quarta-feira, 20 de junho de 2018

WELCOME HUMAN BEINGS

(Benvindos Seres Humanos)

Escrevo este pequeno opúsculo como forma de protesto contra comentários maldosos que vi divulgados nas redes sociais, contra o trabalho de ONG's que trabalham no acolhimento de imigrantes, alegando que eles vão retirar nossos empregos, usar nossos hospitais, comer o nosso pão ou respirar o nosso ar.
Pois bem, pouco tempo atrás, tive a oportunidade de colaborar para a implantação de um projeto social voltado para o acolhimento de imigrantes.
Participavam deste projeto representantes da Igreja Católica, representantes do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, representantes da Comunidade Afrodescendente, representantes das Nações Unidas, representantes da UGT,  representantes voluntários de alguns órgãos governamentais, das três esferas do poder, como minha querida amiga Rosana, além de outros voluntários; todos preocupados com o acolhimento de imigrantes.
Imigrantes em geral e  particularmente daqueles que vinham de locais assolados por tragédias, como o terremoto no Haiti, das guerras de caráter étnico religioso na Africa e no Leste Europeu, dos conflitos na Síria ou simplesmente daqueles que fugiam do terror provocado por regimes totalitários e corruptos, a exemplo de Angola, Nigéria, Venezuela,  da América Central, etc.
E dizer, do acolhimento de pessoas desesperadas, em total situação de vulnerabilidade social, que buscavam um lugar ao Sol, ou mesmo encontrar o El Dorado, num país mundialmente conhecido por sua tolerância, alegria e diversidade étnica, cultural e religiosa.
Um país de gigantesco potencial para crescer,  mesmo que a maioria de seus habitantes nativos esteja descrente com os rumos de nossa sociedade.
Um país jovem, cujos saltos econômicos e evolutivos estão diretamente associados, ou mesmo constituídos por sucessivas levas de imigrantes que aqui, vieram.
Escravos, saqueadores, criminosos,  oportunistas e degredados, mas também exploradores, colonizadores, campesinos, operários e técnicos, refugiados ou não das Grandes Guerras, que aqui se tornaram capitães de uma indústria emergente que veio consolidar nosso milagre econômico.
Junto com eles, professores, cientistas, artistas, médicos e um sem fim de outros profissionais, que viam aqui a oportunidade de constituir família e levar uma vida digna.
Imigrantes cuja descendência amálgamada numa única massa preguiçosa,  disforme  e heterogênea acabou esquecendo suas origens e que começa a desenvolver um sentimento xenófobico contra tudo e contra todos, inclusive contra brasileiros nativos, como os indígenas, mestiços,  mulatos, cablocos, cafuzos ou mamelucos, vindos do Norte ou do Sul, do Leste ou do Oeste.
Fruto, é claro, de uma educação deficiente que na busca de um técnicismo exagerado, esqueceu de valorar suas humanidades.
Enfim, um projeto de acolhimento de imigrantes que respeitasse seus costumes e leis, onde outros imigrantes seriam encarregados de recebê-los e ensinar-lhes as regras da casa, assim como os outros  voluntários seriam encarregados de  determinar suas aptidões laborais aproveitando seus conhecimentos em áreas gerais, como línguas, história e afins, ou específicos como áreas da engenharia, agronomia, física, química, etc.
Um projeto que lutava e ainda luta contra uma concorrência desleal de traficantes, de aliciadores sexuais e do crime organizado, que agora também é atingido por comentários racistas e xenófobicos nas redes sociais, promovidos por idiotas (pessoas sem senso público) ou pessoas mal intencionadas, que desconhecem ou não querem conhecer o grande trabalho de ONG's, e de entidades de acolhimento, como o Círculo Italiano, o Círculo Espanhol, a Casa Portuguesa, o Sírio-Libanes, a Comunidade Israelita, Associação Nipo-brasileira, e outras, cujos trabalhos sociais podem ser vistos na Beneficência Portuguesa, no Albert Einstein, e em incontáveis obras sociais por todo o país.

Professor Orosco
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