quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

DAS CAUSAS PROVÁVEIS PARA A BURRICE HUMANA


Os burros que me perdoem, mas a analogia se faz necessária para tentar explicar o comportamento humano, principalmente nos últimos anos e, particularmente no Brasil, quando copiamos sua teimosia em não querer aprender com nossos erros. Note-se que me referi à vontade manifesta de não querer aprender, e não à impossibilidade de fazê-lo. O burro ou a mula (a fêmea da espécie) empaca durante a viagem, simplesmente porque não tem vontade de continuar e não porque não sabe ou não consegue aprender o caminho. Popular e jocosamente, desde os tempos do escritor e poeta grego Esopo (cerca de 600 anos a.C.) já atribuímos aos homens características destes animais, quando, por exemplo, dizemos que o macho humano, com seu jeito bruto de ser, trabalha e age como um burro de carga, e a fêmea humana, inconstante e volúvel, sabe ser teimosa como uma mula.
De qualquer forma, não nos prendendo demasiadamente à alegoria, pretendemos demonstrar que a pouca capacidade de compreensão e o baixo tirocínio evidenciado pela esmagadora maioria da população (a burrice congênita), principalmente entre os mais jovens, está, também, associada a fenômenos fisiológicos, causados em boa parte por seus hábitos alimentares e pelos elevados índices de poluição.
Explicando melhor:
Segundo o Dr. Otto Henrich Warburg (1883/1970), bioquímico e fisiologista alemão, ganhador do Prêmio Nobel em 1931 por sua tese sobre “A causa primária e a prevenção do câncer”, onde evidenciou a natureza e a ação da enzima respiratória e dos processos de oxidação em células vivas, ‘a falta de oxigênio e a acidez são as duas faces da mesma moeda: quando você tem uma, você tem a outra”. Ou seja, segundo o Dr. Warburg, a acidez expulsa o oxigênio das células, tornando o ambiente oxidante e acelerando o processo de morte celular. No mesmo trabalho ele também defende a tese de que já que as substâncias ácidas repelem o oxigênio, por oposição, as substâncias alcalinas atraem o oxigênio.
Desta forma, podemos deduzir que, uma vez finalizado o processo de digestão, os alimentos de acordo com a qualidade de proteína, hidrato de carbono, gordura, minerais e vitaminas que fornecem, gerarão uma condição de acidez ou de alcalinidade no organismo, corroborando a afirmação do filósofo alemão Ludwig Feuerbach (1804/1872), ‘o homem é aquilo que ele come’. E dizer, com o conhecimento deste processo metabólico, percebemos que para as células funcionarem de forma correta e adequada, seu pH deve ser ligeiramente alcalino[1].
Isso significa, na prática, que todo o processo cognitivo precisa se dar em um ambiente levemente alcalino, onde a qualidade do sangue que alimenta o cérebro (quantidade de oxigênio transportado) tem importância fundamental. Sangue mais ácido, menos oxigênio, implicando em processo sináptico comprometido.
Assim, por exemplo, quando ingerimos um simples refrigerante estamos transformando nosso organismo, tornando-o ácido[2] e, segundo o Dr. Lair Ribeiro, médico, cardiologista e nutrólogo brasileiro, ao ingerir um simples copo de refrigerante (pH médio 2,5)[3] precisaríamos ingerir pouco mais de outros 30 copos de água apenas para neutralizar seus malefícios.
Da mesma forma, a poluição gerada nas cidades, principalmente pela queima de combustíveis fósseis como, por exemplo, carvão mineral e derivados de petróleo, que lança grandes quantidades de monóxido de carbono e dióxido de carbono (gás carbônico, CO2) na atmosfera, aliada à água chuva, produz a chamada chuva ácida, responsável pela morte das plantas, animais (morte celular) e pela corrosão de automóveis ou construções.
A constatação da existência deste ambiente ácido provocado pela chuva nas grandes cidades, pelo que já foi exposto, ajuda-nos a compreender, por exemplo, o comportamento anormalmente errático (burrice) de boa parte dos motoristas que se veem presos num trânsito, normalmente congestionado que, diante disso, torna-se ainda mais caótico, exponencializando o problema. É como se a inteligência dos motoristas se solubilizasse na chuva, um fenômeno que pode ser comprovado facilmente a cada nova tempestade, comprometendo o sistema de tamponamento do organismo[4].
Finalmente, concluímos que os jovens (mas não só eles), normalmente como pessoas mais expostas aos efeitos de uma alimentação irregular e das intempéries climáticas (já que não gostam de proteção adicional), acabam, sofrendo mais dos efeitos nocivos dessa acidez no organismo, o que nos ajuda a compreender as dificuldades adicionais que demonstram, em suas atividades diárias para, por exemplo,  “calcular um simples troco para as compras do mercado” ou “compreender corretamente um pedido verbalizado que lhe é feito num processo de compra qualquer”.

Professor Orosco


[1] Sabemos que o pH do sangue humano normal oscila entre 7,35 e 7,45.  pH sanguíneo abaixo de 7,0 (ácido) induz o individuo ao coma e, acima de 7,7 (alcalino), pode desencadear crises epiléticas.
[2] O corpo humano é uma grande máquina que precisa produzir energia para funcionar, ou seja, precisa consumir elétrons para funcionar. A nível celular, quando consumimos elétrons sobram os prótons. O próton mais simples é o H+. No pH se mede a quantidade de prótons (íons H+). Quanto mais prótons temos, menor é o pH e mais ácido é o meio. Quando nosso corpo gasta energia, nós consumimos elétrons, temos excesso de prótons e o nosso organismo acidifica. Nós precisamos eliminar este excesso de ácido que é prejudicial à saúde. Isto é feito através da urina, quando eliminamos ácido úrico, através da respiração, quando eliminamos ácido carbônico na forma de CO2, através do estômago quando eliminamos ácido clorídrico e através da transpiração. Os refrigerantes têm o ácido carbônico produzido por meio da diluição do gás carbônico em água como um componente fundamental (CO2 + H2O => H2CO3),
[3] Considerando-se que o pH médio do nosso sangue deve estar entre 7,35 e 7,45, o pH 2,5 de um refrigerante é extremamente ruim, já que a diferença de seu potencial hidrogeniônico é aproximadamente 100 mil vezes. (de pH 2,5 para 3,5 fator 10, para 4,5 fator 100, para 5,5 fator 1.000, para 6,5 fator 10.000 e para pH 7,5, 100.000)
[4] As soluções tampão têm a função de impedir que haja variações de pH na corrente sanguínea.
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