quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POR QUÊ SOU SERRA.



            Veneratio Unus Preteritus Quod Statio Posterus

            A frase que ostento orgulhosamente em meu brasão familiar, Reverenciamos O Passado Enquanto Construímos O Futuro, me obriga, de forma empírica, e até epistêmica, a buscar nas referencias históricas, certas similaridades com os acontecimentos atuais, de modo a facilitar minha compreensão dos fatos em análise e de me auxiliar na construção das expectativas e posicionamentos para sua assimilação.
            Folheando a obra de Vicente Ferreira da Silva, filósofo brasileiro falecido há poucos anos, para quem a nossa história ainda não reconheceu o devido valor, chamou-me a atenção o trecho abaixo, referente à sátira escrita por Abílio Pereira de Almeida, que, na forma de um presságio, retrata um pouco do momento atual que vivemos na política paulistana, quando se avizinham as eleições, em segundo turno, para escolha de nosso alcaide.

Como um relevo, sobre o friso dos outros personagens, sobressai a figura de Marta, em que se aguça o conflito anímico que a peça procura explorar a fundo. De fato, o epicentro da vida dessa família é uma empresa econômica, homônima sacral de Marta e à qual, duas gerações já haviam sacrificado os melhores anos de sua vida. Essa alienação ao fetiche fabril não se dá, entretanto, sem a compensação dos proventos materiais que emanam do bezerro de ouro e sem o status social que tem a sua condição nessa infraestrutura econômica. Mais do que o espectro de uma indústria, que suga a vida e os sonhos do homem, temos aqui uma adesão veemente ao projeto de vida que se exaspera em pletóricas satisfações e hedonismos. Como já foi assinalado por diversos sociólogos, a transformação do patriciado latifundiário em patriciado industrial não mudou o Brasil e em São Paulo o sentido de exploração privativista da empresa econômica. O fantasma da casa grande e senzala perpassa pelos parques fabris da metrópole paulistana, e a vida ainda é percebida sob o ângulo do consumidor, ou como “jouissance” (gozo) e satisfação parasitária.
             Vicente Ferreira da Silva
             Transcendência do Mundo
             Da peça: Santa Marta Fabril S.A.
             Escrita por Abílio Pereira de Almeida
             Diário de São Paulo, 17 abr 1955

            Travestido de cordeiro, o lobo por detrás das falaciosas promessas dos pseudo defensores do proletariado, que nada mais fazem do que dilapidar fraudulentamente o erário público, em causa própria e das benfeitorias que financiam nas paradisíacas ilhas, com os recursos que enviam para os paraísos fiscais, como denunciado pelo Ministério Público e condenado no escândalo do mensalão, vemos novamente o discurso apregoado pelo representante do PT e de seu máximo expoente, o Sr. DR. LULLA, tentar denegrir a imagem e a proposta seria e comprovadamente eficaz do Sr. José Serra.
            O ícone recém-promovido ao Ministério da Cultura, fruto e resultado de uma negociata escandalosa, a exemplo de sua vida pessoal, que Vicente Ferreira da Silva já previa existir a pouco mais de meio século atrás, só reforça este meu pensar.
            Neste momento particular de nossa metrópole, não podemos ficar omissos.
            É necessário expressar com veemência nosso anseio por gestores probos e comprometidos com o futuro de nossa cidade.

Professor Orosco    
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