quarta-feira, 1 de maio de 2013

A PRECÁRIA SITUAÇÃO DE NOSSOS TRABALHADORES



            Lendo neste 1º de Maio a entrevista publicada na revista Sociologia, da Editora Escala, edição de nº 46, com o sociólogo, militante do PSTU e professor da USP, Ruy Gomes Braga Neto, acerca de seu livro “A Política do Precariado”, acredito ser importante fazer uma breve reflexão sobre o assunto.
            Nas palavras de Ruy Braga, “precariado é, em primeiro lugar, aquele setor da classe trabalhadora permanentemente pressionada pelo aumento da exploração econômica e pela ameaça de exclusão social”.
            Também, nas palavras do professor Guy Standing, da Universidade de Londres, “o precariado seria formado por aqueles grupos sociais mais vulneráveis e empobrecidos, jovens desempregados e subempregados, cada dia mais distantes dos direitos sociais ou das políticas de bem-estar das próprias empresas e, por isso mesmo, potencialmente inclinado a abraçar soluções populistas autoritárias e xenofóbicas”.
            Ou ainda, como nas palavras de Paul Singer, um conceituado economista e professor brasileiro, que se vale da expressão “sub proletariado” para, além dos conceitos anteriores do precariado, incorporar também a população miserável e o lumpesinato (aquela camada social carente de consciência política, formada por operários que vivem na miséria e por aqueles desvinculados da produção social e que se dedicam a atividades marginais) como os nossos camelôs, por exemplo, podemos compreender o quão frágil é esta parcela da população.
            O falacioso empoderamento da classe trabalhadora fica evidente quando, se de um lado, o Capital que entra na produção concentra-se na manufatura semiqualificada, pagando baixos salários, expatriando sob a forma de “commodities” nossos recursos minerais e agrícolas, inclusive a água potável que acompanha os produtos agropecuários, face ao evidente poder das multinacionais que não desejam agregar valor às matérias primas em terras brasileiras, preferindo fazê-lo em seus países de origem, onde geram empregos e tributos que nos cobram, acrescidos de juros, quando seus produtos acabados retornam.
            De outro lado, a multiplicação de oportunidades de trabalho, tão alardeada pelos indicadores econômicos e pelo governo, principalmente nas áreas de comércio e serviços, onde a elevada rotatividade da mão de obra é um fato, a exemplo dos frentistas dos postos de gasolina, dos balconistas, dos garçons, dos profissionais de serviços domésticos, etc., que exatamente por estas características, de maneira geral, remuneram muito mal o trabalho realizado e dificultam a organização sindical, acabando por produzir um enorme contingente de trabalhadores despolitizados e alheios ao que acontece ao seu redor.
            As próprias Centrais Sindicais, reféns de um sistema capitalista de consumo, que prioriza o homem enquanto mercadoria, desde há muito tempo abandonaram a luta de classes, acomodando-se e, desta forma, pactuando com o “Status Quo” e preferindo adotar posturas demagógicas e populistas, como festas, sorteios de casas e carros, no intuito de perpetuar a cultura hegemônica imposta pelo poder, mantendo as benécies que conseguiram para seus representantes, em lugar das categorias de trabalhadores que representam.
            Como consequencia desta alienação generalizada, principalmente no precariado, vemos brotar e crescer assustadoramente uma inquietação social, travestida de violência, em todos os níveis, principalmente contra a pessoa e a vida, que aterroriza a todos nós.
            Somente uma revisão do modelo de produção adotado, que force o desenvolvimento de novas tecnologias, que agregue valor aos nossos produtos de exportação, ainda que requeiram novas estatais, poderá dar vazão a estas demandas reprimidas.
            Por sua vez, a educação formal, que reproduz o sistema hegemônico imposto pelo Capital, onde o homem explora o homem, e com isso só faz aumentar o problema, requer por parte dos educadores, comprometidos com a “salvação nacional” e com as novas gerações, um firme propósito para promover a ruptura destes paradigmas e estabelecer outros, de forma a desenvolver uma sociedade mais justa, mais livre, mais igualitária e mais fraterna.
            E dizer, como nas palavras do sociólogo Charles Wrigth Mills, em sua obra A Imaginação Sociológica, “mais do que analisar e produzir estatísticas, o cientista social (e aqui eu incluo também os filósofos) tem a obrigação de contribuir para a transformação da sociedade”.

Professor Orosco

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