sábado, 31 de outubro de 2015

UM FIO DE ESPERANÇA


Hoje, 31 de Outubro, logo pela manhã, li contente a notícia que meu amigo e sempre governador, Valdemar Lopes Armesto, publicava, orgulhoso ao lado de sua esposa, sobre o plantio de uma muda de oliveira que, segundo ele, em 40 anos poderá exportar seus frutos para o restante do mundo.
À tarde, assistí a um vídeo facebookiano onde o Dr. Renato Meneguelo pedia, de joelhos, a permissão para um bando de burocratas, para poder testar um medicamento que pode ajudar na cura do câncer.
Ao anoitecer, em outro vídeo, assistí emocionado a uma apresentação de um conjunto que cantava à música "I Have a Dream", cuja letra e poesia nos remete a acreditar nos anjos.
Anjos que, como minhas netas, neste 31 de Outubro, entre "doces ou travessuras" me fazem recordar de minha infância e, nela, de minha querida e saudosa avó.
Neste dia ela costumava ficar mais reflexiva e amorosa que o normal.
Seu abraço e sua benção vinham sempre acompanhados de um sorriso especial pois, para ela, esta data marcava o início de um novo ciclo.
Ela perdera seu consorte, meu avô, na véspera e, com sete filhos para criar, sabia que não tinha tempo ou se podia dar ao luxo de parar para lamentar.
Sabia que precisava ir à luta, firme e decidida, rumo a um futuro incerto, senhora de seu destino, não podendo falhar, como não falhou.
Agora, relendo o livro de Vladimir Arseniev, Dersu Uzala, que inspirou o filme de Akira Kurosawa, um clássico de minha juventude e de meu período mais aguerrido de militância política, consigo associar este personagem, que só se preocupava em viver uma boa vida laboral, algo estóico/epicurista, valorizando a amizade e respeitando a natureza em todo o seu esplendor, com todos os que citei até o momento.
Por isso senti-me compelido a escrever, como costumo fazer às noites, na tentativa de buscar recuperar um pouco de minha força vital, da esperança nos homens e na humanidade, crente de que o Grande Arquiteto do Universo, em sua infinita sabedoria, traçou o nosso caminho e que dele não devemos nos afastar.
Crente que, com exemplos como os citados, não estamos sós.

Professor Orosco 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

OUTRA VEZ DIGO QUE “NÃO EXISTEM COINCIDÊNCIAS”




A conclusão à qual se chega lendo James Redfield em suas Profecias Celestinas é a de que, pela sincronicidade dos eventos e dos movimentos, não existem coincidências.
Realmente, a cada novo dia, convenço-me de que existe, de fato, alguma coisa nesse sentido. Nada como destino ou caminho pré-definido, mas como sinais de que as coisas acontecem de forma interligada, conectadas umas às outras, de alguma forma.
Vejam o exemplo:
Ontem à noite, participando de um Café Filosófico, assisti a uma brilhante palestra sobre Emile Durkheim e, chegando em casa, como costumo habitualmente fazer, peguei um livro para ler.
“Casualmente”, após duas ou três páginas lidas, o novo assunto abordado pelo autor era exatamente Emile Durkheim.
Hoje pela manhã, lendo as páginas finais do mesmo livro, fiz algumas anotações sobre Nietzsche, de tal sorte que publiquei em meu blog um novo artigo, intitulado “Do Big Bang ao Big Crunch”.
E vejam só:
Hoje à noite, aceitando um convite para assistir outro seminário, do qual só tive notícia pouco antes do início, vi-me surpreendido ao descobrir que o tema central abordado pela palestrante era exatamente Nietzsche.
Outra coincidência?
Talvez.
De qualquer forma, seguindo as migalhas de pão que me foram colocadas no caminho, achei por bem escrever estas palavras, considerando outros aspectos de Nietzsche que podem complementar o que escrevi pela manhã.
Primeiramente gostaria de salientar que vejo em Nietzsche um gênio; um autor que escreve de forma irônica, quase sempre querendo dizer o contrário do que se lê, via senso comum, nos seus textos.
É por isso que normalmente ele é classificado como um louco, ateu e chauvinista, o que certamente não era.
Nietzsche afirmava que o homem, para poder crescer, precisava buscar “Grande Inimigos”, com os quais poderia travar grandes batalhas.
Para ele, os amigos, via de regra, só nos dizem coisas que podemos ouvir, ainda que vez ou outra sejam contrárias àquilo que desejamos.
Inimigos pequenos nada acrescentam à nossa vida, já que diminuem o valor de nossa vitória.
Os grandes inimigos, por sua vez, nos obrigam a superarmos os nossos limites a cada novo momento, a cada novo argumento.
Por isso, Nietzsche desafiou logo o Cristo, colocando-se como ao anticristo, já que via nele uma proposta muito difícil de ser superada, um ente que era incapaz de ofender-se ou guardar rancor por eventuais ofensas que viesse a praticar. Um “homem” contra o qual o nosso intelecto modal, racional, se mostra insuficiente, obrigando-nos a estudar, e muito, para alcançar um mínimo de sua argumentação.
Nietzsche não luta contra Paulo, o criador do cristianismo, pois o considerava, como um simples mortal, um oponente menor; e dizer, Nietzsche rejeitava o cristianismo como uma criação humana, e não o Cristo propriamente dito.
Entendendo-se, também, assim, a sua afirmação de que “Deus está morto”.
Não Deus como o Ser onisciente e onipresente, mas como um ser caridoso, vendido pelos almanaques a milhares de anos, em nome do qual se cometeram tantas atrocidades.
Esta é a visão que tenho dele.


Professor Orosco

DO BIG BANG AO BIG CRUNCH

Uma vez realizadas todas as combinações possíveis dos elementos do mundo, restará ainda um tempo indefinido pela frente, e então recomeçará o ciclo, e assim indefinidamente. Como em um eterno retorno, tudo o que acontece no mundo se repetirá igualmente inúmeras vezes. Tudo voltará eternamente, e com isso todo o mau, o miserável, o vil. No entanto, o homem pode ir transformando o mundo e a si mesmo mediante uma transmutação de todos os valores, compreendendo que o bem máximo é a própria vida, que culmina na vontade de poder. Como o homem está acima do macaco, deve superar-se, tornar-se um super-homem, alcançando uma nova moral, nem cristã, nem utilitária ou kantiana. Uma moral dos senhores, das individualidades poderosas, de superior vitalidade, de rigor consigo mesma, da exigência e da afirmação dos impulsos vitais. Uma moral que se afasta da moral dos escravos, dos fracos e miseráveis, dos ressentidos que valorizam a compaixão, a humildade e a paciência, que afirma todos os igualitarismos. Uma moral que, afastando-se dos valores cristãos, exalta o valor da guerra, produtora do espírito de sacrifício, da valentia e da generosidade, que faz despontar o cavalheiro, o homem corajoso e pujante, que entende a vida generosamente (Nietzsche - 1844/1900).
Uma vida animal, existencialista e sem propósito, que retira do homem o prazer da amizade, do companheirismo, do amor cúmplice e da renúncia. Uma vida que prega o individualismo que traz junto de si a solidão e o desespero. Uma vida que de tanto precisar justificar-se esquece a própria essência, que é viver. Uma vida que não alcança a serenidade contemplativa, ficando refém das moedas amealhadas, dia a dia, com o único objetivo de rechear o colchão sobre o qual se vai tentar dormir, afastando-se da cama macia proporcionada pela terra fofa onde germina uma grama perfumada. Uma vida que não olha o firmamento e vê nele a esperança além das luzes que cintilam por entre as nuvens, evidenciando uma possibilidade real de novas descobertas que, possivelmente trarão respostas a muitas de nossas dúvidas. Uma vida que de tanto racional, interrompe o movimento e para o coração, fonte das emoções. Uma vida que se apega tanto à vida que a sufoca e não lhe dá sentido.
Triste sina a dos homens que, a partir do Século XX seguiram por este caminho, loucos que seguiram um louco, sem compreendê-lo,  valendo-se de um tecnicismo que só provocou uma guerra diária e ininterrupta, que ceifou milhões e milhões de possibilidades viventes, por ideologia ou por cobiça, pouco acrescentando aos sobreviventes que veem-se perdidos numa multidão sem face ou rumo.
Por sorte, uma sentença que não é necessariamente autoaplicável, restando a alguns poucos tolos a irreverência de poder sonhar, de assegurar a si mesmos a ataraxia dos estoicos e dos epicuristas que “não estão nem aí para as coisas do mundo”, deixando-se levar pelas ondas do mar, curvando-se à vida como a flor de cede à brisa do vento.
No fundo, uma questão de escolha.
Nietzsche ou ....

Professor Orosco











sexta-feira, 2 de outubro de 2015

PRELÚDIO DE UMA REVOLTA POPULAR


No ocaso do século XVIII, uma população do além mar, revoltada com os privilégios de uma casta dominante, interessada tão somente na manutenção de suas mordomias, pegou em armas e derrubou o Antigo Regime.
Às custas de milhares de cabeças cortadas, eles declararam ao mundo que o povo, e somente ele, detém o verdadeiro poder soberano.
Na época,  o limite da tolerância foi  ultrapassado quando sugeriu-se ao povo, ao invés de pão, comer brioches.
Algo parecido com aquilo que vemos ser noticiado e denunciado por aqui quase que dioturnamente sobre os atos do Congresso Nacional e do Palácio da Alvorada.
Atos que, nem mesmo o Palácio da Justiça, que teima em permanecer cega, escapa ao demonstrar e defender a opulência de uma corte que se mostra alheia às favelas que proliferam ao seu redor.
O descaso de todos os palacianos, encastelados em seu mundo particular, na praça dos Três Poderes, alegoricamente nos remetendo à época dos "três Estados",  é de tal sorte, que nem se apercebem que a população sofrida já mostra sinais de um questionamento do sistema, perguntando-se qual o melhor caminho para ver-se realmente representada.
O descaso é tal que não se apercebem que, como no século XVIII, a fome, a falta de saúde, a educação medíocre e o desemprego, são fatores que, alimentados pela carestia, podem ser, como foi no passado, a centelha revolucionária que inflamará, à custa de muito sangue, a fogueira da transformação social.
O descaso é tal que não se apercebem que, como outrora, nem mesmo o escudo religioso levantado em defesa de suas gordas cabeças conseguirá evitar que elas sejam cortadas.
Não se apercebem que, como no século XVIII, não será necessária a figura de um líder carismático para iniciar a revolução, que pode começar como um simples movimento sequencial às invasões de supermercados ou de arrastões nas praias repletas de jovens e pequenos burgueses, propagando-se como um rastilho de pólvora que incendiará campos e cidades, do Oiapoque ao Chuí.  
Não percebem, finalmente, como diria George Santayana, "que aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo" e que o prelúdio da revolta popular já bate à sua porta.

Professor Orosco.

sábado, 12 de setembro de 2015

O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO SEGUNDO PIAGET

           
            Jean William Fritz Piaget (1896/1980) foi um epistemólogo suíço, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX.
          Defendeu uma abordagem interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento com base no estudo da gênese psicológica do pensamento humano
         A epistemologia (epistemo=conhecimento e logia=estudo), é, então, o ramo da filosofia que se interessa pelo conhecimento, preocupada nem tanto com o que sabemos como com a refutação da afirmação de que nada sabemos em absoluto.
            Na educação, Piaget utiliza sua “teoria dos estágios” para contrapor o ensino tradicional, autoritário, herdado do século XIX.
            Piaget dizia que a maneira como uma criança de cinco anos de idade entende o mundo é qualitativamente diferente da maneira como uma de doze anos entende o mundo, que por sua vez é diferente da maneira como um adulto entende o mundo.
            A partir da trilogia: O nascimento da inteligência na criança; A construção do real na criança; A formação do símbolo na criança, ele relata seus estudos sobre o desenvolvimento cognitivo para demonstrar que "a capacidade cognitiva humana nasce e se desenvolve, não vem pronta".
            Dessa forma, Piaget afirma que o conhecimento tem origem na interação "sujeito-objeto".
             Sua ideia de capacidade cognitiva, então, propõe que o conhecimento não nasce no sujeito, nem no objeto, mas origina-se da interação "sujeito-objeto".
            As teorias de Jean Piaget tentam nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos.
            Daí o nome dado a sua ciência de Epistemologia Genética, que é entendida como o estudo dos mecanismos do aumento dos conhecimentos. 
           Convém esclarecer que as teorias de Piaget têm comprovação em bases científicas, ou seja, ele não somente descreveu o processo de desenvolvimento da inteligência, mas experimentalmente, comprovou suas teses. 
         A inteligência para Piaget é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas.
            Esta adaptação refere-se ao mundo exterior, como toda adaptação biológica.
            Desta forma, os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam.
            O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada, buscando um aperfeiçoamento de potencialidades, que evolui "desde o nível mais primitivo da existência, caracterizado por trocas bioquímicas até o nível das trocas simbólicas”.
            Para Piaget o comportamento dos seres vivos não é inato, nem resultado de condicionamentos.
            Para ele o comportamento é construído através da interação entre o meio e o indivíduo.
            Esta teoria epistemológica é caracterizada como interacionista.
     A inteligência do indivíduo, como adaptação a situações novas, portanto, está relacionada com a complexidade desta interação do indivíduo com o meio.       Em outras palavras, quanto mais complexa for esta interação, mais “inteligente” será o indivíduo.
            As teorias piagetianas abrem campo de estudo não somente para a psicologia do desenvolvimento, mas também para a sociologia e para a antropologia, além de permitir que os pedagogos tracem uma metodologia baseada em suas descobertas.

  “Não existe estrutura sem gênese, nem gênese sem estrutura”
   Jean Piaget

            Ou seja, a estrutura de maturação do indivíduo sofre um processo genético e a gênese depende de uma estrutura de maturação.
            Sua teoria nos mostra que o indivíduo só recebe um determinado conhecimento se estiver preparado para recebê-lo, se puder agir sobre o objeto de conhecimento para inseri-lo num sistema de relações.
            Não existe, portanto, um novo conhecimento, sem que o organismo tenha já um conhecimento anterior, para poder assimilá-lo e transformá-lo.
            O que implica, por sua vez, em dois polos da atividade inteligente: assimilação e acomodação, que contém ainda a equilibração e a adaptação.
            É assimilação na medida em que incorpora a seus quadros todo o dado da experiência ou estruturação por incorporação da realidade exterior a formas devidas à atividade do sujeito.
            É acomodação na medida em que a estrutura se modifica em função do meio, de suas variações.
            A adaptação intelectual constitui-se então em um "equilíbrio progressivo entre um mecanismo assimilador e uma acomodação complementar, uma adaptação”.
            Piaget situa o problema epistemológico do conhecimento, ao nível de uma interação entre o sujeito e o objeto.
  E "essa dialética resolve todos os conflitos nascidos das teorias, associacionistas, empiristas, genéticas sem estrutura, estruturalistas sem gênese, etc., e permite seguir fases sucessivas da construção progressiva do conhecimento".
             Piaget diz que a embriologia humana evolui também após o nascimento, criando estruturas cada vez mais complexas, onde o desenvolvimento do indivíduo inicia-se no período intrauterino e vai até aos 15 ou 16 anos.
            A construção da inteligência dá-se, portanto, em etapas sucessivas, de forma escalar, com complexidades crescentes, encadeadas umas às outras, o que Piaget chamou de “construtivismo sequencial”.
            Para distinguir os períodos em que se dá este desenvolvimento motor, verbal e mental, Piaget identificou cinco etapas diferentes:

a)    A etapa sensório–motora, até o 2º ano de vida;
            É caracterizada pela ausência da função semiótica, onde a inteligência trabalha através das percepções (sensório) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo.
            É uma inteligência iminentemente prática, motora, ligada ao movimento.
            Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações.
            Sua conduta social, neste período, é de isolamento e indiferença.
            Neste estágio, as ações da criança manifestam-se pelo reflexo, pelos mecanismos hereditários, pelos instintos e pelas primeiras emoções.
            Segundo alguns estudiosos posteriores a Piaget, Tran-Thong (1981) este estágio sensório motor pode ainda ser subdividido em seis sub estágios:
            O primeiro, que dura até o primeiro mês de vida, caracterizado pelos exercícios reflexos, como a sucção, por exemplo.
            O segundo, que dura do primeiro ao quarto mês de vida, caracterizado pela aquisição dos primeiros hábitos, pelo início dos condicionamentos estáveis, que correspondem ao repetir de “tipos de resposta” sensório motora e pela exploração visual do ambiente.
            O terceiro, que dura do quarto ao oitavo mês de vida, caracterizado pela aquisição da coordenação da visão e pela breve busca de objetos desaparecidos.
            O quarto, que dura dos nove aos doze meses de idade, onde a criança dá início à busca prolongada do objeto desaparecido, verificando-se neste sub estádio a passagem da identificação à permanência do objeto.
            O quinto, que dura dos doze aos dezoito meses de idade, onde a criança inicia uma ação para buscar os objetos desaparecidos, como o abrir de uma caixa de fósforos, por exemplo.
            Segundo Piaget, a criança neste sub estádio já consolida a permanência do objeto, ainda que separado do espaço que ocupa.
            E finalmente, o sexto sub estádio, que dura entre os dezoito e os vinte e quatro meses de vida, onde começa o processo de interiorização de esquemas e soluções de alguns problemas por dedução, como a ação de alcançar um objeto valendo-se de uma vara para isto, por exemplo.
            Neste momento se dá, não só a permanência do objeto como também as noções que permitem organizar, pela criança, o conhecimento da realidade.
            Surge, ainda que de forma incipiente, a capacidade de memorizar e antecipar acontecimentos e a predição de efeitos a partir de causas.

b)    A etapa pré-operacional – entre o 2º e o 4º ano de vida;
            É neste período que surge a função semiótica que permite o surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização, etc., podendo criar imagens mentais na ausência do objeto ou da ação.
            É o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico.
            Com a capacidade de formar imagens mentais pode transformar o objeto numa satisfação de seu prazer (uma caixa de fósforos em um carrinho, por exemplo).
            É também o período em que o indivíduo “dá alma” (animismo) aos objetos ("o carro do papai foi “dormir” na garagem").
            A linguagem está ao nível do monólogo coletivo, ou seja, todos falam ao mesmo tempo sem que respondam as argumentações dos outros.
            Duas crianças “conversando” dizem frases que não têm relação com a frase que o outro está dizendo.
            Sua socialização é vivida de forma isolada, mas dentro do coletivo.
            Não há liderança e os pares são constantemente trocados. 
            Existem outras características do pensamento simbólico que não estão sendo mencionadas aqui, como, por exemplo, o nominalismo (dar nomes às coisas das quais não sabe o nome ainda), superdeterminação (“teimosia”), egocentrismo (tudo é “meu”), etc.
            Note-se que para poder passar de um estágio ao outro, o indivíduo precisa conseguir formar novas estruturas cognitivas, que antes não possuía, compreendo-se, para isto, a existência de três características distintas dos estágios:
            1 – Uma ordem de sucessão constante
            2 – Idades médias variáveis
            3 – Um processo de integração, onde ao conjunto de habilidades de um estágio se adicionam “Reações Particulares”, não em substituição, mas em adição, que o capacitam a passar para o estágio seguinte.
            Por exemplo: A capacidade de reflexão que surge com o desenvolvimento da linguagem, que não existia no estágio sensório-motor.
            Note-se que, com o advento da linguagem, identifica-se, também, o surgimento do pensamento, da socialização, da concatenação de ideias, que eu, particularmente chamo de “o nascimento da alma”.
  
c)    A etapa intuitiva – entre o 4º e o 7º ano de vida;
            Neste período já existe um desejo de explicação dos fenômenos.
            É a “idade dos porquês”, pois o indivíduo pergunta o tempo todo.
            Distingue a fantasia do real, podendo dramatizar a fantasia sem que acredite nela.
            Seu pensamento continua centrado no seu próprio ponto de vista.
            Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem, no entanto, incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no conjunto de flores, por exemplo).       
         Quanto à linguagem não mantém uma conversação longa, mas, já é capaz de adaptar sua resposta às palavras do companheiro. 
            Alguns estudiosos de Piaget preferem considerar as etapas pré-operacional e intuitiva como única, chamada apenas de pré-operacional, mas eu, particularmente, prefiro adotar esta separação entre pré-operacional e intuitiva.
           
d)    A etapa operacional concreto – entre 7º e o 11º ano de vida.
            É o período em que o indivíduo percebe e classifica as coisas, período em que consolida as conservações de número, substância, volume e peso, sendo capaz de ordenar elementos por seu tamanho (grandeza), incluindo conjuntos, organizando então o mundo de forma lógica ou operatória.
            Sua organização social é a de bando, podendo participar de grupos maiores, chefiando e admitindo a chefia.
            É o período em que surge o sentimento de justiça.
            Já podem compreender regras, sendo fiéis a ela, e estabelecer compromissos.
            A conversação torna-se possível (já é uma linguagem socializada), sem que, no entanto, possam discutir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma conclusão comum.

e)     Etapa Operacional Formal - dos 11 anos em diante. 
            É o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático.
            É quando o indivíduo está apto para calcular uma probabilidade, libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o futuro, quando consegue formular teorias.
            É, finalmente, a “abertura para todos os possíveis”.
            A partir desta estrutura de pensamento é possível à dialética, que permite que a linguagem se dê ao nível de discussão para se chegar a uma conclusão.
            Neste estádio já é possível generalizar operações de classificação ou relações de ordem, verificando-se a capacidade de combinar hipóteses e de utilizar novas operações.
            Sua organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade.
            A importância de se definir os períodos de desenvolvimento da inteligência reside no fato de que, em cada um, o indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência, de compreensão e interpretação da realidade.
       Piaget nos mostra, assim, que cada fase de desenvolvimento apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições.                               
    O conhecimento destas possibilidades faz com que se possam oferecer estímulos adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo. 
       Piaget também considera que, de forma análoga ao desenvolvimento do conhecimento físico, existe o desenvolvimento do conhecimento moral, que evolui da anomia para a heteronomia e a autonomia, compreendendo-se a anomia como o período basicamente instintivo, das ações por impulso; a heteronomia pelo período em que se desenvolve a capacidade de receber ordens, de adequar-se e de cumprir ordens, aceitando a interferência de uma moral externa, alheia, como comando, chegando, finalmente, à autonomia, representada pela capacidade de ação após a assimilação e compreensão dos fenômenos.
            Na primeira etapa, da anomia, as crianças de até cinco ou seis anos de idade não seguem regras coletivas, interessando-se, por exemplo, por bolas de gude, mais para satisfazerem seus interesses motores ou fantasias do que para participarem de uma atividade coletiva.
            Na segunda etapa, da heteronomia, até aproximadamente os nove anos de idade, surge, na criança, o interesse por participar de atividades coletivas e regradas, onde, num primeiro momento ela tenta modificar as regras e num segundo momento ela as aceita, ainda que com ressalvas.
            Na terceira etapa, da autonomia, em uma fase adulta, oposta à heteronomia, o respeito às regras é compreendido como um acordo mútuo entre sujeitos.

Professor Orosco


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

SOBRE O GÊNESIS


Lendo a obra de Julían Marías sobre a História da Filosofia e detendo-me em estudar os grandes temas da Escolástica, particularmente sobre os “universais”, pude compreender as palavras do Papa Francisco quando este afirmou que não existem incompatibilidades substanciais entre as teorias da evolução e da criação.
Segundo Marías, o mundo antigo termina, se podemos assim considerar, com a morte de Santo Agostinho, no ano 430, iniciando-se então a Idade Média que vai durar até o século XV, cujo limite é dado com frequência pelo ano de 1453, data em que o Império Bizantino cai em poder dos turcos.
Neste período, mais especificamente a partir do século XI, aparecem, como consequência do renascimento carolíngio (renascimento da literatura e das artes que teria ocorrido principalmente no reinado de Carlos Magno), as escolas e, nelas, um certo saber cultivado que virá a se chamar Escolástica, onde os textos lidos e comentados (leciones) são geralmente os da própria Escritura ou as obras dos Padres da Igreja.
Durante este período, os três grandes problemas sobre os quais a filosofia da Idade Média se deparou foram o da criação, o dos universais e o da razão, onde:
Na criação, o cristão partindo de uma posição distinta da grega, entendia o mundo como “ex nihilo nihil fit” (do nada nada se faz), deduzindo que “do nada nada pode ser feito sem a intervenção de Deus” e onde, segundo São Tomás de Aquino, a criação podia ser demonstrada, embora não a sua temporalidade, sendo conhecida tão somente pela revelação.
Os universais, que deveriam ser compreendidos como os gêneros e as espécies (como conceitos com que pensamos os objetos) que se opõem aos indivíduos (os objetos que se apresentam aos nossos sentidos).
E a razão, para falar com propriedade, que a verdade está no intelecto, que compõe e que divide, não nos sentidos e tampouco no intelecto que conhece a essência, uma relação de conformidade da inteligência à coisa.
Assim sendo, se interpretarmos corretamente a alegoria bíblica sobre a criação do homem, podemos perceber que ela é coerente e se mostra verdadeira.
Vejamos:
No Gênesis pode-se ler:
1.26 – E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem; conforme a nossa semelhança, e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
2.7 – E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
Desta forma, o homem criado por Deus, refere-se primeiramente ao “universal” e não ao indivíduo particular, e dizer: o homem citado pelas Escrituras refere-se não a um único personagem, mas à essência do homem, seu universal; a essência que o difere de todos os outros animais; àquilo que é constitutivo de cada indivíduo e que independe de sua forma.
Pelo mesmo princípio alegórico, foi chamado Adão, que em hebraico significa “terra vermelha” porque, ainda que surgisse sob a forma de uma simples bactéria, brotou do solo e evoluiu, multiplicando-se e metamorfoseando-se por milhares ou milhões de anos e gerações, até alcançar a forma humana como a conhecemos hoje, em nada conflitando com a teoria evolucionista que afirma que o homem descende de um tipo de macaco antropomorfo, o que seria, simplesmente, nesta ótica, uma mera etapa do processo da criação.
Assim sendo, os universais, considerados formalmente enquanto tais, como produtos da mente; não existindo aí sem mais nem menos, mas sendo algo que a mente faz, com fundamento “in re”, na realidade e tendo uma existência, não como coisa separada, mas como um momento das coisas, podemos concluir que as teorias da evolução e da criação não são coisas antagônicas, mas, como disse o Papa, duas faces de uma mesma moeda.

Professor Orosco.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O FUTEBOL E A CARESTIA


Lendo o livro de Antonio Suárez Abreu, sobre a Arte de Argumentar, detive-me no exemplo de Neném Prancha, um técnico carioca de futebol de várzea, que argumentava, para convencer seus jovens jogadores de que a bola deveria ser jogada, primeiramente em jogo rasteiro (domínio de bola e de campo) antes dos efeitos inúteis de tentar levantá-la por levantá-la, valendo-se do raciocínio de que a bola era feita de couro. Couro que era retirado da vaca. Uma vaca que gostava de grama, pelo que a bola deveria ser jogada junto à grama.
Cheguei à conclusão de que esta sabedoria popular bem que poderia ser utilizada pelo governo, particularmente pelo pessoal da área econômica, que precisa aprender que é inútil tentar cobrar mais impostos daqueles que, desempregados já não podem comprar o pão que necessitam para viver.

Professor Orosco

sábado, 29 de agosto de 2015

A ESSÊNCIA DA ALMA HUMANA


A essência da alma humana é ser livre como as águas de um rio que corre continuamente para o mar.
A vida em sociedade, que lhe impõe regras de conduta e restringe sua liberdade através de leis, transforma sua alma em um lago represado.
Sufocando sua essência, tornando-o um ser infeliz, transforma-o em um ser que durante toda a sua existência  se preocupa; em um ser  que procura descobrir quem é e o que é.
Pior ainda, convence-o do contrário, dizendo-lhe que é feliz porque livremente escolhe cumprir a lei, negando-lhe a verdade de que só o faz por medo de uma morte violenta; pelo medo de uma guerra de todos contra todos.

Professor Orosco.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A DEFICIÊNCIA E OS DIREITOS HUMANOS

O DESAFIO NA IMPLEMENTAÇÃO DAS POLÍTICAS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA: A Transversalidade como a Radicalidade dos Direitos Humanos

Nos últimos anos uma nova expressão tem tido cada vez mais presença no cenário das políticas públicas brasileiras, com implicações para a forma de organizar a ação governamental: a Transversalidade.
A procedência do termo transversalidade é conferida aos estudos sobre educação e abordagem interdisciplinar dos diversos fenômenos, em contraposição a uma visão fragmentada da realidade, pressupondo uma atuação interdepartamental e criação de fóruns horizontais de diálogo e tomada de decisão, em que conhecimentos, recursos e técnicas acumuladas em cada espaço institucional possam atuar em sinergia.
A origem da transversalidade, como instrumento de implementação de políticas publicas, tem sido atribuída à discussão de gênero, tendo se constituído na Suécia na década de 1990, onde se definia que a perspectiva de gênero deveria ser uma corrente a perpassar e impregnar as demais políticas e ações a fim de garantir efetivamente a igualdade entre homens e mulheres.
Na gestão de políticas públicas, esses elementos somam-se à emergência de novos temas na agenda governamental, reforçando a necessidade de aprimorar as políticas de forma a incorporar temáticas específicas, em alinhamentos com suas diversas estruturas setoriais.
Nesses casos, é exigido que os órgãos governamentais considerem as múltiplas facetas da realidade, possibilitando o atendimento a requisitos diversos ou a consideração particular de fatores de vulnerabilidade de diferentes grupos sociais.
É o caso da perspectiva ambiental ou das demandas por igualdade de oportunidade de grupos historicamente em situação de desigualdade, como mulheres, negros, pessoas com deficiência ou idosos.
No contexto das pessoas com deficiência, é fácil verificar que a invisibilidade, discriminação e negação de direitos no Brasil são fenômenos identificados em diversas circunstâncias da vida em sociedade, verificados, por exemplo, no mercado de trabalho, no acesso ao sistema educacional, no acesso aos serviços de saúde, entre outros.
Ao pensar a não equiparação de oportunidades pelas pessoas com deficiência como um problema multidimensional que possui seus traços em diversas áreas de políticas públicas, surge o questionamento sobre onde e como deve ser tratado tal tema na estrutura da gestão governamental.
Por exemplo, a inclusão de uma pessoa com deficiência no mercado de trabalho depende dos acessos e apoios encontrados desde a infância no ambiente educacional, retaguardas sociais, atenção à saúde adequada, bem como acesso ao ensino técnico e superior, acessibilidade no trajeto casa-trabalho e no próprio ambiente em que exerce as funções.
O problema que se apresenta, e que por isso se transformou no tema Central da IV Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, é o de que, embora seja crescente a referência à transversalidade na literatura sobre políticas públicas, é limitado o número de estudos que avançam para além do diagnóstico de sua necessidade ou que aprofundem conceitualmente o que seria esta transversalidade.
Os aspectos elencados por diversas definições, embora contidos no que se considera como uma abordagem transversal, não a distingue de outras ações de desenho organizacional, como é o caso da estrutura matricial, das redes interorganizacionais, coordenação horizontal, por exemplo.
A proposta que se coloca, então, é a de que, ao abordar a perspectiva de gênero, por exemplo, se elabore uma matriz que permita orientar uma nova visão de competências envolvendo a responsabilização dos agentes públicos, em processo que favoreça a integração e o aumento da eficácia das políticas, incluindo a resignificação das atribuições de órgãos setoriais.
Isto diferenciaria a gestão transversal de outras ferramentas organizacionais que buscam a sinergia e a articulação interdepartamental ou interorganizacional.
Transversalidade, então, pressupõe, por conseguinte, resignificar a estratégia setorial, desde a formulação até a implementação, compreendida como instrumento gerencial que visa dotar as organizações de capacidades para fazer frente a uma realidade complexa e com a qual os instrumentos clássicos não têm conseguido dialogar a contento.
A partir dessas referências, compreende-se, então, a transversalidade como um instrumento de intervenção social que visa incorporar à gestão aspectos selecionados da realidade que são determinantes para o atendimento a um problema ou situação específica e que necessitam de abordagem multidimensional e integrada para um enfrentamento eficaz.
Tomando-se como lócus de aplicação da transversalidade uma organização ou um conjunto de organizações, como é a estrutura governamental, a gestão da transversalidade pode ser delegada a uma instância que tenha a função de coordenar esses processos entre órgãos setoriais, exercendo a função de staff, por meio de assessoramento para as unidades de linha.
O perigo desta proposta é que isto implicaria, por exemplo, no risco de liberar o órgão vertical da responsabilidade de incorporar o tema, o que, em última instância, se transformaria no fracasso de transversalidade.
A emergência de novos temas à agenda governamental enquadra-se, assim, como um dos antecedentes das demandas por transversalidade, onde as questões estruturantes como as desigualdades de gênero, raça ou deficiência, na sociedade brasileira, embora discutidas há muito pelos movimentos sociais, só recentemente foram incorporadas na agenda dos governos, onde, tomando-se por exemplo a promoção da equidade para as pessoas com deficiência, percebe-se que apenas uma pequena parcela dos municípios constituiu Conselhos Municipais ou Secretarias Específicas para tratar do assunto.
Ou seja, se nem a estrutura vertical foi compreendida como uma necessidade, a concepção transversal para oferecer soluções às demandas sociais ainda está muito distante do desejável.
Na implementação do enfoque da transversalidade como conceito organizacional no campo das políticas públicas, acresce-se ainda o desafio de lidar com estruturas setoriais complexas, que, encerram debates em torno de política, coalizões, limites legais, marcos regulatórios, participações sociais, sobretudo permeadas por desenhos altamente departamentalizados.
Constitui assim desafio para a gestão transversal integrar e, paralelamente, fortalecer e qualificar as competências das estruturas básicas setoriais, onde a eventual criação de estrutura vertical para lidar com o tema tem que se prestar, primordialmente, a promover coordenação e consultoria especializadas às estruturas setoriais existentes.
Contudo, cabe salientar que, embora a gestão transversal deva estabelecer para si limites em relação às atividades finalísticas, ela precisa conhecer profundamente seu desenvolvimento e mecanismos de gestão, estando em permanente contato com seus executores.
Algo como os antigos departamentos de Organização e Métodos das organizações privadas primavam por realizar, compreendendo-se que uma das principais dificuldades é a resistência de gestores e de planejadores públicos em compreender a relevância dos temas, em sentido amplo e em suas atividades específicas, bem como converter os conceitos teóricos em sua prática cotidiana.
Essa avaliação reforça a necessidade radical da incorporação da perspectiva da transversalidade na agenda do topo da administração da política pública, compromissada e mantida pela alta administração.
Como a adoção da perspectiva transversal incorre na ampliação de custos de diferentes naturezas, requer estratégia de coordenação, com transparência, pactuação e articulação que envolve tempo, novos recursos e competências e que acarreta também nova configuração nas estruturas de poder.
Nesse sentido, é essencial que os gestores da transversalidade antevejam possíveis obstáculos e procurem minimizar ou facilitar esforços setoriais, a fim de promover ainda maior comprometimento com o projeto.
Como considerações finais, colocamos que a necessidade de atuar de forma transversal tem se tornado “lugar comum” especialmente no debate sobre políticas públicas e atenção a minorias e públicos vulneráveis, onde os gestores precisam reconhecer os limites e especificidades dessa forma de gestão, as diferentes etapas do ciclo da política pública para perseguir não apenas a adesão setorial, mas a efetividade em sua aplicação.
A questão da deficiência deve perpassar, impregnar e atravessar as demais políticas e ações a fim de garantir igualdade de oportunidade, equidade de condições, e inclusão verdadeira em todos os campos da vida, entendendo-se a pessoa com deficiência como “sujeito de direitos e deveres” e não como objeto de atuação de cada uma das políticas.
Esse é o desafio amplo que a IV Conferencia Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência se propõe a debater.

Professor Orosco

Extraído das seguintes referências bibliográficas:

Diretrizes do CONADE para a IV Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
SILVA, Tatiana. Gestão da Transversalidade em Políticas Públicas. Rio de Janeiro: XXXV Encontro da ANPAD, set. 2011

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

REFLEXO DE UM OLHAR


Poder olhar para além do que os olhos veem, é o mistério que permite e que transforma os homens em algo maior que a maioria dos animais.
Na Metafísica, que nasceu com Parmenides, a tentativa de compreender o ser, o que é e o que não é, o olhar humano ganha aspectos reflexivos que colocam o mundo como coisa vivida e como coisa participada.
Como Platão, coisa idealizada e como Kant, um noumeno que se esconde atras do fenômeno refletido no imaginário de Lacan.
Um reflexo que alcança a beleza do existir, a beleza mais profunda de nossa alma, cuja extensão nos permite vislumbrar a imanência de Deus.

Professor Orosco 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

7 DE SETEMBRO

Passadas poucas horas da última manifestação popular que pedia o impeachment da presidente, alguns grupos já se apressaram em marcar outra, desta feita para o sete de setembro.
Planejam realizar novo protesto em um momento especial da nação, onde se comemora o dia da pátria, de tal sorte que poderemos ter, casuisticamente, um desfile cívico do povo sem políticos ou dos políticos sem o povo.
De qualquer forma, um momento típico, de um povo acéfalo e preguiçoso que alega haver eleito políticos de pouca honra, corruptos por natureza, e que agora querem destituir.
Acéfalo porque não pensou para votar, preguiçoso porque não quis saber em quem estava votando.
Analfabetos, mesmo os funcionais que, entre goles de cachaça, cerveja ou whisky, e note-se que não discriminei nenhuma classe social, pouco se preocuparam com o coletivo, contentando-se em expressar, nas urnas, apenas seus desejos e interesses pessoais.
Filhos de uma democracia doentia, que nada tem de politéia grega, exortada por todos aqueles que se dispuseram a estudá-la.
Filhos de uma pátria que jamais leram Viriato Correia, em seu Cazuza, o original, e que pouco sabem sobre ela.
Sobre uma pátria que não é só chão, que não é sequer nação.
Que é mais que território, que é também gente.
Gente que foi, que é e que será,
Mais que um povo, uma emoção,
Uma paixão, um time do coração,
Mais que religião, pura adoração.
Que é gente de peito estufado a bradar um grito de esperança.
Que é orgulho de caboclo que vislumbra a mata, 
Que sente o cheiro do ar e que bebe a água do rio.
Uma pátria sofrida que ostentando seu lábaro estrelado, clama pelo socorro dos seus filhos que, empunhando a clava forte da justiça, dizem não fugir à luta.
Filhos de uma pátria chamada Brasil.

Professor Orosco