sexta-feira, 26 de julho de 2013

ENXERGANDO A LÓGICA DA LINGUAGEM ARISTOTÉLICA ATRAVÉS DOS OLHOS DE PORFÍRIO


O presente trabalho pretende fazer uma reflexão sobre a obra de Porfírio ao analisar as “Categorias de Aristóteles”, que serviram de base para o desenvolvimento de uma lógica da linguagem, que persiste até nossos dias.

            Porfírio (234/305) foi um filósofo neoplatônico, um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados de seu mestre na obra “As Enéadas”, composta por seis livros.
            Seu livro “Introductio in Praedicamenta”, traduzido para o latim por Boécio (475/523) transformou-se em um texto padrão nas escolas medievais.
            Nesta obra, também conhecida por “Isagoge”, Porfírio faz um comentário e uma análise da obra “Categorias” de Aristóteles (384/322 a.C.), descrevendo como as qualidades atribuídas às coisas podem ser classificadas, quebrando o conceito filosófico da substância como gênero/espécie do relacionamento.
            Para compreender melhor o seu trabalho, principalmente para o campo da lógica e da linguagem, vamos iniciar o presente artigo fazendo uma pequena retrospectiva, partindo dos conceitos primários da linguagem e dos pressupostos aristotélicos.
            A primeira função da linguagem seja ela realizada da forma que for, por meio da fala, da escrita ou da transmissão de imagens, é transmitir a informação e, para isso no exercício da linguagem, principalmente na sua forma escrita, nós podemos combinar ou não, entre si, aquilo que chamamos palavras, expressões ou frases, sempre que desejamos manifestar uma ideia.
            Ao fazê-lo nos valemos de um vocabulário do campo semântico da lógica, qual seja, termos, proposições, etc.
            O termo é uma unidade de representação do conceito; é a encarnação dos conceitos e das ideias em palavras.
            Pode ser constituído por uma única palavra ou por um grupo de palavras que denota o conceito.
            Na lógica, é um nome associado a um objeto do universo do discurso.
            O termo pode ser unívoco, quando se aplica a uma ideia, ou seja, quando o nome da coisa significa o mesmo em cada caso e tem a mesma definição.
            Exemplo: Um homem e um boi recebem o nome de “animal”.
            Este nome é o mesmo em ambos os casos, mantendo a definição essencial, já que toda vez que falamos de animal estaremos dando a mesma definição.
            O termo pode ser equívoco, quando designa várias ideias, ou seja, quando a definição de sua essência é distinta.
            Exemplo: A palavra manga pode significar uma fruta ou uma parte da roupa (parte da camisa, parte do casaco, etc.).
            O termo pode ser análogo, quando associa palavras por comparação, ou seja, a uma ideia comum.
            Exemplo: O termo saudável pode ser associado à comida, a um remédio, a um exercício, sempre se conotando a ideia comum de coisas que se relacionam com a saúde.
            O termo pode ser derivado, quando os objetos tem seu nome derivado de outro, por meio de uma nova forma verbal.
            Exemplo: de heroísmo deriva-se herói.
            O termo pode indicar uma localização, como por exemplo, anterior, que só pode ser usado quando a ordem de existência entre duas coisas for fixa, não podendo ser reversível.
            Exemplo: entre os números reais, o número um é sempre anterior ao número dois.
            Em uma oração existem dois termos essenciais: o sujeito e o predicado.
            O sujeito é aquele sobre o qual se diz alguma coisa e o predicado é aquilo que se declara do sujeito.
            Existem três tipos de predicados: o nominal, o verbal e o verbo-nominal.
            Predicado nominal é aquele cujo núcleo significativo é formado por um nome, que pode ser um substantivo, um adjetivo ou um pronome.
            Exemplo: Gustavo é um estudante.
            Predicado verbal é aquele cujo núcleo significativo é formado por um verbo, seguido ou não de termos acessórios.
            Exemplo: A caneta caiu.
            Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos significativos: um verbo e um nome.
            Exemplo: Eu acho minha caneta feia.
            Preposição é uma palavra invariável que liga dois elementos da oração, subordinando o segundo ao primeiro (substantivo a substantivo; verbo a substantivo; adjetivo a substantivo, etc.).
            As preposições podem ser essenciais: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás...
            Também podem ser acidentais: afora, menos, salvo, conforme, exceto, como, que, segundo, mediante...
            Proposições (do latim propositione) referem-se ao ato de propor, referem-se a uma proposta ou sugestão.
            Na gramática, significa uma oração ou sentença.
            A proposição é um “julgamento” que associa ou dissocia sujeitos e predicados, podendo ser verdadeira ou falsa.
            Costuma-se usar a palavra proposição para designar o significado de uma sentença ou oração declarativa.
            Argumento é qualquer grupo de proposições, de tal forma que se afirme ser uma delas derivada das outras, as quais são consideradas provas evidentes da verdade da primeira.
            Um argumento envolve sempre, pelo menos, duas preposições: uma conclusão e pelo menos uma premissa.
            A conclusão de um argumento é aquela proposição que se afirma com base nas outras proposições desse mesmo argumento e, por sua vez, essas outras proposições que são enunciadas como provas ou razões para aceitar a conclusão são as premissas desse argumento.
            Nenhuma proposição, tomada em si mesma, isoladamente, é uma premissa ou uma conclusão.
            No universo da linguagem, existem coisas das quais, quando nos referimos a elas por palavras sem combinar, podemos predicar algo de um sujeito, ainda que não se achem presentes a nenhum sujeito.
            Exemplo: um elemento gramatical está na mente ou na inteligência como em um sujeito, mas não pode predicar-se de qualquer sujeito conhecido.
            Por outro lado, existem algumas coisas que não só se afirma ou se predicam de um sujeito, senão que se acham, ademais, no sujeito.
            Exemplo: a ciência ou o conhecimento está presente nesta ou naquela inteligência, como no sujeito.
            Existe, ainda, uma classe de coisas que não pode achar-se em um sujeito e nem podem ser afirmadas de nenhum sujeito.
            Exemplo: este ou aquele homem; este ou aquele cavalo.
            Ou seja, de forma geral, nunca se pode afirmar de um sujeito aquilo que em sua natureza é individual ou numericamente um.
            Ainda sobre os predicados, podemos dizer que quando predicamos uma coisa de outra coisa, como de um sujeito, os predicados do predicado se estendem ao sujeito.
            Predicamos o termo homem, de um homem; igualmente predicamos o termo homem do animal; logo, como consequencia, podemos predicar o termo animal, deste ou daquele homem.
            Isto porque um homem é ambas as coisas, homem e animal.
            Dos predicáveis, alguns são ditos de acordo com um somente, como os indivíduos, como por exemplo, Sócrates, este e aquele; e alguns de acordo com muitos, como os gêneros, as espécies, as diferenças, os próprios e os acidentes, que são em comum, mas não propriamente em algo; o gênero é, por exemplo, o animal; a espécie, por exemplo, o homem; a diferença, por exemplo, o racional; o próprio, por exemplo, a capacidade de rir e o acidente, por exemplo, o branco, o preto, o sentar-se.
            Assim, o gênero é uma característica arbitrária dos sistemas linguísticos naturais; um sistema de classificação nominal que possuem algumas linguagens em que os elementos nominais são classificados dentro de um número finito de classes, para os quais, geralmente há regras de concordância.
            De fato, diz-se que gênero é a reunião daqueles que possuem, de alguma maneira, algo relativo a um e um relativo uns aos outros.
            É o princípio de geração de cada um.
            Quando os gêneros não estão subordinados uns aos outros e são distintos, suas diferenças serão distintas especificamente.
            Quando estão subordinados, uns aos outros, nada impede que eles tenham as mesmas diferenças.
            Desta forma, predicamos uma magnitude maior de outra menor, ou seja, compreendemos que as diferenças do predicado afetam e pertencem ao sujeito.
            Sendo o homem espécie, predica-se de Sócrates e Platão, os quais não diferem um do outro em espécie, mas em número; e sendo o animal gênero, predica-se de homem, de boi e de cavalo, os quais diferem um do outro em espécie e não somente em número.
            O gênero difere-se também do próprio, pois o próprio predica-se de acordo com uma espécie somente, da qual ele é próprio.
            Assim, o gênero distancia-se dos que são predicáveis de acordo com somente um dos indivíduos; distanciam-se dos predicáveis como espécies ou como próprios e, ao predicar-se no que é, distancia-se das diferenças e dos acidentes comuns.
            A espécie é dita sobre a forma de cada um, e também do que é sob o dado gênero, definindo-se como o que se põe sob o gênero e sendo aquilo de que o gênero se predica no que é.
            A substância, o princípio do ser, aquilo que é permanente, a natureza de uma coisa, a essência é, ela própria, um gênero; sob ela está o corpo; sob o corpo está o corpo animado, sob o qual está o animal; sob o animal está o animal racional, sob o qual está o homem; sob o homem estão Sócrates, Platão e outros particulares.
            Desta forma, o relativo aos anteriores a si, de acordo com o qual se diz que são espécies deles e o relativo aos posteriores a si, de acordo com o qual se diz que são gêneros deles.
            Em outras palavras, os que estão no meio serão espécie dos anteriores a si e gêneros dos posteriores a si.
            Os iguais devem predicar-se dos iguais ou os maiores dos menores, como o relinchar do cavalo ou como o animal do homem, mas não os menores dos maiores, pois não se pode dizer que o animal é um homem, assim como se diz que o homem é um animal.
            A diferença se diz comumente, propriamente e mais propriamente.
            Comumente quando difere do outro por qualquer tipo de alteridade, relativamente a si ou relativamente a outro.
            Exemplo: Sócrates difere de Platão por alteridade e ele difere de si mesmo, sendo criança e havendo se tornado adulto.
            Difere propriamente do outro sempre que ocorrer um acidente inseparável, como por exemplo, a cor dos olhos, uma cicatriz na face, etc.
            Difere mais propriamente do outro sempre que se separar por uma diferença específica, como por exemplo, o homem difere do cavalo pela diferença específica de ser racional.
            Ou seja, a diferença é aquilo que é naturalmente apto a separar os que estão sob o mesmo gênero.
            O próprio, por sua vez, divide-se em quatro possibilidades:
            O que é acidente em somente uma espécie, posto que não em toda, como no homem este ser médico ou geômetra.
            O que é acidente em toda a espécie, como no caso do homem que é bípede.
            O que é em um somente, em todo e em um período, como todo o homem ficar grisalho na velhice.
            E aquele no qual concorre o ser em uma espécie somente, em toda ela e sempre, como o homem ser capaz de rir.
            O acidente, por sua vez, é o que aparece e desaparece sem a corrupção do sujeito, podendo ser separável, como dormir; e inseparável, como ser preto no corvo ou no etíope.
            O acidente é o que se admite pertencer ou não pertencer ao mesmo, ou o que não é nem gênero nem diferença, nem espécie, nem próprio, mas sempre subsistente no sujeito.
            Assim sendo, pelo que observamos até aqui, podemos dizer que:
            É comum do gênero e da diferença o conterem as espécies.
            De fato, a diferença contém espécies, mesmo que não todas que o gênero contém.
            É comum também, o fato de removidos o gênero ou a diferença, removerem-se também os que estão sob eles.
            No entanto, é próprio do gênero o ser predicado de muitos, isto é, da diferença, da espécie, do próprio e do acidente.
            O gênero contém a diferença em potencia, sendo anterior a ela.
            Por sua vez, tomam-se por diferenças aquelas pelas quais o gênero é cindido.
            O gênero e a espécie possuem em comum serem predicados, e diferem-se pelo gênero conter as espécies e estas estarem apenas contidas nos gêneros.
            É comum ao gênero e ao próprio o seguirem-se às espécies, o gênero predicar-se das espécies e o próprio dos indivíduos que dele participam.
            O gênero é anterior e o próprio é posterior.
            O gênero predica-se de acordo com muitas espécies, mas o próprio o faz de uma espécie, do qual ele é próprio.
            Os próprios removidos não removem os gêneros, mas os gêneros removidos removem as espécies dos quais são próprios.
            É comum ao gênero e ao acidente o predicarem-se, como se disse, de acordo com muitos, seja dos separáveis, seja dos inseparáveis.
            O gênero diferencia-se do acidente, sendo este anterior às espécies e o outro posterior a elas.
            Os gêneros predicam-se dos que estão sob ele no que é, mas os acidentes o fazem no como é ou no como cada um se porta.
            É comum da diferença e da espécie o serem igualmente participadas e o estarem sempre juntas aos que delas participam.
            Por sua vez, é próprio da diferença o predicar-se no como é enquanto a espécie o predicar-se no que é.
            A diferença e o próprio têm em comum o serem participados igualmente pelos que deles participam, estando sempre juntos a tudo.
            É próprio da diferença que ela, por vezes, seja dita em muitas espécies, como o racional tanto no deus, quanto no homem; mas, o próprio o é em uma espécie, da qual ele é próprio.
            É comum à diferença e ao acidente o serem ditos de muitos e é comum, com relação aos acidentes inseparáveis, o sempre estarem juntos a tudo.
            Diferem no fato da diferença conter e não ser contida.
            A diferença não é mais ou menos intensa, mas os acidentes aceitam o mais e o menos.
            É comum à espécie e ao próprio o se antipredicarem um ao outro, ao mesmo tempo em que a espécie difere do próprio, por ser gênero de outros, enquanto o próprio não pode ser próprio de outros.
            É comum da espécie e do acidente o predicarem-se em muitos, enquanto é próprio da espécie o predicar-se no que é dos que é espécie e, do acidente, o fazê-lo no como se porta.
            É comum ao próprio e ao acidente inseparável que eles não subsistam àqueles que são contemplados sobre eles dois, e diferenciar-se pelo próprio estar junto a uma espécie e o acidente inseparável não estar junto a uma espécie.
            Para Aristóteles, cada uma das palavras ou expressões independentes, aquelas que não se combinam com as outras, significam, possuem, de suas, uma das seguintes características:
            O que é, ou a substância, essência;
            A sua magnitude, ou a sua quantidade;
            Que classe de coisa é, ou a sua qualidade;
            Com o que se relaciona, ou a sua relação;
            Onde está, ou o seu lugar;
            Quando está, ou em que tempo;
            Em que atitude está, ou sua posição, seu estado;
            Quais as suas circunstâncias, seu hábito, condição;
            Qual a sua atividade, a ação;
            Qual a sua passividade, a paixão.
            Nenhum destes termos, em si mesmo, conota uma afirmação positiva ou negativa, o que só ocorre quando vários termos se combinam entre si.
            O sentido primeiro, mais verdadeiro do termo substância, é o de que é aquilo que nunca se predica de outra coisa e nem pode achar-se no sujeito.
            No entanto, podemos falar de substâncias secundárias, entre as quais, se são especiais, ficam incluídas às substâncias primárias, nas quais, se são gêneros, ficam contidas às mesmas espécies.
            Exemplo: incluímos um homem particular na espécie chamada homem e, à sua vez, incluímos esta espécie no gênero animal.
            Assim colocado, das substâncias primárias, somente a espécie e o gênero, entre todas as coisas, podem ser chamados substâncias secundárias, isto porque, dentre todos os predicados possíveis, somente eles definem a substância primária.
            É comum à substância não estar presente no sujeito, porque o que chamamos substância primeira não pode estar presente no sujeito nem predicar-se de nenhum sujeito.
            Predicamos a espécie homem e, sem exagero, homem não se acha no sujeito, já que a humanidade não está no homem.
            A diferença e a substância tem em comum a característica de quando as predicamos, as predicamos univocamente.
            Toda substância se nos apresenta como um indivíduo, o que nos indica que é um, indivisível, não tendo graus ou admitindo ser mais ou menos, muito embora, mesmo permanecendo uma e a mesma, ela pode receber em si mesma, qualidades contrárias, por meio de uma transformação realizada em si mesma.
            A quantidade é discreta ou contínua.
            Podemos entender por discreta, o número ou a locução, e por quantidades contínuas, a linha, a superfície, o sólido, ou às que se podem associar tempo e lugar.
            Os números (reais) são grandezas absolutas, nem mais nem menos, pelo que representam quantidades discretas, grandezas exatas, não contínuas.
            A linha, por sua vez, é contínua.
            Nela descobrimos um ponto, que separa o antes e o depois, mas como o tempo, são infinitos para antes ou para depois do ponto.
            Também o espaço está nessa classe da quantidade.
            Assim, pode-se deduzir que as quantidades se compõem de partes; e essas partes, segundo vimos, tem posições relativas entre si ou carecem de tais posições.
            No caso do tempo, seria melhor poder dizer que suas partes tem uma ordem relativa, isto porque uma é anterior à outra.
            Uma qualidade, por sua vez, sempre é expressa em relação a outra, mais ou menos, mais ou menos branca; mais ou menos doce; mais ou menos bonito, etc.
            Por qualidade entende-se aquilo cuja virtude os homens são chamados tais e quais.
            As qualidades que chamamos passivas não são, em verdade, designadas com este nome por significar que as coisas que as possuem estão afetadas de alguma forma, ou que experimentam uma mudança em si mesmas, mas sim, que podem provocar uma sensação.
            Todas as cores, por exemplo, o branco e o negro, são qualidades passivas, e lhes damos estes nomes pelo fato de que nos provocam, nos despertam, estados afetivos ou passionais.
            As qualidades também podem indicar as formas e as figuras das coisas (plano, reto, cilíndrico, etc.) e as coisas que derivam seus nomes delas, ou dependem delas de qualquer outra forma, são coisas qualificadas de uma ou outra maneira.
            As qualidades admitem a contrariedade, sem bem que não em todos os casos, admitindo sempre os graus, mais ou menos, maior ou menor, etc.
            Por sua vez, os sujeitos de qualidades contrárias precisam pertencer à mesma espécie ou gênero.
            Dizemos que uma coisa é relativa quando ela existe do modo que existe; porque existe em dependência de outra coisa; porque sua existência está relacionada com algo de alguma forma.
            Por exemplo, dizemos que é o “dobro” por ser duas vezes algo.
            Existem, por sua vez, outras formas de relação, como hábito, disposição, percepção, posição ou atitude, conhecimento.
            Todos explicáveis por meio de uma referencia a algo que eles possuem.
            Assim, um hábito é um hábito a algo; um conhecimento é conhecimento de algo; uma posição é posição de algo, etc.
            Dizemos que uma colina é grande, em relação a outra, da mesma forma que dizemos que algo é semelhante ou igual, se for semelhante ou igual a algo.
            Os relativos, às vezes, permitem contrários.
            A virtude é contrario ao vicio, sendo cada um dos termos, em si mesmo, um relativo.
            Os relativos, em alguns casos, admitem graus, um mais ou um menos, um igual ou um desigual.
            Todos os relativos têm seus correlativos, e dizer, para existir o “escravo” é necessário existir o “senhor”; para existir o dobro, é necessário existir a metade, etc.
            Assim, para que se possa perceber um objeto, este precisa existir antes da percepção, pois o ato da percepção implica primeiro na existência de um objeto, de um corpo que possa ser percebido, começando a percepção a existir junto com o sujeito que percebe.
            Dito isto, fica evidente que se um relativo é conhecido de uma maneira definida, aquilo ao que faz referencia será, também, algo conhecido de uma maneira definida.
            A ação e a paixão, por sua vez, admitem contrários e graus, e dizer, aquecer é o contrário de esfriar, podendo ser aquecido mais ou menos.
            Finalizando, para Porfírio, os conceitos se subordinam, partindo dos mais gerais até chegar aos menos extensos.
            Em sua obra, construiu uma árvore, “a árvore de Porfírio”, que tenta representar estes critérios de subordinação.
            Para ele, a substância pode ser material (a coisa) ou imaterial (o espírito), ou seja, ela pode ser corporal ou incorporal.
            A coisa pode ser animada, como os viventes, ou inanimada, como os minerais.
            Os viventes podem ser sensíveis, como os animais ou insensíveis, como as plantas.
            Os animais podem ser racionais, como o homem, ou irracionais, como as bestas.
            E o homem, pode ser dividido segundo o número de sujeitos que compõem a espécie.

Professor Orosco

  
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COPI, Irving.M. Introdução à Lógica.Tradução de Álvaro Cabral. 2 ed. São Paulo:  Mestre Jou, 1978.
OROSCO, José Carlos. Euskadi. São Paulo: Java, 2013.
SARANYANA, Joseph-Ignasi. A Filosofia Medieval.Das Origens Patrísticas à  Escolástica Barroca.Tradução de Fernando Salles. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lulio, 2006.



            
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