo dia.
O Norte e o Nordeste do país tiveram a Paraíba como sede do movimento revolucionário.
Em Recife, o comando das tropas que já estava alertado, ofereceu alguma resistência, mas já no dia 6 de Outubro, o presidente do Estado, Estácio Coimbra abandonou o governo. À revolução se somaram pela ordem, Alagoas, Bahia e Sergipe.
As forças gaúchas, em sua marcha para São Paulo, por via férrea, encontram alguma resistência em Santa Catarina, mas já no dia 10 Vargas seguia para o Norte do Paraná, onde Góis Monteiro, planejou o ataque geral que, tomando por base a frente de Itararé, seria desfechado contra São Paulo no dia 25 de Outubro.
Washington Luiz foi substituído por uma junta governista provisória, encarregada de propor o armistício, o que só foi aceito por Vargas mediante a declaração do aceite de que fosse reconhecido como chefe de um governo provisório.
Em 31 de Outubro, precedido por três mil soldados gaúchos, Vargas desembarcou no Rio de Janeiro, sendo recebido com uma manifestação de apoio apoteótica e, finalmente, no dia e de novembro de 1930, tomou posse como chefe do governo provisório.
Com a formação do governo provisório, começou a distribuição de cargos em todo o país, sendo os caciques da República Velha substituídos por interventores.
Enquanto as lideranças oligárquicas reivindicavam o retorno à normalidade através de uma Assembleia Constituinte, os tenentes insistiam na necessidade de uma ditadura que executasse reformas na organização política do país.
O principal foco da crise foi em São Paulo, entre as elites saídas da República Velha e os tenentistas, que constituíam a alma da revolução. O governo de São Paulo foi confiado a um militar não paulista, o que ressentiu o Partido Democrático, pois no acordo com Getúlio Vargas, ficava assegurado que a direção de São Paulo seria entregue a um de seus membros.
A decepção da oposição paulista para com a Revolução de 1930 era grande e essa crise alcançava amplitude nacional, onde os velhos caciques regionais, afastados dos centros de decisão, começaram a fazer coro com as elites paulistas.
No dia 7 de Abril, de 1931, o Partido Democrático lançou um manifesto contra o interventor, que dizia: “ São Paulo é um território militarmente ocupado”.
Este manifesto provocou, em represália, o fechamento da sede do partido e a prisão de Vicente Rão, chefe de polícia ligado aos democráticos. Dias depois, o Diário Nacional, ligado ao PD também foi fechado.
No dia 28 de Abril, os democratas esboçaram um levante, cuja tentativa de golpe resultou infrutífera, provocando a prisão de mais de 200 revoltosos.
De novembro de 1931 a fevereiro de 1932, o Partido Democrático procurou alianças em outros Estados, rompeu com Getúlio Vargas e concretizou um acordo com o Partido Republicano, formando a Frente Única Paulista.
Minas Gerais e Rio Grande do Sul também constituíram frentes Únicas em seus Estados.
Em 3 de março de 1932 se deu o rompimento dos gaúchos com o Governo Federal, provocando, da parte de Vargas, a aceleração do projeto de constitucionalização, sendo que em 13 de maio já se formara uma comissão para elaborar o anteprojeto da nova constituição.
Essas concessões de Getúlio Vargas não convenceram nem pareceram confiáveis a ponto de acalmar os ânimos em São Paulo, que alega ser uma manobra do ditador para retardar a reconstituição do país.
Esta resistência paulista piorou ainda mais quando saíram notícias de que Oswaldo Aranha, ministro da fazenda, viria a São Paulo.
No dia de sua chegada, 22 de Maio de 1932, passeatas foram organizadas e se intensificaram na noite do dia 23 de maio, com uma multidão tomando conta das ruas.
A grande massa convergiu para o prédio da Legião, onde os legionários, armados, recebeu os manifestantes à bala.
Na hora, 4 jovens foram mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o que originou a sigla MMDC. Também o jovem Alvarenga foi alvejado, mas morreu pouco depois, não sendo computado seu nome na sigla imortalizada do movimento.
Na verdade, foram 13 os mortos naquela noite.
A mobilização de 23 de Maio foi a concretização de mais um passo na articulação clandestina que os paulistas vinham montando contra o Governo Vargas, que definiu o General Bertoldo Klinger como comandante do Estado Maior Revolucionário.
Estas articulações só se tornaram públicas na noite de 9 de julho de 1932, quando eclodiu antecipadamente o movimento por iniciativa de Bertoldo Klinger.
Os revoltosos esperavam a adesão de outros Estados, mas, após a eclosão do Movimento, Flores da Cunha, interventor do Rio Grande do Sul, decidiu apoiar Vargas. Olegário Maciel, interventor em Minas Gerais, aceitou negociar com o poder central e interventores de outros Estados se colocaram ao lado do governo Federal.
Os paulistas descobriram-se sós.
Embora a política de Vargas não prejudicasse os cafeicultores, a classe dos lavradores tomou parte ativa no movimento, mobilizando sua economia na preparação da guerra.
Os industriais apoiaram integralmente o movimento, pois havia queixas de que o Governo Federal movia uma guerra tarifária contra a indústria paulista.
Vários setores dissidentes da classe dominante paulista se uniram .
A oligarquia paulista incentivava ao máximo o entusiasmo da pequena burguesia, ou melhor, o povo paulista, onde os apelos eram feitos por categorias profissionais ou entidades, dando maior enfoque a humilhação de São Paulo.
Os estudantes entusiasmados responderam ao apelo, e a participação dos estrangeiros, particularmente portugueses, espanhóis, italianos e japoneses, foi muito valorizada.
Índios e negros tiveram participação.
A classe dominante paulista deixou de lado seus discursos preconceituosos e a presença deles foi enaltecida, formando-se um batalhão de soldados negros, a Legião Negra, posteriormente exterminada nos combates.
Índios do Paraná (Avaí) formaram um batalhão que se incorporou ao Exército Constitucionalista. Eram 75 homens que ficaram juntos com a Legião Negra.
“Índios e Negros, integrados lutando contra a raça degenerada dos soldados da ditadura.”
A imprensa divulgava a ideologia dominante através de manchetes, editoriais, anúncios e artigos.
O rádio, o mais recente meio de comunicação na época, também desempenhou um papel importante na mobilização da propaganda ideológica dos revoltosos.
Oradores empolgavam as massas nos comícios, para que aderissem ao movimento.
Na mobilização ideológica fez-se reviver o mito das bandeiras, com o bandeirante transformado em símbolo heroico e de vigor, significando que o bandeirante era todo paulista o que participasse da luta, carregando a bandeira da causa revolucionária, a constitucionalização e a defesa por São Paulo.
A participação da mulher paulista foi um elemento ativo e além de sua presença, exaltou-se a participação das crianças, dando-se destaque à formação de batalhões compostos por garotos de 13 a 15 anos.
A família e a religião unidas representavam um dos pilares de sustentação do movimento, que foi abençoado pelo clero.
Deu-se ao movimento o caráter de uma “Revolução” que efetuaria o rompimento com o passado,  como fruto da iniciativa popular, feita em nome do Brasil e contra a Revolução de 1930, que instalaria uma nova etapa, recuperando a autonomia de São Paulo. No projeto de Governo Provisório, o Estado seria o elemento impulsionador do progresso.
A classe dominante paulista fazia apelos ao povo, para que participassem do movimento e, a classe média, respondendo a esses apelos foi mobilizada.
Em 1932 foram acusados de Comunistas, tanto as forças de Vargas quanto às de São Paulo.
Acredito que vem desta época o chavão da igreja de que “ Comunistas comiam as criancinhas ”
Hoje, sabemos que ao que parece, eram os padres.
Por trás do perigo comunista e da pregação sobre a ordem, estava a classe operária incomodando e inquietando a classe dominante, que mobilizou a classe média e concentrou todos os esforços no sentido de reprimir as lutas operárias e suas tentativas de organização.
Em 1932, João Alberto assumiu a polícia do Rio de Janeiro e a partir daí deu-se um violento combate ao comunismo.
Em São Paulo, operários têxteis que haviam entrado em greve, entraram em confrontos violentos com a polícia, que passou a agir de forma mais violenta e repressiva contra os agitadores.
A FIESP, invocando a agitação operária, pediu a suspensão provisória das leis sociais em São Paulo.
Durante os três meses de luta armada, não havia menções à classe operária e não se descuidou da vigilância nas fábricas e da repressão aos líderes do movimento operário.
Entre agosto e setembro, as ações de guerra já se revelavam inteiramente desfavoráveis para os paulistas que, devido à inferioridade bélica, desenvolveram alguns artifícios, como o de matracas e ruídos que sugeriam alto poder de fogo. Inventaram também novas armas, como a Bombarda (bazuca) e construíram carros lança-chamas.
Nos últimos dias de setembro, Bertoldo Klinger, comandante em chefe das forças revolucionarias constitucionalistas pediu a paz.
Os jornais publicaram a notícia do armistício sem mencionar a derrota.
Houve fugas, prisões e exílios.
Minas Gerais e Rio Grande do Sul foram responsabilizados pelo final da luta.
Muitos historiadores defendem que São Paulo pegou em armas não para o benefício coletivo, mas sim, por interesses econômicos e políticos que lucrariam não só com uma eventual vitória ou derrota, mas com a conquista de seus próprios interesses, já que, para a classe dominante, a situação econômica estava difícil, desde o crack da bolsa de valores em 1929, nos Estados Unidos.
De qualquer sorte, embora muito criticada pelos vitoriosos, a Revolução Constitucionalista de 1932, logrou êxito, ao obrigar Getúlio Vargas e a Assembleia Geral Constituinte a promulgarem uma nova Constituição.
A história registra que o fizeram a contragosto, já que em 1937, o próprio Getúlio Vargas, dando um golpe de Estado, revogou a Constituição e instalou o Estado Novo.
Para os paulistas, o 9 de Julho ficou marcado como a data homenageando a lembrança do MMDC, + o A do Alvarenga, e todos os outros Bs, Cs e Ds que a história não citou, ficando esta homenagem simbolizada na bandeira tupiniquim, imortalizando aquele juramento:



“Todo paulista, ao nascer, assume o compromisso de que, se for preciso, derramar o seu sangue, em qualquer parte dos 4 cantos do mundo, para honrar e defender a integridade do Brasil”.

Treze são as listras
Treze foram as semanas
Em que brancos, negros e índios
Bandeirantes,
Defenderam com seu sangue,
A Constituição do Brasil.
Seu legado,
Uma mensagem,
Uma bandeira,
Um País.


Professor Orosco


quarta-feira, 20 de junho de 2018

WELCOME HUMAN BEINGS

(Benvindos Seres Humanos)

Escrevo este pequeno opúsculo como forma de protesto contra comentários maldosos que vi divulgados nas redes sociais, contra o trabalho de ONG's que trabalham no acolhimento de imigrantes, alegando que eles vão retirar nossos empregos, usar nossos hospitais, comer o nosso pão ou respirar o nosso ar.
Pois bem, pouco tempo atrás, tive a oportunidade de colaborar para a implantação de um projeto social voltado para o acolhimento de imigrantes.
Participavam deste projeto representantes da Igreja Católica, representantes do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, representantes da Comunidade Afrodescendente, representantes das Nações Unidas, representantes da UGT,  representantes voluntários de alguns órgãos governamentais, das três esferas do poder, como minha querida amiga Rosana, além de outros voluntários; todos preocupados com o acolhimento de imigrantes.
Imigrantes em geral e  particularmente daqueles que vinham de locais assolados por tragédias, como o terremoto no Haiti, das guerras de caráter étnico religioso na Africa e no Leste Europeu, dos conflitos na Síria ou simplesmente daqueles que fugiam do terror provocado por regimes totalitários e corruptos, a exemplo de Angola, Nigéria, Venezuela,  da América Central, etc.
E dizer, do acolhimento de pessoas desesperadas, em total situação de vulnerabilidade social, que buscavam um lugar ao Sol, ou mesmo encontrar o El Dorado, num país mundialmente conhecido por sua tolerância, alegria e diversidade étnica, cultural e religiosa.
Um país de gigantesco potencial para crescer,  mesmo que a maioria de seus habitantes nativos esteja descrente com os rumos de nossa sociedade.
Um país jovem, cujos saltos econômicos e evolutivos estão diretamente associados, ou mesmo constituídos por sucessivas levas de imigrantes que aqui, vieram.
Escravos, saqueadores, criminosos,  oportunistas e degredados, mas também exploradores, colonizadores, campesinos, operários e técnicos, refugiados ou não das Grandes Guerras, que aqui se tornaram capitães de uma indústria emergente que veio consolidar nosso milagre econômico.
Junto com eles, professores, cientistas, artistas, médicos e um sem fim de outros profissionais, que viam aqui a oportunidade de constituir família e levar uma vida digna.
Imigrantes cuja descendência amálgamada numa única massa preguiçosa,  disforme  e heterogênea acabou esquecendo suas origens e que começa a desenvolver um sentimento xenófobico contra tudo e contra todos, inclusive contra brasileiros nativos, como os indígenas, mestiços,  mulatos, cablocos, cafuzos ou mamelucos, vindos do Norte ou do Sul, do Leste ou do Oeste.
Fruto, é claro, de uma educação deficiente que na busca de um técnicismo exagerado, esqueceu de valorar suas humanidades.
Enfim, um projeto de acolhimento de imigrantes que respeitasse seus costumes e leis, onde outros imigrantes seriam encarregados de recebê-los e ensinar-lhes as regras da casa, assim como os outros  voluntários seriam encarregados de  determinar suas aptidões laborais aproveitando seus conhecimentos em áreas gerais, como línguas, história e afins, ou específicos como áreas da engenharia, agronomia, física, química, etc.
Um projeto que lutava e ainda luta contra uma concorrência desleal de traficantes, de aliciadores sexuais e do crime organizado, que agora também é atingido por comentários racistas e xenófobicos nas redes sociais, promovidos por idiotas (pessoas sem senso público) ou pessoas mal intencionadas, que desconhecem ou não querem conhecer o grande trabalho de ONG's, e de entidades de acolhimento, como o Círculo Italiano, o Círculo Espanhol, a Casa Portuguesa, o Sírio-Libanes, a Comunidade Israelita, Associação Nipo-brasileira, e outras, cujos trabalhos sociais podem ser vistos na Beneficência Portuguesa, no Albert Einstein, e em incontáveis obras sociais por todo o país.

Professor Orosco

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O DIREITO DA VAGINA


Com um espírito preparado para ingressar na terceira década do século XXI, e sem deixar de ser polêmico e provocativo, como pressupõe a boa atividade filosófica, não poderia deixar passar a oportunidade de comentar  acerca de mais um paradoxo de nossa cultura tupiniquim:
O direito da vagina.
Em uma sociedade em que muitos se esmeram para assegurar o princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os seres humanos, dentre os quais me incluo, independentemente de gênero, de etnia, de crenças religiosas, de preferência sexual ou de classe social, é de causar estranheza alguns privilégios que são assegurados a certas pessoas, felizmente não todas, pelo simples fato de serem dotadas de uma vagina, principalmente pelo poder judiciário que, em princípio, deveria zelar pela isonomia de todos perante as leis.
Assim, para exemplificar, comecemos por examinar alguns destes casuísmos:
1) A lei de proteção ao ventre, que se perpetua "ad eternum", independentemente da " optima cura puer " (melhor interesse da criança), quando assume, a priori, que a mãe tem melhores condições de criar um filho que o pai, mesmo que ela demonstre instabilidade emocional, conduta incompatível com a boa formação e com os bons costumes (sendo usuária de drogas, levando uma vida criminosa, promíscua, ou coisa similar). E note-se que, neste caso, não falamos de condições sócio-econômicas, que consideramos sempre de caráter transitórias.
Em nosso sistema legal, embora esteja escrito que todos são iguais perante a lei, ao que parece a interpretação é de que algumas pessoas podem gozar de certas regalias, por se enquadrarem nas categorias que as classificam como "sexo frágil", em detrimento de outras, classificadas como pertencentes ao "sexo forte", remetendo-nos a um período histórico dos samurais ou dos cavaleiros de armadura, que empunhando suas espadas salvavam donzelas aprisionadas em torres de castelos medievais.
Isto, em pleno século XXI, desconsiderando que, após a invenção da pólvora, qualquer pessoa pode infringir dano a outra, em condições de igualdade, como já preconizava Thomas Hobbes em seu Leviatã.
Assim, nos parece desproposital a benemerência com a qual certos delitos são tolerados ou como a aplicação de penas é imputada a crimes praticados por pessoas dotadas de vagina, indo desde o direito de liberdade prisional quando existem menores envolvidos, supostamente tutelados por elas, ainda que estas tenham 17 anos e 11 meses de idade. Um direito não assegurado isonomicamente aos genitores.
Da mesma sorte, a complacência demonstrada pela justiça em casos de subtração de incapazes, quando as mães se recusam a cumprir determinação judicial, fugindo com as crianças, ou mesmo quando promovem sistematicamente a alienação parental, etc.
Tudo isto, é claro, ainda agravado se a beneficiária tiver poder político/econômico para sustentar perante a opinião pública a ideia de que pertence à classe dos menos favorecidos.
Exemplos disto estão fartamente registrados nos periódicos  recentes por todo o país.
2) A lei Maria da Penha, que agrava de forma desproporcional uma agressão feita contra uma mulher, como se ela fosse mais frágil que um idoso, uma criança, uma pessoa com deficiência, quando o problema envolvido aqui não é proteger apenas a mulher, (um casuísmo) mas proteger todas as pessoas que são vítimas de agressão e punir exemplarmente os  comportamentos violentos praticados por quem quer que seja.
Esta lei, em particular, nos remete a outros casuísmos legais, quando uma pessoa falsamente denunciada passa a ser considerada culpada, imputando-se-lhe a aplicação de sanções e constrangimentos de toda a sorte, mesmo antes da comprovação dos fatos, ferindo o princípio pétreo de que todos são inocentes até a prova do contrário. Pior ainda, este denuncismo infundado, usado muitas vezes como arma de agressão contra o "sexo forte" ou como forma de conturbar um processo de separação e tutela de filhos, mesmo quando comprovado,  o que é difícil, já que a denuncia de agressão psicológica é aceita, não implica em punição adicional pela falsa acusação (crime de "denunciação caluniosa" )quase sempre amparada pela complacência dos magistrados perante o "sexo frágil" ou quando a acusadora tem bons advogados. O dano disto é ainda particularmente agravado, quando a falsa acusação é publicitada, à revelia dos processos legais, formando opinião pública contra o denunciado, que carregará por toda a vida a infundada pecha de agressor.
3) Os crimes do colarinho branco, de corrupção, de estelionato, de desvio de recursos públicos, de improbidade administrativa, de malversação da coisa pública ou de abuso de poder, já geralmente medidos com réguas diferentes, segundo a etnia, a orientação sexual, mas particularmente agravados quando se tratam de vaginas, como se pode denotar pelo inexpressivo ou inexistente número de conduções coercitivas ou prisões preventivas decretadas, inclusive na propalada e mundialmente famosa "lava jato".
Enfim, sem alongar-me mais do que já fiz até aqui e sem incorrer em generalismos (ou apelar aos generais), novamente exercendo meu direito de ser provocativo e polêmico, começo a compreender melhor o pouco apreço demonstrado por uma significativa parcela de nossos  jovens testiculados em estabelecer um relacionamento sério e duradouro com o sexo contrário, amparado pelo direito da vagina, que só vem a somar no acelerado processo de destruição de nossas famílias, células tronco de nossa construção social, reconhecendo de pronto minha condição de pessoa consciente e prazeirozamente dominada pela minha cara metade, com a qual convivo a quarenta e cinco maravilhosos anos.

Professor Orosco.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EM DEFESA DOS MULATOS


Numa guerra racial, entre brancos e negros, os mulatos seriam os primeiros a tombar, pelo simples fato de estarem mais próximos dos extremos, pelos quais seriam identificados como a outra parte.
Da mesma forma, quando pensamos em esquerda e direita, esquecemos que ambas, para existirem, pressupõem a existência do Rei, que as separam.
O problema, como no caso dos mulatos, é qual tipo de Rei aceitamos.
O soberano de Hobbes, acima da lei, ou o soberano de Rousseau, serviçal do povo.
O povo soberano e participativo ou o povo alegre e alienado (coxinha ou mortadela).
Esta ė a questão.
Quando normalmente apanho pelos meus comentários, sinto-me mais mulato que nunca, pois como professor, não posso reproduzir ideologias, sejam quais forem, mas ajudar a quantos puder a conquistar autonomamente um raciocínio critico e produtivo, que vise o maior bem para o maior número de pessoas.
O princípio maior da Paideia grega.

Professor Orosco.


segunda-feira, 30 de abril de 2018

UM TRISTE PRIMEIRO DE MAIO



Aproveitando a oportunidade que se apresenta neste primeiro de Maio, o dia do trabalho, quando contabilizamos algo como 14 milhões de pessoas desempregadas no país, gostaria de colocar aos amigos, como uma triste constatação, a de que, como consequência inevitável do avanço tecnológico e da respectiva automação na indústria e no campo, chegaremos brevemente aos 25 milhões de pessoas desempregadas no país.
Ou seja, o que agora se mostra ruim, irá piorar e muito, independentemente do governo que venha a ser eleito.
A próxima eleição apenas representará se abrimos o paraquedas para continuar afundando mais devagar ou se continuaremos em queda livre para o fundo do poço.
Uma trágica realidade que poderia ter sido amenizada se houvéssemos realizado as reformas educacionais que  décadas atrás já se mostravam urgentes.
Nada mudou ou mudará nas próximas décadas, ou melhor, mudará para pior.
Enquanto o mundo fala de criptomoedas, comunicação quântica, sintetizadores de alimento e oferta de energia limpa e ilimitada, nós aqui, neste primeiro de maio, continuamos discutindo se um criminoso, traidor da pátria e da esperança de milhões que o elegeram, acreditando em suas promessas, deve ou não continuar preso pelos crimes comuns que cometeu contra o erário e à boa prática de gestão da coisa pública.
Enquanto o mundo avança em progressão geométrica, nós não só paramos no tempo, como estamos regredido na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Uma sociedade em que o Superior Tribunal declarando-se, não o guardião, mas o intérprete da Constituição, faz dela um jogo de interesses a serviço de oligopólios e das forças mais retrógadas que se possa pensar.
Distanciamo-nos exponencialmente do primeiro mundo.
Pior que isso, esquecemos como se plantam as batatas, o merecido prêmio dos vencedores.
Um primeiro de maio em que os sindicatos estão muito mais preocupados em conseguir liminares para continuar ilegalmente confiscando um dia de trabalho por ano de cada trabalhador, sob a infame desculpa de que trabalham em seu favor e não em causa de um pequeno grupo de dirigentes corruptos e muitas vezes ligados ao crime organizado.
Um triste primeiro de maio, com nada para comemorar.

Professor Orosco





sexta-feira, 16 de março de 2018

VOCÊ SABE QUAL O SEU SIGNO? OU PENSA QUE SABE?


        Se você é uma daquelas pessoas que não sai de casa sem antes consultar seu horóscopo ou ainda, mesmo que não acreditando muito nisso, não deixa de consultar as previsões para o seu signo zodiacal impressa num dos vários periódicos disponíveis nas bancas de jornais, e agora até mesmo no formato on-line, este artigo pode ser do seu interesse.
            A astrologia, como ciência, remonta aos princípios da civilização humana, onde, nos seus primórdios, tinha uma característica de astrolatria, pois os homens atribuíam características divinas aos astros que viam no céu. Assim, apenas para exemplificar, o Sol (Hélios), na mitologia grega, personificando o astro diurno, era filho do titã Hipérion e da titânia Téia, que esposou a oceânida Perse e com ela ele teve Circe, Estes, Pasífae e Perses. Sua principal função consistia em trazer luz e calor aos homens, o que fazia partindo da Etiópia, no Oriente, e percorrendo o céu num carro de fogo puxado por quatro velozes cavalos brancos que soltavam fogo pelas narinas, até alcançar o Ocidente, quando atingia o país das Hespérides e mergulhava no oceano. A Lua, filha do Sol, uniu-se a Júpiter e teve uma filha, Pândia. Assimilada à Diana, costumava ser representada como uma bela jovem que percorre o céu num carro de prata puxado por dois cavalos. Marte, o nome latino de Ares, era o deus da guerra. Uma das doze divindades do Olimpo, filho de Júpiter e Juno. Vênus era Afrodite, outra das doze divindades olímpicas, a deusa do amor e da beleza, e assim por diante.
            Posteriormente, com a classificação das  Constelações, feitas pelos povos primitivos que viviam na Mesopotâmia, a pouco mais de 4 mil anos atrás,  a astrologia passou a desempenhar um papel importante no desenvolvimento das nações, pois a posição delas indicava o momento adequado para a semeadura dos campos, o momento da colheita, o período das chuvas ou da proximidade do inverno. Mesmo assim, ainda era influenciada por mitos e superstições, como no exemplo da Constelação de Órion (Libra) onde na mitologia grega temos a passagem em que  a divina caçadora Diana, para punir o caçador Órion, que estava interferindo em suas atividades, escolheu o escorpião para matá-lo. No entanto, não conseguiu realizar seu intento, porque Órion sempre conseguia fugir do escorpião, uma vez que quando as estrelas da constelação do escorpião estão aparecendo de um lado do céu, as estrelas da constelação de Órion desaparecem do outro lado do horizonte.
            Uma curiosidade sobre o assunto, é que o nome da cada constelação pode variar de acordo com a região, como por exemplo, onde a constelação de Escorpião, nas ilhas do Pacífico Sul é chamada de Palmeira.
Diante de tantas estrelas e de tantas constelações, a astrologia escolheu doze delas para compor o ano zodiacal. Isso ocorreu por volta do século V a.C. e só muito mais tarde, ou seja, só bem recentemente, a astrologia ganhou um status premonitório, individualizado segundo o grupo de pessoas nascidas sob a édige de uma destas constelações.
É importante ressaltar que neste período de nossa história, a teoria cosmológica reinante era de que a Terra era o centro do Universo e que todos os astros vinham visita-la, com maior ou menor regularidade. A própria ideia da duração do ano não era consensual, pois segundo a região ou escola estudada, oscilava entre 364 e 365 dias e mais, até o período de dominação romana, o ano era dividido em dez meses, tendo sido os meses de Júlio e Agosto acrescidos como homenagem aos respectivos césares.
            Conforme registrado por Theo de Esmirna, um neo-pitagórico da primeira metade o século II de nossa era, foi Oinópides, um astrônomo e matemático grego que viveu entre os anos de 490 e 420 a.C, o primeiro a descobrir a obliquidade do círculo zodiacal, determinada pela posição das constelações em relação à eclíptica do Sol, ou seja, a constatação de que as constelações eram vistas segundo o plano do eixo terrestre, inclinado em relação ao plano estabelecido pelo movimento de translação da Terra ao redor do Centro de Massa do sistema solar, fator determinante para estabelecer as estações do ano (verão no hemisfério norte => inverno no hemisfério sul).
            Com o advento do cristianismo, as datas oficiais passaram a levar em consideração todos estes fatores e, por meio de uma bula papal, o equinócio de inverno (para o hemisfério sul) foi determinado para o dia 21 de março, assim permanecendo até hoje, já que uma bula papal não pode ser alterada.
            Ocorre que, na prática, observou-se que a paridade entre o período de luz e de escuridão determinada pelo equinócio, estava sofrendo uma pequena alteração que, somando-se ao longo dos anos chegou a alcançar uma diferença de dez dias, o que obrigou a igreja a rever seus conceitos para o assunto, de tal sorte que no ano de 1582, após muitos estudos e cálculos, o papa Gregório XIII, por meio da bula Inter gravíssima, substituiu o calendário Juliano (implantado por Júlio Cesar) utilizado até então, por um novo, Gregoriano, utilizado até hoje. Para isso, nesta bula, foi determinado que todas as pessoas iriam dormir no dia 04 de outubro e acordar no dia 15 de outubro.
            Ao fazê-lo, reconheceu uma pequena diferença entre o ano Tropical (período de revolução da Terra em torno do Sol com relação ao Equinócio Vernal) e o ano Sideral, corresponde ao período de revolução da Terra em torno do Sol com relação às estrelas, também chamado de translação. Uma diferença de aproximadamente 20 minutos e 23 segundos por ano entre eles.
            Com isso, acertamos o calendário, mas esquecemos da astrologia, cujos signos zodiacais continuaram a ser pautados pelo calendário Juliano, fazendo com que os meses correspondentes em nosso calendário atual, já não correspondessem à posição inicial das constelações quando foram catalogadas a pouco mais de quatro mil anos atrás. E dizer, as constelações que vemos hoje nos céu, não representam mais o período ao qual foram atribuídas. Esta distorção, é ainda agravada pela constatação de que existe uma décima terceira constelação ( Ophiuchus ou serpentário ) a ser considerada e que o período de permanência sobre a abóboda celeste de todas elas, também não é uniforme para todas. Ou seja, os signos zodiacais que tem duração igual, também não levaram isso em consideração, o que é plenamente compreensível se levarmos em consideração que foram determinados naquele período.
            Isso significa, na prática, que hoje, uma pessoa ao nascer sob o signo de Capricórnio por exemplo, tem no céu que a acolheu, a constelação de Sagitário, como consequência da soma destes pequenos 20 minutos e 23 segundos por ano, ao longo de pouco mais destes 4 mil anos, o que nos leva a crer que a astrologia, enquanto ciência premonitória, precisa se justificar por outros argumentos, além da posição dos astros, uma vez que estes não representam mais o período aos quais foram associados.
            Na tabela abaixo, destacamos suas posições reais em relação à abóboda celeste quando foram pensadas e como estão hoje, assim como  detalhamos os signos zodiacais oficialmente determinados pela astrologia para falar sobre horóscopos e como são vistos pela astronomia, quando fala do cosmos.


Professor Orosco