segunda-feira, 21 de abril de 2014

O HUMANISMO

            O Humanismo foi uma corrente filosófica que surgiu no século XIV e durou até o século XV, propondo a ideia do “homem como centro do pensamento filosófico”, o antropocentrismo, que se contrapunha ao pensamento teocêntrico medieval, que tinha “Deus no centro do pensamento filosófico”, vigente até então.
            Na visão humanista o homem passa a ser entendido como apenas mais um elemento da natureza, com a qual se relaciona exclusivamente pela necessidade.
            Para os humanistas a espécie humana, junto com os animais e as plantas, fazem parte de um todo.
            E este todo é Deus.

O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água, bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria mais nobre do porque quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso.”
                                                                        Blaise Pascal, Aforismos

            Mais empiristas e menos espiritualistas, os humanistas apresentavam uma preocupação com a ética e afirmavam a dignidade do ser humano, recusando explicações transcendentais e preferindo o racionalismo.
            Esta corrente de pensamento filosófico acabou ganhando importância, força e propagou-se, auxiliada em grande parte pelo antagonismo existente à época entre a realeza e o papado, entre o poder temporal e o poder espiritual, amparada por uma “classe média emergente”, que detinha capital, poder militar e que estava disposta a consolidar sua posição, financiando as artes, a música e a literatura, a propagação do saber,livre do poder da Igreja.
            Como expoentes deste movimento citamos, em ordem cronológica e não em ordem de importância, alguns personagens que contribuíram para marcar este período e esta corrente de pensamento filosófico.
            O primeiro, Dante Alighieri (1265/1321) que afirmava que a única garantia para a paz e para a justiça da cristandade estava no estabelecimento de uma unidade política sob um único dirigente, deparado do poder da Igreja, e dizer, defendendo um movimento laico do Estado.
            O segundo, Guilherme de Ockhan (1285/1349) que sustentava que, como Deus é todo poderoso e porque sua vontade não pode ter limites, tudo no mundo é contingente, tudo poderia ser diferente do que é, se ele quisesse, e que, por isso, a teologia não deveria interferir no estudo das coisas do mundo empírico.
            O terceiro, Francesco Petrarca (1304/1374), tido como o pai do Humanismo, considerado o inventor do Soneto, um tipo de poesia composta de quatorze versos, que defendia a colocação dos seres humanos como principais elementos numa escala de importância.
            Durante suas viagens, colecionou manuscritos latinos e, assim, tornou-se um dos primeiros a redescobrir o conhecimento da Roma Antiga e da Grécia Antiga, fazendo renascer na Europa o desejo por conhecer o pensamento de Sócrates, de Platão e Aristóteles.
            O quarto, Pico Della Mirandola (1463/1494) que sustentava que o fato de o homem ser “inacabado” e, portanto, poder evoluir, lhe conferia uma dignidade especial.
            Ele afirmava que Deus, tendo criado todas as criaturas, foi tomado pelo desejo de gerar outra, um ser consciente, que pudesse apreciar a criação.
            Então, Deus criou o homem.
            O quinto, Marcilio Ficino, considerado o maior representante do Humanismo florentino, montou sob a proteção de Cosmo de Médice (1414/1469), uma academia inspirada na antiga Academia de Platão, que ficou conhecida como neoplatônica florentina.
            Foi Marcilio Ficino que utilizou, pela primeira vez, a expressão “Amor Platônico”, como sinônimo de amor socrático.
            O sexto exemplo destes representantes foi Erasmo de Roterdam (1466/1536) que, como acadêmico tentou libertar os métodos da Escolástica de sua rigidez e do formalismo das tradições medievais, satirizando em seus escritos as tolices clericais e seus abusos, sem, contudo, declarar-se contrário à Igreja ou ao clero.
            Por último, um sétimo representante, Miguel de Montaigne (1533/1592), considerado como aquele que trouxe equilíbrio ao Humanismo, quando o homem já não se exalta, mas, antes, se aceita como realmente é.
            Para Montaigne, como o homem sabe que sua situação é perdível, reconhecendo a finitude da vida, a ideia da morte suscita nele o desejo de viver, mas de viver de uma forma profunda e plena.
            O Humanismo foi precursor e deu origem ao Renascimento.

Professor Orosco
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