sábado, 19 de novembro de 2016

SOBRE A VAQUEJADA E A MORTE DO SERTANEJO


Lendo o artigo de Aldo Rabelo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” neste sábado, 19 de novembro, um dia que deveria ser consagrado à nossa bandeira, sequer mencionada, sinto-me obrigado, por força do hábito, a refutar veementemente seus argumentos, ou melhor, o entendimento que nosso deputado dá à figura do boi e do cavalo, como baluartes da identidade nordestina.
Concordando, em princípio, com a ideia de que estes animais tiveram importante participação no processo de ocupação e desenvolvimento de nosso território, entendo, na contramão daquilo que ele apregoa, que a valorização destes ícones deve ser feita, valorizando-se seu trabalho e não perpetuando sua exploração e martírio, como propõem os defensores da vaquejada.
Seria, como manter em atividade, a título histórico, a prática do açoite aos escravos, dos prisioneiros e dos índios.
Seria, como defendem alguns intelectuais, promover a atividade criminosa do cangaço, da pilheria e do assassinato, ao status de movimento folclórico regional, que precisa ser conservado e não classificado como página hedionda de nossa história.
No meu entender, a morte daquele sertanejo, entendida como a daquele sujeito que era obrigado a uma vida retirante, sem passado e sem futuro, substituída agora pela figura de um agricultor cujos filhos podem estudar, um cidadão que aos poucos aprende a votar e a reclamar seus direitos, é motivo de alegria e não de saudosismo.
Como defensor dos direitos dos animais, entendo que a melhor homenagem que se pode fazer à nossa gente e à sua história, é a promoção destes parceiros, ao status de seres livres e merecedores de nossas desculpas e eterna gratidão.
O Bumba meu Boi, como festa carnavalesca, é exemplo do que digo.
O jegue, um símbolo como o chapéu de couro, da identidade nordestina, companheiro de infindáveis jornadas e ouvidor de um sem fim de lamentos murmurados na solidão da caatinga, que, com anuência da senadora Katia Abreu, já foi reduzido a produto de exportação, utilizado para alimentar chineses que comeram seus próprios rouxinóis, não teve tanta sorte.
Que aos menos as vaquejadas, sendo proibidas, não continuem tão cruéis.

Professor Orosco








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