terça-feira, 27 de novembro de 2012

LIBERTAS QUAE SERA TAMEM



Lendo os periódicos matutinos do último domingo e, atentando-me para as notícias do plebiscito Catalão que propõe a independência daquela região do restante de Castela, revindicando, por isonomia, o mesmo direito, manifesto-me, aqui, pela separação do resto do Brasil.
Da mesma forma que a Catalunha deseja separar-se da Espanha, mas continuar fazendo parte da Comunidade Europeia, neste meu desejo separatista, sou obrigado a ponderar sobre a “mais valia” que algumas regiões poderiam propiciar, para o que, seria prudente mantê-las anexadas à minha nova pátria.
Vejamos então:
- O Rio Grande do Sul, quarto maior PIB do Brasil, o estado mais meridional do país, com o quinto maior IDH, palco da Guerra dos Farrapos e berço do movimento republicano, fronteira sul com nosso maior parceiro comercial da região, seria prudente que fizesse parte deste novo país.
- Santa Catarina, maior que Portugal, com seus índices sociais entre os melhores do país, respondendo sozinha por 4% do PIB nacional, considerado importante polo exportador e consumidor, que ocupa posição privilegiada no Unasul por sua situação geográfica, de onde vem a maior parte dos frangos e suínos que se consomem no Brasil, maior produtor de milho e com importante parque industrial, igualmente seria importante manter anexado na nova nação que se propõe.
- O Paraná, o quinto estado mais rico do Brasil, com terra boa, a melhor do Brasil, clima temperado, onde a agropecuária se desenvolveu, assim como seu parque industrial, onde fica Itaipu e o porto de Paranaguá, por onde se escoa importante percentagem dos nossos produtos, sem dúvida precisa fazer parte de minha nação ideal.
Estes três estados juntos, seriam a minha sonhada “República dos Pampas”.
- São Paulo, este nem se precisa falar, o estado mais rico do Brasil, respondendo sozinho por mais de 30% do PIB nacional, com população de 41 milhões de habitantes, superado em população, na América do Sul, apenas pela Colômbia, que detém a maior diversidade étnica do planeta, com o terceiro maior índice de desenvolvimento humano, cuja capital é a sexta maior cidade do planeta, responsável por quase 30% de toda a produção científica nacional e sede de 63% das multinacionais instaladas no Brasil, seria, sozinho, quase que um país, não podendo ser preterido deste meu projeto nacional.
- O Rio de Janeiro, com sua cidade maravilhosa, antiga Capital e nosso cartão postal para o mundo, onde se situa a bacia de Campos e boa parte de nossas reservas de petróleo, contribuindo significativamente nas áreas de serviço, principalmente em telefonia, tecnologia de informação, com importantes indústrias químicas e siderúrgicas (Volta Redonda), também não poderia ficar de fora.
- Espírito Santo, com seus portos de Tubarão e de Vitória, importantes para a exportação de nossos minérios, terra do Dedo de Deus, de Guarapari, com suas fábricas de café solúvel, chocolates e azulejos, além da reserva petrolífera que divide com o Rio na bacia continental, igualmente se mostra útil e necessário para qualquer nação que se planeje construir, não podendo ficar de fora.
- Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil e o terceiro maior PIB, superando o Rio de Janeiro na arrecadação de ICMS, altamente industrializado, com importantes jazidas minerais, importante hidrografia, sítios paleontológicos, também se destaca como um dos principais polos da indústria de tecnologia em eletrônica e de telecomunicações, a exemplo de Santa Rita do Sapucaí, nossa Silicon Valley, rating AAA na escala brasileira e BBB a nível global para investimentos segunda a Standard & Poor´s em 2012, torna-se imperativa para o nosso projeto.
- Mato Grosso do Sul, que com São Paulo formaria a nossa República Piratininga, maior que a Alemanha, onde se bebe o tereré, maior produtor de erva-mate, que abriga o Aquífero Guarani, com sua Aquidauana, entrada para o Pantanal e sua biodiversidade, com uma economia voltada para a pecuária, também não pode ser excluído, tendo muito a oferecer.
- O Mato Grosso, um dos maiores exportadores de soja, com pecuária bem desenvolvida, com um enorme território cuja hidrografia abastece desde o Rio Amazonas ao Rio Paraguai, uma das regiões onde a exploração de minérios mais se desenvolve, estrategicamente não poderia ficar de fora.
- Goiás, com forte propensão para a prática agropecuária, rica em Jequitibá, Peroba e Mogno, com fauna variada, destaca-se pela produção de feijão, milho, algodão, o que lhe confere a liderança nacional na produção de grãos, prudentemente importante para o meu novo país.
- Rondônia, com sua população diversa, oriunda de todas as partes do Brasil, com o 3º IDH e o 2º maior PIB per capta, a 2ª menor taxa de mortalidade infantil e a 3ª menor taxa de analfabetismo, não pode ser preterido de qualquer projeto de país.
- Tocantins, com suas chapadas, com forte potencial agrícola para a produção de grãos, principalmente arroz, milho, feijão e soja, apresenta-se como uma “carta na manga”, uma reserva estratégica para o desenvolvimento, não podendo ser excluído.
- Bahia, primeiro núcleo de riqueza açucareira a América Portuguesa, foi o ponto de chegada de Cabral ao continente, transformando-se, desde então, no referencial histórico do nosso povo, oferecendo grande potencial turístico, da Chapada Diamantina ao Recôncavo, foi o último estado brasileiro a consolidar nossa independência. Com poderoso parque industrial, o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, em Camaçari, principalmente químico e petroquímico, com sua histórica produção de cacau e jacarandá, a Bahia torna-se o berço para qualquer novo projeto nacional.
- Sergipe, que tem sítios arqueológicos que demonstram a ocupação humana ali a mais de 11 mil anos atrás, (mais que a música do Raul), com suas terras planas, seu clima tropical e sua vocação para o plantio da cana de açúcar, pode se transformar em importante produtor de combustível renovável para nosso novo país.
- Alagoas, terra do sururu, com seu rico folclore que o transforma numa das escolhas preferenciais para o turismo internacional, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, onde nasceram Deodoro, Floriano e Graciliano Ramos, onde ficava Palmares, símbolo da luta contra a escravidão, igualmente é importante para o nosso projeto.
- Pernambuco, que abriga Fernando de Noronha, palco da batalha dos Guararapes, da Insurreição Pernambucana, origens do nosso Exército, que gerou nosso maior físico, Mário Schemberg, nosso maior educador, Paulo Freire, nosso maior matemático, Leopoldo Nachbin, onde nasceram Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre e tantos outros, que abriga o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital, o maior estaleiro do Hemisfério Sul, o Complexo Industrial de Suape e que rapidamente se industrializa com vultosos investimentos em petroquímica, biotecnologia e farmacêutica, que se transforma no grande exportador de frutas devido a irrigação das águas do São Francisco, não poderia, jamais, ser preterido.
- Paraíba, onde se situa o ponto mais oriental das Américas, onde o Sol nasce primeiro, onde ocorre o Maior São João do mundo, local da Pedra de Ingá, da caatinga, com seu enorme potencial turístico, igualmente é importante para o país.
- O Rio Grande do Norte, terra potiguar, com sua projeção para o Atlântico, sua produção de sal, onde fica a Barreira do Inferno, a primeira base para o lançamento de foguetes da América do Sul, sua indústria têxtil, tem muito com que contribuir.
- Ceará, terra de jangadeiros, de humoristas, de Rachel de Queiroz e de José de Alencar, Terra da Luz, que aboliu a escravidão quatro anos antes da lei Áurea, que venera Padre Cícero e onde é forte a maçonaria, desde a família Alencar e a Confederação do Equador, com seu potencial turístico, seu belo povo e sua energia cósmica, é muito valioso para ficar de fora.
- O Piauí, rio das piabas, com o Parque Nacional da Serra da Capivara, com vestígios da presença humana a 50 mil anos atrás, com sua marcante presença pecuária, sua produção de algodão e de cimento, seu potencial mineral e vegetal, principalmente da carnaúba, sua vocação eólica, tem lugar assegurado no meu país ideal.
- Maranhão, terra de alumínio e do babaçu, dada a vastidão do seu território, que foi importante para a produção de algodão, com potencial para desenvolvimento da pesca e da criação de camarões, do ecoturismo e da pecuária, por uma condição estratégica, não pode ser abandonado.
- Amapá, reserva ambiental da região para o planeta, é um dos poucos territórios que permite a formação de um conjunto de ecossistemas, com gigantesco potencial para estudos biológicos, o que o torna imprescindível para o futuro.
- O Pará, com a Serra dos Carajás, importante reserva mineral, com sua hidrografia ímpar, a Ilha de Marajó, foz do Amazonas, local da pororoca, sua biodiversidade, sua vocação para o ecoturismo, para a pecuária, a maior produção de bananas do país, seu potencial para a indústria de base, sua extensão territorial, qualifica-o para compor qualquer nação nova que se possa pensar.
- O Acre, o único estado brasileiro que o é por opção, após conquistar sua independência, terra berço da borracha, de Chico Mendes, da castanha, do pirarucu, lugar onde a palavra pátria tem um significado especial, que abrigará a Rodovia Interoceânica, desde muito, já conquistou um lugar de honra em meu país ideal.
- O Amazonas, pulmão do mundo para alguns, refrigerador do clima para outros, a maior reserva florestal do planeta, o rio mais volumoso do mundo, a fonte da maior reserva de biodiversidade conhecida do planeta, a maior rede hidrográfica do mundo, cobiçado por todos, jamais poderia ser preterido do meu projeto de nação.
- Roraima, Mãe dos Ventos, fartamente irrigado por 14 rios que fazem parte da bacia amazônica, com flora e fauna privilegiadas, com seus tamanduás, tatus e jabotis, seus jacus e carcarás, extremo norte do Brasil, Rincão Pacaraima, tem grande potencial de crescimento, pelo que, torna-se importante reserva para o futuro, não podendo ser excluído do projeto maior.
- Brasília, o Distrito Federal, cidade planejada, idealizada para ser o ponto de partida para o desenvolvimento do Centro Oeste e da ocupação nacional, desde cedo frustrou sua expectativa, mostrando-se uma Utopia, onde nem mesmo seu idealizador ficou por lá, seu construtor foi expulso morrendo em terras distantes, assim como seus primeiros governantes, que foram “convidados” a deixá-la. Projetada para dar segurança ao poder, transformou-se em símbolo da usura e da corrupção.
Esta seguramente não é necessária no meu país, da qual desejo libertar-me.
Mas, pensando bem, ela mesma já se declarou independente e distante de minha nação ideal, dela não sendo necessária.

Libertas Quae Sera Tamem.

Professor Orosco

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