sexta-feira, 16 de outubro de 2015

DO BIG BANG AO BIG CRUNCH

Uma vez realizadas todas as combinações possíveis dos elementos do mundo, restará ainda um tempo indefinido pela frente, e então recomeçará o ciclo, e assim indefinidamente. Como em um eterno retorno, tudo o que acontece no mundo se repetirá igualmente inúmeras vezes. Tudo voltará eternamente, e com isso todo o mau, o miserável, o vil. No entanto, o homem pode ir transformando o mundo e a si mesmo mediante uma transmutação de todos os valores, compreendendo que o bem máximo é a própria vida, que culmina na vontade de poder. Como o homem está acima do macaco, deve superar-se, tornar-se um super-homem, alcançando uma nova moral, nem cristã, nem utilitária ou kantiana. Uma moral dos senhores, das individualidades poderosas, de superior vitalidade, de rigor consigo mesma, da exigência e da afirmação dos impulsos vitais. Uma moral que se afasta da moral dos escravos, dos fracos e miseráveis, dos ressentidos que valorizam a compaixão, a humildade e a paciência, que afirma todos os igualitarismos. Uma moral que, afastando-se dos valores cristãos, exalta o valor da guerra, produtora do espírito de sacrifício, da valentia e da generosidade, que faz despontar o cavalheiro, o homem corajoso e pujante, que entende a vida generosamente (Nietzsche - 1844/1900).
Uma vida animal, existencialista e sem propósito, que retira do homem o prazer da amizade, do companheirismo, do amor cúmplice e da renúncia. Uma vida que prega o individualismo que traz junto de si a solidão e o desespero. Uma vida que de tanto precisar justificar-se esquece a própria essência, que é viver. Uma vida que não alcança a serenidade contemplativa, ficando refém das moedas amealhadas, dia a dia, com o único objetivo de rechear o colchão sobre o qual se vai tentar dormir, afastando-se da cama macia proporcionada pela terra fofa onde germina uma grama perfumada. Uma vida que não olha o firmamento e vê nele a esperança além das luzes que cintilam por entre as nuvens, evidenciando uma possibilidade real de novas descobertas que, possivelmente trarão respostas a muitas de nossas dúvidas. Uma vida que de tanto racional, interrompe o movimento e para o coração, fonte das emoções. Uma vida que se apega tanto à vida que a sufoca e não lhe dá sentido.
Triste sina a dos homens que, a partir do Século XX seguiram por este caminho, loucos que seguiram um louco, sem compreendê-lo,  valendo-se de um tecnicismo que só provocou uma guerra diária e ininterrupta, que ceifou milhões e milhões de possibilidades viventes, por ideologia ou por cobiça, pouco acrescentando aos sobreviventes que veem-se perdidos numa multidão sem face ou rumo.
Por sorte, uma sentença que não é necessariamente autoaplicável, restando a alguns poucos tolos a irreverência de poder sonhar, de assegurar a si mesmos a ataraxia dos estoicos e dos epicuristas que “não estão nem aí para as coisas do mundo”, deixando-se levar pelas ondas do mar, curvando-se à vida como a flor de cede à brisa do vento.
No fundo, uma questão de escolha.
Nietzsche ou ....

Professor Orosco











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