quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O ESCOLHIDO


Jovem guerreiro, que se achava bonito, preparado e valente, pretendente natural ao trono, é escolhido por um grupo de velhos, para escoltar um outro jovem, ainda mais moço, até o local de sua coroação, onde seria declarado o lider de uma nação religiosa.
Constrangido pela tarefa, decepcionado pela escolha do outro, acata as ordens e aceita a missão.
Durante a jornada, o guerreiro vê no mais moço, a inocência da idade, os ímpetos da juventude que lhe fazem agir com imprudência, colocando-se em perigo constante e de forma fortuita.
A raiva toma conta dele, que censura estas atitudes, ao mesmo tempo que desperta uma sensação de amizade e proteção.
Durante a jornada, muitos perigos, muitos obstáculos e muitas intervenções para retirar o moço das provas e ameaças contra a sua integridade.
À medida que a jornada transcorre, a amizade entre os dois se fortalece e o sentido da proteção toma, no guerreiro, uma proporção que supera o bom senso e a auto-preservação.
Ele não pensa mais em si, mas apenas na proteção daquele que seria coroado.
Enfrenta todos os obstáculos, é ferido, suporta as dores e, ao final, chega ao local combinado, feliz por seu companheiro ter chegado incólume.
Na preparação para a cerimônia, escolhe sua melhor roupa, limpa sua espada e, colocando-se de joelhos, diante da assembléia, rende homenagem ao amigo.
Neste momento solene, quando o mais moço se prepara para receber a coroa, o lider religioso, pegando-a em suas mãos, dirige-se à dupla e, surpreendentemente, coloca-a sobre a cabeça do mais velho, que estava ajoelhado.
Ele fora o verdadeiro escolhido para governar.
Sempre fora ele.
A jornada a que se submeteu tinha um propósito.
O propósito de que ele aprendesse o valor da renúncia e do amor ao próximo, da dedicação desinteressada e altruísta em favor do amigo, características tidas como fundamentais para quem vai governar o povo.
A escolha foi acertada.
Ele seria um bom Rei.

Professor Orosco.
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