quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PENSANDO NO CAVALO DE TROIA




            No processo de desenvolvimento da humanidade, desde muito cedo, os homens aprenderam ou foram obrigados a desenvolver conceitos abstratos para tentar explicar o mundo em que viviam.
            Valeram-se de mitos e crenças num primeiro momento.
            Posteriormente desenvolveram o conceito de espaço, que é inexistente, uma vez que só conseguimos medir coisas no espaço, e não o próprio espaço.
            Desenvolveram o conceito de tempo, uma criação humana, que nos permite sequenciar eventos.
            Do tempo natural (dia e noite); do tempo social (hora de plantar e hora de colher, hora de festejar); do tempo matemático (Galileu) que permitiu definir a velocidade (V=E/t); do tempo tecnológico, chegando ao tempo relativo (Einstein) que corre de forma diferente, segundo a velocidade e a posição do observador.
            Desenvolveram o conceito de substância (Aristóteles) e das categorias (qualidade, quantidade, relação, posição, efeito, etc.).
            Desenvolveram o conceito de Deus, criador do universo e das coisas que ele contém.
            Ordenador do Caos, da expansão e da retração, do Big Bang ou do Big Crunch.
            Desenvolveram o conceito de bom e de mau; do belo e do feio; da verdade e da falsidade; da virtude e do vício, do certo e do errado, além de outros, todos destinados a nos auxiliar na compreensão deste mundo em que vivemos.
            Desenvolveram o conceito do próprio conceito, da razão absoluta (Hegel), da lógica que não tem consciência de si, só em si, que através e pela história adquire a consciência de si, transformando-se em para si, que se traduz no conceito e no fim da história.
            Desenvolveram tantos conceitos, tantas abstrações que, como na Internet, onde ficam conectados a milhares de amigos nas redes virtuais, abstratas, se veem perdidos neste emaranhado de coisas, quase todas sem sentido real.
            Coisas estas que se nos apresentam como aquele presente, o Cavalo de Troia, que traz no seu interior um exército de frustrações, de decepções, de angústias, impossibilitando-nos de olhar o nascer do Sol, de sentir, por sentir, a brisa suave e úmida do amanhecer, de ouvir o melodioso canto de um pássaro ao longe.
            É para pensar...


Professor Orosco 
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