quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A São Paulo Pós Apocalipse

Considerando a real possibilidade de que o mundo venha a acabar no dia 21 de Dezembro de 2.012, conforme previsões pautadas no intrincado calendário Maia / Asteca e, considerando que, salvo novas atitudes anti-democráticas que possam vir a ser implementadas em caráter de emergência e pelo bem da Pátria nesta nosso BraZIL varonil, atrevo-me a pensar que a atual gestão municipal pode ser a última que nós, pobres paulistanos, veremos.
Desta forma, fazer uma breve reflexão sobre a Prestação de Contas que nossos administradores (atuais ou antigos) precisarão fazer ao tentarem ingressar exibindo seu Bilhete Único nos portões do Céu, caso se confirmem tão fúnebres possibilidades, seria, no mínimo, contribuir com o Guardião para que ele possa avaliar corretamente aqueles que pretendem conseguir sua permissão para entrar.
Admito que este trabalho também demonstre, ao menos de minha parte, uma real tentativa de Puxar o Saco do porteiro e conseguir sua benemerência para comigo, um servo ávido por poder descansar na eternidade em um local onde correm rios de Hidromel e onde possa desfrutar da companhia de Mil Virgens, que espero poder transformar em 999, 998, 997, etc.
Sobre os fatos passados, a avaliação já está registrada no livro e, embora alguns antigos gestores continuem a afirmar que “Não era eu” ou “Este aí na foto pode até se parecer comigo e estar na cama junto com minha am... secretária, mas afirmo categoricamente que não sou eu”, sabemos que o que vale é o que foi registrado e teve sua firma reconhecida na Inicial do Processo.
Aquela afirmação de que “De Boas intenções o Inferno está Cheio” só vale se o advogado do postulante for incompetente ou que o Inquérito tenha sido mal conduzido, coisa que sabemos ser extremamente rara neste nosso país, com leis e sentenças tão duras e pouco complacentes com os ilícitos praticados.
Assim, discursar sobre os Planos Existentes para que se pudesse executar a melhor administração pública deste nosso município será sempre a melhor defesa para justificar eventuais apontamentos contrários ao ingresso de todos aqueles que almejam entrar no paraíso (não o paraíso fiscal, onde muitos já compraram cadeiras cativas e vitalícias).
Todos os cidadãos sabem que, há bem da verdade, existem vários níveis de decisão e que também existem vários Planos a serem observados por todos aqueles que compõem a gestão pública, quer como membros do executivo, do legislativo e até mesmo dos fiscais do judiciário.
Existem os Planos Estratégicos, com previsão para os próximos 30, 40 ou 50 anos, onde tudo é permitido.
Existem os Planos Diretores, com previsão para os próximos 10 anos, facilmente corrigíveis a cada novo exercício ou a cada nova legislatura.
Existem os Planos de Metas, tão bem detalhados nos períodos de campanha eleitoral.
E, finalmente, existem os Planos Orçamentários, que realmente tentam justificar o injustificável, explicando os contingenciamentos na Saúde, na Educação, na Infra-estrutura Urbana, etc., para que se pudesse realizar este ou aquele evento cultural, midiático, ou até mesmo aquele viaduto que atenderá a estrada que será construída futuramente.
Isto tudo é claro, devidamente atualizado para explicitar à população aquilo que foi feito e garantir que o Tribunal de Contas, em suas modestas instalações, possa aprovar e legitimar tudo que foi gasto, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Todo este preâmbulo foi necessário para que finalmente eu pudesse comentar sobre o Plano Estratégico SP 2040, tão brilhantemente apresentado no dia de hoje, em um fórum internacional organizado pela prefeitura, nas belas instalações do Ibirapuera, que contou com ilustres representantes de organizações estrangeiras que vieram contribuir trazendo suas experiências sobre “Cases” de sucesso em várias cidades do mundo.
Foram feitas dissertações sobre as Tendências da Cidade sob a ótica de vários quesitos, tipo habitação, poluição, transporte e qualidade de vida, caso se mantenham os atuais modelos e sobre a cidade que desejamos construir para 2040, indicando caminhos possíveis para alcançar estes objetivos.
Rios Vivos, uma das primeiras metas, indicando um excepcional compromisso com a recuperação de córregos e rios, com a implantação dos parques lineares, já em curso na cidade, que nos enche de orgulho e traz à tona todo o saudosismo de quem já pescou nas margens do Tietê.
Dentre outros, apenas para ater-me ao primeiro, faltou explicitar ações que podem obrigar à prefeituras vizinhas ( Guarulhos por exemplo ) a tratar seu esgoto e evitar que o nosso principal rio entre morto na nossa cidade.
O mesmo eu diria para o município de Mauá, que já fere o Tamanduateí logo na nascente e o entrega agonizante para Santo André e São Caetano que se incumbem de matá-lo.
Com um discurso municipalista, poderíamos, apenas para exercer o direito de apresentar uma proposta para o tema, processar estas cidades e cobrar delas, judicialmente, ações que não viessem a ferir o nosso direito de gozar a beleza de ter um rio caudaloso e limpo.
O que achei importante nas colocações sobre as intervenções de sucesso que ouvi dos interlocutores e que pude constatar serem verdadeiras em algumas das cidades citadas, foi o fato de que as propostas partiram da Sociedade Civil Organizada, elaborando um programa e apresentando-o aos candidatos aos futuros pleitos eletivos, forçando-os a assumirem o compromisso de manterem os cronogramas assumidos para seu cumprimento.
Assim, somente para o caso dos Maias estarem equivocados, seria prudente que todo cidadão paulistano atentasse para este plano que será publicitado brevemente, cobrando daqueles que pretendem eleger-se no próximo ano seu compromisso com as metas ali estabelecidas.
Como a esperança que ficou esquecida na Caixa de Pandora e que por isso mesmo foi a última a morrer, vale a pena sonhar com uma São Paulo mais bela, mais justa, que respeite seus habitantes.
Votar pensando na qualificação de nossos gestores, com visão de estadistas e não de meros políticos casuístas, é fazer a sua parte.

Professor Orosco
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