quarta-feira, 12 de novembro de 2014

NO TEMPO CERTO



            Queridos amigos.
            Gostaria de compartilhar com vocês uma breve reflexão.
Não é de hoje que tenho refletido sobre o número de coincidências que verifico se apresentarem em minha vida, coincidências estas que me levam a refletir, profundamente, sobre os desígnios, os sinais e as mensagens que recebo do Grande Arquiteto do Universo.
Vejam só.
            Hoje pela manhã, antes de sair para o trabalho, dediquei alguns momentos para planejar uma aula que vou apresentar na próxima sexta, falando sobre o tempo, para alunos do ensino médio.
            Dentre os vários elementos que pesquisei, estava o famoso quadro de Francisco Goya (1746/1828), um grande pintor espanhol, denominado “Saturno Devorando um Filho”, concluído em 1823 e hoje exposto no Museu do Prado em Madri.
            Logo pela manhã, achei o quadro um pouco macabro demais e optei por deixá-lo arquivado no banco de imagens do meu computador, uma vez que, afinal, estudando a “Mitologia Grega” encontramos algumas das primeiras menções sobre o tempo.
Lá, Cronos (em grego Κρόνος, titã do tempo, Χρόνος), era a divindade suprema da primeira geração de titãs, correspondente ao titã romano Saturno.
Filho de Urano, o Céu estrelado, e Gaia, a Terra, era o mais jovem dos Titãs.
Foi durante seu reinado que a humanidade (recém-nascida) viveu a sua "Idade de Ouro".
Como tinha medo de ser destronado por causa de uma maldição, Cronos engolia os filhos ao nascerem, como retratado na tela.
Comeu todos exceto Zeus, que sua esposa Reia conseguiu salvar, enganando-o ao enrolar uma pedra em um pano, que ele engoliu sem perceber a troca.
Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o apoio de Métis - a Prudência - filha do Titã Oceano.
Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar os filhos que tinha devorado.
Então Zeus tornou-se senhor do céu e divindade suprema da terceira geração de deuses da Mitologia Grega ao banir os Titãs para o Tártaro e afastou o pai do trono, e segundo as palavras de Homero prendeu-o com correntes no mundo subterrâneo, onde foi encontrado, após dez anos de luta encarniçada, pelos seus irmãos, os Titãs, que tinham pensado poder reconquistar o poder de Zeus e dos deuses do Olimpo.
            Até aqui, nada mais que história.
            A coincidência é que, à noite, assistindo uma aula de oficina em epistemologia, qual minha surpresa ao ver que, dentre os vários assuntos abordados, estava a referida obra de arte.
            Isto me fez olhar o quadro e pensar no tempo, de modo diferente.
            Atentando-nos para a belíssima obra de Goya, percebemos, em seus traços sombrios e macabros, algo mais aterrador que a mensagem mitológica,
            Percebemos que Cronos, o tempo,  come os deuses.
Percebemos que come, também, os homens e come a carne dos homens.
Come pais e come filhos.
Come sonhos e come as esperanças.
            Come as alegrias e come, também, as tristezas.
            Implacável, o tempo come o próprio tempo, que não volta mais.
            Nada sobrevive a ele.
            Talvez, breves memórias, regurgitadas no presente e por um singelo momento, como aconteceu com os irmãos de Zeus
            Goya era, simplesmente, um gênio.


Professor Orosco.
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