terça-feira, 11 de outubro de 2016

CHEGANDO AOS SESSENTA



Chegado o momento em que, oficialmente serei declarado idoso, sem saber bem o que isso significa, se sábio ou obsoleto, se porto seguro ou ponte apodrecida, coloco-me a refletir sobre as coisas da vida vivida.
Sobre seu sentido ou sobre a falta dele. 
Sobre o querer, o poder e o dever.
Sobre uma vida humana que pode ser resumida num eterno escalar de montanhas, aparentemente sem um nexo causal.
Uma vida na qual nascemos jogados num mundo que não conhecemos, em algum lugar entre o sopé e o cume de uma montanha que está encravada em uma serra ou cordilheira, sabe-se lá aonde.
Livres e repletos de possibilidades, porém cheios de dúvidas e de medos injustificados.
Onde, desde cedo, aprendemos que ali, no lugar onde nos apropriamos do mundo, não há comida para todos, ou ao menos as mais saborosas; que o vento congelante pode ser fatal, ainda que a brisa seja refrescante; que o Sol é mais intenso mais acima onde, paradoxalmente, também o oxigênio é rarefeito.
Onde, como não sabemos a cor do verde que pode ser mais verde, somos levados a acreditar que em algum lugar, longe dali, devam existir pastagens melhores.
Quando, então, impelidos pela gravidade inercial, que gera o movimento, vamos nos mover para cima e para baixo, ora subindo ora descendo. 
Por paredes íngremes ou por abismos profundos.
Onde não há norte ou sul já que o caminho é incerto.
Onde, com o passar dos anos, aprendemos que o objetivo da jornada nunca foi o chegar, mas somente o caminhar.
Quando e onde constatamos que, olhando para trás, ainda podemos ver resquícios da última aventura, mas somente dela. 
As outras, que ficaram eternamente perdidas na memória, quiça possam ser resgatadas quando o próximo cume se mostrar mais alto.
Nesta altura, vamos olhar para trás ou para a frente? 
Para o caminho percorrido até ali ou para qual trilha que se mostra mais segura à nossa frente?
Lembramos daqueles que caminharam conosco e que ficaram pelo caminho. 
Olhamos para os que estão junto de nós, aos quais apontamos o próximo cume que desejamos alcançar, que esperando, no máximo, que sigam próximos ou, no mínimo que se despeçam quando partirem.
Só isso.
Um passo de cada vez.
Só mais um passo.

Professor Orosco
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