sábado, 5 de novembro de 2016

COMPREENDENDO E TRATANDO O AUTISMO


Resumo: O presente trabalho destina-se a, além de elucidar uma série de dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista, partindo da análise de sua definição enquanto distúrbio cognitivo, sua etiologia, seu diagnóstico, suas implicações socioeconômicas e comportamentais, chegando aos métodos terapêuticos de apoio atualmente disponíveis; a propor uma abordagem diferenciada para o tratamento desta patologia que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo, ao compreendê-la sob um prisma de um distúrbio eletroquímico, independente de suas implicações anatômicas, que afeta o cérebro humano e, a partir dele, a todo o sistema nervoso, seja ele o central, o periférico ou o autônomo.

Palavras-Chave: Autismo, Síndrome, Cérebro, Neurônios, Sinapses


Abstract: This paper is intended to, and clarify a number of questions about the disorder Autistic Spectrum, based on the analysis of its definition as cognitive impairment, etiology, diagnosis, socioeconomic and behavioral implications, reaching therapeutic methods support currently available; to propose a differentiated approach to the treatment of this disease that affects millions of people around the world, to understand it in a prism of an electrochemical disorder, regardless of their anatomical implications, which affects the human brain and, from it, the the entire nervous system, be it the central, peripheral or autonomic.

Keywords: Autism Syndrome, Brain, Neurons, Synapses


1 – INTRODUÇÃO
           
            O autismo, como é popularmente conhecido um distúrbio comportamental, característico, associado a pessoas com graves dificuldades de socialização, que vivem “isoladas” em um mundo só seu, manifestando “em graus variáveis” um sério comprometimento cognitivo, é uma patologia que atinge, nos dias de hoje, aproximadamente uma a cada mil crianças nascidas no mundo[1]. O autismo apresenta, porém, de forma alarmante e preocupante, uma difusão crescente onde, a exemplo dos Estados Unidos da América, já alcançou proporções de até um para cada duzentos indivíduos nascidos recentemente, sem que se saiba a causa ou motivo determinante para o fato, ao menos até agora, o que o transforma em um desafio ímpar para a neurociência[2].
            Sabe-se que ele aparece nos primeiros anos de vida, normalmente entre etapas sensório motora e pré-operacional, afetando o desenvolvimento normal do cérebro relacionado com as habilidades sociais e de comunicação, podendo manifestar-se em diversos graus de comprometimento. Caracterizado por uma persistente carência de comunicação, de maneira geral, os indivíduos autistas não prestam atenção às pessoas presentes em uma sala e, embora conscientes de sua presença, manifestam menos interesse por elas do que aquele voltado para objetos inertes. Muitas vezes apresentam uma aderência inflexível a rotinas ou rituais, reagindo com intensa ansiedade a mudanças imprevistas no ambiente, demonstrando preferência por atividades cotidianas que sigam uma rotina familiar, aquelas que aumentam a previsibilidade dos acontecimentos. E dizer, estes indivíduos são capazes de manifestarem sentir verdadeiro prazer na repetição de atos simples e de percursos familiares, característica que, em muitos casos, se transformam em obstáculos para seu desenvolvimento e adaptação e, em outros, assumindo uma função calmante, constituem um facilitador importante, pelo que, muitos programas se valem destas rotinas para fins educacionais.
            Em outras palavras, uma pessoa autista apresenta dificuldade para iniciar uma conversa social, preferindo comunicar-se por gestos em vez de palavras; não ajusta a visão para olhar os objetos que as outras pessoas estão olhando, mantendo-se distante, retraída; pode não responder a contato visual; prefere brincadeiras solitárias ou ritualísticas, demonstrando exagerada preocupação com a manutenção das coisas em seus lugares (rotina); apresenta movimentos repetitivos; pode, e normalmente tem, um comportamento agressivo para com outras pessoas ou consigo, etc.
             É consenso entre toda a comunidade científica de que, quanto antes o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado, melhor será a qualidade de vida da pessoa com autismo, já que este tratamento, direcionado para necessidades específicas, pode minimizar a dependência para a pessoa autista, ao longo de sua vida. Neste sentido, utilização de programas com imagens e outros recursos visuais ou de tecnologia assistiva no tratamento poder ajudam a criança a lidar melhor com as situações adversas e a estruturar melhor o seu ambiente.
            No Brasil, a Lei 12.764, promulgada em dezembro de 2012, instituiu a “Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista” garante, entre outras coisas, que a pessoa autista seja reconhecida como pessoa com deficiência, tendo direito a todas as políticas de inclusão. A dificuldade, no entanto, para a correta implementação inclusiva desta lei, está na identificação das necessidades específicas dos autistas que, em muitos casos, necessitando contenção, por exemplo, demandam transporte diferenciado, cuidadores específicos, etc., além de outras, durante seu processo de desenvolvimento.
            O caminho a percorrer ainda é longo, mas estamos avançando, e o objetivo central deste trabalho é o de contribuir para isso.

2 – HISTÓRICO E DIAGNÓSTICO

2.1 – Nomenclatura

            O termo, autista, foi um adjetivo inventado por Eugen Bleuler (1857/1939), um psiquiatra suíço, para descrever o encerramento em si mesmo dos pacientes esquizofrênicos[3]. Posteriormente, Leo Kanner (1894/1981), um psiquiatra austríaco, publicou, em 1943, o primeiro trabalho no qual se delineava a existência do autismo infantil. No mesmo período, Hans Asperger (1906/1980), outro psiquiatra e pesquisador austríaco, identificava uma nova condição neurológica, caracterizada por dificuldades significativas na interação social, de comunicação não verbal e por padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Diferentemente do autismo, por não apresentar, como nele, um retardo mental ou linguístico, embora sejam frequentes os casos em que se observam os indivíduos serem desajeitados e possuidores de uma linguagem atípica (excêntrica), essa condição particular ficou conhecida por “Síndrome[4] de Asperger”[5]. Ainda no século passado, registra-se também, o trabalho de Andreas Rett (1924/1997) um pediatra austríaco que observou uma doença neurológica caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um período de desenvolvimento aparentemente normal. A Síndrome de Rett, como ficou conhecida, é um tipo muito mais grave de doença associada ao autismo, causado por mutações no gene MEP2, no cromossomo X, que provoca desordens de ordem neurológica, acometendo quase que exclusivamente o sexo feminino (os meninos normalmente não resistem e morrem precocemente), que acomete aproximadamente 1 em cada 10 ou 15 mil meninas nascidas vivas. Neste caso típico, a menina se desenvolve de forma aparentemente normal entre o oitavo e décimo oitavo meses de idade, quando, então, seu padrão de desenvolvimento começa a mudar, havendo uma substancial regressão dos ganhos psicomotores. A criança torna-se isolada, deixando de responder e brincar. Seu crescimento craniano, até então normal, passa a se desenvolver de forma mais lenta, evidenciando uma microcefalia adquirida, momento em que ela deixa de manipular objetos e surgem os movimentos estereotipados das mãos (contorções, apertos, bater palmas, levar as mãos à boca, etc.).
            Finalmente, para encerrar esse aspecto nominativo de nosso trabalho, registramos o trabalho de Lorna Wing (1928/2014), uma médica e psiquiatra inglesa, que introduziu a expressão distúrbios ou transtornos do espectro autista (TEA), terminologia que permanece até hoje, como forma de diferenciar as pessoas afetadas pelo autismo de distúrbios semelhantes, a partir de critérios quantitativos e não mais qualitativos, como acontecia até então.
           
2.2 – Diagnóstico

            Não existem atualmente testes padronizados para diagnosticar o autismo como existem para o retardo mental, devendo o diagnóstico ser formulado por um médico especialista, segundo os critérios acordados internacionalmente, estabelecidos pela International Classification of Diseases (Classificação Internacional de Doenças, CID-10), publicada pela Organização Mundial de Saúde, que preveem uma série de sintomas em três áreas do funcionamento mental e do comportamento: social, comunicação e repertório de interesses.
            Atualmente, os principais instrumentos à disposição do médico para o diagnóstico do autismo tem sido o conhecimento destes critérios, sua experiência com crianças que apresentam o desenvolvimento típico e atípico, a observação direta da criança e as informações obtidas junto aos pais ou outras pessoas que cuidam dela.
            Nesta fase de rastreamento, o médico pode contar com o Chat (Check-List for Autism in Toddlers), uma “listagem para verificar a presença do autismo em crianças” de 1 a 3 anos de idade, onde se tenta obter respostas dos pais para perguntas específicas, como por exemplo: A criança se diverte brincando de “esconde-esconde”?; Já viram a criança brincar de “faz de conta”; Ela já usou o dedo indicador para indicar ou pedir qualquer coisa? Neste processo de diagnóstico, somente um terço das crianças com autismo é identificada pelo Chat e, de forma geral, sabe-se, também, que três em cada dez autistas demonstram bons resultados nos testes comumente usados para estimular o quociente de inteligência e que um a cada dez indivíduos autistas apresenta alguma capacidade específica desenvolvida de forma excepcional. No entanto, é falsa a ideia de que as crianças autistas apresentam processos cognitivos intactos, sendo que cerda de 70% delas apresentam, concomitantemente, um retardo mental médio ou grave e todas elas apresentam dificuldades de compreensão.
            O autismo é caracterizado também por uma persistente carência de comunicação, onde aproximadamente 70% dos indivíduos apresenta um retardo no desenvolvimento da linguagem, sendo este detalhe um importante indicador no diagnóstico, principalmente quando a criança não manifesta tentativas de substituir o código linguístico oral por outros sistemas, como o gestual, por exemplo. Esta distinção ganha importância, quando comparamos a dificuldade de comunicação manifesta entre autistas e crianças surdas ou com problemas para falar.
            Segundo a classificação de Jean Piaget (1896/1980), um epistemólogo suíço que elaborou uma teoria do conhecimento com base no estudo da gênese psicológica (teoria dos estágios) na etapa sensório motora, aquela que vai do nascimento até o segundo ano de vida, a criança normal caracteriza-se pela ausência da função semiótica, onde a inteligência trabalha através das percepções (sensório) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo, tendo uma inteligência iminentemente prática, com linguagem indo da ecolalia (repetição de sílabas) à palavras frase (água para dizer que quer beber água). A criança nesta etapa, normalmente apresenta uma conduta de isolamento e indiferença. Já na etapa seguinte, pré-operacional, entre o 2º e 4º ano de vida, surge a função semiótica, que permite o surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização, podendo criar imagens mentais na ausência do objeto ou da ação. É o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. É exatamente nesta etapa, na ausência destas características que se identifica, mais comumente, as manifestações do autismo que, no entanto, ainda podem ocorrer mais tarde, de forma regressiva.
            A dificuldade de imitação na maioria das crianças autistas está bem documentada, assim como a falta dos jogos de fantasia que, a partir do segundo ano de vida são importantes sintomas do autismo. Se uma criança não desenvolveu um jogo de fantasia e outras capacidades características de tipo mais claramente significativo no segundo ano de vida, como o interesse de brincar de casinhas, simular aventuras com seus brinquedos, a probabilidade de que seja autista é muito alta.
            Os maneirismos e movimentos estereotipados se manifestam com maior frequência nos autistas em situações de estresse e dificuldades. Igualmente, na observação dos estímulos sociais, como por exemplo, o semblante, percebe-se que a atenção dos autistas parece ir mais para os detalhes do que a configuração do conjunto.
            É importante, contudo, registrar que a aderência a rotinas e rituais também pode ser observada em outras crianças que apresentam algum distúrbio sensório-motor, como os PC’s, por exemplo, sem que elas, venham a adquirir uma condição patológica autista, tratando-se simplesmente de optarem por sua “zona de conforto”. A diferença, como já observado nos estudos da doutora Wing, está na resistência em abandonar esta zona de conforto, que é muito mais acentuada nos autistas.
            Kanner propõe que nas crianças autistas exista a presença não casual de algumas características ou sintomas, sendo os mais importantes: A “incapacidade de relacionamento social”, presente desde o nascimento; “uma habilidade linguística desenvolvida com retardo e sem funções comunicativas”, evidente em alguns casos de ecolalia ou em situações em que a criança faz uso sistemático da substituição dos pronomes pessoais da primeira e da segunda pessoas do singular (eu e tu), ou ainda do uso do próprio nome em lugar do “eu”; e o “repertório restrito de interesses”, caracterizado por uma excessiva intensidade e apego às rotinas disfuncionais.
            Kanner lista, também, outras características como as “potencialidades cognitivas”, “o terror a alguns ruídos”, “os distúrbios de alimentação e da coordenação motora”.
            Nas crianças autistas encontram-se presentes muitas vezes distúrbios de alimentação tão graves que se tornam necessárias medidas para a administração forçada de alimentos, podendo, nestes casos, algumas vezes, evidenciar-se uma extrema seletividade de alimentos aceitos e os atos de mastigar e deglutir.
            O autismo não é mais frequente numa ou noutra classe social, mas é muito mais frequente em homens do que em mulheres, com uma proporção de cerca de 4:1. Nos pacientes sem retardo mental a proporção masculino-feminina sobre para 5:1 e nas pessoas com a Síndrome de Asperger a proporção masculino-feminina é de até mesmo 9:1, o que nos leva a considerar as diferenças anatômicas de gênero como fatores relevantes para o nosso estudo.


3 – CARACTERÍSTICAS ANÁTOMO-FISIOLÓGICAS E FUNCIONAIS
           
            Como tivemos a oportunidade de registrar anteriormente, não existem exames clínicos ou protocolos específicos para o diagnóstico do autismo, e tampouco foi possível identificar uma ou mais causas predominantemente determinantes para sua incidência. Assim sendo, as linhas de pesquisas possíveis que estão sendo desenvolvidas concomitantemente são muitas e seus resultados são incertos, pelo que a “coleta de dados”, o processo de observação para determinar a incidência e a frequência de determinados fenômenos presentes nos pacientes com Transtornos do Espectro Autista, frente a enorme gama de possibilidades, como em qualquer processo estatístico, acaba tendo uma amplitude tão grande, que muitas vezes torna confusa a tabulação dos dados coletados e o estabelecimento das possíveis correlações entre eles.
            Desta forma, para facilitar a compreensão desta abordagem, vamos dividir nossa apresentação em duas linhas centrais: anátomo-fisiológicas e funcionais, ambas pautadas nas recentes descobertas que a tecnologia existente atualmente já nos permitiu comprovar.
            
3.1 – Relações entre características anátomo-fisiológicas e o autismo

            Como vimos, com base em pesquisas recentes, estabeleceu-se uma associação entre o autismo e algumas anomalias físicas, como, por exemplo, uma leve macrocefalia ou um físico significativamente maior que o das outras crianças da mesma idade. E dizer, existem dados claros que indicam uma associação positiva entre o autismo e a dimensão do cérebro, onde as pessoas com autismo tendem a ter cérebros ligeiramente maiores. Dado que os neurônios se reproduzem somente no período pré-natal, podemos, pois, excluir que as diferenças de dimensão sejam atribuíveis à diferença no número de neurônios, o que implica dizer que a explicação deve, necessariamente, voltar-se para os processos de crescimento, diferenciação morfológica e seleção de neurônios, ou ainda, para as outras células presentes no cérebro, como por exemplo as células gliais.
            Na tentativa de compreender os motivos da maior incidência dos casos de autismo em homens do que em mulheres, chegou-se à conclusão de que, embora as diferenças analisadas entre as estruturas do cérebro humano entre homens e mulheres não seja muito significativa, ambos possuem aproximadamente 1.400 gramas para um indivíduo adulto, não significa que elas não existam. O cérebro masculino tem entre 10 e 20 milhões de neurônios a mais que o feminino, o que não é muito significativo de considerarmos que existem 100 bilhões de neurônios num cérebro humano. No entanto, o cérebro masculino tem aproximadamente 30% a mais de conexões entre neurônios que o cérebro feminino, apenas para exemplificar, o que lhe confere melhor inteligência espacial. De outro lado, as observações mostraram uma menor densidade das conexões sinápticas (melhor qualidade no resultado das conexões) nas amostras de mulheres em relação a dos homens, chegando ao ápice da habilidade verbal, onde são muito superiores aos homens, no meio do ciclo menstrual, quando a produção do estrógeno é maior.
            Estudos de imagem recentes revelaram que as variações anatômicas ocorrem em uma série de regiões do cérebro, onde se constatou, por exemplo, que determinadas partes do córtex frontal são proporcionalmente maiores nas mulheres que nos homens que, por sua vez, tem as partes do córtex parietal, ligado à percepção espacial, maiores do que as mulheres.
            Segundo estudos do Dr. José Salomão Schwartzman, um famoso neuropediatra brasileiro, formado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo e professor titular de pós-graduação em Distúrbio do Desenvolvimento na Faculdade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, com quem tive a oportunidade de estudar, o cérebro do bebê masculino é banhado por uma quantidade maior de testosterona do que o cérebro feminino, provocando uma mudança de comportamento no processo de desenvolvimento entre homens e mulheres, que apresentam um amadurecimento mais rápido que os meninos e são superiores no que se refere à habilidade motora fina. Os meninos apresentam um desenvolvimento superior nas atividades que exigem habilidades motoras mais grosseiras, como jogar bola, por exemplo.
            Em outro estudo, uma equipe de pesquisadores liderados pelo Dr. Elliot Albers, diretor do Centro de Neurociência Comportamental da Universidade Estadual da Geórgia, conforme artigo publicado pela Dra. Maria Cláudia Brito, no dia 31 de Outubro de 2016, na Neuroscience Notícias, versando sobre a influencia da serotonina no comportamento agressivo de homens e mulheres, identificou diferenças no desenvolvimento e evolução clínica de muitas doenças neuropsiquiátricas, onde as mulheres, por exemplo, apresentam taxas mais elevadas de depressão e transtornos de ansiedade, enquanto os homens mais frequentemente sofrem de transtorno do espectro autista e déficit de atenção.


                                    Figura 1                                                           Figura 2
           
Esses estudos nos levam a concluir que existe uma possibilidade real de que no cérebro autista existam mais dendrites e sinapses (figura 2) porque se formam em número maior, assim como uma diferença no que diz respeito à seleção das sinapses e das dendrites, um processo que os ingleses chamam de “pruning” (poda).
            De fato, o desenvolvimento neural não implica somente a formação de novas ligações entre os neurônios, mas também a perda de ligações que resultam inúteis, ou até danosas, para o desenvolvimento de determinadas funções mentais. Assim sendo, o cérebro nas pessoas autistas poderia ter mais dendrites do que o normal não porque se formam em maior número, mas porque se verifica um processo insuficiente de pruning.
            Finalmente, poderia existir uma regulação escassa do processo normal de “morte neural”, isto é, a perda programada de neurônios, devendo a compensação total desses processos, especificar cadeias causais, identificando fatores químicos cruciais.
            As técnicas de neuroimagem e os exames executados com o microscópio levaram à descoberta de uma multiplicidade de anomalias em diversas estruturas neurais além de outras no volume de muitas áreas, na densidade das células cerebrais e em sua organização. Surgiram ainda anomalias no fluxo sanguíneo que irriga algumas áreas corticais, principalmente no lobo temporal medial e no córtex pré-frontal, embora não nas estruturas dorsolaterais. Essa redução no aporte de sangue e, portanto, de oxigênio foi observada, também, durante a ausência de atividades cognitivas particulares.
            Sabemos que o ph do sangue[6] humano normal oscila entre 7,35 e 7,45 e, no caso dos autistas, onde se constatou uma maior incidência de filhos de mães do tipo Rh negativo, também se percebeu uma deficiência em zinco, magnésio, manganês, evidenciando um certo grau de acidose metabólica (em ambientes ácidos a oferta de oxigênio fica reduzida), além da vitamina B12 e ácido fólico, vitais para a desintoxicação e para a ativação dos campos elétricos onde ocorrem as sinapses. O ácido fólico, como já sabemos, desempenha importante fator de prevenção contra a má formação do tubo neural no período intrauterino.
            Outra área do lobo temporal que parece crucial na compreensão do autismo é a circunvolução fusiforme[7], cujo papel na elaboração dos semblantes é conhecido há anos e mais recentemente foram relatados dados que indicam seu envolvimento também na elaboração de inferências dos estados mentais. Existem pelo menos três estudos que mostram um funcionamento anômalo da circunvolução fusiforme caracterizado por uma escassa ativação nas pessoas autistas.
            As anomalias do lobo frontal, que dão lugar aos déficits cognitivos podem estar na origem de muitos dos sintomas autistas, como a resistência a mudanças, a rigidez comportamental e o repertório restrito de atividades, alguns problemas de habilidades sociais e dificuldades de conversação.
            Um estudo recente investigou a organização das células neurais no córtex frontal e temporal de um grupo de pessoas com autismo, organização que tipicamente se dispõe em “colunas” que transportam os sinais dos extratos mais superficiais aos extratos mais profundos e vice-versa. Também do córtex para as estruturas subcorticais. Essas colunas nos autistas resultaram mais sutis, uma característica a que pode corresponder um maior “ruído neural”, isto é, uma interferência indesejada dos sinais neurais nos circuitos limítrofes.
Outra forma de explicar este ruído neural no processo de transporte dos sinais (elétricos) entre os extratos, pode ser feita se, por analogia, os compararmos às correntes harmônicas (correntes parasitárias) presentes nos campos elétricos. Correntes harmônicas surgem nas instalações elétricas devido à presença de cargas não lineares, sendo que cada uma dessas cargas tem suas características específicas, incluindo as correntes harmônicas. É importante notar que cada uma dessas correntes harmônicas possuem módulos e ângulos de fase em cada uma das frequências características, fazendo a soma escalar de diversas correntes harmônicas em uma mesma frequência não representar a corrente harmônica total nessa frequência no circuito alimentador.
Em outras palavras, a circulação de correntes harmônicas nos circuitos e nas fontes (transformadores, geradores, etc.) causa o surgimento das tensões harmônicas proporcionais às próprias correntes harmônicas e às impedâncias desses circuitos e fontes. Uma das formas de reduzir a circulação destas correntes harmônicas é filtrá-las, evitando, assim, que as tensões dos barramentos sejam distorcidas pela alimentação das cargas não lineares, um conceito que pretendemos explorar posteriormente, quando falarmos sobre uma abordagem diferente proposta para o tratamento do autismo.



Figura 3,0

Figura 3,1
Uma carga linear pode ser definida como aquela em que há uma relação linear (equação diferencial linear com fatores constantes) entre corrente e tensão. Em termos mais simples, uma carga linear absorve uma corrente senoidal quando é alimentada por uma tensão senoidal. Essa corrente pode estar defasada por um ângulo ϕ em relação à tensão. Como exemplos, podemos ver a figuras 3.0 para uma carga puramente resistiva e figura 3.1, para uma carga mista (resistiva e indutiva)
Quando a relação entre corrente e tensão num determinado componente não é descrita por uma equação linear, esta carga é denominada não-linear. Ela absorve uma corrente não senoidal e, portanto, correntes harmônicas, mesmo quando é alimentada por uma tensão puramente senoidal, como exemplificado na figura 4 para uma situação de carga puramente resistiva.
Figura 4
E dizer, durante o processo sináptico, essas correntes parasitárias podem provocar uma dificuldade adicional para a transmissão elétrica, obrigando o organismo a trabalhar com cargas maiores do que aquelas que seriam necessárias. Este fator, quando aliado ao distanciamento maior observado entre os neurônios e as dendrites nas pessoas autistas (macrocefalia) pode justificar, ao nosso ver, a menor qualidade do processo neural.
Outra estrutura que merece nossa atenção, a amígdala (figura 1), pouco maior nos homens que nas mulheres[8], é uma pequena estrutura em forma de amêndoa composta de treze núcleos e posicionada sob a seção medial anterior dos lobos temporais, normalmente associada às emoções mais primitivas, como raiva e medo.
Algumas afinidades comportamentais entre pessoas com lesões cerebrais e autistas sugerem que a amígdala seja uma das estruturas mais atingidas no autismo. A hipótese de um mau funcionamento da amígdala recebeu confirmação nas pesquisas conduzidas com ressonância magnética funcional, onde se constatou que a ativação seletiva da amígdala era muito inferior nas pessoas com Síndrome de Asperger ou autismo. Análises posteriores com ressonância magnética ou ao microscópio registraram anomalias estruturais da amígdala que podem ser a base orgânica do déficit de capacidade de reconhecimento emotivo e da compreensão dos estados mentais. Entre essas peculiaridades estavam a redução da dimensão e das dendrites, da densidade e do tamanho dos neurônios.



Figura 5
 Até vinte anos atrás se acreditava que as funções da estrutura do cerebelo (figura 5) fossem substancialmente do tipo motor, ou seja, acreditava-se que ela fosse encarregada somente de controlar os movimentos. Hoje, todavia, sabemos que o cerebelo da pessoa autista tem dimensões de conjunto um pouco maiores, quando comparado com os da população não autista, e que ele desenvolve também um papel importante em alguns processos cognitivos, na regulação da atenção e na capacidade de integração sensorial. Os dados obtidos com a técnica da ressonância magnética identificaram zonas específicas do cerebelo em que os autistas diferem dos demais sujeitos dos grupos de controle. Estudos ao microscópio revelaram um número reduzido de tipos particulares de neurônios.
Existem, ainda, estudos e dados que indicam uma dimensão reduzida no corpo caloso (agenesia[9]) dos autistas e alguns dados obtidos através de observação ao microscópio que sugerem uma densidade celular reduzida e um desenvolvimento dendrítico menor em outros componentes subcorticais, como o septo e o hipocampo.
Outro fator de risco confirmado para o autismo é a ordem de nascimento: vários estudos conferiram que o percentual de crianças autistas é maior entre os primogênitos. Já que a ordem de nascimento é ligada à dificuldade e estresse no momento do parto, temos a indicação de possíveis efeitos de fatores perinatais no autismo. Foi descoberto que algumas características psicológicas do autismo se encontram também, de forma leve, no comportamento e nas funções cognitivas dos pais de crianças com autismo.
O papel dos componentes genéticos na etiopatogênese autista já é certo, e o autismo é considerado um dos distúrbios do desenvolvimento em que esse papel é mais forte, muito embora a modalidade de transmissão genética ainda seja desconhecida, conclui-se que a transmissão poligênica permanece a mais provável, dada a heterogeneidade dos sintomas autistas.
Pesquisas realizadas quando o neurocientista brasileiro Alysson Muotri, pesquisador da Universidade da Califórnia, publicada recentemente na Revista Nature, investigava a Síndrome de Williams[10], mostrou que nos autistas existe não só uma segunda cópia do gene FZD9, associado à baixa sociabilidade dos indivíduos, mas até três cópias. Na Síndrome de Williams, apenas para exemplificar, ao contrário do autismo, faltam a cópia e até mesmo este gene.
Sabe-se, também, que o autismo pode ser provocado pela presença de agentes químicos presentes no ambiente intrauterino, como no caso do mercúrio utilizado na produção de vacinas que eram administradas às mães, ou ao consumo de álcool no período perinatal pelas mulheres, causa confirmada de inúmeros distúrbios neurológicos no feto, inclusive a microcefalia.
Não obstante todos os dados sobre as bases biológicas recolhidos até agora, onde, por exemplo, se verificou que a relação do comprimento entre o dedo indicador e o dedo anular é reduzida pela exposição à testosterona no período pré-natal e que nos autistas ela é significativamente inferior à norma, alguns especialistas, sobretudo na esfera clínica, destacaram que alguns casos de autismo não têm nenhuma base orgânica. No entanto, em todas as pessoas com autismo algumas funções mentais estão gravemente danificadas. Por isso o insucesso em encontrar anomalias neurais depende muitas vezes dos limites das técnicas de investigação disponíveis e dos conhecimentos neurológicos atuais.

3.2 – Relações Funcionais ligadas ao autismo

3.2.1 – Teoria da Mente

            O primeiro a sustentar e colocar por escrito que o órgão da percepção e do pensamento é o cérebro, foi Alcmeão[11], um médico discípulo de Pitágoras que viveu em Crotona há aproximadamente 2.500 anos atrás, o que nos dá uma indicação de há quanto tempo se estudam as funções psíquicas.
Há muitos anos afirmou-se que o autismo, em nível fisiológico, seria devido a uma hiperatividade do sistema dopaminérgico[12] e, em defesa dessa afirmação contribuíram as evidências de que as estruturas cerebrais que resultam envolvidas no autismo, isto é, no surgimento de dificuldades ou peculiaridades cognitivas e comportamentais, são em grande parte dopaminérgicas. Além disso, os medicamentos que agem sobre a dopamina possuem efeitos notáveis sobre a sintomatologia autista.
A ligação entre os sintomas autistas e as estruturas dopaminérgicas é particularmente clara, onde até a atenção aos detalhes, a fixação rígida sobre certos tipos de informação e as dificuldades de compreensão social e psicológica são atribuíveis a uma ativação dopaminérgica excessiva.
A dopamina contribui para o processo utilizado na redução da temperatura corpórea, agindo analogamente, da mesma forma que um dispositivo mecânico de refrigeração que se ativa automaticamente em um computador onde a CPU ficou aquecida (sobrecarregada), um processo que pode ser influenciado por múltiplos fatores, inclusive infecções virais e até mesmo a elevação da temperatura externa. Nos Estados Unidos uma epidemia de rubéola materna foi associada ao aumento da incidência de autismo. A influência de altos níveis de dopamina também é sugerida pela ligação positiva entre a dopamina e a testosterona, o que nos remete novamente aos estudos do Dr. Schwartzman, já relatados, sobre a quantidade deste hormônio nos cérebros masculinos. E dizer, a presença de altas taxas de hormônios andrógenos[13] parece ser um fator de risco para o autismo, onde o denominador comum poderia ser uma alteração na quantidade de dopamina presente em algumas estruturas do cérebro.
            No autismo, por exemplo, foram documentadas anomalias nas funções que dependem também das estruturas cerebrais subcorticais, isto é, das partes do cérebro que na ontogênese amadurecem cedo, antes das estruturas corticais.
            De qualquer forma, desde Alcmeão até Piaget ou Vygotsky (1896-1934) e mais recentemente ainda, a atribuição de estados mentais durante o processo de desenvolvimento humano permite uma compreensão causal sem a qual não seriam possíveis as interações sociais mais comuns. Fala-se de uma teoria da mente porque nos encontramos diante de duas funções que são tipicamente desenvolvidas pelos conhecimentos teóricos: a explicação de uma categoria de fenômenos e a sua antecipação graças ao uso de conceitos abstratos.
A teoria da mente, isto é, dos conhecimentos psicológicos fundamentais que todas as crianças com desenvolvimento típico adquirem nos primeiros anos de vida, não é, porém, um conhecimento consciente.
No processo intelectual, que compõe e que divide para formar juízos[14], por volta dos três anos completos, as crianças com desenvolvimento típico geralmente já demonstram a capacidade de usar o conceito de crença para antecipar e compreender as ações de outras pessoas.
As crianças de até 2 anos de idade geralmente não são bem-sucedidas nas tarefas de falsas crenças, mas em torno da segunda metade do segundo ano de vida, desenvolvem uma predileção por um tipo especial de jogo, o jogo simbólico ou do “faz de conta”.
É o jogo do “faz de conta” que nos sugere que a teoria da mente no desenvolvimento típico já está operante no segundo ano de vida e, sua ausência é um dos sintomas diagnosticáveis do autismo. A maioria das crianças autistas mostra um retardo grave e persistente na aquisição da teoria da mente, um déficit encontrado inclusive em adultos autistas.
Figura 6
              Em outras palavras, podemos dizer que todo o processo de conhecimento se dá de uma forma lógica, mesmo que nem sempre formal, onde somamos características de elementos observados para deduzir outros, como na “notação da linguagem científica baseada em binômios” (figura 6). Nesta analogia, como falamos de impulsos neurais (elétricos), teríamos o “ligado / desligado” o “input / output”, sendo exatamente neste ponto que esta característica marcante do autismo se manifesta.
            Neste processo lógico, não existe espaço para o jogo do “faz de conta”.
Ou uma coisa é, ou não é.
Para o autista, uma vez aprendida, classificada e armazenada na memória, toda informação torna-se permanente (memória de trabalho) e não pode ser modificada, podendo, no máximo, ser combinada, um conceito do qual precisamos nos valer para interagir com eles, durante seu processo de desenvolvimento.
A eficiência de qualquer sistema cognitivo depende sempre da capacidade de encontrar um bom equilíbrio entre automatismo e flexibilidade, um equilíbrio que seja funcional no ambiente em que o sistema deve operar, um critério que a o estudo da semiótica trabalha muito bem, quando separa a semântica do pragmatismo (o que é dito, no contexto em que é dito). O estudo de como essa flexibilidade se realiza no homem levou a investigações sobre as funções executivas.

3.2.2 – Funções Executivas

As funções executivas, ou funções frontais, são os processos de controle e coordenação do funcionamento do sistema cognitivo e abrangem a capacidade de deslocar e manter a atenção em informações pertinentes para completar uma tarefa, fazer planos, inibir as reações impulsivas ativadas por estímulos externos, organizar as ações e monitorar os resultados. Nas funções executivas podem-se identificar três componentes principais: a capacidade de inibição, a memória de trabalho e a habilidade de gerar novas estratégias.
Neuropsicólogos e psicólogos experimentais descobriram que os déficits dessas funções estão associados às lesões dos lobos frontais. Por isso foi proposto desde os anos de 1960 que os lobos frontais desenvolvem um papel crucial na programação e controle das ações e dos processos mentais.
Entre os vários testes para avaliar a estrutura das funções executivas, destaca-se um em que o indivíduo é submetido a situações em que precisa descobrir e agir diante de certos padrões que não são informados previamente, como nos anagramas, por exemplo, um uma sequência numérica qualquer, como 2, 4, 6, 8, 10, 12, ...; depois, também sem prévio aviso, esses padrões são alterados e avalia-se a capacidade do indivíduo em percebê-los, analisa-los e agir diante deles.
As funções executivas têm um papel importante na aquisição e no emprego das habilidades sociais, já que, para compreender os outros, imaginar seus objetivos, perspectivas, emoções e desejos, temos que deslocar a atenção para além dos nossos estados mentais e situações presentes. O desenvolvimento e a conservação das funções executivas promovem o desenvolvimento e contribuem para manter as capacidades sociais manifestadas na vida cotidiana. E dizer, os interesses restritos, os comportamentos repetitivos, a aderência inflexível às rotinas familiares, os rituais e a impulsividade são todos aspectos que sugerem um distúrbio das funções executivas.
A maior parte dos autistas manifesta graves déficits executivos e seus erros por persistência são frequentes. Uma queda seletiva nas funções executivas foi registrada também nos autistas com retardo mental. As pesquisas longitudinais (em que os grupos examinados são seguidos no tempo e periodicamente controlados) mostraram, entretanto, que o déficit executivo é permanente e em alguns sujeitos tende a piorar com a idade.
Uma tarefa adaptada para crianças muito pequenas é a prova de procura de objetos “a - não b” inventada por Jean Piaget. Um objeto interessante é repetidamente escondido sob um pano e pede-se às crianças que o procurem. Depois que a criança procurou e recuperou o objeto por seis vezes consecutivas, o objeto é escondido sob outro pano. A resposta correta, procurar sob o segundo pano, deve, porém, substituir aquela premiada nas seis provas precedentes. A tarefa é adequada para o exame de crianças pequenas e registrou um déficit precoce no desenvolvimento das funções executivas nos autistas.
Existem, porém, dados divergentes sobre a precocidade do déficit executivo, sendo possível que ele seja importante para entender e explicar as dificuldades dos autistas em idade escolar, porém ele não seria um déficit primário. Logo, o déficit executivo no autismo não parece primário e nem ao menos específico, visto que é encontrada em muitos outros distúrbios diferentes do autismo.
A fraca capacidade de mudar critérios parece ser o déficit executivo mais característico do distúrbio autista, o que nos remete ao processo bioquímico das sinapses na solução lógica e racional de problemas, onde a “memória de trabalho” tem papel relevante.
As várias habilidades que compõem as funções executivas – a memória de trabalho, as capacidades de inibição e a habilidade de gerar novas soluções – podem ser danificadas de modo relativamente independente. O dano executivo no autismo e no distúrbio da atenção e de hiperatividade resulta num conjunto mais grave do que nos sujeitos com distúrbio de conduta.
De modo geral, os autistas superam bem as provas iniciais que exigem capacidade de discriminação, mas não aquelas sucessivas em que fazem muitos erros de persistência. Seu déficit parece, pois, dizer respeito principalmente à capacidade de deslocar a atenção para a qualidade do estímulo diversa daquelas a que tinham prestado atenção nas provas iniciais. Isso sugere que, entre os três componentes executivos indicados anteriormente, a mais atingida nos autistas seja a capacidade de gerar novas soluções. A fraca capacidade de mudar critérios parece ser o déficit executivo do distúrbio autista.
A memória de trabalho é fundamental para a ação e o pensamento porque permite manter as informações necessárias ativas para desenvolver um certo raciocínio ou um plano de ação. Todas as ações planejadas, mesmo as mais simples, envolvem a memória de trabalho porque é necessário manter ativos a meta final a ser atingida e os objetivos intermediários úteis para alcançar o objetivo principal.
Segundo Uta Frith, nascida em 1941 na Alemanha, uma das estudiosas mais conhecidas nos processos mentais do autismo, muitos dos sintomas que caracterizam as crianças com distúrbios do espectro autista podem ser entendidos aventando-se a hipótese de que seu sistema cognitivo apresente uma tendência de coerência central fraca. A tendência à “coerência central” é, na definição de Frith, um aspecto que permeia os processos cognitivos mais diversos, do raciocínio à linguagem, das capacidades de ação àquelas de percepção visual e auditiva.
Durante o período em que as pesquisas se desenvolveram, foi descoberto que os autistas tendem a se focalizar mais nas partes dos objetos e nos detalhes, mesmo os muito pequenos e de escasso valor perceptivo, do que nos objetos inteiros. Em resumo, faltaria uma integração das partes, como se prevê num sistema cognitivo dotado de coerência central fraca. Além disso, os autistas podem identificar um objetivo sem levar em conta o contexto em que está inserido.
 Na percepção e produção da linguagem, a coerência central fraca se manifesta de diferentes maneiras. Um sintoma frequente do autismo é a ecolalia que, como já se disse, é a repetição literal daquilo que a criança ouviu.
A tendência de repetir de forma obsessiva certas rotinas disfuncionais, sem experimentar o mínimo incômodo com relação a tais repetições enfadonhas, pode ser explicada referindo-se a uma menor atenção para com os objetivos gerais de certa atividade, uma atenção ao detalhe, que perde de vista o objetivo comumente atribuído a uma atividade particular.
Podem ser atribuídas aos limites da coerência central também as dificuldades na esfera relacional, no desenvolvimento das habilidades sociais já que, segundo Frith, estas habilidades sociais parecem depender muito mais das considerações ligadas ao contexto.
A coerência central fraca pode também se manifestar nos processos de memória. A recordação é influenciada tanto pela presença de informações distintivas quanto por aquelas relacionais. Formar uma imagem de objetos nomeados ou julgar a afabilidade favorece a codificação distintiva das informações. A codificação das informações relacionais, ao contrário, é facilitada quando se pede para pensar na categoria à qual pertence cada objeto nomeado em uma lista prévia. Enfim, essas atividades de codificação têm efeitos diversos em função do material a que são aplicadas.
As noções centrais na teoria da mente nos permitem individualizar as relações causais entre ações, emoções, desejos e crenças. São os conhecimentos causais básicos necessários para compreender as ações e os fenômenos sociais. Os conhecimentos causais permitem uma coerência estável e profunda entre as representações.
  
4 – OS TRATAMENTOS

4.1 – Tratamentos Convencionais
           
            Como dissemos anteriormente, a síndrome não é uma doença, mas sim uma condição médica e, por isso, não se pode dizer que exista uma cura para o autismo, mas pode-se afirmar que existem muitas técnicas e atividades educativas que podem ajudar a criança em seu caminho para um suficiente autocontrole, uma maior independência e, em geral, uma vida melhor.
            Em algumas crianças com autismo os comportamentos autolesivos estão ligados à presença de doenças e complicações médicas, como infecções nas vias urinárias ou nos ouvidos, hérnias, fraturas dos membros, deterioração neural progressiva ou tratamentos farmacológicos errados. Por isso, antes de iniciar qualquer intervenção do tipo psicológico ou psicoeducativo, é preciso certificar-se, através de um exame médico, se não existem na origem dos comportamentos disfuncionais quaisquer dores ou doenças físicas, além de tentar identificar possíveis eventos que provocaram memórias de trabalho. Na opinião de alguns estudiosos, um comportamento autolesivo pode se manifestar, também, como forma de atrair a atenção de um adulto, realizar uma ação desejada ou impedir um evento estressante.
A experimentação de produtos farmacológicos usados comumente com as crianças autistas, no conjunto, é escassa e insuficiente e, em geral, dá-se prioridade aos objetivos que dizem respeito à eliminação de comportamentos que constituam grave perigo para a incolumidade da criança e que lhe limitam drasticamente a autonomia e o acesso a situações de aprendizagem. A intervenção inicial, portanto, poderia não ter o objetivo de reduzir o autismo na criança, mas aumentar de modo geral sua adaptação ou reduzir a dificuldade a ela.
A intervenção de tipo comportamental identifica uma série de objetivos que se pretende atingir para aumentar a independência e a adaptação da pessoa. Os objetivos geralmente dizem respeito à aprendizagem de novas capacidades e eliminação de comportamentos inadequados levando em conta as características de cada paciente para reduzir atividades estereotipadas ou comportamentos autolesivos.
No estado atual dos conhecimentos a terapia do autismo é, em primeiro lugar, habilitadora e educativa, e os medicamentos devem ser usados no âmbito de uma estratégia global quando os métodos educativos se demonstrem ineficazes.
Dentre os fármacos utilizados no apoio de pacientes autistas, existem algumas experiências comprovadas sobre os efeitos da clomipramina, do haloperidol, da risperidona, da naltrexona e da flenfluramina.
A clomipramina é um dos mais antigos antidepressivos conhecidos. Foi desenvolvido nos anos 1960 e está na lista de medicamentos essenciais da organização mundial de saúde. Trata-se de um fármaco que inibe a recaptação de norepinefrina (noradrenalina) e de serotonina pelos neurônios pré-ganglionares. Também tem propriedades inibitórias sobre os receptores adrenérgicos do tipo alfa-1, propriedades anticolinérgicas (antagonista de acetilcolina) e anti-histamínicas.
O haloperidol é um fármaco utilizado pelo corpo de saúde como neuroléptico, pertencente ao grupo das butirofenonas. Pode ser utilizado também para evitar enjoos e vômitos, para o controle de agitação, agressividade, estados maníacos, psicose esteroidea e para tratar a distúrbio de Gilles La Tourette, também conhecida como “Síndrome de la Tourette”, um distúrbio neuropsiquiátrico que se caracteriza por múltiplos tiques, motores ou vocais, que perdura por mais de um ano e normalmente instala-se na infância.
Risperidona é um antipsicótico atípico potente usado mais frequentemente no tratamento de psicoses delirantes, incluindo-se a esquizofrenia. Porém a risperidona, como os demais antipsicóticos atípicos, é também utilizada para tratar algumas formas de transtorno bipolar,  transtorno obsessivo-compulsivo, psicose  depressiva,  e Síndrome de Tourette. Nos Estados Unidos da América ela também foi aprovada para o tratamento sintomático de irritabilidade em crianças e adolescentes autistas.
O haloperidol e risperidona são medicamentos que podem apresentar efeitos colaterais graves, momentâneos ou irreversíveis, como por exemplo os movimentos involuntários da boca e dos lábios. Em especial são potencialmente epileptogênicos e deve-se ter presente tal fato para uma categoria de pacientes que já são predispostos à epilepsia.
A naltrexona é um antagonista opioide puro, utilizado para atenuar ou bloquear os efeitos subjetivos dos opioides administrados intravenosamente, como parte do tratamento do alcoolismo e como antagonista no tratamento da dependência de opioides administrados exogenamente.
A Flenfluramina é uma droga que tem sido utilizado no tratamento da obesidade, que trabalha para aumentar a descarga da serotonina no cérebro e inibir a recaptação. Esta ação é exercida sobre o cérebro ao nível do hipotálamo  e interfere com os mecanismos fisiológicos que regulam o apetite, produzindo uma sensação de saciedade. A Flenfluramina, no caso em que exista uma alteração do sistema de serotonina, e a naltrexona quando o sistema disfuncional estiver em nível de opioides endógenos apresentaram resultados promissores, mas que não se mantiveram nas provas seguintes, conduzidas com métodos de verificação mais rigorosos, nos quais ficou demonstrada nenhuma superioridade estatística significativa do medicamento com relação ao placebo.
Atualmente não existem medicamentos capazes de atingir o núcleo sintomatológico típico do autismo, embora existam alguns que possam mitigar sintomas perturbadores como a agressividade, a agitação e as obsessões.

4.2 – Tratamento Alternativo de Apoio Proposto

            Dando continuidade à linha de pesquisa que adotamos até aqui, onde esperamos haver evidenciado uma preocupação particular com as características elétricas envolvidas no processo neural, entendendo o fenômeno do autismo como um distúrbio eletroquímico, nossa proposta para auxiliar no processo terapêutico desta patologia se dá exatamente nesta linha.
            Ou seja, em linhas gerais, poderíamos dizer que nosso objetivo gira ao redor da proposta de tornar a atividade elétrica no organismo como um todo e, particularmente no “sistema nervoso central”, mais eficiente, de tal sorte que as cargas envolvidas possam ser menores e menos traumáticas. Isto, tanto para o agente emissor quanto para o agente receptor (axonios/dendrites), com a consequente “filtragem” e eliminação das interferências nos respectivos campos elétricos, através da administração controlada de ondas eletromagnéticas distintas, em pontos pré-determinados do corpo, tornando o processo cognitivo menos “doloroso” e melhor adaptado para desenvolver-se de forma autônoma. Ondas eletromagnéticas compreendidas segundo seu espectro da luz fragmentada, conforme seu comprimento e frequência, e dizer, através daquilo que percebemos por cor.
            Como esta forma terapêutica, conhecida por “cromoterapia”, dado o volume de informações e argumentos dos quais se vale para fundamentá-la, não apresenta condições de ser explicitada neste momento, recomendamos uma leitura adicional de outro trabalho nosso, já publicado, diretamente em nosso blog no período de 27 de julho a 22 de agosto de 2014, no endereço “blogdorosco.blogspot.com.br”, para que se possa compreender a terminologia adotada, o processo envolvido e a forma de aplicação, que propomos a seguir.

Obturação :  Azul durante 30 segundos
SNP -             Azul durante 30 segundos
SNC -             Verde Limão durante 30 segundos
                      Azul durante 30 segundos
                      Rosa durante 30 segundos
Ao redor da cabeça -          Azul durante 10 segundos
Chákra Frontal -       Amarelo durante 15 segundos
                              Laranja durante 15 segundos
Chákra Básico -       Vermelho durante 20 segundos
Hipotálamo - Amarelo durante 60 segundos
                    Laranja durante 30 segundos
                    Rosa durante 60 segundos
Têmporas -   Amarelo durante 15 segundos de cada lado
                    Laranja durante 15 segundos de cada lado
Chákra Laríngeo -   Amarelo durante 30 segundos
                             Laranja durante 30 segundos
Chákra Esplênico -  Amarelo durante 30 segundos
                              Laranja durante 30 segundos
Chákra Coronário -  Amarelo durante 30 segundos
           
Realizar esta aplicação três vezes por semana (dia sim, dia não) de forma ininterrupta, sem alterar ou suspender qualquer outro tratamento que já esteja prescrito. Os primeiros resultados (eficácia da proposta) deverão ser possíveis de observação após um ou dois meses.  

Professor Orosco

5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-         Autismo – Luca Surian – Editora Paulinas, 2010
-         Autismo – Ana Maria S. Ros de Mello – CORDE, 2007
-         Atlas de  Anatomia Humana – Frank H. Netter         Editora Artes Médicas – 1995.
-         Fisiognomia e Diagnose Visual – Bartolomeu Alberto Neves Editora Ícone – 1995
-         Cromoterapia – A cura através das Cores – Reuben Amber  Ed Pensamento – 1983
-         Cromoterapia Técnica – Renê Nunes Editora LGE – 1987
-         Dinâmica da Cromoterapia – Renê Nunes    Editora LGE – 1998
-         Conceitos Fundamentais de Cromoterapia – Renê Nunes   Editora LGE – 1995
-         Compendio Científico de Cromoterapia – Renê Nunes Editora LGE – 2001
-         Cromoterapia Aplicada – Renê Nunes  Editora LGE – 2003
-         Cromoterapia – A Cura Através da Cor – Renê Nunes Editora LGE – 2002
-         Mãos de Luz – Barbara Brennan Editora Pensamento – 1987
-         A Cura pelas Mãos – Richard Gordon Editora Pensamento – 1978
-         Chákras– Centros Energ de Transformação – Harish Johari Ed Bertrand Brasil – 1990
-         Milagres da Cura Prânica – Choa Kok Sui Editora Ground – 1998
-         Atlas Universal Enciclopédico de Anatomia Humana – Volume I, II e III  Eduardo Marcelo Souza - Editora Forest Hills  - 1989
-         Anatomia Humana – Prives – Tomos I e II Editora MIR – 1973
-         Medicina Homeopática – Humberto Machado Editora Hemus – 1995
-         Medicina Mitos e Verdades – Carla Leonel   Editora CIP – 1996
-         Manual Merck Sharp & Dohme de Informação Médica. Candeias – Ed Manole - 2002
-         A Trilogia das Cores – Ondina Balzano Guimarães Ed Artes Gráficas Doberman – 1995
-         Dicionário de Física Ilustrado – Horácio Macedo




[1] Estudos evidenciam que o autismo afeta entre 3 e 4 vezes mais meninos que meninas e que é muito mais provável que gêmeos idênticos tenham autismo do que gêmeos fraternos ou irmãos.
[2] Até hoje não se sabe corretamente a ou as causas que provocam a sua manifestação, existindo inúmeras possibilidades sendo pesquisadas, que vão desde características hereditárias, cromossômicas, a possíveis contaminações por mercúrio.

[3] Foi Bleuler que deu o nome de esquizofrenia (schizo,dividida + phrene,mente) à doença anteriormente conhecida por dementia praecox, (demência precoce) ao compreender que ela não era uma demência exclusiva de indivíduos jovens.
[4] A palavra síndrome é derivada do grego (syndromé = reunião, concurso), que na medicina traduz-se por estado mórbido (enfermo, doente, relativo à doença) e se caracteriza por um aglomerado de sintomas e sinais clínicos, podendo resultar de mais de uma causa. Síndrome não é uma doença, mas sim uma condição médica. A palavra doença é oriunda do latim (dolentia = padecimento), que significa que há um distúrbio das funções de um órgão, da psique ou do organismo como um todo que está relacionado a sintomas específicos.
[5] Atualmente o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 2013) descreve casos em que a Síndrome de Asperger é considerada como um Transtorno do Espectro Autista, classificando-a como Autismo Leve (nível 1)

[6] Ph sanguíneo abaixo de 7,0 (ácido) induz o individuo ao coma e, acima de 7,7 (alcalino), pode desencadear crises epiléticas.
[7] Circunvolução fusiforme (superfície ventral do lobo temporal) são as concavidades e saliências que o cérebro possui. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida, o córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal, minimizando a necessidade de aumento de volume.
[8] Submetida a um processo de stress, a amígdala feminina se mostra maior do que a masculina.
[9] A agenesia (ausência ou redução) do corpo caloso não representa um perigo de vida, mas é capaz de causar grandes debilidades ao indivíduo. Normalmente, os primeiros sintomas são caracterizados por convulsões, dificuldades de alimentação e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor
[10] [10] A Síndrome de Williams também conhecida como síndrome Williams-Beuren é uma desordem genética que, talvez, por ser rara, frequentemente não é diagnosticada. Sua transmissão não é genética. Sabe-se que ela acomete ambos os sexos e, na maioria dos casos infantis (primeiro ano de vida), as crianças têm dificuldade de se alimentar, ficam irritadas facilmente e choram muito. A doença é caracterizada por "face de gnomo ou fadinha”, nariz pequeno e empinado, cabelos encaracolados, lábios cheios, dentes pequenos e sorriso frequente. Estas crianças normalmente têm problemas de coordenação e equilíbrio, apresentando um atraso psicomotor. Seu comportamento é sociável e comunicativo e elas utilizem expressões faciais, contatos visuais e gestos em sua comunicação, ou seja, praticamente o oposto do autismo.

[11] Alcmeão, em grego Ἀλκμαίων, foi um médico e filósofo pré-socrático grego, originário de Crotona, uma comuna italiana da região da Calábria, que viveu no século V a.C., considerado como um dos mais importantes discípulos de Pitágoras, interessado especialmente pelos assuntos ligados à psicologia e à cosmologia. Estudioso da imortalidade da alma, é tido como tendo sido o primeiro a defendê-la de uma forma argumentativa. Dedicado à medicina e às investigações das ciências naturais, foi o primeiro a realizar uma dissecação de um cadáver humano, desenvolvendo uma teoria acerca da origem e dos processos fisiológicos das sensações, sugerindo que os sentidos estariam ligados ao cérebro, ao qual também associou as funções psíquicas, inferindo, também, que nele está a sede do pensamento. Chegou a esta conclusão ao descobrir que certas vias sensoriais (ramificações e terminações nervosas) terminavam no encéfalo. Pioneiro da embriologia, pode ter sido ele, também, o primeiro descobridor das trompas de Eustáquio.
[12] A dopamina é um neurotransmissor (substância química que permite e regula a transmissão de impulsos nervosos entre os neurônios) monoaminérgico, da família das catecolaminas, que desempenha uma série de funções, incluindo o prazer, recompensa, movimento, memória e atenção.
[13] Andrógeno é o termo genérico para qualquer composto natural ou sintético, geralmente um hormônio esteroide que estimula ou controla o desenvolvimento e manutenção das características masculinas em vertebrados. Isso inclui a atividade dos órgãos sexuais masculinos acessórios e o desenvolvimento de características sexuais secundárias masculinas. Os andrógenos, que foram descobertos em 1936, também são chamados de hormônios androgênicos ou testóides, de onde deriva o termo testosterona.
[14] Formar juízos significa identificar ou somar predicados ao sujeito. Juízos, que podem ser analíticos (quando o predicado está no próprio sujeito) ou sintéticos (quando o predicado é aderido ao sujeito), que podem ser melhor compreendidos se os estudarmos a partir de Immanuel Kant (1724/1804), considerado o maior filósofo do iluminismo, que operou na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo e a tradição, colocando que “são os dados na experiência que fornecem os primeiros passos para o conhecimento”. Dados que são obtidos através de duas formas puras, a priori (independentes da experiência) e que fazem parte do sujeito, o espaço e o tempo, pelos quais o entendimento recebe os dados da experiência, elabora juízos, conceitos e os classifica segundo doze categorias: As da quantidade, que podem ser universais, particulares ou singulares; as de qualidade, que podem ser afirmativas, negativas ou infinitas; as de relação, que podem ser categóricas, hipotéticas ou disjuntivas; e de modalidade, que podem ser problemáticas, assertóticas (interpretativas) ou apodíticas.
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