segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

PAÍS RICO OU PAÍS POBRE ?


Realizando uma espécie de fichamento da obra Riqueza e a Pobreza das Nações, de David S. Landes, alerto que, ao contrário do que possa parecer, ele não realiza um estudo profundamente econômico, pelo menos no que tange às regras gerais e formulas de um economês popular, mas sim, promove uma descrição histórica do desenvolvimento de várias nações, evidenciando seu sucesso e o ocaso de seu progresso,
Acompanhando o raciocínio do autor, que visitou a Inglaterra e a descreveu desde o período anterior à Revolução Industrial; que acompanhou o sucesso ibérico do século XVI, da Índia, da Holanda, da França, da Rússia, da Alemanha, do Japão, da China e dos Estados Unidos em períodos posteriores, pudemos identificar um certo padrão no desenvolvimento e sucesso, assim como, igual padrão do fracasso da mantença da liderança conquistada.
Basicamente, o sucesso foi alcançado, quando as nações introduziram uma abertura de seus mercados aos produtos estrangeiros, realizada direta e proporcionalmente à sua capacidade de absorver novas tecnologias, dominá-las, de melhorá-las e de inverter o processo, passando de importadora à exportadora.
Igualmente, o sucesso comercial destas nações esteve diretamente ligado à exploração de seu potencial agrícola, energético e de suas reservas minerais, no máximo possível, sem perder de vista a finitude destes insumos, frente às novas tecnologias e demandas mundiais.
Isto implica dizer que, a exploração e a majoração de preços das matérias primas raras, como o nióbio, por exemplo, ou das que se mantém quase um monopólio, até acima do máximo, implica em produzir reservas econômicas que serão úteis no custeio dos investimentos em infraestrutura.
Aliada a esta abertura, as nações que conseguiram o êxito nesta empreitada, foram aquelas que promoveram uma gigantesca reforma educacional, valendo-se inclusive da contratação maciça de mão de obra qualificada, mestres e doutores, vindos do exterior.
Juntamente com a formação profissional, igual esforço para desenvolver na população um sentimento nativista, pautado na Ética, com E maiúsculo, e na virtude da república democrática de Rousseau (amor à pátria e à igualdade), onde a corrupção fosse minorada ao máximo e o desejo de sucesso fosse coletivizado.
Em todas elas, a parceria pública privada, principalmente na infraestrutura para produção de energia, para a instalação de malha ferroviária, hidroviária ou portuária, inclusive para a produção nacional de trens e de navios, mostrou-se muito mais eficaz.
A indústria de base não é chamada de base apenas por retórica.
Paralelamente tiveram sucesso as nações que conseguiram ou sofreram derrotas as que não, todas aquelas que alcançaram eliminar das relações laborais, as práticas corporativistas, de formação de castas, de concessão de privilégios e, principalmente da eliminação da concessão de estabilidade no emprego público.
Tiveram sucesso as nações em que os sindicatos passaram a ser parceiros da indústria, cobrando delas melhorias nas condições de trabalho, salários compatíveis com as possibilidades do mercado e auxiliando-as na reciclagem e capacitação dos associados.
Tiveram sucesso as nações em que o sistema financeiro privilegiou a produção tanto quanto a simples especulação.
Por outro lado, historicamente, fracassaram todas as nações que, tendo alcançado uma posição de destaque econômico no cenário mundial, permitiram-se sofrer do mal da soberba, da acomodação para usufruto das riquezas alcançadas.
Fracassaram todas aquelas que não conseguiram manter sua juventude interessada e comprometida com o futuro nação, e dizer, todas aquelas em que os governos e a sociedade em geral, não conseguiu acompanhar a ascensão dos desejos descritos pela pirâmide de Maslow.
Por paradoxal que possa parecer, num mercado livre e aberto, fracassaram todas as nações que não construíram aparato militar capaz de assegurar sua soberania.
Isto implica em afirmar, sem meio termo, inclusive, no uso da energia atômica.
Fracassaram todas aquelas que não cuidaram de sua biodiversidade, como negócios de Estado, deixando-se invadir por filantropos mal intencionados.
Em suma, alcançaram êxito todas as nações em que as políticas públicas e estratégias de governo tiveram alcance maior, em termos de planejamento e de tempo; aquelas em que as regras estabelecidas foram cumpridas; aquelas onde o judiciário, eleito, servia ao coletivo e não à uma classe corporativizada.
Perderam todas aquelas que, de modo xenofóbico, se acharam superiores, donas da verdade, escolhidas por Deus ou imunes aos interesses, nem sempre éticos, das outras nações.

Professor Orosco








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