sexta-feira, 2 de outubro de 2015

PRELÚDIO DE UMA REVOLTA POPULAR


No ocaso do século XVIII, uma população do além mar, revoltada com os privilégios de uma casta dominante, interessada tão somente na manutenção de suas mordomias, pegou em armas e derrubou o Antigo Regime.
Às custas de milhares de cabeças cortadas, eles declararam ao mundo que o povo, e somente ele, detém o verdadeiro poder soberano.
Na época,  o limite da tolerância foi  ultrapassado quando sugeriu-se ao povo, ao invés de pão, comer brioches.
Algo parecido com aquilo que vemos ser noticiado e denunciado por aqui quase que dioturnamente sobre os atos do Congresso Nacional e do Palácio da Alvorada.
Atos que, nem mesmo o Palácio da Justiça, que teima em permanecer cega, escapa ao demonstrar e defender a opulência de uma corte que se mostra alheia às favelas que proliferam ao seu redor.
O descaso de todos os palacianos, encastelados em seu mundo particular, na praça dos Três Poderes, alegoricamente nos remetendo à época dos "três Estados",  é de tal sorte, que nem se apercebem que a população sofrida já mostra sinais de um questionamento do sistema, perguntando-se qual o melhor caminho para ver-se realmente representada.
O descaso é tal que não se apercebem que, como no século XVIII, a fome, a falta de saúde, a educação medíocre e o desemprego, são fatores que, alimentados pela carestia, podem ser, como foi no passado, a centelha revolucionária que inflamará, à custa de muito sangue, a fogueira da transformação social.
O descaso é tal que não se apercebem que, como outrora, nem mesmo o escudo religioso levantado em defesa de suas gordas cabeças conseguirá evitar que elas sejam cortadas.
Não se apercebem que, como no século XVIII, não será necessária a figura de um líder carismático para iniciar a revolução, que pode começar como um simples movimento sequencial às invasões de supermercados ou de arrastões nas praias repletas de jovens e pequenos burgueses, propagando-se como um rastilho de pólvora que incendiará campos e cidades, do Oiapoque ao Chuí.  
Não percebem, finalmente, como diria George Santayana, "que aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo" e que o prelúdio da revolta popular já bate à sua porta.

Professor Orosco.
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