quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O PAPEL DO ESTADO DIANTE DA CRISE DO DESEMPREGO

Diante dos recentes protestos que vimos ser estabelecidos de forma programada ou não,  por todo o país, quase todos, em defesa dos direitos trabalhistas conquistados após muita luta e mobilização sindical, seria interessante realizarmos uma breve reflexão sobre o papel do Estado na mantença dos empregos e destes direitos.
Ė fato conhecido que, diante das constantes inovações tecnológicas, a mão de obra requisitada pelas indústrias, pela agricultura e até mesmo pelo comércio, principalmente o digital, tem sido sistematicamente substituída e reduzida pelo emprego de sistemas mais eficientes.
Essa busca generalizada por ganhos de produtividade, implementada por todas as organizações, privadas ou públicas, se de um lado provoca a redução da mão de obra, de outro lado torna os produtos e serviços mais baratos e acessíveis a um número maior de pessoas.
Os mais jovens podem não saber, mas houve um tempo em que as famílias sonhavam com a possibilidade de comprar uma geladeira, uma televisão, produtos que eram considerados inacessíveis para a maioria delas.
 Comprar a casa própria era, então, tarefa que demandava algumas gerações.
Carro, era coisa de gente rica, e os relógios passavam de pais para filhos.
Tudo isso mudou e, graças à inovação tecnológica, hoje em dia, quase todos podem ter um telefone celular, comprar um camisa ou conseguir estudar em uma escola pública.
O desafio, então, nestes “tempos modernos”, ė conseguir gerar emprego e renda para uma população mundial que, nos últimos 200 anos, cresceu 700% e que, ainda deverá dobrar nos próximos 100 anos.
A alternativa de promover guerras para reduzir a população jovem, embora não descartada, não é uma solução que poderíamos dizer inteligente, mesmo que alguns idiotas ainda pensem nela como solução.
Resta-nos o setor de serviços.
Mais médicos, mais advogados (nem tantos), mais dentistas, farmacêuticos, cabeleireiros, pizzaiolos, balconistas, intérpretes, corretores de imóveis ou consultores para investimentos nas bolsas de valores, trabalhadores em pet-shops ou mesmo cuidadores, são alternativas para minimizar esse problema, que, de forma privada e quase individual, tem sido adotadas.
No entanto, mesmo elas, não fogem às regras do mercado, onde a redução de custos e os ganhos de produtividade, continuam a pressionar a  atividade laboral.
Ou seja, mostram-se como solução paliativa  e de curto prazo  (uma ou duas gerações no máximo), quando o problema novamente será evidenciado.
A solução, então, precisa ser encontrada em atividades que não sejam reguladas pelo mercado, ou seja, por atividades laborais em que a qualidade dos serviços seja mais significativa que os custos envolvidos nelas e pelas quais a população aceite pagar.
Normalmente, atividades geridas pelo Estado.
Professores trabalhando com menos alunos por sala de aula, e não ao contrário.
Escolas em período integral.
Mais bombeiros e mais policiais.
Mais hospitais públicos e mais agentes de saúde.
Forças armadas melhor aparelhadas e preparadas.
Ou seja, o Estado oferecendo serviços de qualidade e em quantidade suficiente para promover o bem estar de todos.
Não de forma paternalista, clientelista, cartorial, corrupta ou ideológica, mas com planejamento e objetivos claros e transparentes.
Um Estado mínimo para evitar o desperdício de recursos e máximo para assegurar a defesa dos interesses da população e, particularmente das classes menos favorecidas.
Um Estado, como grande empregador e prestador de serviços pelos quais a população aceite pagar sem sentir-se roubada, como infelizmente ocorre hoje em dia.

Professor Orosco


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